domingo, 12 de maio de 2013

Mudança de endereço

Estamos de casa nova: http://nicotinacafeinaecinema.wordpress.com

sábado, 6 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O cinema em dupla e a crônica da burguesia falida




Cinema é coletivo. Grande novidade... Se a construção coletiva, envolvendo cada departamento, é o que faz uma obra cinematográfica acontecer, afinar as visões de dois diretores em um só filme pode funcionar muito bem. No caso de “Trabalhar Cansa” (Brasil, 2011), os diretores Marco Dutra e Juliana Rojas acertam no tom da narrativa, dividida em dois universos, propositalmente, pouco definidos.

Partimos de um hiperrealismo que começa de um plot point. Helena, uma paulistana de classe média, aluga um mercadinho de bairro, o novo investimento de sua família. Aparentemente, ela busca algo para preencher o seu tempo ou se autoafirmar também enquanto chefe de família. Negócio fechado com a corretora e, logo na cena seguinte, surge o primeiro ponto de conflito: Otávio, o marido, acaba de ser demitido. 

Desapontada, Helena pede ao marido para tentar levar o negócio adiante, ao mesmo tempo em que ele vai atrás de um novo emprego. O mercadinho pertencia a uma outra família e parece guardar alguns segredos macabros. O universo fantasioso se confunde com a realidade. Esse universo nunca é explícito ou escancarado, diferente, por exemplo, de “O Labirinto do Fauno” (México, 2006). 

Dutra e Rojas buscam “massacrar” essa família de classe média. Coisas aparentemente estranhas começam a acontecer, como o entupimento de um cano de esgoto sem maiores explicações. As vendas vão de mal a pior. Otávio não consegue emprego e se vê obrigado a participar de dinâmicas de grupo ridículas nos departamentos de RH das empresas. 

Fica clara a intenção dos diretores em explorar as relações de poder, especialmente entre Helena e os seus subalternos. Ela é uma mulher vazia, com um olhar perdido, entristecido. Da mesma forma, Otávio se vê numa situação em que o ócio passa a fazer parte de seu cotidiano. 

Os diálogos simples, sem frases de efeitos, alcaçam o hiperrealismo sugerido no roteiro. Numa simples discussão entre o marido e a mulher sobre corte de gastos, Otávio diz que deveriam cortar a tv à cabo. Helena responde: “Não. A Vanessa (filha do casal) tá de férias”. Da mesma forma, o marido, já desempregado, ajuda na montagem de um boneco de papai noel no mercadinho da esposa. Uma pessoa lhe pergunta onde está determinado produto e ele responde, ofendido: “Não trabalho aqui”. Otávio não trabalha em lugar nenhum, na verdade.

Paula, a empregada contratada para cuidar da casa, ironicamente em meio à narrativa, é a única que parece ter um futuro ascendente, mesmo aceitando o trabalho sem registro na casa de Helena. 

O paralelo entre o literal e o simbolismo enriquece a narrativa tensa, que cresce para um final surpreendente pela não surpresa. Os planos estáticos constroem uma atmosfera que parece ser “carregada nas costas” pelos protagonistas. À medida que a projeção avança, o clima fica mais denso, hostil, os tons parecem escurecer. Os travellings entre as prateleiras do mercadinho ajudam a criar o clima de suspense proposto para essa crônica da burguesia falida. 

Marco Dutra e Juliana Rojas já tinham um histórico de uma parceria de sucesso, com a realização de diversos curtas premiados. “Trabalhar Cansa” é o primeiro longa dos dois e foi exibido em Cannes, no ano de 2011, na mostra não competitiva “Um certo olhar” (traduzindo).     

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Lançamento do making of de “A Cartomante”

No início do ano, o ator e diretor Adriano Big lançou o curta “A Cartomante”, baseado no conto homônimo de Machado de Assis. Quem não pôde conferir, terá uma nova chance nessa quinta-feira, 4, a partir das 19h, na Faculdade de Comunicação da Ufba, na edição especial do CineFacom. 

O filme será exibido juntamente com o making of, dirigido por Matheus Cunha. Após a exibição, haverá um debate mediado pelo professor Fábio Sadao, com a participação da equipe do curta.  

“A Cartomante” traz uma narrativa não linear em um único plano sequência. O triângulo amoroso machadiano conta a história de Camilo, que se apaixona por Rita, esposa de seu melhor amigo, Vilela. A personagem cartomante surge como um fio condutor, um oráculo que impulsiona os amantes a um desfecho trágico. 

Outras informações: outraspalavras.cafacom@gmail.com.

terça-feira, 2 de abril de 2013

“‘Depois da Chuva’ é um filme jovem, apaixonado”


Fotos: Agnes Cajaíba



“Caio, Tales e Sara, os três amigos anarquistas andam pelas ruas do centro de Salvador. Eles caminham de forma decidida, sem olhar para o lado, sem se falarem. Há ali um desejo de potência explícito, de ultrapassar os limites impostos”. A descrição de uma das cenas de “Depois da Chuva”, feita por Claudio Marques, revela um pouco da atmosfera do filme, que está em fase de finalização. 

Esse é o primeiro longa dirigido por Claudio e por sua companheira, Marília Hughes, depois de uma parceria de sucesso, que resultou em seis curtas metragens, além da realização do tradicional Panorama Coisa de Cinema. O filme se passa no ano de 1984, em Salvador, época turbulenta, de transição política. 

Claudio, nascido em Capinas, mas filho e neto de baianos, vive em Salvador desde os início dos anos 80. Já Marília é natural de Vitória da Conquista. Foi justamente o cinema que aproximou os dois. Eles se conheceram quando Marília finalizava o seu documentário “Pelores”, em 2004. Era o início de uma parceria de sucesso. 

Conversamos com Claudio sobre “Depois da Chuva”, que esperamos poder ver nos cinemas a partir de 2014. O filme, protagonizado pelo ator Pedro Maia, nasceu de uma inspiração autobiográfica do próprio Claudio, mas ele ressalta que, passados cinco anos do início do projeto “os personagens possuem identidade e história próprias”. Confira abaixo a entrevista:


N-2C - “Depois da Chuva” resgata um passado recente, mas, que, pra quem nasceu já nos anos 80, pode não parecer tão recente assim. Como esse processo está contextualizado? Como o filme dialoga com as novas gerações?

Claudio Marques - A década de 80 foi turbulenta. De extremos. Sensação de liberdade misturada aos hábitos da ditadura. Tempo de muita instabilidade: guerra nuclear, descoberta da AIDS, punks, Menudos... Em 1984, muitos sentimentos reprimidos há muito pela ditadura vieram à tona. Era o momento da democracia, mas algumas pessoas queriam mais. Queriam a liberdade, o socialismo, a anarquia. Na década de 80, vivenciamos o último suspiro das grandes utopias.

"Depois da Chuva" traz essa atmosfera, essas tensões, embora nunca de forma didática, explícita. Isso tudo está na fala, no corpo e nas ações dos nossos personagens, sobretudo do nosso protagonista. O filme respeita o ritmo dos acontecimentos naquele momento. Havia um sentimento muito grande de potência, no início. Parecia ser realmente possível mudar as coisas. No final, com a morte de Tancredo e com Sarney na presidência, um sentimento de paralisia tomou a todos.

Mas, não falamos de situações datadas. As novas gerações querem liberdade. Existe uma insatisfação muito grande quanto à representação política dos dias de hoje. Esse modelo político que hoje contestamos foi elaborado naquele momento, pelos políticos que chegaram ao poder no final da ditadura.

