quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

É quarta-feira! Confira a programação


Confira a programação do Cine Nostalgia para março

Dia 01 às 15:00 filme " A LONGA VIAGEM DE VOLTA " ( Baseado na novela de Eugene O'Neill ) 1940 - ( USA )
John Wayne, Thomas Mitchel, Ian Hunter ee Barry Fitzgerald
Diretor - John Ford - Aventura - 12 anos - 105min.

Dia 02 às 15:30 filme " ALICE NÃO MORA MAIS AQUI " 1974 ( USA )
Dia 03 às 16:00 ( O MESMO FILME )
Ellen Burstyn, Kris Kristofferson e Diane Ladd
Diretor - Martin Scorcese - Drama - 14 anos - 112 min.

 Dia 07 às 15:00 filme "A TORTURA DO SILÊNCIO "  1963 ( USA )
Montgomeery Clift, Anne Baxter e Karl Malden
Diretor - Alfred Hitchcock - Suspense - 14 anos - 94 min.

Dia 08 às 15:00 filme " O FILHO DOS DEUSES " 1940 ( USA )
Tyrone Power, LInda Darnelol, Brian Donlevy e Fean Jagger
Diretor - Henry Hathaway - Aventura - Livre - 114 min

Dia 09 às 15:30 Filme " É PROIBIDO AMAR " 1961 ( USA )
Dia 10 às 16:00 ( O MESMO FILME ).
Enzio Pinza, Lana Turne, Marjorie Main e Debbie Reynolds
Diretor  - Don Hartman - Romance - 14 anos - 86 min.

Dia 14 às 15:00 filme " DE TANGA E SARONGUE " 1952 ( USA )
Bing Crosby, Doroth Lamour e Bob Hope.
Diretor - Hal Walker - Comédia - Livre - 90 min.

Dia  15  às 15 :00 filme " MARIA STUART - A RAINHA DA ESCÓCIA " 1936 ( USA )
Katarine Hepburn, Frederich March e Donald Crisp
Diretor - Pandro S. Berman - Drama - 14 anos - 124 min.

Dia 16 à s15:30 filme " A BELA DO BAS-FOND" 1958 ( USA )
Dia 17 às 16:00  ( O MESMO FILME )
Robert Taylor, Cyd Charisse e Lee J. Cobb
Diretor - Nicholas Ray - Romance - 14 anso - 99 min.

Dia 21 às 15:00 filme " PECADO SEM MÁCULA " 1949 ( USA )
Farley Granger, Cathy O' Donnell, James Craig e Paul Kelly
Diretor - Anthony Mann - Drama - 1'2 anos - 90 min.

Dia 22 às 15:00 filme " A EMBRIAGUES DO SUCESSO " 1957 ( USA )
Burt Lancaste, Tony Curtis e Susan Harrison
Diretor - Alexandre Mackendrick - Drama - 12 anos - 96 min.

Dia 23 às 15:30 Filme "  A CHAVE " 1958 ( USA ) 
Dia 24 às 16:00 ( O MESMO FILME )
William Holden, Sophia Loren e Trevor Howard
Diretor - Carol Reed - Drama - 12 anos - 134 min.

Dia 28 às 15:00 Filme " DENTRO DA NOITE " 1940 ( USA )
George Raft, Ann Sheridan, Ida Lupino e Humprey Bograt
Diretor - Raoul Walsh - Drama - 12 anos - 93 min.

Dia 29 às 15:00 filme " O ARCO MÁGICO " 1943  ( USA ) -  ( A vida do compositor italiano  Paganine )
Stewat Granger, Phylis Calvert, Jean Kent e Dennis Price
Diretor - Bernard Kowels - DRama - 12 anos - 121 min.

Dia 30 às 15:30 filme " O EGÍPCIO " 1954 ( USA )
Dia 31 às 16:00   ( O MESMO FILME )
Jean Simmons. Edmond Purdom, Victor Mature e Gene Tiemey
Diretor - Michael Curtiz - Dama/Épico - Livre - 134 min.

O Cine Nostalgia funciona no Teatro da Barra, na Rua Marquês de Caravelas, em Salvador. O valor do ingresso é R$ 6.

E o Oscar foi para...


Não vou aqui enumerar todos os premiados do Oscar, pois uma cacetada de sites, portais, jornais já o estão fazendo. Não tem nada de novo em dizer que “Argo” venceu, já que era o mais esperado e que, apesar de todas as indicações, “Lincoln” levou o esperado Oscar de  Melhor Ator, para Daniel Day-Lewis e Melhor Desenho de Produção.

Muitos achavam que seria Spielberg, mas o conservadorismo da Academia vale também para a “generosidade” em distribuir estatuetas. Três são muitas. Acabaram dando um segundo prêmio para Ang Lee, por “As Aventuras de PI”, uma das únicas surpresas de verdade da noite.  

Não se pode falar em regras, afinal Christopher Waltz levou, em um intervalo de três anos, dois prêmios de Melhor Ator Coadjuvante, os dois via Tarantino, que, por sua vez, foi contemplado pelo roteiro original de “Django Livre”.

E assim o Oscar caminha para os 90 anos, sem novidades à vista, assim como esse post, que também não faz sentido algum a essa hora da noite. 

85 anos de blá blá blá


“Obrigado aos membros da academia, à minha família, a deus, blá, blá, blá...”. Nem sempre os discursos são os mais originais. E então o que dizer de uma cerimônia que tenta, sem sucesso, se renovar a cada ano. O Oscar, ano após ano, prova que nunca vai ser parâmetro para qualidade, ainda mais se levarmos o conservadorismo bairrista dos membros da Academia de Artes Cinematográficas. 

Quase sempre não há novidades, até porque a temporada de prêmios anterior ao Oscar oferece um termômetro do que teremos. Como disse acima, não é parâmetro de qualidade, mas é parâmetro para o grande público. Quantas vezes não vemos aquelas comparações: “o Oscar do não sei que lá”.

O glamour exposto a milhões em todo o mundo, os pinguins e as dondocas tão esticadas que exalam inconfortabilidade são elementos que vendem a tal festa. Os ciclos da academia provam que se discutir o que é cinema industrial e cinema de autor está longe das intenções desse "seleto" grupo. As categorias “alternativas”, como curta, de ficção, animação e documentário, documentário de longa-metragem, apesar de fugirem um pouco do bom senso, ou non sense, ainda assim esbarram naquele bairrismo, também já citado. 

A verdade é que, hoje, o maior atrativo do Oscar, pra mim, é a espera de alguma polêmica, algum acontecimento inusitado, uma invasão, um protesto... O desta noite tem sido interessante a postura politicamente correta do politicamente incorreto Seth Macfarlane. Os discurso dos “menores” não são apenas interrompidos no audio, mas também nas imagens. O corte sai dos “agradecimentos” e vai pro mestre de cerimônia. 

Agora há pouco, os diretores do documentário curta-metragem “Inocente” falavam sobre a importância de valorizar artistas como a personagem representada no filme. A moça estava no palco, mas os organizadores não perdoaram os segundos a mais. Tiraram o microfone e a imagem. É constrangedor... para eles, a Academia.

Fora que sabemos que “Argo” deve ser o grande vencedor, por conta de toda a carreira que fez nas premiações dos sindicatos, já que a maioria dos votantes desses prêmios são os mesmos do Oscar. Não houve equilíbrio, apenas a derrubada do todo poderoso Spielberg, com seu retrato de Lincoln e no topo das indicações. 

A matemática é mais ou menos essa. Até o momento, Christopher Waltz levou o Oscar de ator coadjuvante por “Django Livre”. “As Aventuras de PI” levou fotografia e efeitos especiais. “Os Miseráveis” arrebatou maquiagem, enquanto "Anna Karenina" levou o Oscar de figurino. Os técnicos continuam sendo os menos previsíveis, mas falam muito pouco. Onde está a linguagem cinematográfica. Esses velhos vivem de seus ciclos, de suas bilheterias e daquilo que acham, em suas cabeças incompreensíveis, inovador. 

