segunda-feira, 19 de março de 2012

A queda próxima

Carlos Baumgarten



A irmã de Chico Buarque pode estar com os dias contados na gestão do Ministério da Cultura. As queixas do setor artístico e cultural estão cada vez mais abertas. Desde a semana passada, a presidente Dilma Roussef vem recebendo manifestos públicos pedindo, explicitamente, a saída de Ana de Hollanda do comando do Ministério. Para os manifestantes, o despreparo da atual ministra é evidente.

No Festival de Cinema de Brasília do ano passado, Ana de Hollanda foi vaiada pela plateia na abertura dos trabalhos, em setembro. O cachê de R$ 600 mil para Maria Bethânia recitar poemas em um blog (o projeto ultrapassava R$ 1 milhão e foi aprovado) foi a primeira grande polêmica da gestão Ana de Hollanda, ainda mais considerando o fato de que ela não viu nenhum absurdo na proposta.

A gestão cultural brasileira vai de mal a pior. O poder supremo do nosso País não dá conta de atender todas as demandas dessa área, tampouco oferece mecanismos decentes para que artistas e representantes culturais possam se desenvolver de forma sustentável. No cinema, a situação pode ser considerada ainda mais séria.

Em larguíssima maioria vivendo de verba pública, a sétima arte tupiniquim tende a ser um mero instrumento do Estado, sendo ele o seu principal financiador. Há um equilíbrio negativo entre má gestão cultural com uma pitada de falta de gestores culturais competentes (generalizando), que possam cobrar, lidar e reverter essa situação, não dependendo apenas do Estado, mas, também, agindo por conta própria.

Só assim não ficaremos à mercê da incompetência de gestores públicos, que deveriam existir para apoiar o desenvolvimento de projetos, e não de sustentá-los por toda a vida. Até agora: nem um, nem outro.  

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