Outro detalhe importante: existem experiências atemporais na juventude.

“Depois da Chuva” é um filme jovem, apaixonado. Isso provocará identificação não apenas nos mais jovens, mas em muitos que passaram por essa fase da vida.



N-2C - Podemos dizer que o protagonista, Caio, seria um mistura desses sentimentos de quem viveu o fim do regime militar e acompanhou o movimento das Diretas Já?

CM - Caio vai além das expectativas comuns do momento. Ele não quer "apenas" o fim da ditadura, mas ele sonha com um sistema representativo direto. Ele é um anarquista. Volto a lembrar que estamos em uma época derradeira das grandes utopias. Caio e seus amigos anarquistas são os "últimos dos moicanos".

N-2C - Cláudio, até que ponto podemos dizer que “Depois da Chuva” é um filme autobiográfico (ou não)?

CM - De inspiração autobiográfica, sim. Eu, adolescente, vivi aquele momento e me inspirei em minhas histórias e vivências para dar início ao projeto. Aliás, foi conversando com Marília (Hughes), que é mais nova que eu, sobre os acontecimentos de 84, que compreendemos juntos que ali estava o nosso primeiro longa-metragem. Marília foi a primeira a entender isso.

Mas, hoje, passados quase cinco anos desde que demos início ao projeto, já posso dizer que Caio e demais personagens possuem identidade e história próprias. Não sou eu. Posso dizer aos meus amigos da época para ficarem tranquilos (risos).

N-2C - De que forma vocês utilizam a linguagem cinematográfica pra transmitir esses anseios por liberdade, essa transição de contexto (considerando o fim do regime e as próprias mudanças vivenciadas por Caio)?

CM - Temos alguns planos emblemáticos nesse sentido. No início do filme, por exemplo, Caio, Tales e Sara, os três amigos anarquistas andam pelas ruas do centro de Salvador. Eles caminham de forma decidida, sem olhar para o lado, sem se falarem. Há ali um desejo de potência explícito, de ultrapassar os limites impostos.

Mas, vale dizer, que o desejo por liberdade está em todo "Depois da Chuva", nas ações do protagonista.

Outra coisa interessante a mencionar é que o ritmo do filme respeita, em muito, o ritmo dos acontecimentos à época.

Um terceiro elemento que pode ser mencionado: os cenários escolhidos. Cito aqui, por exemplo, uma fábrica abandonada que aparece no filme no momento da eleição de Tancredo Neves. As paredes destruídas dão a ideia desse país destroçado pelo desenvolvimentismo militar. Os jovens da festa que buscam a reconstrução.



N-2C - Pedro Maia foi escolhido em meio a centenas de outros jovens. O que chamou a atenção de vocês em Pedro? 

CM - Em uma audição com o grupo de Teatro do Colégio Oficina, em meio a outros garotos muito interessantes (inclusive, alguns deles estão no filme em papéis importantes), Pedro mostrou-se sempre muito tranquilo, sem nenhuma afetação especial pela nossa presença ou pela câmera, uma vez que estávamos filmando. Ao mesmo tempo, ele estava muito seguro e falava de forma apaixonada sobre a possibilidade de ser ator no cinema. Percebemos que ele estava com um livro sobre Patti Smith. Pedimos que ele lesse um trecho, ele assim procedeu. E fez muito bem. No dia seguinte, revendo as entrevistas, Marília e eu tivemos certeza de que Pedro seria Caio.

N-2C - Com quais recursos foi realizado “Depois da Chuva”? E quando poderemos vê-lo nas telas dos cinemas?

CM - Ganhamos o edital de Baixo Orçamento do Minc (Ministério da Cultura), em 2010 (R$ 1,2 milhão) e o edital realizado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia (R$ 200 mil).

Temos conversas já adiantadas com um distribuidor, que está animado com o filme. Uma boa possibilidade é lança-lo em janeiro de 2014. Mas, vamos ver. Vamos terminar o filme, em primeiro lugar.

N-2C - Em quanto tempo vocês realizaram “Depois da Chuva”? Tiveram alguma dificuldade, fora aquelas já previstas, nesse processo de realização? Alguma situação inusitada?

CM - Cinco anos. Tivemos as dificuldades normais e inerentes a fazer cinema. Mas, nós gostamos de todas as etapas da elaboração e realização de um projeto: roteiro, captação, filmagens, montagem. Talvez, a finalização seja a única um tanto desagradável. Me sinto, às vezes, em uma oficina mecânica com o sujeito falando coisas que eu absolutamente não compreendo. Tivemos muitos encontros que nos ajudaram muito nessa caminhada.

N-2C - Você e Marília já realizaram seis curtas anteriormente. Quais os caminhos pra realiza-los?

CM - Fizemos sempre das duas formas: guerrilha mais edital. Temos muitas coisas nossas, que não são para exibição em festivais. Importante, creio, é respeitar a ideia que se tem e ver a melhor forma de executá-la. Cada projeto demanda uma forma de produção e uma quantidade de dinheiro específica.



N-2C - Quando começou a relação de vocês com o cinema? 

CM - Eu comecei a escrever em um jornal sobre cinema em 1995. De lá para cá, iniciamos o Panorama (Coisa de Cinema), em 2002, e comecei a escrever e fazer filmes em 2006.

Marília fez “Loná de Asfalto” em 2002, primeiro curta e teve ali a certeza de querer trabalhar com cinema.

Nos conhecemos quando Marília tentava finalizar seu segundo curta, “Pelores”. Eu a ajudei e começamos, ali, a construir a nossa parceria.

N-2C - Claudio, você ainda é sócio do Cinema Glauber Rocha e, junto com Marília, realiza, anualmente o Panorama.  Uma pergunta talvez um tanto quanto indiscreta: como conseguem fazer tudo isso?!

CM - Trabalhamos muito. Muito, mesmo. Tem muita dedicação nossa aqui.

Marília diz que  já virou piada no meio cinematográfico o fato de eu acordar todos os dias às 4h da manhã.

N-2C - Pra finalizar, quais os próximos projetos em vista?

CM - Estamos realizando um longa-metragem, documentário, que conta um pouco da história da construção da Hidrelétrica e Represa de Sobradinho, no norte da Bahia. Quatro cidades desapareceram e 73 mil pessoas foram deslocadas da região. Estamos há sete anos pesquisando, filmando, viajando para a região…. Creio que até o final do ano estará pronto. 

Por outro lado, queremos muito realizar um longa com crianças, que irá se chamar "A Guerra dos 300 Meninos" ou "Guerra de Algodão", ainda não temos certeza. Esse longa já está quase todo em nossas cabeças. Precisamos ter um pouco de tempo para escrever o roteiro!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Confira a programação do Cine Nostalgia para abril



Dia 04 às 15:00 filme " QUANDO A NOITA CAI "  ano 1941 ( USA )
Atores - Ida Lupino, John Garfield, Thomas Mitchel e Eddie Albert.
Diretor - Anatole Litvak - Policial - 12 anos - 93 min.

Dia 05 às 15:00 filme "  FÚRIA NO ALASKA " ano - 1960 ( USA )Diretor - Nora Ephron - Romance - Livre - 108 min.

Atores - John Wayne, Stewart Granger, Ernie Kovacs e Capucini.
Diretor - Henry Hathaway - Aventura - Livre - 122 min.

