sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Festival, em Ilhéus, oferece prêmio de R$2 mil para realizadores

Carlos Baumgarten



Pelo segundo ano consecutivo, Ilhéus, terra de Jorge Amado, localizada no sul da Bahia, vira o templo do cinema do Estado. Trata-se do Festival de Cinema Baiano, que promove ações para formação de público, mão-de-obra difusão e incentivo ao audiovisual. Tudo isso é embasado por oficinas, mostras competitivas de longas e curta-metragens, além de bate-papo com realizadores.

Foto: Divulgação
Para falar sobre o evento, o Nicotina, Cafeína e Cinema realizou uma entrevista com Edson Bastos (foto), sócio-diretor da Panorâmica Produções, uma das empresas promotoras do festival. Edson é especialista em audiovisual pela Universidade Estadual de Santa Cruz e graduado em cinema e vídeo pela Faculdade de Tecnologia e Ciências. Atuou como roteirista e diretor de filmes como Joelma, que venceu o prêmio do Festival Mix Brasil de 2011.   

O Festival de Cinema Baiano é organizado também pela Núproart (Núcleo de Produções Artísticas). Nesta edição, o projeto teve aprovação da Demanda Espontânea da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O evento acontece entre os dias 2 e 7 de abril, no Teatro Municipal de Ilhéus e na Fundação Cultural de Ilhéus.

Segundo Edson, quem quiser garantir toda a programação do evento pelo preço promocional de R$ 20,00 (vinte reais), basta entrar no site (www.feciba.com.br) e buscar informações de como proceder. Serão mais de 50 filmes exibidos durante seis dias de programação intensa.

Já para o realizador que quiser se inscrever na Mostra Competitiva de Curtas, é fundamental ler todo o regulamento, disponível no site do Festival, baixar os arquivos de aceitação do regulamento além da ficha de inscrição e em seguida, enviar uma cópia do filme em DVD ou Pen Drive para o endereço, Festival de Cinema Baiano / Mostra Competitiva de Curta-metragem / Rua Teódulo de Albuquerque, Bl 195, Apt 202. / CabulaVI / Salvador-Ba. / CEP 41181-010. Edson reforça que o candidato entre no site e leia o regulamento por completo.

“Este ano a Mostra Competitiva será realizada por meio de inscrições e todos os realizadores do estado da Bahia podem inscrever seus filmes e concorrer a R$ 2 mil”, informa Edson. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:


Nicotina, Cafeína e Cinema – Qual a principal novidade em relação à última edição do Festival Baiano de Cinema?
Edson Bastos - Teremos dessa vez ainda mais convidados, mais filmes, mais dias de evento justamente para mostrar o quanto estamos produzindo tanto na capital quanto no interior e discutir sobre a qualidade desses filmes. Este ano a Mostra Competitiva sera realizada por meio de inscrições e todos os realizadores do estado da Bahia podem inscrever seus filmes e concorrer a R$ 2.000,00 (dois mil reais). Teremos mais filmes exibidos nas Mostras Atualidades, que foram produzidos por realizadores do interior do estado. Estamos firmando novas parcerias para deixar o FECIBA ainda mais completo que o do ano passado.

N2C - Como surgiu a ideia de realizar o evento?
EB - Observamos o FECIBA como uma proposta de reconhecimento e valorização da nossa identidade e acreditamos que o cinema é a melhor forma de promover reflexões à sociedade. Pensamos também sobre a atual situação do cinema Nacional e nos remetemos à cinematografia baiana, hoje já centenária, levando em consideração os entraves e conquistas desencadeados durante esse período, até os dias atuais. Verificamos que estamos produzindo, com diversas universidades ensinando o labor do cinema, mas pouquíssimas vezes esses filmes tomam as telas do cinema, sobretudo às do interior, que possuem poucas salas e em sua maior parte, exibem filmes blockbuster para poder se sustentar. Foi assim que entendemos a necessidade do FECIBA e fomos em busca da sua concretização. Pensamos em tornar o FECIBA, um evento voltado para a celebração do audiovisual baiano e ao mesmo tempo, um espaço de debate sobre essa cinematografia, incluindo a possibilidade de haver ou não, um cinema baiano.

