sábado, 14 de abril de 2012

Morre um dos grandes nomes do Cinema Novo

Carlos Baumgarten


Recentemente, estava relendo o livro "Cartas ao Mundo", organizado por Ivana Bentes, com as correspondências postadas e recebidas por Glauber Rocha, que, junto com Paulo Cezar Saraceni e um grupo bem seleto da nossa cinematografia, levou adiante e ao globo o movimento Cinema Novo. "Sarra", como Glauber carinhosamente referia-se ao amigo nas correspondências, vem de uma geração que lutou por uma produção consistente, genuinamente brasileira e cinematográfica, envolta pela chamada "estética da fome", com forte viés social.


Paulo Cezar Saraceni morreu, aos 78 anos, neste sábado, no Rio de Janeiro. Com a morte do cineasta, os nomes que concretizaram o Cinema Novo ficam, cada vez mais, apenas na memória. O próprio movimento vive, hoje, apenas nas teorias cinematográficas ou nas aulas de história do cinema brasileiro. O sonho desses, então, jovens cineastas virou realidade por um período de quase 20 anos, mas evaporou-se. 


Não podemos dizer que temos um cinema brasileiro com uma proposta estética definida. Não é preciso criar padrões mecanizados e rígidos, inflexíveis. Mas o nosso cinema não tem identidade, como tinha nessa efervescente geração. Éramos reconhecidos e respeitados, pois se tinha uma proposta: queríamos dar voz a algo. Sem os espaços devidos à gerações com propostas diferenciadas, vemos o cinema brasileiro, gradualmente, indo ao fundo do poço. 


Descanse em paz, Saraceni.      

Um comentário:

  1. Homenagens em vida lhes foram ofertadas e que pós, assim seja com grande frequência. Grande profissional que cumpriu sua saga por cá, por essas terras.

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