Dia 06 às 15:30 filme " O FAVORITO DOS BORGIAS " ano - 1949 ( USA )
Dia 07 às 16:00 ( O MESMO FILME )
Atores - Tyrone Power, Orson Wells e Wanda Hendrix.
Diretor - Henry King - Aventura - 16 anos - 106 min.

Dia 11 às 15:00 filme " TARDE DEMAIS PARA ESQUECER " ano - 1957 ( USA )
Atores - Gary Grant, Deborah Keer e Richard Denningan.
Diretor - Leo McCarey - Romance - Livre - 15 min.

Dai 12 às 15:00 filme " ALMAS PERVERSAS"  ano - 1945 ( USA )
Atores - Edward Robinson, Joaan Bennett e Dan Duryea.
Diretor - Fritz Lang - Policial - 14 anosd - 103 min,

Dai 13 às 15:30 filme " FLÔRES DO PÓ " ano - 1941 (USA )  01  OSCAR
Dia 14 às 16:00 ( O MESMO FILME )
Atores - Gree Garson, Walter Pidgeon e Marsha Hunt.
Diretor - Melvyn Leroy - Drama - 12 anos - 99 min.

Dia 18 às 15:00 filme " VER-TE-EI OUTRA VEZ " ano - 1941 ( USA )
Atores- Ginger Rogers, Jostph Cotten e Shirley Temple.
Diretor - William Dieterle - Romance - Livre - 90 min.

Dia 19 às 15:00 filme " VITÓRIA AMARGA  " ano - 1958 ( USA )
Atores - Betty Davis, George Brent, Humphrey Bogard e Richard Richardson.
Diretor - Edmond Goulding - Drama - 12 anos - 104 min.

Dia 20 às 15:30 filme " TARDE DEMAIS " ano - 1949 ( USA )  - 04 OSCAR
Dia 21 às 16:00 ( O MESMO FILME )
Atores -  Montgomery Clift, Olivia de Havilland e Richard Richardson.
Diretor - William Wyler - Drama - 14 anos - 116 min.

Dia 25 às 15:00  filme "  VOCÊ ME PERTENCE " ano -1949 ( USA )
Atores - Barbara Stanwick, Henry Fonda e Edgard Buchanan.
Diretor - Wesley Ruggles - Romance - Livre - 94 min.


Dia 26 às 15:00 filme " ÍDOLO DO PÚBLICO " ano - 1942 ( USA ).
Atores - Errol Flyn, Alex Smith, Jack  Carson e Alan Hale.
Diretor - Raoul Walsh - Drama  - 14 anos - 104 min.


Dia 27 às 15:30 filme " SINTONIA DE   AMOR " ano - 1993 ( USA )
Dia 28 às 16:00 ( O MESMO FILME )
Atores - Tom Hanks, Meg Ryan, Ross Mallinger e Ross O'DFounel
Diretor - Nora Ephron - Romance - Livre - 108 min.

O Cine Nostalgia funciona no Teatro da Barra, R. Marques de Caravelas, em Salvador. O ingresso custa R$ 6.

Estudantes selecionam atores para curtas adaptados de Clarice Lispector

“A Fuga”, “Os Desastres de Sofia”, “Feliz Aniversário” e “Ele me Bebeu”. São esses os quatro contos de Clarice Lispector adaptados pelos alunos do curso de Produção Audiovisual da UniJorge deste semestre. Na semana passada, foram realizados testes de elenco para a escolha dos atores que atuarão nos curtas. 

A previsão é que todos os filmes estejam prontos em meados de junho. Estamos acompanhando o processo desde o princípio. Confira o vídeo da etapa de testes de elenco. Em breve, serão divulgados os nomes dos atores selecionados.




segunda-feira, 25 de março de 2013

Da sala de aula à prática


Os alunos já estão formados e preparados para o mercado. O curso tecnológico de Produção Audiovisual da UniJorge tem a proposta de oferecer, aos interessados em se profissionalizar nesse segmento, conhecimento prático em um período de tempo mais curto (três anos), buscando aplicar em trabalhos acadêmicos as reais pressões enfrentadas no cotidiano. 

No ano passado, para homenagear o centenário do escritor Jorge Amado, os alunos do 4o semestre e último semestre tiveram a missão de adaptar trechos do livro “Quincas Berro D’ água”. O resultado foram quatro curtas, que contaram com a participação voluntária de atores jovens e veteranos, entre eles Fernando Neves, que encarnou a personagem que dá título ao livro. 

A atividade está incluída no cronograma do curso e, através dela, o aluno passa por todo o processo produtivo de um trabalho audiovisual, conforme explicou o professor Max Bittencourt. O início é a adaptação, propriamente dita. O projeto voltado para “Quincas” foi o primeiro em que os alunos mergulharam mais profundamente na realidade do mercado, realizando testes de elenco, escolha de locações, entre outras missões. 

O resultado de todo esse processo pôde ser conferido em novembro do ano passado, na sala do Cine Cena Itaigara, em Salvador. Alunos, professores, atores e convidados assistiram em tela o resultado do esforço dos alunos, que, como colocou a professora Ceci Alves, entram no mercado audiovisual ainda mais preparado. 

Para este ano, segundo adiantou a professora aos alunos do então 3o semestre, a proposta é adaptar Clarice Lispector.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Além do que se vê




Quando nos deparamos com o primeiro plano de “Lena” (Bélgica/Holanda, 2011) parece que trocamos olhares com essa jovem que dá título ao filme. Na medida em que o plano vai se abrindo, revela-se um ambiente escuro, um lugar que ninguém jamais se posicionaria por livre e espontânea vontade.

Lena está fazendo sexo com um rapaz que deve ter a sua idade. Ao finalizar o ato, ela tenta beijá-lo. Ele a repreende dizendo: “Não vá se apaixonar”. O diretor Christopher Van Rompaey e o roteirista Mieke de Jong não caíram no clichê de fazer um melodrama sobre bullying. Na verdade, Lena é aparentemente solitária, sim, mas não é uma adolescente ensandecida para perder a virgindade.

O sexo em “Lena” parece funcionar mais como uma válvula de escape do que como uma forma de inclusão em seu meio, até porque os garotos não querem ser vistos ao lado dela. Lena é gordinha, vive em um pequeno apartamento com sua mãe, possessiva e alienada, faz aulas de dança e um estágio numa creche. Tem uma amiga que, fisicamente, é o seu oposto. Ela é apresentada para o espectador na ordem inversa. A princípio, pensamos que é apenas uma adolescente inconsequente, procurando atenção. Mas, com o decorrer da projeção, a personagem cresce e se revela madura e responsável.

Uma noite, voltando para casa em sua motocicleta, se depara com um jovem fugindo da polícia. Lena o ajuda e, a partir daí, começa uma relação entre os dois. Daan, ao contrário dos outros garotos, não tem vergonha de Lena. Apresenta aos amigos como sua namorada, lhe dá presentes, procura ser romântico.

Para fugir da mãe possessiva, Lena vai morar com Daan. Nesse momento, começa a descobrir que há algo de errado com o seu namorado, que recebe visitas da polícia, e tem uma relação difícil com o pai.

Todo o filme é conduzido sob o ponto de vista de Lena, interpretada pela atriz estreante, Emma Levie. Os planos fechados em seu rosto, os travellings na motocicleta e a forma natural como a nudez da personagem é exibida (uma beleza fora dos padrões impostos pela ditadura na magreza) revelam que o discurso do diretor Christopher Van Rompaey é mostrar algo que vai além daquilo que se vê. Todas as personagens que possuem uma convivência maior com Lena vão revelando uma outra face de suas personalidades: uma amiga falsa, um namorado mentiroso, uma mãe atenciosa e um pai desequilibrado.

