segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Surpresas apenas aparentes

Carlos Baumgarten

O Oscar continua sem surpreender ninguém. Nesta noite de domingo, consagrou O Artista, com cinco estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator. Isso indica um saudosismo da velha guarda hollywoodiana, que, com razão, sente falta da essência da linguagem cinematográfica como um todo, algo que o cinema mudo tinha que colocar em primeiro plano.

Esse saudosismo é tão grande, que os membros da Academia, formada por patriotas conservadores, preferiram premiar o francês Michel Hazanavicius como Melhor Diretor, do que o consagrado e cultuado cineasta Martin Scorsese, apontado, por muitos, como o favorito. A Invenção de Hugo Cabret acabou por conquistar apenas prêmios técnicos.

Esse favoritismo de Scorsese, no entanto, era apenas aparente. Muitos disseram que, por sua pincelada artística, saindo de seu estilo habitual (violência e submundo), o diretor de A Invenção de Hugo Cabret conseguiu levar às telas uma aventura suave, com uma narrativa contundente e estética primorosa.  

Assim como O Artista, A Invenção de Hugo Cabret homenageia os primórdios da sétima arte. Ou seja, os dois grandes favoritos estavam dialogando com o passado de sua própria arte e, implicitamente, chamando a atenção aos propósitos do audiovisual, que deve ser muito mais visual do que oral.

Se O Artista mostrou que a oralidade não é tão essencial quanto a captação expressiva através da câmera, Scorsese deu uma aula de como usar a tecnologia 3D em prol de uma obra cinematográfica singular.
 
O Artista, por sua ousadia e originalidade, mereceu todos os prêmios arrebatados nesta temporada. Para Scorsese, que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Diretor, talvez fosse o momento de a Academia se redimir de uma vez com esse grande realizador, afinal premiá-lo por Os Infiltrados, em 2007, foi um grande nonsense dos membros desse “seleto” grupo, dentro de muitos outros ao longo de mais de 80 anos de história.

Outra surpresa aparente foi o terceiro Oscar da carreira de Meryl Streep, por sua elogiada atuação em A Dama de Ferro. Conquistar o prêmio por três vezes não é tarefa simples. Jack Nicholson foi o ator que mais foi premiado no Oscar (três, no total, sendo duas como Melhor Ator e uma como Melhor Ator Coadjuvante). Katherine Hepburn conquistou quatro vezes a estatueta de Melhor Atriz (1933, 1968, 1969 e 1982), sendo um recorde entre os gêneros em toda a história do Oscar.

Dessa forma, Meryl Streep entra para esse restrito grupo de atores consagrados com a premiação mais popular do cinema hollywoodiano. Viola Davis, de Histórias Cruzadas, era considerada favorita na categoria, tendo sido, inclusive, premiada pelo Sindicato de Atores. Mas os membros da Academia preferiram a incursão de Meryl Streep na performance de A Dama de Ferro. Sua vitória não foi uma total surpresa, mas era algo tido como incerto.

Para o Brasil, a presença de apenas um concorrente não foi suficiente para levar a estatueta para casa. A maioria conservadora e de “paladar” restrito da Academia não iria premiar a originalidade da música Real In Rio da animação Rio. Preferiu ficar no “normal”, com a Disney e os seus Muppets. Para se conquistar esse grupo, é necessário reverenciá-lo (como fez O Artista) ou realizar um filme, realmente, diferenciado para a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas que seja entendível por eles. Fora isso, será muito difícil. Mas, vale ressaltar, não é algo tão necessário. Se vier, será bem-vindo. Do contrário, não fará falta.

O cinema celebra a si mesmo

Carlos Baumgarten

John Gilbert foi um dos grandes astros do cinema mudo. A chegada do cinema falado causou um grande impacto negativo à carreira desse ator. Dizem que sua voz era inadequada para o cinema e não condizia com o seu porte físico. Reza a lenda que na primeira sessão de seu primeiro filme falado, a plateia caiu na gargalhada quando ele entoou as linhas primárias de seu texto.

O alcoolismo venceu John Gilbert, e ele morreu aos 39 anos, praticamente, esquecido pelo público que um dia o consagrou.

George Meliès foi um dos primeiros cineastas da história à enxergar o cinema como uma forma de tornar sonhos realidades. Ele presenciou a primeira exibição pública de uma fita cinematográfica, realizada pelos irmãos Lumière no final do século XIX. Meliès, que era ilusionista, ficou encantando com a invenção. Tentou comprar o equipamento dos irmãos, mas eles se negaram a vender.

Assim, ele optou por construir o seu próprio cinematógrafo, como era chamado o equipamento. Foi o primeiro a descobrir o poder narrativo da trucagem. Fez obras memoráveis, como Viagem à Lua (1902). Meliès, no entanto, não foi capaz de acompanhar os avanços técnicos do cinema. Morreu em um abrigo para artistas desamparados, em 1938.     

Hoje, o cinema passa por novas transições. A popularização das plataformas digitais, o cinema em três dimensões a disseminação de conteúdo via internet, tudo isso deve ser visto como uma espécie de quarta revolução na sétima arte (depois da trucagem narrativa, a linguagem de câmera e a inserção da CG) e, considerando um campo de maior amplitude, uma revolução no audiovisual. Já não é mais o futuro, e sim o presente.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos resolveu celebrar o cinema em todas as suas virtudes. Em O Artista, o ator Jean Dujardin (em uma performance bastante elogiada pela crítica em todo o mundo) é uma espécie de John Gilbert misturado a outros galãs do cinema mudo.