Em dias de hoje é difícil... Enquanto escrevo isso aqui, mais um previsível, porém merecido prêmio, foi dado a Haneke por “Amour”, na cateogira Melhor Filme Estrangeiro. E o blá blá blá continua. Vale lembrar que muitos filmes são procurados nos cinemas após a premiação. Enche o bolso do estúdios. E assim vive a bilionária indústria hollywoodiana, à beira de um colapso nervoso, de lados opostos, à espera de milagres que nunca chegarão.

Termino sem saber porque continuo escrevendo sobre prêmios ou sobre cinema, sem nunca entender a lógica de produção industrial. 

A Quarta Parede Sobre Nós

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Filme romeno vence Urso de Ouro em Berlim

O filme "Child's Pose", da Romênia, foi o grande vendedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim, neste sábado. O longa, dirigido por Calin Peter Netzer, conta a história de uma mãe que tenta comprar a liberdade do filho depois de ele ser preso por matar acidentalmente um outro garoto.

Veja lista completa de vencedores:

Urso de Ouro para melhor longa
"Child's Pose" (Romênia)

Urso de Prata para melhor diretor
David Gordon Green por "Prince Avalanche" (EUA)

Grande Prêmio do júri
"An Episode in Life of an Iron Picker" (Bósnia)

Urso de Prata para melhor atriz
Paulina García por "Gloria" (Chile)

Urso de Prata para melhor ator
Nazif Mujic por "An Episode in the Life of an Iron Picker"

Prêmio Alfred Bauer
"Vic+Flo Saw a Bear" (Canadá)

Urso de Prata para melhor roteiro
"Closed Curtain", escrito por Jafar Panahi (Irã)

Urso de Prata por contribuição artística
Aziz Zhambakiyev

Menção especial
"Promised Land", de Gus Van Sant

Menção especial
"Layla Fourie", de Pia Marais

Prêmio de primeira apresentação
"The Rocket" (Austrália)

Urso de Ouro para melhor curta-metragem 
"The Runaway" (França)

Urso de Prata de melhor curta-metragem
"Remains Quiet" (Alemanha)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"Segunda Mania" da UCI está de volta a partir do dia 18


A "Segunda Mania" da rede UCI estará de volta na próxima segunda-feira. Os espectadores vão pagar R$ 8 pela inteira e R$ 4 pela meia todas as segundas-feiras. A promoção só não vale para feriados, vésperas de feriado e filmes 3D.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cineclube na UFBA


A Universidade Federal da Bahia vai abrir um espaço para exibição de trabalhos de seus alunos. Trata-se do projeto CineFacom, que vai reunir, expor e debater a produção audiovisual dos estudantes da instituição. Durante os encontros, previstos para serem realizados quinzenalmente às quartas-feiras, serão exibidos filmes consagrados do cinema nacional e mundial.

Os encontros serão no auditório da Faculdade de Comunicação, em Ondina. Os alunos ainda podem mandar seus filmes para seleção. Nessa primeira edição, que acontece no dia 27, os organizadores estão selecionando curtas de ficção com até 15 minutos de duração. Tire suas dúvidas e faça a inscrição através do e-mail outraspalavras.cafacom@gmail.com.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mais um filme de Tarantino



Desde que lançou o seu primeiro longa em 1992, Quentin Tarantino já dava o recado de que veio pra deixar a sua marca no cinema norte-americano. Não sei se o fato de ter trabalhado em um balcão de locadora tem alguma relação com isso, mas o cineasta sempre demonstrou a sua apreciação pelos diferentes gêneros cinematográficos.

Vinte anos depois e alguns milhões a mais no bolso permitiram que Tarantino migrasse do cinema de baixo orçamento para as superproduções, com locações na Europa, e contratasse estrelas de Hollywood (ele que ficou famoso por revigorar a carreira de John Travolta em “Pulp Fiction”, de 1994).

“Django Livre” (EUA, 2012) é a mais nova “vingança” de Tarantino contra a história. Se em “Bastardos Inglórios” (EUA, 2010) ele praguejou contra o nazismo e “refez” do seu jeito, neste novo longa o diretor oferece ao espectador um banho de sangue em cima dos escravocratas sulistas dos Estados Unidos do século XIX.

Django, a personagem que dá título ao filme, é um escravo liberto e está sob a tutela do caçador de recompensas Dr. King Schultz, um alemão que perambula pelas terras truculentas estaduninenses. O ex-escravo, junto com o alemão, vai em busca de sua esposa, Brunhilde, propriedade do fazendeiro Calvin Candie, cujo hobby é assistir lutas de escravos que se esmurram até a morte.

Tarantino, como já era de se esperar, não se propõe a resgatar a história, mas aplica um olhar próprio, constrói à sua maneira e conduz como melhor lhe convém. Obviamente, gera controvérsias. Spike Lee, que critica abertamente Tarantino há alguns anos, e, mesmo sem ter visto “Django Livre”, acusou o colega de ser desrespeitoso com a história. “A escravidão não foi um spaghetti western de Sergio Leone”, afirmou Lee, via Twitter.

O diretor de”Django Livre” aponta sua visão ácida com os típicos diálogos escrachados e situações inusitadas, como na cena em que um grupo de fazendeiros sulistas, que seriam parte do klu klux klan, reclamava de não enxergar nada com aquele capuz branco. Ele explora o absurdo do processo, por meio da comicidade, o que pode incomodar.

O cineasta situa-se claramente na zona de confronto, desenha os sulistas brancos como caipiras ignorantes, absorve o sofrimento através de belíssimos planos. A violência, em um filme de Tarantino, é uma personagem a parte, e não foi diferente em “Django Livre”. O exagero faz parte do discurso do absurdo, com “acrobacias” pitorescas, tiros com a plasticidade sonora típica dos faroestes dos anos 60 e um banho de sangue bem ao estilo, justamente, de Sergio Leone (guardada, obviamente, as devidas proporções de recursos).

Faroestes esses que são os grandes homenageados da vez. Planos americanos, utilização das lentes zoom, os filtros que davam um ar de “envelhecimento” aos planos mais abertos... A fotografia do excelente Robert Richardson não deixa a desejar. Para tentar dar um ponto final à polêmica, o diretor escolhe uma trilha sonora de batidas contemporâneas, que vão desde peças de Ennio Morricone ao rap afroamericano. Ou seja, nada de trilhas típicas de faroestes ou filmes de época. Assim, Tarantino tenta dizer: “essa não é a história oficial, é a minha história”.

A personagem de Chritstopher Waltz, escrita especialmente para ele, tem uma presença duvidosamente marcante, como a figura que conduz ao bem, mesmo tendo um caráter duvidoso (afinal, é um caçador de recompensas). Jamie Foxx rouba a cena, de fato, fazendo jus ao papel que lhe foi confiado. E DiCaprio continua sendo ele mesmo.

Tinha que chegar a uma conclusão, mas não tenho, nem posso ter. Tarantino é uma daquelas figuras ambíguas. É independente, mas é pop star. Está em busca de prêmios (o próprio assumiu que quis lançar o filme a tempo do Oscar). As pessoas vão ver um filme de Tarantino porque é um filme de Tarantino. Elas riem, se apavoram com tanta violência e, ao final, não sabemos, exatamente, se adoraram ou detestaram (pois, geralmente, é oito ou oitenta...)

Talvez as expectativas estejam muito acima daquilo que está em tela. No fim, “Django Livre” é só mais um filme de Tarantino, que levou o Globo de Ouro de Roteiro Original e rendeu a Waltz o mesmo prêmio de Ator Coadjuvante.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Diário de um ativista


Foto: Mário Bittencourt
Era final de tarde do dia 10 de dezembro de 2009 em Havana. O cineasta Dado Galvão chega ao hotel “escoltado” pelo movimento Damas de Branco, grupo de mulheres que faz oposição ao regime ditatorial dos Castro. Na recepção, entregam-lhe um bilhete, solicitando sua apresentação ao Centro Internacional de Imprensa.