As sequências das aulas de dança denotam que Lena está disposta a dançar de acordo com a música até certo ponto. Os planos fechados em seu rosto, fazendo o fundo girar, nos passam a ideia de que o mundo da personagem é alheio ao que se vê, mas tentam encontrar o seu espaço, a sua válvula de escape.

terça-feira, 19 de março de 2013

Filmes selecionados para o próximo Cine Facom, que acontece nessa quarta-feira


• Adeus de Camila Hita e Maily Guimarães (estudantes de Comunicação da FACOM).
O objetivo do documentário é mostrar porque as pessoas deixaram de acreditar em suas respectivas religiões. Para além de um discurso religioso o documentário tenta compreender o processo da descrença de cada entrevistado. O vídeo traz depoimentos de vários estudantes da FACOM e de dois professores da Instituição, André Setaro e Regina Gomes.

• Circuito de Teatro e Dança do Recôncavo Baiano de Ronaldo Santos, estudante do Curso de Licenciatura em Teatro.
Este documentário trata-se de uma pesquisa acadêmica e é um registro do evento itinerante, circuito de teatro e dança do Recôncavo Baiano, realizado em 12 cidades do território do recôncavo no período de março a novembro de 2012. O vídeo teve como aparelho de captação audiovisual e fotográfica um celular, (Modelo Samsung GT-C 3200).

• O Jovem Mercador de Tiago Oliveira, estudante do Bacharelado Interdisciplinar – BI- em Artes, área de concentração em Cinema e Audiovisual do Instituto de Humanidades Artes e Ciência (IHAC- UFBA).
O filme mostra um dia de trabalho do jovem comerciante de frutas Leonardo Brito, garoto que aos 14 anos teve que assumir o antigo negocio de família deixado pelo falecido pai. Um olhar sobre um jovem que desde muito cedo teve que assumir uma grande responsabilidade para o sustento da família.

• Ser + Periperi de Talita Cerqueira, estudante do BI de Humanidades.
Uma amostra da campanha de rua feita pela candidata a empreguete mais Cheia de Charme do Brasil, MARILENE DE JESUS. Esta mesma campanha inspirou a música "SER + PERIPERI” que deu o nome ao curta.

• Transfeira de Rafael V. Teixeira, estudante do BI de Artes, concentração em Cinema e Audiovisual.
Este vídeo é uma produção independente do estudante Rafael Teixeira que quer mostrar as transformações da Feira de São Joaquim e sua importância para cidade de Salvador, como patrimônio cultural.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sem panfletos ou estereótipos




Uma das gratas recentes surpresas do cinema francês foi o filme “Tomboy” (França, 2011), da diretora e roteirista Céline Sciamma. O título é um termo que diz respeito à meninas que gostam de agir como meninos e é justamente o tema central do longa.

O filme abre com uma personagem de costas à câmera, com o rosto ao vento, andando em um carro com o seu pai. Eles estão de mudança para um novo condomínio, cercado por árvores e cheio de crianças passando por fases de transformações físicas e mentais. Só notamos que a personagem que abre o filme é uma menina quando o roteiro, no momento certo, revela o seu verdadeiro nome: Laure.

Laure é uma menina de 10 anos, que gosta de se vestir como um menino: usa camisetas e bermudas folgadas e tem o cabelo curto. Ao se envolver com a turma de seu condomínio, começa a desenvolver artifícios para manter a farsa. Aos 10 anos, os traços de seu corpo ajudam no disfarce, sendo que Laure não tem problemas em tirar a camisa em frente aos seus amigos.

Lisa, uma de suas vizinhas, acaba se apaixonando por ela, imaginando se tratar de um garoto. Em uma entrevista a um jornal espanhol, a diretora Céline Sciamma diz que não é possível afirmar se existe reciprocidade por parte de Laure ou se ela vai adiante para se afirmar enquanto garoto.

Sem ser panfletária ou melodramática, Céline Sciamma conseguiu desenvolver um trabalho sutil e sincero dentro de sua abordagem. A sutileza que também se evidencia na condução da câmera mostra que existe a proposta de não fazer do filme algo pretensioso, inclusive pela própria duração (pouco mais de 80 minutos).

A diretora ainda evitou a construção de estereótipos e, desde o início, parece ser incisiva em não buscar explicações para o fato de Laure querer se comportar como um garoto. Um núcleo familiar unido e amoroso procura mostrar que o comportamento de Laure não tem nenhuma relação com rebeldia, revolta. Ela simplesmente sente-se melhor como um menino, ou, de outra perspectiva, não se sente a vontade como menina.

Os planos elaborados dentro do núcleo familiar de Laure revelam o aconchego do lar, a união entre pai, mãe, irmãs. A família está ainda a espera de um novo integrante, já que a mãe está grávida. A rotina de carinho e atenção sob a perspectiva de uma porta sobre outra porta, ou uma moldura sobre outra moldura denotam a ideia de proteção. Laure está segura ali dentro. Ela não sofrerá, naquele espaço, as consequências de uma sociedade conservadora e preconceituosa.

Por outro lado, a câmera no ambiente externo é mais “nervosa”. Alterna-se entre planos fechados e abertos e movimentos que buscam seguir a dinâmica da criançada.

A farsa de Laure vai ganhando proporções cada vez mais complicadas, mas Céline Sciamma deixa claro que está fazendo um recorte de uma fase da vida dessa personagem. O filme não é construído de forma didática. Vai crescendo a cada momento em que o disfarce de Laure ganha proporções maiores. 

Ressaltemos o trabalho da jovem atriz Zoé Héran, em um papel corajoso, que ela assumiu e, naturalmente, consegue enganar o próprio espectador. Nós mesmos, sabendo que aquilo é uma farsa, em muitos momentos, esquecemos que Laure é uma garota, de tão convincente que é o desempenho da atriz. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Atenção: CineFacom prorroga inscrições até 14 de março


Depois do sucesso da primeira edição, o projeto CineFacom dá continuidade à exibição de curtas realizados por alunos da Universidade Federal da Bahia - Ufba. A próxima edição do evento acontecerá no dia 20 de março, a partir das 18h30, no auditório da Faculdade de Comunicação da Ufba e as inscrições estão abertas até o dia 14. 

Para a segunda edição, estão sendo selecionados documentários com até 15 minutos de duração. Os interessados devem enviar um e-mail para outraspalavras.cafacom@gmail.com e solicitar um formulário de inscrição. Para a seleção, o realizador pode enviar um link, mas, para a exibição, será necessária entregar aos organizadores uma cópia em DVD. 

A primeira edição aconteceu no dia 27 de fevereiro, quando foram exibidos cinco curtas de ficção, seguido de debate com os diretores, sob a mediação do professor Fábio Sadao.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Mosca está com inscrições abertas

A pequena cidade de Cambuquira, em Minas Gerais, vai sediar, pela oitava vez, a Mosca. A Mostra Audiovisual que premia curtas-metragens de até 30 minutos está com inscrições abertas até o dia 8 de abril. Os realizadores devem enviar uma cópia em DVD ou um link para sites de visualização de videos para submeter os seus trabalhos ao júri.

