segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O resgate da festa

Carlos Baumgarten

Audiência em declínio, falta de credibilidade ao redor do mundo e, por fim, uma cerimônia com gosto de fiasco no ano passado. Os apresentadores Anne Hathaway e James Franco esforçaram-se, mas, nem de perto, conseguiram agradar ao público e aos telespectadores nos quatro cantos do globo. A transmissão do Oscar estava fadada ao fracasso.

A história de Billy Cristal já é diferente. Ele é quase uma carta-marcada para assumir a apresentação do Oscar. Neste ano, ele foi chamado após Eddie Murphy anunciar a sua desistência. Desde o final dos anos 90 para cá, os organizadores tentam encurtar a festa, objetivando discursos, diminuindo categorias, entre outras medidas.

O mestre de cerimônia tem um papel fundamental, nesse sentido, em dar o ritmo adequado para a festa. Billy Cristal consegue ser competente no aspecto em questão. Na noite deste domingo, não precisou forçar a barra, fez piadas nas horas certas e segurou a onda até o final.

Mesmo desgastada em muitos aspectos, o Oscar consegue nos chamar a atenção com momentos memoráveis, a exemplo da apresentação do grupo Cirque Du Soleil, aplaudida de pé pela plateia.

A conquista da estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por Christopher Plummer, por sua performance em Toda Forma de Amor, é um desses momentos que vemos sobriedade por parte dos membros da Academia. Plummer tem 82 anos e é o ator mais velho a conquistar a premiação, no papel de um viúvo que resolve assumir a sua homossexualidade.

Viola Davis não conquistou o prêmio de Melhor Atriz, mas sua colega, Octavia Spencer, arrebatou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, por Histórias Cruzadas. Assim como Christopher Plummer, foi ovacionada de pé pelo público presente.

Ludovic Bource ganhou o Oscar pela trilha sonora de O Artista. Ele foi imensamente cordial ao, antes de se dirigir ao palco, cumprimentar os seus concorrentes, veteranos como Howard Shore e o recordista de indicações, John Williams, o compositor oficial de Spielberg.

De uma forma ou de outra, o Oscar acaba sendo uma grande vitrine para realizadores desconhecidos. Na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira, o iraniano A Separação, previsivelmente, arrebatou o prêmio. É, no mínimo, interessante ver um inimigo dos Estados Unidos ser premiado na terra do Tio Sam. Em seu discurso, o diretor ressaltou a riqueza de seu povo e sua cultura, além de destacar o sofrimento ocasionado pela guerra. Nesse momento, a câmera enquadrou Steven Spielberg. Por que será?

Documentários, curtas e longas, e curtas de live action e animação também entram na premiação. E por mais que se critique (e, de fato, temos que criticar muitas posturas da Academia e da cultura norte-americana), não temos como negar a grande vitrine para o mundo que é o Oscar. Mas não temos que lamentar se o prêmio não vier, pois, parâmetro de qualidade é relativo e está no mundo, e não apenas em Hollywood.

Nenhum comentário:

Postar um comentário