Dado estava em Havana para participar de um festival de cinema. Iria apresentar o seu filme “A Grande Moeda” (Brasil, 2008), que tratava do trabalho dos voluntários da Pastoral da Criança e contou com a participação de Zilda Arns, morta em 2010 durante um terremoto no Haiti. Aproveitou a oportunidade para executar um novo projeto: “Conexão Cuba Honduras”, que será exibido na cidade de Feira de Santana, na próxima segunda-feira, 18.

Mas ele tinha que comparecer ao Centro de Imprensa assim que chegasse em Cuba. Não o fez, pensando nas limitações que iriam impor ao seu trabalho. E os recursos já eram escassos. Tinha R$ 600 no bolso, para passar duas semanas em Cuba e uma semana em Honduras. A câmera foi emprestada pelo setor de audiovisual da prefeitura de Jequié, onde trabalha e vive.

Dado já havia conversado com Yoani Sánchez, a blogueira cubana que faz oposição ao regime político de seu País. Tinha restrições para filmar em praça pública, mas, quando viu o movimento Damas de Branco passar à sua frente, não pensou duas vezes. Sacou a câmera e acompanhou o grupo. Ao final, quando já ia voltar para o hotel, elas alertaram: “Não vá agora. Espere um pouco, pois acompanharemos você”.

“Pensei que fosse um pouco de exagero por parte delas, mas esperei. Ao chegar no hotel, recebi o bilhete”, lembra. Dado foi ao Centro Internacional de Imprensa e disse que apenas ouviu. Teve poucas oportunidades para falar. Tinha medo que levassem o equipamento e mais receio ainda de ser preso. Mas o que amenizou a sua situação foi o fato de ter sido convidado para participar do festival de cinema. “Como tinha o crachá, ele não pôde fazer muita coisa. Apenas disse que iria mandar uma carta de repúdio à instituição que fez o convite”.

Bilhete solicitando comparecimento de Dado
ao Centro de Imprensa

Para evitar mais problemas, Dado solicitou imagens de arquivos aos seus contatos em Cuba, inclusive a Yoani. Partiu para Honduras, onde a situação seria ainda mais problemática. Há poucos meses, a população acompanhava o golpe militar que prendeu o então presidente Manuel Zelaya. “O hotel que fiquei estava deserto. O País estava em estado de sítio”, conta.

Canal 36

O que chamou a atenção de Dado em Honduras foi o fechamento do Canal 36. Sua fonte era o diretor do programa Así se Informa, Esdras Amado López. Em Honduras, fazia imagens da embaixada brasileira, rodeada por militares. Ele se abaixou para pegar um plano específico. Ao se levantar, já havia militares na sua cola.

Pediram passaporte, interrogaram-no. “Disse que tinha o visto de jornalista e podia fazer o que estava fazendo”. Nesse momento, passou um carro da Unicef, que levava mantimentos para a embaixada do Brasil. Foi a chance que Dado teve para colocar a câmera de volta na mochila e esperar a devolução de seu passaporte.

Essa é apenas parte da jornada encarada por Dado Galvão para concretizar o filme “Conexão Cuba Honduras”. Mais do que um retrato de um contexto a partir de personagens envolvidos no filme, o diretor buscou levantar a discussão acerca da liberdade de pensamento. “Não entro no mérito político ou no que é melhor ou pior. Quero apenas contribuir para a discussão da liberdade de expressão, de as pessoas serem livres para optar por um lado ou outro e também para criticar aquilo que discordam”.

O debate é universal, conforme colocou o próprio cineasta. “Vivemos o cerceamento da liberdade em diferentes contextos, inclusive no Brasil contemporâneo. Na minha cidade, existem três rádios comerciais. As comunitárias são ligadas à igreja e não tratam dos problemas do município. Não existe uma liberdade total. Mas, em países com regimes ditatoriais, isso fica mais evidente”.

Exibição

A luta para exibir o filme também foi um capítulo a parte. Além do impedimento por parte dos governos cubano e hondurenho para liberar, respectivamente, Yoani Sánchez e Esdras Amado López, faltou espaço para a projeção. Como Amado López conseguiu a liberação antes, no dia 21 de abril de 2012, Dado fez uma primeira exibição em Jequié.

A segunda, já com a presença de Yoani confirmada, seria realizada em Vitória da Conquista, cidade próxima à Jequié. Mas, há poucas semanas do evento, a prefeitura retirou o apoio. “As justificativas eram as de sempre: ajuste fiscal de início de ano. Outras pessoas falaram que o problema era o impacto negativo no bom relacionamento entre Cuba e Bahia”, revela Dado.

A exibição foi transferida então para Feira de Santana. Não entramos no âmbito das dificuldades para trazer Yoani. “Conseguimos recursos, através de doações, para pagar passagem e hospedagem. A questão do passaporte era outro problema”, conta o cineasta.

Entre promessas de apoio político descumpridas, Dado encontrou o comprometimento do senador Eduardo Suplicy, depois de enviar inúmeros e-mails para o Senado, sendo ele o único a responder e acompanhar de perto o processo, intercedendo, inclusive, junto à presidente Dilma Roussef. O senador confirmou presença na exibição do filme em Feira de Santana.

“Ao longo dessa jornada, acabei atuando mais como ativista do que como cineasta”, afirma Dado. Como o próprio declarou, o debate do filme é muito mais amplo do que um simples retrato de um determinado contexto político. Nesse aspecto, o audiovisual aparece, mais uma vez, como um instrumento de provocação, reflexão e mudança.

Cinema de guerrilha

Dado entra no hall daqueles cineastas que mostram: fazer cinema depende de vontade. Recursos e equipamentos devem ser consequências dessa vontade. Com R$ 600, ele realizou um filme que colocará Feira de Santana, a porta do sertão baiano, nos holofotes de um importante debate, contando com a presença de uma personagem em evidência, a blogueira Yoani Sánchez.

Yoani faz oposição ao governo através do seu blog Geração Y. Mais uma vez, o debate não está em torno do certo e errado, mas, sim, da liberdade. “Acredito no poder de transformação do audiovisual e espero que esse filme possa fomentar o debate nas mais diferentes esferas”, disse Dado.

A conversa encerrada após quase uma hora e meia revelou um cara tranquilo, mas determinado e comprometido naquilo que faz. “Conexão Cuba Honduras” é um filme de um cineasta de Jequié, feito na base da guerrilha, mas que vem alcançando uma repercussão de dimensões internacionais, indo além de seu papel enquanto produto audiovisual. Tornou-se um instrumento de debate acerca da liberdade de expressão. E, com certeza, há muito mais o que falar, além do que está aqui escrito.

Serviço:
Exibição do filme “Conexão Cuba Honduras”
Onde: Museu Parque do Saber, Feira de Santana - Bahia
Quando: 18 de fevereiro, às 19h
Entrada franca
Mais informações: www.dadogalvao.org 



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A arte que nasce da dor


Ainda em tela preta, ouvimos sons de água em volume, como um rio que corre com violência. A primeira imagem que temos é de um cenário bucólico, um rio, rodeado por verde, montanhas ao fundo. Em seguida, a câmera revela algumas crianças brincando. Não precisamos ouvir o que elas estão falando. Basta ver. Com a mesma serenidade, podemos ver algo estranho. Um corpo de uma jovem, provavelmente uma adolescente, bóia nesse imenso rio.

Logo depois, um contraste. Saímos do cenário bucólico e entramos na paisagem urbana, sem a mesma serenidade. Tudo parece veloz, tumultuado. Nesse ponto, somos apresentados a Mija, interpretada por Yoon Hee-jong, a personagem principal de “Poesia” (Coreia do Sul, 2010). A relação entre o corpo que bóia no rio e essa senhora é revelada ainda na primeira metade do filme.

Seu neto, um adolescente com ares de rebeldia, que vive longe da mãe, é acusado de estuprar uma jovem de seu colégio junto com outros colegas. A garota, Agnes, suicidou-se depois do incidente (é a que vemos no rio logo na primeira cena). Os pais dos outros garotos, para amenizar a situação e evitar um escândalo, sugerem o pagamento de uma indenização à mãe de Agnes, uma pequena agricultora da região. A quantia não pode ser paga por Mija.



