terça-feira, 19 de junho de 2012

Feliz dia do cinema tupiniquim!


                                               Reprodução Facebook
A distribuição "igualitária" do Minc de propostas para projetos audiovisuais. Concorrem realizadores de todo o Brasil

Hoje é dia do cinema brasileiro. Mas aí, devemos nos perguntar: comemorar o que? Uma política pública que não contempla o que deveria contemplar, que não se distribui igualitariamente (veja a imagem), ou uma classe artística vaidosa, desorganizada e sem a menor intenção de apoiar um coletivo? Não se tem mais fé no cinema brasileiro autêntico, aquele que pode ganhar o mundo com uma identidade própria.

O que se tem é uma tentativa de virar indústria, mesmo sem a estrutura para tal, o que torna o caminho ainda mais tortuoso para quem quer seguir nessa área. Os sucessos de bilheteria dão a falsa impressão de que estamos no caminho certo. Não se fala aqui de um nacionalismo exacerbado, mas de o desenvolvimento de algo original, de um fazer cinematográfico que tenha expressão e que não seja um mero registro de atores contracenando ou documentários sobre história de times de futebol.

O grande público merece entretimento, mas merece educação, merece ter o seu senso crítico provocado. Fazer filmes "favela" ou "sci-fé" é só uma extensão da alienação que se alcança com a televisão. É importante que os programas massificados existam pra se criar o contraponto. Nesse ínterim, entram os filmes de entretenimento, mas é preciso dar a opção ao público e a ferramenta para quem faz.

Podem faltar bons projetos? Sim. Mas falta dar acesso e oportunidade aos novos. Nada justifica o que se vê no cinema brasileiro atual, diante da história e dos nomes que um dia nós já tivemos. Se garimparmos Brasil adentro, vamos encontrar inúmeros trabalhos perdidos, que poderiam chegar ao conhecimento do grande público e trazer algo diferenciado do que já estamos cansados de ver. Vemos um sucesso estrondoso de Tropa de Elite, mas depois parece que nada daquilo existiu.

Retomada? Não precisamos que o cinema seja retomado, mas sim renovado, com base naquilo que já conhecemos. Vamos admitir: é preciso termos referências nessa vida, pois tudo o que já pensamos alguém, um dia, já pensou melhor. Na arte, no cinema, não é diferente. Cabe às novas gerações renovarem um pensamento que foi desgastado, esquecido e marginalizado. Cinema é cinema. Ponto final.

E, pra não deixar de citar, 19 de junho foi escolhido pela “brilhante” Ancine como o dia do cinema brasileiro pois, nesta data, nos idos de 1889 tem-se o registro em imagens em movimento (não propriamente cinema, mas sim, um protocinema) mais antigo que se tem conhecimento do Brasil. Foi um cinegrafista italiano, chamado Afonso Segreto, que registrou a sua chegada ao Brasil, a bordo do navio Brésil, filmando a entrada da Baía de Guanabara. Até 1903, Afonso e seu irmão Paschoal registraram em filme os principais acontecimentos do País. Ou seja, nosso cinema recebeu o pontapé inicial de dois italianos.

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