O regulamento completo pode ser acessado no site da Mosca. O evento acontece em julho. O prêmio máximo é de R$ 5 mil.

terça-feira, 5 de março de 2013

A morte de Hugo Chavez e a revolução não televisionada


A morte de Hugo Chavez me fez lembrar um documentário que vi na época de faculdade. “A Revolução Não Será Televisionada” (2002) mostra como a mídia da direita conservadora tentou manipular as informações acerca do golpe que tirou o recém-eleito Chavéz do poder. 

Esquecendo o aspecto cinematográfico, falemos de uma obra urgente, que trouxe, não uma outra visão, mas um outro ângulo de um momento histórico, distorcido pelos meios de comunicação. Nós, ignorantes aqui no Brasil, passamos pela mesma situação. É preciso ir ao L.A. Times e saber o que os grandes meios, aqueles que têm mais capilaridade, fazem questão de omitir ou distorcer: se quiser, veja aqui.


segunda-feira, 4 de março de 2013

O primeiro plano do olhar


Um olhar tímido e misterioso. Esse é o primeiro plano de “Repulsa ao Sexo” (Inglaterra, 1965). Enquanto o plano vai se abrindo, vamos, cada vez mais, nos encantando com esse olhar, de uma bela jovem de traços angelicais. Na época, era uma atriz ainda em ascensão: Catherine Deneuve. Da mesma forma, quem a dirigiu começava a desenhar os primeiros passos de uma carreira promissora: Roman Polanski.

Não há como negar que, fora do set, “dentro” da mise en scène, esses dois nomes constituem também as personagens principais de “Repulsa ao Sexo”. A francesa Catherine Deneuve consegue levar o espectador ao engano, diante de sua aparência meiga e de sua personalidade retraída. Ela interpreta Carol, uma jovem manicure que vive com sua irmã em um pequeno apartamento na capital inglesa.

Carol, por sua beleza, chama a atenção dos homens, que a cortejam pelas ruas de Londres. Um deles, Colin, insiste em um romance, sem sucesso. Isso porque Carol, como o título sugere, tem repulsa ao sexo. Por algum motivo, não explicitado por Polanski e pelo co-roteirista Gerard Bach, ela se esquiva e se retrai de qualquer investida e ainda reprova o namorado arrogante da irmã.  

É da sua irmã, também, que Carol é extremamente dependente, como se fosse o seu escudo num mundo conturbado, mesmo não compactuando com as atitudes dela. Uma dia, sua irmã viaja com o namorado. A partir daí, Carol, vendo-se sozinha no claustrofóbico apartamento, inicia um processo de desequilíbrio psicológico e revela uma face antes ocultada em detrimento àquelas feições angelicais.

O polonês Polanski, por sua vez, explora como pode os instrumentos da linguagem cinematográfica. O espectador é colocado como voyeur nas sequências em que Carol anda pela rua e a câmera na mão apenas a segue. Em muitas outras sequências, aquelas que tentam definir o lado obscuro de Carol, vemos movimentos de câmera que não seguem padrões formais, buscando os ângulos necessários para mostrar o desespero e a tortura.

Para Polanski, o espectador não deve ser subestimado. Por isso, todos os elementos principais de “Repulsa ao Sexo” são sugeridos. Ao ver o filme, o espectador poderá supor o motivo de Carol ser tão retraída com relação ao sexo oposto. Em uma determinada cena, ela anda pela rua e para diante de um piso rachado. Trata-se de um indício da personalidade da personagem, perdida, deteriorada, machucada. É um indício da ruptura mental que vamos acompanhar durante a projeção e que o diretor conseguiu construir tão bem dentro da passagem de tempo.

Depois de “Repulsa ao Sexo”, Roman Polanski começou a pincelar o seu nome como um dos grandes nomes do cinema mundial. Fez carreira no cinema hollywoodiano e ganhou um Oscar em 2002 pelo filme “O Pianista”. Foi aclamado com “O Bebê de Rosemary” (EUA, 1968). Em 1976, dirigiu na França “O Inquilino”, que, junto com “Rosemary” e “Repulsa ao Sexo” formaria a chamada “Trilogia do Apartamento”.

Não nos cabe aqui julgar os atos fora da atividade cinemtográfica, mas não há como não citar a conturbada vida pessoal do diretor. Em 1969, sua esposa, Sharon Tate, grávida de oito meses, foi assassinada por uma gangue liderada por Charles Manson. No final dos anos 70, foi acusado de estuprar uma jovem de 13 anos. Por conta deste último caso, o diretor foi detido em uma prisão na Suíça em 2009, mas ficou livre menos de um ano depois.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

É quarta-feira! Confira a programação


Confira a programação do Cine Nostalgia para março

Dia 01 às 15:00 filme " A LONGA VIAGEM DE VOLTA " ( Baseado na novela de Eugene O'Neill ) 1940 - ( USA )
John Wayne, Thomas Mitchel, Ian Hunter ee Barry Fitzgerald
Diretor - John Ford - Aventura - 12 anos - 105min.

Dia 02 às 15:30 filme " ALICE NÃO MORA MAIS AQUI " 1974 ( USA )
Dia 03 às 16:00 ( O MESMO FILME )
Ellen Burstyn, Kris Kristofferson e Diane Ladd
Diretor - Martin Scorcese - Drama - 14 anos - 112 min.

 Dia 07 às 15:00 filme "A TORTURA DO SILÊNCIO "  1963 ( USA )
Montgomeery Clift, Anne Baxter e Karl Malden
Diretor - Alfred Hitchcock - Suspense - 14 anos - 94 min.

Dia 08 às 15:00 filme " O FILHO DOS DEUSES " 1940 ( USA )
Tyrone Power, LInda Darnelol, Brian Donlevy e Fean Jagger
Diretor - Henry Hathaway - Aventura - Livre - 114 min

Dia 09 às 15:30 Filme " É PROIBIDO AMAR " 1961 ( USA )
Dia 10 às 16:00 ( O MESMO FILME ).
Enzio Pinza, Lana Turne, Marjorie Main e Debbie Reynolds
Diretor  - Don Hartman - Romance - 14 anos - 86 min.

Dia 14 às 15:00 filme " DE TANGA E SARONGUE " 1952 ( USA )
Bing Crosby, Doroth Lamour e Bob Hope.
Diretor - Hal Walker - Comédia - Livre - 90 min.

Dia  15  às 15 :00 filme " MARIA STUART - A RAINHA DA ESCÓCIA " 1936 ( USA )
Katarine Hepburn, Frederich March e Donald Crisp
Diretor - Pandro S. Berman - Drama - 14 anos - 124 min.

Dia 16 à s15:30 filme " A BELA DO BAS-FOND" 1958 ( USA )
Dia 17 às 16:00  ( O MESMO FILME )
Robert Taylor, Cyd Charisse e Lee J. Cobb
Diretor - Nicholas Ray - Romance - 14 anso - 99 min.

Dia 21 às 15:00 filme " PECADO SEM MÁCULA " 1949 ( USA )
Farley Granger, Cathy O' Donnell, James Craig e Paul Kelly
Diretor - Anthony Mann - Drama - 1'2 anos - 90 min.

Dia 22 às 15:00 filme " A EMBRIAGUES DO SUCESSO " 1957 ( USA )
Burt Lancaste, Tony Curtis e Susan Harrison
Diretor - Alexandre Mackendrick - Drama - 12 anos - 96 min.

Dia 23 às 15:30 Filme "  A CHAVE " 1958 ( USA ) 
Dia 24 às 16:00 ( O MESMO FILME )
William Holden, Sophia Loren e Trevor Howard
Diretor - Carol Reed - Drama - 12 anos - 134 min.