Essa é uma das problemáticas desenvolvidas pelo diretor Lee Chang-dong. Antes de descobrirmos o incidente, Mija revela a um médico que tem esquecido algumas palavras. Esse esquecimento, subentende-se, pode ser os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer. Para combater o esquecimento das palavras, Mija entra em um curso sobre como escrever poesia, cujo objetivo é apresentar, ao final, um poema.

Então, em mais ou menos duas horas e meia de projeção, seguimos esta senhora, lutando contra o Alzheimer através das palavras, lutando contra as palavras para escrever um poema, lutando contra o tempo para salvar o neto e lutando contra a dor para entender o mundo. Durante vários momentos, ela questiona o seu professor de poesia, sobre a dificuldade de se escrever.

A jornada de Mija gira em torno da dor. Seria minimalista por parte de Lee Chang-dong dizer que a arte nasce apenas da dor. Mas ele vai além. A construção sensorial em “Poesia” insere-se no processo criativo propriamente dito. Toda a história gira em torno dessa personagem que está em busca de algo, numa realidade contubarda. Por isso, a câmera na mão dá um ritmo nervoso, paradoxalmente à suposta calmaria das ações, e os planos estão sempre em confronto com Mija, que encara o mundo e procura o seu lugar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A inversão do glamour

A temporada de premiações do cinema norte-americano parecia que estava na mão do pop star Steven Spielberg e o seu "Lincoln" (EUA, 2012). Mas um tal de Ben Affleck vem tomando conta da festa. Ele, que ficou em segundo plano depois de alcançar o estrelato junto do amigo Matt Damon em "Gênio Infomável" (EUA, 1996), assumiu, mais uma vez, o papel atrás das câmeras em "Argo" (EUA, 2012).

O longa é baseado em fatos verídicos sobre a invasão de uma embaixada dos Estados Unidos no Teerã, no final dos anos 70, e abocanhou os prêmios principais no Globo de Ouro (Melhor Filme de Drama) e nos Sindicatos dos Produtores e dos Diretores, derrubando, assim, o "todo poderoso" de Hollywood. Dizem que esses prêmios são um termômetro para o Oscar, que acontece no próximo dia 24.

Se assim o for, das 12 indicações de "Lincoln", teoricamente, o longa de Spielberg só levaria a de melhor ator, para Daniel Day-Lewis, e alguns outros poucos técnicos. Na concorrência, o que se tem de grande é Tarantino, e o seu "Django Livre" (EUA, 2012), que vem dividindo a crítica e o público. Além deles, temos uma Katherine Bigelow, que parece estar disposta a lutar mesmo contra o "terror".

"Amor", de Michael Haneke, entra na disputa também, mas já está na lista de Melhor Filme Estrangeiro, tendo grandes possibilidades de levar a estatueta. No mais, o cinema norte-americano não traz nada de novo, a não ser a inversão desse negócio que chamam de glamour.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Festival de Berlim começa hoje

Salvador será dominada pelo carnaval a partir de hoje, enquanto Berlim abre as portas para o seu tradicional Festival de Cinema. Até o dia 17, a 63a edição do evento reúne 19 filmes que concorrem aos Ursos de Ouro de Prata e cinco que estão fora da mostra competitiva. 

Confira abaixo:

"Camille Claudel" 1915, de Bruno Dumont (França).
"Elle s'en va", de Emmanuelle Bercot (França).
"Epizoda u zivotuberaca zeljeza" (An Episode in the Life of an Iron Picker), de Danis Tanovic (Bósnia-Herzegovina/França/Eslovênia).
"Gloria", de Sebastián Lelio (Chile/Espanha).
"Gold", de Thomas Arslan (Alemanha).
"La Religieuse", de Guillaume Nicloux (França/Alemanha/Bélgica).
"Layla Fourie", de Pia Marais (Alemanha/África do Sul/França/Holanda).
"The Necessary Death of Charlie Countryman", de Fredrik Bond (EUA).
"Nugu-ui Ttal-do Anin Haewon" (Nobody's Daughter Haewon), de Hong Sangsoo (Coreia do Sul).
"Paradies: Hoffnung", de Ulrich Seidl (Áustria/França/Alemanha).
"Parde" (Closed Curtain), de Jafar Panahi e Kambozia Partovi (Irã).
"Pozitia Copilului" (Child's Pose), de Calin Peter Netzer (Romênia).
"Promised Land", de Gus Van Sant (EUA).
"Side Effects", de Steven Soderbergh (EUA).
"Dolgaya schastlivaya zhizn" (A Long and Happy Life), de Boris Khlebnikow (Rússia).
"Prince Avalanche", de David Gordon Green (EUA).
"Uroki Garmonii", (Harmony Lessons), de Von Emir Baigazin, (Cazaquistão/Alemanha).
"Vic et Flo ont vu un ours", de Denis Côté (Canadá).
"In the Name of", de Malgoska Szumowska (Polônia).

Fora da lista
"The Grandmaster" (Yi dai zong shi), de Wong Kar Wai (Hong kong/China).
"The Croods", de Kirk De Micco e Chris Sanders (EUA), em 3D
"Before Midnight", de Richard Linklater (EUA/Grécia).
"Dark Blood", de George Sluizer (Holanda).
"Night Train to Lisbon", de Bille August, (Alemanha/Suíça/Portugal).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O ideal do amor (ou o amor ideal)


Um típico filme de Michael Haneke, ao mesmo tempo em que nos diz muito, nos permite chegar a múltiplas interpretações. “Caché” (França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005) é um exemplo do que escrevo. Haneke pontua bem os seus personagens, nos mostra exatamente como é o cotidiano, a fim de criarmos certa intimidade com eles, até surgir o ponto de conflito: no caso de “Caché”, um homem começa a receber fitas de vídeo de um remetente misterioso e descobre que está sendo observado.

O novo filme de Haneke, “Amor” (França/Alemanha/Áustria, 2012), segue a mesma linha, só que é ainda mais visceral. Logo de início, temos um plano sequência: bombeiros e investigadores arrombam uma porta, fazem perguntas a moradores, que estranham a falta dos vizinhos, um casal de idosos. Um dos investigadores segue pelo apartamento até chegar a um quarto, onde vemos uma senhora morta, vestida a caráter, em uma cama envolta por flores. Já está ali faz algum tempo, pois o cheiro não é suportável.

Até aí somos introduzidos ao universo de “Amor”, que vai narrar a história desse casal de idosos, magistralmente interpretados por Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. Eles são Anne e Georges, vivem em um confortável apartamento em Paris e desfrutam, aparentemente, de uma velhice saudável, permeada pela cumplicidade e pelo amor, propriamente dito. Os dois possuem uma rotina tranquila, até o dia em que Anne sofre um acidente cardiovascular.



Esse é o ponto de conflito. A partir daí, vemos os desdobramentos do ocorrido na rotina do casal, uma vez que Anne começa a desenvolver uma doença degenerativa. Georges dedica-se aos cuidados de sua esposa, mas, mesmo sem externar, deixar transparecer o sofrimento em seu olhar ao observar a situação da amada. A filha do casal, que não vive com eles, chega a questionar os métodos do pai e, no final das contas, todos os envolvidos diretamente com a doença de Anne se perguntam: até que ponto devemos prolongar o sofrimento?

Indiretamente, Haneke aborda uma série de temas em “Amor”, mas ele nos conduz a um desfecho no qual somos levados a tentar decifrar o real sentido do amor em sua essência. Praticamente, todo o filme situa-se dentro do amplo apartamento do casal. Os planos são longos e, em sua maioria, estáticos, contemplativos. Os cortes são contidos, o que nos leva a mergulhar na rotina de Anne e Georges.