N2C – Existem dificuldades no processo de realização de um festival desse porte?
EB - Sempre enfrentaremos dificuldades, mas, a maior dificuldade quando se começa um projeto como esse, no interior do estado, é conseguir firmar uma rede de parceiros que acreditem na proposta e no seu retorno a curto, médio e longo prazo. Diversas empresas acreditam que o investimento em cultura é gasto. Estamos propondo um investimento de imagem que certamente terá bons frutos para quem realiza, apoia e participa do evento. Temos tudo para fazer um evento em 2012 ainda maior e mais completo do que estamos planejando, mas para isso precisamos sempre de mais recursos tanto humanos, quanto financeiros.

N2C - O que o público pode esperar desse segundo festival?
EB - Na primeira versão, chegamos causando uma grande repercussão e mudança de pensamento na cidade de Ilhéus e em todo o estado. O público saiu muito satisfeito e ansiando pela segunda versão. Garantimos que neste ano teremos filmes excelentes, lançaremos diversos filmes que ainda não foram exibidos na cidade de Ilhéus e teremos convidados ilustres para promover o debate com o público, pois é uma maneira deles se aproximarem ainda mais do processo de produção e do realizador. Contaremos ainda com o Museu Roque Araújo, no qual estarão exibidos alguns objetos de cena, câmeras filmadoras, cartazes de filmes e outros equipamentos utilizados para a produção desses filmes baianos.


Foto: Divulgação
O primeiro Festival de Cinema Baiano, realizado ano passado


N2C - O que você acha do cinema baiano hoje? Há espaço para novos realizadores? Existem condições de manter uma produção audiovisual mais constante?
EB – Estamos produzindo muito e com bastante qualidade. Os filmes baianos estão ganhando o mundo, circulando por diversos Festivais, sendo exibidos em TV, permanecendo por semanas no circuito de cinema e encontrando outras janelas. Isso tudo porque estamos mudando nossa perspectiva e encontrando maneiras diferentes de desenvolver nossas ideias e projetos. Precisamos produzir com ou sem editais, não podemos nos tornar escravos deles. Há diversas formas de fomento para realização de um filme. O mundo é outro. O Governo possui um papel importante de fomentar, que ao mesmo tempo é estratégico, pois em cada um dos filmes ou eventos que financiam, há uma contrapartida de imagem na mesma proporção do investimento realizado. Os realizadores do interior também perceberam que conseguem fazer filmes, com qualidade, sem sair das cidades onde residem. Das 04 universidades de cinema que temos no estado, duas estão no interior, sem contar as universidades de Rádio e TV, como é o caso da UESC em Ilheus, que tem uma produção audiovisual intensa. Portanto, temos sim condições de manter uma produção constante. Já estamos fazendo isso, buscando consolidar esta cinematografia e promover uma dinâmica de produção. Precisamos agora é formar nosso público para que eles vejam com seus próprios olhos, o que está acontecendo.

Foto: Divulgação


"Temos diversos cineastas baianos produzindo filmes com muita qualidade, desde gerações pioneiras a diversos jovens realizadores com uma estética de produção consolidada"


N2C - Jorge Amado é conhecido, também, por produzir uma obra literária bastante visual. Pelo seu conteúdo e linguagem, conquistou diversas partes do mundo. No cinema, tivemos uma expressão do vulcão da baianidade, com Glauber Rocha. Desde então, não vemos mais a expressão na cinematografia nacional e mundial algum nome oriundo da nossa terra. Pra você, há que se deve esse fato? Faltaria estrutura, espaço, ou cinema é uma arte esquecida e/ou marginalizada na Bahia?
EB – Temos diversos cineastas baianos produzindo filmes com muita qualidade, desde gerações pioneiras a diversos jovens realizadores com uma estética de produção consolidada. Não ousamos citar nomes, pois são muitos. Há a diversidade de olhares, de abordagens, de formas de produção. Cinema é arte, técnica e linguagem. Assim como no Cinema Novo, discutimos política, estética e assuntos que estão em voga na sociedade, temos muito mais recursos e acesso a informação. Hoje tem espaço para todos. Seja nas salas de cinema ou na internet. Selecionar um cineasta como representante do nosso estado para o mundo e supervalorizá-lo é reduzir a Bahia ao olhar de um único realizador. A Bahia é de Jorge Amado e de Adonias Filho, de Glauber Rocha e de Roberto Pires. Reafirmamos a importância desses ícones Baianos, mas afirmamos que precisamos expandir as fronteiras do nosso olhar, buscando uma visão de futuro. Assim conseguiremos ainda mais destaque no mundo e certamente teremos a consolidação da nossa cinematografia. O que falta, digo novamente, é formar nosso público e mostrar que fazemos cinema de qualidade, para o mundo inteiro. 

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