Dia 28 às 15:00 Filme " DENTRO DA NOITE " 1940 ( USA )
George Raft, Ann Sheridan, Ida Lupino e Humprey Bograt
Diretor - Raoul Walsh - Drama - 12 anos - 93 min.

Dia 29 às 15:00 filme " O ARCO MÁGICO " 1943  ( USA ) -  ( A vida do compositor italiano  Paganine )
Stewat Granger, Phylis Calvert, Jean Kent e Dennis Price
Diretor - Bernard Kowels - DRama - 12 anos - 121 min.

Dia 30 às 15:30 filme " O EGÍPCIO " 1954 ( USA )
Dia 31 às 16:00   ( O MESMO FILME )
Jean Simmons. Edmond Purdom, Victor Mature e Gene Tiemey
Diretor - Michael Curtiz - Dama/Épico - Livre - 134 min.

O Cine Nostalgia funciona no Teatro da Barra, na Rua Marquês de Caravelas, em Salvador. O valor do ingresso é R$ 6.

E o Oscar foi para...


Não vou aqui enumerar todos os premiados do Oscar, pois uma cacetada de sites, portais, jornais já o estão fazendo. Não tem nada de novo em dizer que “Argo” venceu, já que era o mais esperado e que, apesar de todas as indicações, “Lincoln” levou o esperado Oscar de  Melhor Ator, para Daniel Day-Lewis e Melhor Desenho de Produção.

Muitos achavam que seria Spielberg, mas o conservadorismo da Academia vale também para a “generosidade” em distribuir estatuetas. Três são muitas. Acabaram dando um segundo prêmio para Ang Lee, por “As Aventuras de PI”, uma das únicas surpresas de verdade da noite.  

Não se pode falar em regras, afinal Christopher Waltz levou, em um intervalo de três anos, dois prêmios de Melhor Ator Coadjuvante, os dois via Tarantino, que, por sua vez, foi contemplado pelo roteiro original de “Django Livre”.

E assim o Oscar caminha para os 90 anos, sem novidades à vista, assim como esse post, que também não faz sentido algum a essa hora da noite. 

85 anos de blá blá blá


“Obrigado aos membros da academia, à minha família, a deus, blá, blá, blá...”. Nem sempre os discursos são os mais originais. E então o que dizer de uma cerimônia que tenta, sem sucesso, se renovar a cada ano. O Oscar, ano após ano, prova que nunca vai ser parâmetro para qualidade, ainda mais se levarmos o conservadorismo bairrista dos membros da Academia de Artes Cinematográficas. 

Quase sempre não há novidades, até porque a temporada de prêmios anterior ao Oscar oferece um termômetro do que teremos. Como disse acima, não é parâmetro de qualidade, mas é parâmetro para o grande público. Quantas vezes não vemos aquelas comparações: “o Oscar do não sei que lá”.

O glamour exposto a milhões em todo o mundo, os pinguins e as dondocas tão esticadas que exalam inconfortabilidade são elementos que vendem a tal festa. Os ciclos da academia provam que se discutir o que é cinema industrial e cinema de autor está longe das intenções desse "seleto" grupo. As categorias “alternativas”, como curta, de ficção, animação e documentário, documentário de longa-metragem, apesar de fugirem um pouco do bom senso, ou non sense, ainda assim esbarram naquele bairrismo, também já citado. 

A verdade é que, hoje, o maior atrativo do Oscar, pra mim, é a espera de alguma polêmica, algum acontecimento inusitado, uma invasão, um protesto... O desta noite tem sido interessante a postura politicamente correta do politicamente incorreto Seth Macfarlane. Os discurso dos “menores” não são apenas interrompidos no audio, mas também nas imagens. O corte sai dos “agradecimentos” e vai pro mestre de cerimônia. 

Agora há pouco, os diretores do documentário curta-metragem “Inocente” falavam sobre a importância de valorizar artistas como a personagem representada no filme. A moça estava no palco, mas os organizadores não perdoaram os segundos a mais. Tiraram o microfone e a imagem. É constrangedor... para eles, a Academia.

Fora que sabemos que “Argo” deve ser o grande vencedor, por conta de toda a carreira que fez nas premiações dos sindicatos, já que a maioria dos votantes desses prêmios são os mesmos do Oscar. Não houve equilíbrio, apenas a derrubada do todo poderoso Spielberg, com seu retrato de Lincoln e no topo das indicações. 

A matemática é mais ou menos essa. Até o momento, Christopher Waltz levou o Oscar de ator coadjuvante por “Django Livre”. “As Aventuras de PI” levou fotografia e efeitos especiais. “Os Miseráveis” arrebatou maquiagem, enquanto "Anna Karenina" levou o Oscar de figurino. Os técnicos continuam sendo os menos previsíveis, mas falam muito pouco. Onde está a linguagem cinematográfica. Esses velhos vivem de seus ciclos, de suas bilheterias e daquilo que acham, em suas cabeças incompreensíveis, inovador. 

Em dias de hoje é difícil... Enquanto escrevo isso aqui, mais um previsível, porém merecido prêmio, foi dado a Haneke por “Amour”, na cateogira Melhor Filme Estrangeiro. E o blá blá blá continua. Vale lembrar que muitos filmes são procurados nos cinemas após a premiação. Enche o bolso do estúdios. E assim vive a bilionária indústria hollywoodiana, à beira de um colapso nervoso, de lados opostos, à espera de milagres que nunca chegarão.

Termino sem saber porque continuo escrevendo sobre prêmios ou sobre cinema, sem nunca entender a lógica de produção industrial. 

A Quarta Parede Sobre Nós

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Filme romeno vence Urso de Ouro em Berlim

O filme "Child's Pose", da Romênia, foi o grande vendedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim, neste sábado. O longa, dirigido por Calin Peter Netzer, conta a história de uma mãe que tenta comprar a liberdade do filho depois de ele ser preso por matar acidentalmente um outro garoto.

Veja lista completa de vencedores:

Urso de Ouro para melhor longa
"Child's Pose" (Romênia)

Urso de Prata para melhor diretor
David Gordon Green por "Prince Avalanche" (EUA)

Grande Prêmio do júri
"An Episode in Life of an Iron Picker" (Bósnia)

Urso de Prata para melhor atriz
Paulina García por "Gloria" (Chile)

Urso de Prata para melhor ator
Nazif Mujic por "An Episode in the Life of an Iron Picker"

Prêmio Alfred Bauer
"Vic+Flo Saw a Bear" (Canadá)

Urso de Prata para melhor roteiro
"Closed Curtain", escrito por Jafar Panahi (Irã)

Urso de Prata por contribuição artística
Aziz Zhambakiyev

Menção especial
"Promised Land", de Gus Van Sant

Menção especial
"Layla Fourie", de Pia Marais

Prêmio de primeira apresentação
"The Rocket" (Austrália)

Urso de Ouro para melhor curta-metragem 
"The Runaway" (França)

Urso de Prata de melhor curta-metragem
"Remains Quiet" (Alemanha)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"Segunda Mania" da UCI está de volta a partir do dia 18


A "Segunda Mania" da rede UCI estará de volta na próxima segunda-feira. Os espectadores vão pagar R$ 8 pela inteira e R$ 4 pela meia todas as segundas-feiras. A promoção só não vale para feriados, vésperas de feriado e filmes 3D.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cineclube na UFBA


A Universidade Federal da Bahia vai abrir um espaço para exibição de trabalhos de seus alunos. Trata-se do projeto CineFacom, que vai reunir, expor e debater a produção audiovisual dos estudantes da instituição. Durante os encontros, previstos para serem realizados quinzenalmente às quartas-feiras, serão exibidos filmes consagrados do cinema nacional e mundial.