Da mesma forma, o “progresso” da degeneração de Anne é acompanhado através desses planos mais longos e abertos. O espaço vazio dos quadros, no sentido humano, pode transportar o espectador a uma sensação melancólica, um processo de solidão, que aponta as dificuldades de lidarmos com o fim inevitável.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Filmes brasileiros na Venezuela

O Centro Social e Cultural de Petróleos da Venezuela, com espaços em Caracas, Maracaibo e Paraguaná, promove uma mostra de filmes brasileiros a partir de quarta-feira, 6. Serão três filmes, porém sem nenhuma representatividade. Ou seja, os venezuelanos não terão, neste evento, o que temos de melhor, nem de mais novo, da safra atual do cinema nacional.

Na lista, estão "A Mulher Invisível" (Brasil, 2009), "O Casamento de Romeu e Julieta" (Brasil, 2004) e "Avassaladoras" (Brasil, 2002).

Diviértete!

Globais ganham boquinha do Fundo Setorial


A Ancine e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul divulgaram o resultado da chamada pública Prodecine (01/2012), Linha A, do Fundo Setorial do Audiovisual. Será investido um total de R$ 50 milhões em 41 projetos de longas: 35 filmes de ficção, 3 documentários e 3 animações.

Disparada está a vontade de fazer ficção neste País, apesar de a qualidade documental mostrar-se infinitamente maior, pelo menos, considerando o que se chega nas grandes telas. Globais travestidos em suas "pequenas" produtoras conseguiram abocanhar parte do Fundo. Filmes como “Qualquer Gato Vira-Lata 2” e nomes como Mauro Mendonça Filho e Andrucha Waddington estão na lista de selecionados.

Tudo bem! A guerrilha deve continuar...

O baiano Roberto Studard aprovou, por meio da Truq, o seu projeto "O Fantasista". Veja a lista de selecionados, divulgada pela Ancine.

Proponente: Aroma Filmes
Projeto: Brega Naite
Valor investido pelo FSA: R$ 400 mil
Direção: Renata Pinheiro
Roteiro: Renata Pinheiro e Sergio Oliveira
Sinopse: Shelly, dançarina de 25 anos, sonha se tornar cantora de Brega – uma cena musical romântica e sensual da periferia brasileira. Apesar da idade, ela já é uma veterana nesse precário show business, dançando em casas noturnas e programas de TV locais. Ao conhecer Allan, um cantor e compositor em ascensão da cena, vive uma grande paixão.

Proponente: Bananeira
Projeto: Cataguases
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Jose Luiz Villamarim
Roteiro: George Moura
Sinopse: O filme narra o reencontro de dois amigos, Luzimar e Gildo, na cidade mineira de Cataguases, nos anos 70, em uma história recheada de lembranças, sonhos, frustrações, lutas e derrotas pessoais. Cataguases é baseado no livro ‘O Mundo Inimigo’, de Luiz Ruffato, sobre as migrações e conflitos sociais vividos pelo proletariado brasileiro a partir da segunda metade do século 20, quando o país vivia a industrialização nos grandes centros urbanos.

Proponente: Bananeira Filmes
Projeto: Deserto
Valor investido pelo FSA: R$ 500 mil
Direção: Guilherme Weber
Roteiro: Guilherme Weber e Ana Paula Maia da Cruz
Sinopse: Inspirado no romance ‘Santa Maria do Circo’, do escritor mexicano David Toscana. Um grupo de velhos artistas saltimbancos viaja pelo sertão brasileiro no início do século passado. A trupe é formada por anti-heróis, como Draco, um mágico que sofre de artrite e niilismo; um anão com medo da morte; Alma, uma velha comediante perdendo a razão; Valquíria, uma nostálgica cantora e pianista; Hércules, a força em decadência; Domênico, um velho domador sem leão; Narcisa, uma menina que escreve no corpo à faca; Dom Aleixo, o líder do grupo derrotado pelo tempo e seu porco de estimação

Proponente: Camisa 13
Projeto: O Porão
Valor investido pelo FSA: R$ 800 mil
Direção: Felipe Bragança
Roteiro: Fernando Toste
Sinopse: Suspenso por agredir um adolescente, o jovem policial Tito divide seu tempo entre alguns bicos como segurança particular e um casamento em crise. Sua grande chance parece surgir quando um conhecido o convida a praticar o golpe de suas vidas: um assalto a uma mansão localizada em um condomínio fechado, onde vive uma estranha família composta por um casal de idosos e sua filha deficiente. Tito sabe que, além do dinheiro e das jóias, a casa conta com um cômodo secreto, onde o velho guarda uma coleção de objetos raros, relíquias reunidas ao longo de toda uma vida.

Proponente: Casé Filmes
Projeto: No Retrovisor
Valor investido pelo FSA: R$ 2 milhões
Direção: Mauro Mendonça Filho
Roteiro: Marcelo Rubens Paiva e Lusa Silvestre
Sinopse: O reencontro de Ney e Marcos, dois ex-grandes amigos que tiveram sua amizade interrompida por uma tragédia, é ponto de partida da trama. Trinta anos depois, os dois se encontram para um acerto de contas, para lembrar o passado e passar a limpo os mal-entendidos de suas vidas. A tensão entre os dois e o fim de uma amizade tão forte constituem o foco central da narrativa dramática.

Proponente: Conspiração
Projeto: O Juízo Final
Valor investido pelo FSA: R$ 2,5 milhões
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Fernanda Torres
Sinopse: Um filme de suspense sobrenatural. Esta é a proposta básica e inovadora da narrativa de ‘O Juízo Final’, que conta a história de um acerto de contas que leva 300 anos para se concretizar.

Proponente: Conspiração
Projeto: Boa Sorte
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Carolina Jabor
Roteiro: Jorge Furtado e Pedro Furtado
Sinopse: Adaptação do conto ‘Frontal com Fanta’, de Jorge Furtado. O filme conta uma história de amor entre duas pessoas que se encontram em um momento delicado de suas vidas, João e Judite. Ele começando a vida, ela no final. Um filme que fala da solidão no mundo de hoje e da importância de outra pessoa; que fala do amor e da vida.

Proponente: Damasco Filmes
Projeto: Restô
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Andre Pellenz
Roteiro: Andre Pellenz
Sinopse: Comédia dramática que conta a história de um chef que perde o paladar justamente quando precisa fazer um novo cardápio. Além disso, ele precisa lidar com a concorrência de um jovem e modernoso concorrente, que inaugura um restaurante bem em frente ao seu.

Proponente: Dezenove
Projeto: As Boas Maneiras
Valor investido pelo FSA: R$ 1,5 milhão
Direção e roteiro: Juliana Rojas e Marco Dutra
Sinopse: Fábula moderna de horror que acompanha a protagonista Clara, uma jovem da periferia paulistana que é contratada por Ana como babá para seu filho que vai nascer. Surpreendida por um acontecimento trágico, Clara precisa aprender a ser mãe.

Proponente: Filmes do Equador
Projeto: João ou O Milagre das Mãos
Valor investido pelo FSA: R$ 3 milhões
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Marcio Alemão
Sinopse: História real de um homem que lutou com todas as suas forças pelo grande amor de sua vida: a música. O pianista João Carlos Martins, de origem humilde, enfrentou toda sorte de obstáculos em sua carreira, e o filme conta a sua história de sucesso e superação.

Proponente: Gaia Filmes
Projeto: Pureza
Valor investido pelo FSA: R$ 2 milhões
Direção: Renato Barbieri
Roteiro: Renato Barbieri e Paulo Moreli
Sinopse: O filme retrata a saga de uma mãe para resgatar seu filho do trabalho escravo, um drama que perdura até os dias de hoje no meio rural brasileiro. Partindo de uma iniciativa pessoal para reencontrar seu filho, Dona Pureza, munida de uma pequena máquina fotográfica e um gravador portátil, acaba recolhendo em sua jornada valiosos registros em foto e áudio que revelam as atrocidades cometidas pelo regime da servidão humana em fazendas do Maranhão e do Pará, nas quais muitos trabalhadores permanecem sobrevivendo de forma aviltante

Proponente: Glaz
Projeto: Tô Ryca!
Valor investido pelo FSA: R$ 1,750 milhão
Direção e roteiro: Vitor Brandt Figueiredo
Sinopse: Patrícia, uma gastadora compulsiva, recebe uma herança de sua tia-avó. Porém, para ganhar a bolada de 300 milhões de reais, Patrícia terá que passar no desafio proposto pela velha: terá que torrar R$ 30 milhões no período de um mês. Com a ajuda da melhor amiga, a travesti Jô, Patrícia vai passar 30 dias gastando enlouquecidamente, só para aprender que, no fim das contas, há coisas que o dinheiro não compra.

