segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

85 anos de blá blá blá


“Obrigado aos membros da academia, à minha família, a deus, blá, blá, blá...”. Nem sempre os discursos são os mais originais. E então o que dizer de uma cerimônia que tenta, sem sucesso, se renovar a cada ano. O Oscar, ano após ano, prova que nunca vai ser parâmetro para qualidade, ainda mais se levarmos o conservadorismo bairrista dos membros da Academia de Artes Cinematográficas. 

Quase sempre não há novidades, até porque a temporada de prêmios anterior ao Oscar oferece um termômetro do que teremos. Como disse acima, não é parâmetro de qualidade, mas é parâmetro para o grande público. Quantas vezes não vemos aquelas comparações: “o Oscar do não sei que lá”.

O glamour exposto a milhões em todo o mundo, os pinguins e as dondocas tão esticadas que exalam inconfortabilidade são elementos que vendem a tal festa. Os ciclos da academia provam que se discutir o que é cinema industrial e cinema de autor está longe das intenções desse "seleto" grupo. As categorias “alternativas”, como curta, de ficção, animação e documentário, documentário de longa-metragem, apesar de fugirem um pouco do bom senso, ou non sense, ainda assim esbarram naquele bairrismo, também já citado. 

A verdade é que, hoje, o maior atrativo do Oscar, pra mim, é a espera de alguma polêmica, algum acontecimento inusitado, uma invasão, um protesto... O desta noite tem sido interessante a postura politicamente correta do politicamente incorreto Seth Macfarlane. Os discurso dos “menores” não são apenas interrompidos no audio, mas também nas imagens. O corte sai dos “agradecimentos” e vai pro mestre de cerimônia. 

Agora há pouco, os diretores do documentário curta-metragem “Inocente” falavam sobre a importância de valorizar artistas como a personagem representada no filme. A moça estava no palco, mas os organizadores não perdoaram os segundos a mais. Tiraram o microfone e a imagem. É constrangedor... para eles, a Academia.

Fora que sabemos que “Argo” deve ser o grande vencedor, por conta de toda a carreira que fez nas premiações dos sindicatos, já que a maioria dos votantes desses prêmios são os mesmos do Oscar. Não houve equilíbrio, apenas a derrubada do todo poderoso Spielberg, com seu retrato de Lincoln e no topo das indicações. 

A matemática é mais ou menos essa. Até o momento, Christopher Waltz levou o Oscar de ator coadjuvante por “Django Livre”. “As Aventuras de PI” levou fotografia e efeitos especiais. “Os Miseráveis” arrebatou maquiagem, enquanto "Anna Karenina" levou o Oscar de figurino. Os técnicos continuam sendo os menos previsíveis, mas falam muito pouco. Onde está a linguagem cinematográfica. Esses velhos vivem de seus ciclos, de suas bilheterias e daquilo que acham, em suas cabeças incompreensíveis, inovador. 

Em dias de hoje é difícil... Enquanto escrevo isso aqui, mais um previsível, porém merecido prêmio, foi dado a Haneke por “Amour”, na cateogira Melhor Filme Estrangeiro. E o blá blá blá continua. Vale lembrar que muitos filmes são procurados nos cinemas após a premiação. Enche o bolso do estúdios. E assim vive a bilionária indústria hollywoodiana, à beira de um colapso nervoso, de lados opostos, à espera de milagres que nunca chegarão.

Termino sem saber porque continuo escrevendo sobre prêmios ou sobre cinema, sem nunca entender a lógica de produção industrial. 

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