Os encontros serão no auditório da Faculdade de Comunicação, em Ondina. Os alunos ainda podem mandar seus filmes para seleção. Nessa primeira edição, que acontece no dia 27, os organizadores estão selecionando curtas de ficção com até 15 minutos de duração. Tire suas dúvidas e faça a inscrição através do e-mail outraspalavras.cafacom@gmail.com.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mais um filme de Tarantino



Desde que lançou o seu primeiro longa em 1992, Quentin Tarantino já dava o recado de que veio pra deixar a sua marca no cinema norte-americano. Não sei se o fato de ter trabalhado em um balcão de locadora tem alguma relação com isso, mas o cineasta sempre demonstrou a sua apreciação pelos diferentes gêneros cinematográficos.

Vinte anos depois e alguns milhões a mais no bolso permitiram que Tarantino migrasse do cinema de baixo orçamento para as superproduções, com locações na Europa, e contratasse estrelas de Hollywood (ele que ficou famoso por revigorar a carreira de John Travolta em “Pulp Fiction”, de 1994).

“Django Livre” (EUA, 2012) é a mais nova “vingança” de Tarantino contra a história. Se em “Bastardos Inglórios” (EUA, 2010) ele praguejou contra o nazismo e “refez” do seu jeito, neste novo longa o diretor oferece ao espectador um banho de sangue em cima dos escravocratas sulistas dos Estados Unidos do século XIX.

Django, a personagem que dá título ao filme, é um escravo liberto e está sob a tutela do caçador de recompensas Dr. King Schultz, um alemão que perambula pelas terras truculentas estaduninenses. O ex-escravo, junto com o alemão, vai em busca de sua esposa, Brunhilde, propriedade do fazendeiro Calvin Candie, cujo hobby é assistir lutas de escravos que se esmurram até a morte.

Tarantino, como já era de se esperar, não se propõe a resgatar a história, mas aplica um olhar próprio, constrói à sua maneira e conduz como melhor lhe convém. Obviamente, gera controvérsias. Spike Lee, que critica abertamente Tarantino há alguns anos, e, mesmo sem ter visto “Django Livre”, acusou o colega de ser desrespeitoso com a história. “A escravidão não foi um spaghetti western de Sergio Leone”, afirmou Lee, via Twitter.

O diretor de”Django Livre” aponta sua visão ácida com os típicos diálogos escrachados e situações inusitadas, como na cena em que um grupo de fazendeiros sulistas, que seriam parte do klu klux klan, reclamava de não enxergar nada com aquele capuz branco. Ele explora o absurdo do processo, por meio da comicidade, o que pode incomodar.

O cineasta situa-se claramente na zona de confronto, desenha os sulistas brancos como caipiras ignorantes, absorve o sofrimento através de belíssimos planos. A violência, em um filme de Tarantino, é uma personagem a parte, e não foi diferente em “Django Livre”. O exagero faz parte do discurso do absurdo, com “acrobacias” pitorescas, tiros com a plasticidade sonora típica dos faroestes dos anos 60 e um banho de sangue bem ao estilo, justamente, de Sergio Leone (guardada, obviamente, as devidas proporções de recursos).

Faroestes esses que são os grandes homenageados da vez. Planos americanos, utilização das lentes zoom, os filtros que davam um ar de “envelhecimento” aos planos mais abertos... A fotografia do excelente Robert Richardson não deixa a desejar. Para tentar dar um ponto final à polêmica, o diretor escolhe uma trilha sonora de batidas contemporâneas, que vão desde peças de Ennio Morricone ao rap afroamericano. Ou seja, nada de trilhas típicas de faroestes ou filmes de época. Assim, Tarantino tenta dizer: “essa não é a história oficial, é a minha história”.

A personagem de Chritstopher Waltz, escrita especialmente para ele, tem uma presença duvidosamente marcante, como a figura que conduz ao bem, mesmo tendo um caráter duvidoso (afinal, é um caçador de recompensas). Jamie Foxx rouba a cena, de fato, fazendo jus ao papel que lhe foi confiado. E DiCaprio continua sendo ele mesmo.

Tinha que chegar a uma conclusão, mas não tenho, nem posso ter. Tarantino é uma daquelas figuras ambíguas. É independente, mas é pop star. Está em busca de prêmios (o próprio assumiu que quis lançar o filme a tempo do Oscar). As pessoas vão ver um filme de Tarantino porque é um filme de Tarantino. Elas riem, se apavoram com tanta violência e, ao final, não sabemos, exatamente, se adoraram ou detestaram (pois, geralmente, é oito ou oitenta...)

Talvez as expectativas estejam muito acima daquilo que está em tela. No fim, “Django Livre” é só mais um filme de Tarantino, que levou o Globo de Ouro de Roteiro Original e rendeu a Waltz o mesmo prêmio de Ator Coadjuvante.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Diário de um ativista


Foto: Mário Bittencourt
Era final de tarde do dia 10 de dezembro de 2009 em Havana. O cineasta Dado Galvão chega ao hotel “escoltado” pelo movimento Damas de Branco, grupo de mulheres que faz oposição ao regime ditatorial dos Castro. Na recepção, entregam-lhe um bilhete, solicitando sua apresentação ao Centro Internacional de Imprensa.

Dado estava em Havana para participar de um festival de cinema. Iria apresentar o seu filme “A Grande Moeda” (Brasil, 2008), que tratava do trabalho dos voluntários da Pastoral da Criança e contou com a participação de Zilda Arns, morta em 2010 durante um terremoto no Haiti. Aproveitou a oportunidade para executar um novo projeto: “Conexão Cuba Honduras”, que será exibido na cidade de Feira de Santana, na próxima segunda-feira, 18.

Mas ele tinha que comparecer ao Centro de Imprensa assim que chegasse em Cuba. Não o fez, pensando nas limitações que iriam impor ao seu trabalho. E os recursos já eram escassos. Tinha R$ 600 no bolso, para passar duas semanas em Cuba e uma semana em Honduras. A câmera foi emprestada pelo setor de audiovisual da prefeitura de Jequié, onde trabalha e vive.

Dado já havia conversado com Yoani Sánchez, a blogueira cubana que faz oposição ao regime político de seu País. Tinha restrições para filmar em praça pública, mas, quando viu o movimento Damas de Branco passar à sua frente, não pensou duas vezes. Sacou a câmera e acompanhou o grupo. Ao final, quando já ia voltar para o hotel, elas alertaram: “Não vá agora. Espere um pouco, pois acompanharemos você”.

“Pensei que fosse um pouco de exagero por parte delas, mas esperei. Ao chegar no hotel, recebi o bilhete”, lembra. Dado foi ao Centro Internacional de Imprensa e disse que apenas ouviu. Teve poucas oportunidades para falar. Tinha medo que levassem o equipamento e mais receio ainda de ser preso. Mas o que amenizou a sua situação foi o fato de ter sido convidado para participar do festival de cinema. “Como tinha o crachá, ele não pôde fazer muita coisa. Apenas disse que iria mandar uma carta de repúdio à instituição que fez o convite”.