Proponente: Goritzia
Projeto: O Adorador
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Pedro Amorim
Roteiro: Cristiano Gualda e Pablo Padilla
Sinopse: Adaptação do livro homônimo de Zeca Fonseca. Conta a história de Lemok, escritor fracassado que, após se separar da mulher se transforma em “O Adorador”, terror dos maridos ausentes e sonho de mulheres casadas e infelizes. Mas o que parece ser um cotidiano de incríveis aventuras sexuais torna-se um martírio para o Adorador: ele não consegue ter um orgasmo. O encontro com duas exuberantes e misteriosas mulheres leva a um final que questiona os riscos das relações estabelecidas no campo virtual

Proponente: Grafo
Projeto: O Homem que Matou a Minha Amada Morta
Valor investido pelo FSA: R$ 450 mil
Direção e roteiro: Aly Muritiba
Sinopse: A história de Paulo, um homem calado que se vê diante do desafio de cuidar sozinho do filho, após a morte de Ana, sua esposa e grande amor. Devoto da mulher, a vida de Paulo sofre uma guinada quando ele descobre fatos comprometedores sobre seu passado. Trata-se de um drama passional, em que as obsessões e a insegurança masculinas são esmiuçadas. O tema principal é a ausência e o ciúme: quanto conhecemos aqueles que amamos? Que segredos guardam as coisas que mantemos encaixotadas em casa? Por que o passado nos assombra?

Proponente: Gullane
Projeto: Vida de Palhaço
Valor investido pelo FSA: R$ 3 milhões
Direção: Daniel Rezende
Roteiro: Luiz Bolognesi
Sinopse: Um filme sobre o homem por trás do personagem e sobre o amor entre pai e filho. Sobre um ator que busca a fama, mas que ao encontrá-la precisa esconder sua identidade no anonimato de uma máscara de palhaço. Sobre um palhaço que faz rir a todos, mas que tem dificuldades em se relacionar com o próprio filho.

Proponente: Gullane
Projeto: 4 x 100
Valor investido pelo FSA: R$ 1,5 milhão
Direção: Carlos Cortez
Roteiro: Caroline Fioratti
Sinopse: ‘4 X 100’ narra as histórias de Maria Lúcia, Adriana, Jaciara e Sofia. Quatro mulheres diferentes, em momentos distintos da suas vidas e que precisam passar por cima dos dramas pessoais para se tornarem um único corpo em movimento. Um corpo em busca de uma medalha Olímpica. Um filme sobre confiança, superação e conquista.

Proponente: HB Filmes
Projeto: Cidade Maravilhosa
Valor investido pelo FSA: R$ 2 milhões
Direção e roteiro: Hector Babenco
Sinopse: J oão, um lutador brasileiro de vale-tudo, é deportado dos Estados Unidos e se vê obrigado a retomar sua antiga profissão: seduzir e explorar turistas estrangeiras. Em meio às estratégias e tramas de sedução de uma americana, depara-se com sentimentos que até então desconhecia. O escorpião tatuado em seu dorso intui a sua natureza. Será possível mudá-la?

Proponente: Lacuna Filmes
Projeto: Todas as Coisas Mais Simples
Valor investido pelo FSA: R$ 600 mil
Direção e roteiro: Daniel Ribeiro
Sinopse: A história de Leonardo, um jovem cego de 15 anos lidando com as descobertas da adolescência. Leonardo e Giovana são amigos desde a infância e atualmente estão no primeiro ano do colegial. Quando um novo garoto, Gabriel, entra na escola, os três tornam-se amigos instantaneamente. No entanto, a chegada de um terceiro elemento afeta aquela amizade duradoura. Apesar de não haver reciprocidade, Giovana não consegue mais esconder a paixão que sente por Leonardo. Já ele, com o passar do tempo, descobre-se apaixonado por Gabriel.

Proponente: Matizar
Projeto: Órfãos do Eldorado
Valor investido pelo FSA: R$ 900 mil
Direção: Guilherme Coelho
Roteiro: Guilherme Coelho, Hilton Lacerda e Marcelo Gomes
Sinopse: Baseado no mais recente romance do escritor amazonense Milton Hatoum, o filme narra a história de um homem que, assombrado pela perda da mãe e a distância do pai, vive a ruína da empresa familiar e a perda da mulher que ele ama. Nesse trajeto, ele se desfaz de suas raízes, de seu patrimônio e de sua razão em uma busca obsessiva por um amor inalcançável – e por isso mesmo, irresistível.

Proponente: Melodrama
Projeto: Doidas e Santas
Valor investido pelo FSA: R$ 1,750 milhões
Direção: Pedro Antonio e Cesar Rodrigues
Roteiro: Regiana Antonini e Claudia Gomes
Sinopse: Baseado no livro de Martha Medeiros e na peça de Regiana Antonini. Beatrizé uma psicanalista que vive um drama conjugal, ao mesmo tempo em que acumula todas as tarefas que uma mulher moderna que trabalha fora carrega em seu cotidiano.
Tem que administrar seu consultório, os pacientes, a filha adolescente, a mãe que de repente vem viver na casa dela, uma irmã ausente que vive em Porto Alegre e um marido que após tantos anos de casamento já não a faz feliz

Proponente: Migdal
Projeto: Linda de Morrer
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Cris Damato
Roteiro: Carol Castro
Sinopse: Paula, famosa cirurgiã plástica que descobre a cura para a celulite, morre vítima dos efeitos colaterais da própria descoberta, ao tomar a primeira dose. Com a ajuda de um amigo que acabou de se descobrir médium, eles terão que impedir o lançamento da cura milagrosa pela sócia gananciosa de Paula, Fran.

Proponente: Mínima
Projeto: Ponto Zero
Valor investido pelo FSA: R$ 400 mil
Direção: José Pedro Goulart
Roteiro: José Pedro Goulart
Sinopse: Um mergulho profundo na vida de Ênio, um jovem de 15 anos, dividido entre a cruz (a mãe, religiosa e carente do marido, e por isso dependente do afeto do filho) e a espada (o pai, iconoclasta e ausente, que estimula Ênio a ocupar a lacuna deixada por ele em casa). Tal divisão obstrui a capacidade de Ênio lidar com as próprias questões pessoais, justamente no começo da adolescência, quando um fluxo desordenado de emoções, desejos e impulsos o deixa confuso e perdido.

Proponente: Moonshot
Projeto: Querida Mamãe
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Jeremias Moreira
Roteiro: Luiz Bolognesi e Jaqueline Vargas
Sinopse: Adaptação do texto de Maria Adelaide Amaral, peça que estreou em 1994 e permaneceu por três anos em cartaz, constituindo um grande sucesso de público e crítica. Seu tema central são os desencontros e incompreensões acumulados na relação entre mãe e filha. Uma situação universal presente em grande parte das famílias, sem distinção de origem ou grupo social.

Proponente: O2
Projeto: A Pele do Cordeiro
Valor investido pelo FSA: R$ 1,5 milhão
Direção e roteiro: Paulo Morelli
Sinopse: História de um grupo de amigos apaixonados por literatura que, durante um fim de semana na Mantiqueira, resolvem escrever cartas para si próprios, para serem abertas em exatos 10 anos, onde expõem seus sonhos e projetos de futuro. No mesmo dia, o mais talentoso deles sofre um acidente e morre. Dez anos depois, o grupo se reúne para abrir as cartas, e confrontar os sonhos da juventude com as imposições da maturidade.

