domingo, 2 de setembro de 2012

História viva do cinema baiano


“São mais de 180 filmes. Parei de contar a uns 15 anos”. O currículo de Roque Araújo, realmente, não é nem um pouco contido. “Só não fui maquiador”, lembra o cineasta de 75 anos, dos quais 54 dedicados ao cinema. Roque continua na ativa e hoje acumula também o cargo de coordenador da Dimas (Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia). São três títulos de Doutor Honoris Causa por universidades nacionais e internacionais.



Amigo pessoal de Glauber Rocha, Roque era uma daquelas pessoas de extrema confiança do cineasta. Depois do imbróglio envolvendo o filme A Idade da Terra, que Glauber queria manter com quatro horas e meias de duração e sem numeração de rolos, a Embrafilmes vetou o direcionamento do diretor. Assim, ele picotou o filme e entregou o material restante a Roque para que ele vendesse a uma fábrica de vassoura o derretesse para extrair a prata e fazer um colar para dona Lúcia (mãe de Glauber).

Roque preferiu preservar o material. Depois da morte do amigo, ele resolveu dar um destino à película “extra” de A Idade da Terra. Foi então que nasceu No Tempo de Glauber, um documentário sobre um dos embriões do Cinema Novo dirigindo o seu último filme. Pouco mais de duas décadas a frente, Roque faz mais uma homenagem ao amigo, lançando Glauber Rocha:  Em Defesa do Cinema Brasileiro.

São imagens e entrevistas inéditas, através das quais acompanhamos o processo criativo do cineasta e sua militância em prol do cinema nacional. São documentos históricos preservados por Roque Araújo e agora podem ser conferidos em filme (o DVD está a venda na Dimas por R$ 15).

Como disse o próprio Roque, para contar tanta história, seria necessário uns cinco dias de entrevista para resgatar a trajetória do cinema baiano, da qual o cineasta também contribuiu de forma significativa. A luta mais recente é por um lugar para abrigar o museu do audiovisual, que está provisoriamente na Galeria Pierre Verger, nos Barris.

Para ouvir um pouco mais, confira a entrevista que realizamos com Roque Araújo na última sexta-feira, 31, lá mesmo, no museu do audiovisual.






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