Bilhete solicitando comparecimento de Dado
ao Centro de Imprensa

Para evitar mais problemas, Dado solicitou imagens de arquivos aos seus contatos em Cuba, inclusive a Yoani. Partiu para Honduras, onde a situação seria ainda mais problemática. Há poucos meses, a população acompanhava o golpe militar que prendeu o então presidente Manuel Zelaya. “O hotel que fiquei estava deserto. O País estava em estado de sítio”, conta.

Canal 36

O que chamou a atenção de Dado em Honduras foi o fechamento do Canal 36. Sua fonte era o diretor do programa Así se Informa, Esdras Amado López. Em Honduras, fazia imagens da embaixada brasileira, rodeada por militares. Ele se abaixou para pegar um plano específico. Ao se levantar, já havia militares na sua cola.

Pediram passaporte, interrogaram-no. “Disse que tinha o visto de jornalista e podia fazer o que estava fazendo”. Nesse momento, passou um carro da Unicef, que levava mantimentos para a embaixada do Brasil. Foi a chance que Dado teve para colocar a câmera de volta na mochila e esperar a devolução de seu passaporte.

Essa é apenas parte da jornada encarada por Dado Galvão para concretizar o filme “Conexão Cuba Honduras”. Mais do que um retrato de um contexto a partir de personagens envolvidos no filme, o diretor buscou levantar a discussão acerca da liberdade de pensamento. “Não entro no mérito político ou no que é melhor ou pior. Quero apenas contribuir para a discussão da liberdade de expressão, de as pessoas serem livres para optar por um lado ou outro e também para criticar aquilo que discordam”.

O debate é universal, conforme colocou o próprio cineasta. “Vivemos o cerceamento da liberdade em diferentes contextos, inclusive no Brasil contemporâneo. Na minha cidade, existem três rádios comerciais. As comunitárias são ligadas à igreja e não tratam dos problemas do município. Não existe uma liberdade total. Mas, em países com regimes ditatoriais, isso fica mais evidente”.

Exibição

A luta para exibir o filme também foi um capítulo a parte. Além do impedimento por parte dos governos cubano e hondurenho para liberar, respectivamente, Yoani Sánchez e Esdras Amado López, faltou espaço para a projeção. Como Amado López conseguiu a liberação antes, no dia 21 de abril de 2012, Dado fez uma primeira exibição em Jequié.

A segunda, já com a presença de Yoani confirmada, seria realizada em Vitória da Conquista, cidade próxima à Jequié. Mas, há poucas semanas do evento, a prefeitura retirou o apoio. “As justificativas eram as de sempre: ajuste fiscal de início de ano. Outras pessoas falaram que o problema era o impacto negativo no bom relacionamento entre Cuba e Bahia”, revela Dado.

A exibição foi transferida então para Feira de Santana. Não entramos no âmbito das dificuldades para trazer Yoani. “Conseguimos recursos, através de doações, para pagar passagem e hospedagem. A questão do passaporte era outro problema”, conta o cineasta.

Entre promessas de apoio político descumpridas, Dado encontrou o comprometimento do senador Eduardo Suplicy, depois de enviar inúmeros e-mails para o Senado, sendo ele o único a responder e acompanhar de perto o processo, intercedendo, inclusive, junto à presidente Dilma Roussef. O senador confirmou presença na exibição do filme em Feira de Santana.

“Ao longo dessa jornada, acabei atuando mais como ativista do que como cineasta”, afirma Dado. Como o próprio declarou, o debate do filme é muito mais amplo do que um simples retrato de um determinado contexto político. Nesse aspecto, o audiovisual aparece, mais uma vez, como um instrumento de provocação, reflexão e mudança.

Cinema de guerrilha

Dado entra no hall daqueles cineastas que mostram: fazer cinema depende de vontade. Recursos e equipamentos devem ser consequências dessa vontade. Com R$ 600, ele realizou um filme que colocará Feira de Santana, a porta do sertão baiano, nos holofotes de um importante debate, contando com a presença de uma personagem em evidência, a blogueira Yoani Sánchez.

Yoani faz oposição ao governo através do seu blog Geração Y. Mais uma vez, o debate não está em torno do certo e errado, mas, sim, da liberdade. “Acredito no poder de transformação do audiovisual e espero que esse filme possa fomentar o debate nas mais diferentes esferas”, disse Dado.

A conversa encerrada após quase uma hora e meia revelou um cara tranquilo, mas determinado e comprometido naquilo que faz. “Conexão Cuba Honduras” é um filme de um cineasta de Jequié, feito na base da guerrilha, mas que vem alcançando uma repercussão de dimensões internacionais, indo além de seu papel enquanto produto audiovisual. Tornou-se um instrumento de debate acerca da liberdade de expressão. E, com certeza, há muito mais o que falar, além do que está aqui escrito.

Serviço:
Exibição do filme “Conexão Cuba Honduras”
Onde: Museu Parque do Saber, Feira de Santana - Bahia
Quando: 18 de fevereiro, às 19h
Entrada franca
Mais informações: www.dadogalvao.org 



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A arte que nasce da dor


Ainda em tela preta, ouvimos sons de água em volume, como um rio que corre com violência. A primeira imagem que temos é de um cenário bucólico, um rio, rodeado por verde, montanhas ao fundo. Em seguida, a câmera revela algumas crianças brincando. Não precisamos ouvir o que elas estão falando. Basta ver. Com a mesma serenidade, podemos ver algo estranho. Um corpo de uma jovem, provavelmente uma adolescente, bóia nesse imenso rio.

Logo depois, um contraste. Saímos do cenário bucólico e entramos na paisagem urbana, sem a mesma serenidade. Tudo parece veloz, tumultuado. Nesse ponto, somos apresentados a Mija, interpretada por Yoon Hee-jong, a personagem principal de “Poesia” (Coreia do Sul, 2010). A relação entre o corpo que bóia no rio e essa senhora é revelada ainda na primeira metade do filme.

Seu neto, um adolescente com ares de rebeldia, que vive longe da mãe, é acusado de estuprar uma jovem de seu colégio junto com outros colegas. A garota, Agnes, suicidou-se depois do incidente (é a que vemos no rio logo na primeira cena). Os pais dos outros garotos, para amenizar a situação e evitar um escândalo, sugerem o pagamento de uma indenização à mãe de Agnes, uma pequena agricultora da região. A quantia não pode ser paga por Mija.



Essa é uma das problemáticas desenvolvidas pelo diretor Lee Chang-dong. Antes de descobrirmos o incidente, Mija revela a um médico que tem esquecido algumas palavras. Esse esquecimento, subentende-se, pode ser os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer. Para combater o esquecimento das palavras, Mija entra em um curso sobre como escrever poesia, cujo objetivo é apresentar, ao final, um poema.

Então, em mais ou menos duas horas e meia de projeção, seguimos esta senhora, lutando contra o Alzheimer através das palavras, lutando contra as palavras para escrever um poema, lutando contra o tempo para salvar o neto e lutando contra a dor para entender o mundo. Durante vários momentos, ela questiona o seu professor de poesia, sobre a dificuldade de se escrever.

A jornada de Mija gira em torno da dor. Seria minimalista por parte de Lee Chang-dong dizer que a arte nasce apenas da dor. Mas ele vai além. A construção sensorial em “Poesia” insere-se no processo criativo propriamente dito. Toda a história gira em torno dessa personagem que está em busca de algo, numa realidade contubarda. Por isso, a câmera na mão dá um ritmo nervoso, paradoxalmente à suposta calmaria das ações, e os planos estão sempre em confronto com Mija, que encara o mundo e procura o seu lugar.