Proponente: O2
Projeto: Exodus
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Hank Levine
Roteiro: Hank Levine
Sinopse: Documentário de longa-metragem que retrata o cenário atual de deslocamentos humanos, principalmente refugiados. Por meio da narrativa costuram-se histórias verídicas de pessoas que, na busca pela sobrevivência, formam uma nova rede de deslocamentos, que se estende por todos os continentes do mundo. ‘Exodus’ será filmado em dez paises diferentes mostrando os problemas de deslocamentos dentro de um contexto histórico.

Proponente: Pulsar
Projeto: Sampa
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Carlos Alberto Riccelli
Roteiro: Bruna Lombardi
Sinopse: Sampa conta histórias de amor que se entrelaçam. Entre o movimento do trânsito caótico e o romantismo dos ipês que florescem pelas ruas de São Paulo, o filme percorre a intimidade de cinco relacionamentos amorosos e mostra como essa multiplicidade de personagens se envolve com a cidade.

Proponente: Regina Filmes
Projeto: D.Pedro II
Valor investido pelo FSA: R$ 2 milhões
Direção e roteiro: Nelson Pereira dos Santos
Sinopse: No dia 15 de novembro de 1889, o Imperador Pedro II torna-se prisioneiro dos militares que o destronaram para instaurar a Republica no Brasil. Enquanto aguarda a deportação ao lado da família, recorda-se da historia do amor que viveu com a aristocrática baiana/francesa Condessa de Barral e dos principais episódios dos 50 anos de luta política - vitoriosa em 13 de maio  de 1888 - para acabar com a escravidão no Brasil.

Proponente: República Pureza
Projeto: Galáxias
Valor investido pelo FSA: R$ 300 mil
Direção e roteiro: Fabiano Piraino Maciel
Sinopse: Histórias de pessoas de diferentes lugares do Brasil que, por iniciativa própria e por amor à leitura, enfrentando inúmeras dificuldades, criaram bibliotecas abertas ao público em suas comunidades. O documentário mostra o impacto que as bibliotecas causaram nessas comunidades e na vida de alguns de seus habitantes. Em paralelo à narrativa desses personagens, ‘Galáxias’ viaja por vários países ouvindo intelectuais e pessoas comuns responderem a outras questões ligadas ao tema: Qual o poder da literatura? De onde vem o prazer de ler? O que faz uma pessoa amar um livro?

Proponente: Sincrocine
Projeto: Tainá – O Desenho Animado
Valor investido pelo FSA: R$ 1,5 milhão
Roteiro: Claudia Levay
Sinopse: A figura e o espírito de Tainá trabalham o universo conceitual e afetivo dos pequenos espectadores. Persistência, companheirismo, solidariedade social, auto-estima e coragem são valores presentes nas aventuras da pequena guerreira. O bom  entretenimento é capitalizado em benefício da ética ambientalista. A história será enriquecida com a participação dos entes fantásticos do imaginário dos povos da floresta. Tainá tem o apoio deles e dos seus companheiros bichos.

Proponente: Start Desenhos Animados
Projeto: Lino
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Rafael Ribas e Walbercy Ribas
Roteiro: Walbercy Ribas e Estelas Renner (co-roteirista)
Sinopse: Animação em 3D. Há quem diga que a melhor parte de uma festa de criança é comer os docinhos, certo? Não para Lino! Vestindo uma gigantesca fantasia de gato, Lino é um animador de festas que passa o dia sendo atazanado pelas crianças. Cansado dessa vida, Lino vai até Don Leon, um suposto mago não muito talentoso, que o transforma naquilo que ele mais destestava: sua própria fantasia. Don Leon e Lino terão que unir suas garras e enfrentar aventuras felinas para reverter o feitiço.

Proponente: Taiga
Projeto: Quatro Histórias e Meia
Valor investido pelo FSA: R$ 300 mil
Direção e roteiro: Lucia Murat
Sinopse: Viagem filosófica na tradição de Claude Levi-Strauss, levantando questões muito atuais a partir de um trabalho desenvolvido num período de mais de 12 anos.
A idéia do documentário é trabalhar a partir das experiências pessoais da diretora durante a realização de ‘Brava Gente Brasileira’, bem como da busca desses personagens nessa nova fase. Essas experiências serão contadas em off, contrapostas ao mundo dos índios, por meio de suas imagens.

Proponente: Tambellini
Projeto: Campo Grande
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Sandra Kogut
Roteiro: Sandra Kogut e Felipe Sholl
Sinopse: História de duas crianças deixadas por sua mãe na porta de um apartamento de classe média em Ipanema, sem nenhuma explicação, a não ser um pedaço de papel com o nome e endereço da dona da casa. Ao longo do filme acompanhamos a luta das crianças para reencontrar a mãe e as transformações que a colisão entre dois mundos tão diferentes – o das crianças e o da família onde eles vão parar –produzem na vida de cada um.  À medida que o filme avança, entendemos pouco a pouco quem são as crianças, e por que elas foram trazidas até ali.

Proponente: Tambellini
Projeto: A Glória e a Graça
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Flavio Ramos Tambellini
Roteiro: Lusa Silvestre
Sinopse: História de duas irmãs que estão afastadas há anos, quando a noticia de uma doença faz com que retomem o contato conflituoso. Gloria é um travesti, dono de uma boate no bairro da Glória, na cidade do Rio de Janeiro. Durante anos, desde que mudou sua opção sexual, Gloria foi à irmã excluída e esquecida por seus parentes. Mesmo assim ela constrói sua vida com amigos e prestigio.

Proponente: Teatro Ilustre
Projeto: Barata Ribeiro 716
Valor investido pelo FSA: R$ 1,4 milhão
Direção e roteiro: Domingos Oliveira
Sinopse: Um filme onde os personagens principais estão quase o tempo todo totalmente bêbados. É a fabula da fase do álcool, da mais intensa boêmia copacabanense que termina no golpe de 64. Era o auge do samba-canção de Antonia Maria e Dolores Duran, em reação talvez ao cinema americano, onde depois do primeiro beijo aparecia “The End” na tela e todos eram felizes para sempre. Uma boemia apaixonada e desvairada como nunca houve outra.

Proponente: Teatro Ilustre
Projeto: Do Fundo do Lago Escuro
Valor investido pelo FSA: R$ 600 mil
Direção e roteiro: Domingos Oliveira
Sinopse: Comédia dramática que narra um dia na infância de Rodriguinho num casarão de Botafogo, anos 50. Filho de Conceição, neto de Mocinha, a matriarca. Seu pai, Henrique, é o rapaz pobre que entrou para a família. Orlando é o tio bêbado com 40 anos, que vive às custas da mãe. No mesmo dia em que morre a cachorra de Rodrigo, que comeu as naftalinas que a avó botou nos armários, vem à tona o fato de que Henrique, procurador de Mocinha, vendeu sem permissão dois terrenos da severa senhora.

Proponente: Tietê Produções
Projeto: Qualquer Gato Vira-Lata 2
Valor investido pelo FSA: R$ 1,5 milhão
Direção: Tomas Portella
Roteiro: Claudia Levay e Ana Paula Bonifácio
Sinopse: Nesta sequência do sucesso ‘Qualquer Gato Vira-lata’, a transformação dos personagens centrais Conrado e Marcelo fará de cada um deles como que as antíteses de si mesmos. Isso gera uma série de situações hilárias, conduzindo a protagonista Tati à ampliação de seu horizonte pessoal, sob a batuta do personagem Magrão, que se revela um mestre do cinismo.

Proponente: Tortuga/44 Toons
Projeto: O Pergaminho Vermelho
Valor investido pelo FSA: R$ 1,5 milhão
Direção: Ale McHaddo e Nelson Botter Jr
Roteiro: Fernando Alonso e Nelson Botter Jr
Sinopse: A fantástica história de Nina, uma garota órfã que leva uma pacata vida com seu Tio Frank, até o dia em que algo inusitado acontece. Seu tio desaparece após alguns eventos misteriosos, e a garota, em seu ímpeto para salvá-lo, é transportada para Telurian, um mundo onírico habitado por criaturas fantásticas. Com a ajuda de heróis, magos e seres mitológicos, Nina terá de derrotar o terrível Lorde da Escuridão, Valak, que ameaça ambos os mundos com sua magia das trevas.

Proponente: Truq
Projeto: O Fantasista
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção: Roberto Studart
Roteiro: Ecila Pedroso e Roberto Studart
Sinopse: Uma fábula ambientada no sertão nordestino, que conta uma história emocionante e bem humorada. Os habitantes de Concha Sul, um povoado que sobrevive da extração do salitre, estão prestes a encarar dois eventos que mudarão suas vidas: o fim do povoado devido ao fechamento da mina, razão da sua existência, e a última partida de futebol contra os arqui-rivais e algozes, os vizinhos argentinos do povoado de Maria Helena. Só um milagre traria a vitória inédita.

Proponente: TV Zero
Projeto: Julio Sumiu
Valor investido pelo FSA: R$ 850 mil
Direção: Roberto Berliner
Roteiro: Beto Silva e Patrícia Andrade
Sinopse: Julio sumiu. Não voltou para casa, não deu notícia, sequer deixou um bilhete à sua doce mãe, D.Edna, e ao rigoroso Sr.Eustáquio, militar reformado e exímio jogador de damas do Posto 6, em Copacabana. Aflita depois de horas de espera, D.Edna vai à delegacia denunciar o desaparecimento ao delegado J. Rui. Cada vez mais convencida de que se trata de sequestro e ignorada pelo desagradável delegado, ela resolve arregaçar as mangas e procurar Julio por sua própria conta.

Proponente: Videofilmes
Projeto: A Memória é um Músculo da Imaginação
Valor investido pelo FSA: R$ 1 milhão
Direção e roteiro: Flávia Castro
Sinopse: Joana é uma adolescente que se alimenta de literatura e rock. No inicio dos anos 80, ela chega ao Rio de Janeiro, com sua mãe, seu padrasto e seus irmãos, depois de uma infância no exílio. O choque com a nova realidade faz emergir o seu passado. Mas, paradoxalmente, à medida que suas lembranças ressurgem, o presente se torna mais leve e interessante.

Proponente: Sertaneja de Cinema
Projeto: Terra de Grande Beleza
Valor investido pelo FSA: R$ 500 mil
Direção e roteiro: Carlos Alberto Prates Correia
Sinopse: Jovem jornalista se apaixona pela prima guerrilheira. Um político de prestígio lhe subtrai a militante fidelista com um desempenho memorável, mas não consegue arrebatar a própria Noeme, a bordo de um conversível à beira de um lago.

Prêmio de Cinematografia


A Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) promove o Prêmio de Cinematografia, que contempla as categorias Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Montagem e Melhor Som para o formato longa-metragem. Além disso, a ABC entrega o prêmio de Melhor Direção de Fotografia para os formatos curta-metragem, publicidade, programa de TV e filme estudantil. O formulário deve ser preenchido até o dia 15 e os uploads dos trabalhos, até o dia 28, através do site da ABC.

O prêmio será entregue no dia 11 de maio, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Filmes como "O Palhaço" (Brasil, 2011), "Tropa de Elite" (Brasil, 2007) e "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" (Brasil, 2006) foram alguns dos contemplados pela premiação da ABC.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O que se vê


Se fosse escolher uma sequência para resumir o filme "Titicut Follies" (EUA, 1967), não haveria nada mais contundente do que a forçosa alimentação de um dos detentos de um hospital para o tratamento de prisioneiros insanos através de um tubo enfiado em uma de suas narinas. Frederick Wiseman direciona fortemente seu discurso ao alternar a montagem entre a ação dos funcionários e a arrumação de um cadáver, que é o preso alimentado “via nasal”.

O cinema direto de Wiseman projeta um olhar indignado sobre o que se vê. A câmera se movimenta e estaciona em cada um dos funcionários envolvidos na ação. A cada rosto enquadrado, um corte para o defunto. Dois funcionários seguram o pé do homem, que se recusava a comer e a beber. Ele não tem reação. Enquanto isso, um asqueroso (pelo menos, ao modo como é filmado) médico, superior na hierarquia do quadro funcional aos outros dois, fuma um cigarro, enquanto desse o produto narina abaixo de seu suposto paciente.

O médico é o último a ser enquadrado. Plano fechado em seu rosto. Contra plongée. Filmado como Hitler era registrado pela sua escola nazista de cinema. Nesse momento, Wiseman nos diz: ele é o monstro. O contraste entre as imagens do tratamento do paciente em vida e já morto revela o caráter da denúncia através da ironia. O homem é barbeado, vestido com um elegante terno, para depois ser engavetado.

Darren Aronofsky fez uma releitura  da cena em seu filme "Requiém para um Sonho" (EUA, 2000), quando uma mulher que se recusa a se alimentar é entubada, via nasal, em uma clínica psiquiátrica, para que os produtos desçam até o seu estômago.

"Titicut Follies" foi filmado em uma clínica de Massachussets, voltada para o tratamento de criminosos mentalmente desequilibrados. A narrativa não segue uma linearidade, mas incide sobre a denúncia, adotando a linha do cinema direto.

Alguns críticos questionam a ética do diretor, no momento em que expõe a humilhação, projeta em tela momentos degradantes por parte dos reclusos. Wiseman disse que só tinha autorização por parte da direção do hospital e dos funcionários. Sem dúvida, um ponto passível de discussão, mas não diminui a importância de "Titicut Follies" na história do cinema do século XX como instrumento também de denúncia.

Por tudo o que foi registrado, não se podia esperar um filme publicitário sobre o hospital. Seu conteúdo chocante foi um dos principais motivos que levaram a justiça americana, em vários estados, a proibir o filme por muitos anos.

O cinema direto ganhava uma de suas precursoras e principais obras, mostrando que a câmera pode denunciar através de uma estética crua e uma narrativa objetiva.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Filme coletivo contra evasão escolar na América Latina

Apesar de o grande público reverenciar o cinema como uma arte de entretenimento, não se pode deixar de lado seu grande poder mobilizador, reflexivo e provocador. De tempos em tempos, produções ao redor do mundos nos fazem lembrar disso e um novo filme coletivo, que está em processo de produção, vai reforçar esse uso do cinema na luta contra a evasão escolar na América Latina.

Um dos diretores é Eryk Rocha, filho de Glauber, que já finalizou o seu episódio de cerca de 10 minutos. O filme ainda não tem título, mas vai reunir diretores como a mexicana Mariana Chenillo, o argentino Pablo Fendrik e o colombiano Carlos Gaviara. Ele integra o projeto Graduate XXI, fomentado pelo BID, com o objetivo de funcionar como uma espécie de campanha contra o analfabetismo e o abandono das escolas.

A previsão é que o filme seja lançado no segundo semestre, em algum dos tradicionais festivais de cinema da Europa.

Kubrick no Brasil

A Mostra Internacional de São Paulo, neste ano, vai apresentar uma retrospectiva da obra de Stanley Kubrick. Em paralelo, será realizada uma exposição, no Museu de Imagem e Som, com objetos pessoais do diretor e artefatos utilizados em seus filmes, a exemplo da máquina de escrever de "O Iluminado" (EUA, 1980) ou das estátuas pornográficas de "Laranja Mecânica" (Inglaterra/EUA, 1971).

É a pedida para os fanáticos pelo diretor, reverenciado no mundo do cinema, por ser inovador e independente, apesar de contratado da Warner Brothers. A exposição foi uma iniciativa da viúva de Kubrick, Christiane e já rodou alguns países da Europa. Atualmente está em Los Angeles e a próxima parada é a capital paulistana, em outubro.

Stanley Kubrick morreu aos 70 anos em 1999, logo após finalizar "De Olhos Bem Fechados" (EUA, 1999), deixando um legado de 13 filmes dentro de uma trajetória de quatro décadas.