As imposições sociais, políticas, econômicas e tecnológicas ditam o gosto do público, que pode ser muito cruel na hora de esquecer aqueles que passaram anos o entretendo. A transição do cinema mudo para o cinema falado teve um grande impacto no mercado cinematográfico. Os músicos que tocavam ao vivo durantes as projeções dos filmes ficaram sem emprego. Os astros que não conseguiram se adaptar à oralidade também ficaram para trás. O próprio Charles Chaplin relutou, realizando filmes mudos já na era falada.

Já em A Invenção de Hugo Cabret, voltamos à Paris dos anos 30, conhecemos um velho ranzinza que esconde um segredo por trás de sua profunda tristeza e desgosto pela vida. Scorsese, que, além de cineasta, é um amante do cinema, resgata a história da invenção da sétima arte.

Os irmãos Lumière conceberam a possibilidade técnica de captar a imagem em movimento no ano de 1895. Mas, para eles, aquilo funcionava apenas como uma fotografia em movimento. Foi George Meliès que enxergou novas possibilidades com a aquela fantástica invenção. Ele levou a sua experiência como ilusionista para as telas do cinema.

Em 1914, David W. Griffith concretiza aquilo que chamamos de linguagem cinematográfica, o poder da narrativa e o seu aspecto ideológico.

Scorsese, então, une o primeiro inovador à tecnologia de última geração, fazendo sua primeira produção em 3D e, diga-se de passagem, seu primeiro filme infanto-juvenil, com uma grande homenagem ao cinema. A Academia reconheceu toda a técnica utilizada, mas não reconheceu a mão de seu realizador. No entanto, a premiação de Michel Hazanavicius foi justa, assim como seria justa a premiação para Scorsese.

O resgate da festa

Carlos Baumgarten

Audiência em declínio, falta de credibilidade ao redor do mundo e, por fim, uma cerimônia com gosto de fiasco no ano passado. Os apresentadores Anne Hathaway e James Franco esforçaram-se, mas, nem de perto, conseguiram agradar ao público e aos telespectadores nos quatro cantos do globo. A transmissão do Oscar estava fadada ao fracasso.

A história de Billy Cristal já é diferente. Ele é quase uma carta-marcada para assumir a apresentação do Oscar. Neste ano, ele foi chamado após Eddie Murphy anunciar a sua desistência. Desde o final dos anos 90 para cá, os organizadores tentam encurtar a festa, objetivando discursos, diminuindo categorias, entre outras medidas.

O mestre de cerimônia tem um papel fundamental, nesse sentido, em dar o ritmo adequado para a festa. Billy Cristal consegue ser competente no aspecto em questão. Na noite deste domingo, não precisou forçar a barra, fez piadas nas horas certas e segurou a onda até o final.

Mesmo desgastada em muitos aspectos, o Oscar consegue nos chamar a atenção com momentos memoráveis, a exemplo da apresentação do grupo Cirque Du Soleil, aplaudida de pé pela plateia.

A conquista da estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por Christopher Plummer, por sua performance em Toda Forma de Amor, é um desses momentos que vemos sobriedade por parte dos membros da Academia. Plummer tem 82 anos e é o ator mais velho a conquistar a premiação, no papel de um viúvo que resolve assumir a sua homossexualidade.

Viola Davis não conquistou o prêmio de Melhor Atriz, mas sua colega, Octavia Spencer, arrebatou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, por Histórias Cruzadas. Assim como Christopher Plummer, foi ovacionada de pé pelo público presente.

Ludovic Bource ganhou o Oscar pela trilha sonora de O Artista. Ele foi imensamente cordial ao, antes de se dirigir ao palco, cumprimentar os seus concorrentes, veteranos como Howard Shore e o recordista de indicações, John Williams, o compositor oficial de Spielberg.

De uma forma ou de outra, o Oscar acaba sendo uma grande vitrine para realizadores desconhecidos. Na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira, o iraniano A Separação, previsivelmente, arrebatou o prêmio. É, no mínimo, interessante ver um inimigo dos Estados Unidos ser premiado na terra do Tio Sam. Em seu discurso, o diretor ressaltou a riqueza de seu povo e sua cultura, além de destacar o sofrimento ocasionado pela guerra. Nesse momento, a câmera enquadrou Steven Spielberg. Por que será?

Documentários, curtas e longas, e curtas de live action e animação também entram na premiação. E por mais que se critique (e, de fato, temos que criticar muitas posturas da Academia e da cultura norte-americana), não temos como negar a grande vitrine para o mundo que é o Oscar. Mas não temos que lamentar se o prêmio não vier, pois, parâmetro de qualidade é relativo e está no mundo, e não apenas em Hollywood.

O Artista se consagra no Oscar e derruba americanos

Redação

O Artista, de Michel Hazanavicius, foi o grande vencedor do Oscar 2012, sendo premiado em cinco categorias. Outro favorito, A Invenção de Hugo Cabret, conquistou quatro prêmios, todos técnicos. Woody Allen esnobou a Academia e não foi receber o Oscar de Melhor Roteiro por Meia-Noite em Paris. Os Descendentes foi premiado na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Confira a lista completa:

FOTOGRAFIA
"A Invenção de Hugo Cabret"

DIREÇÃO DE ARTE
"A Invenção de Hugo Cabret"

FIGURINO
"O Artista", de Mark Bridges

MAQUIAGEM
"A Dama de Ferro"

FILME ESTRANGEIRO
"A Separação" (Irã)

ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer em "Histórias Cruzadas"

MONTAGEM
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres"

EDIÇÃO DE SOM
"A Invenção de Hugo Cabret"

MIXAGEM DE SOM
"A Invenção de Hugo Cabret"

DOCUMENTÁRIO
"Undefeated"

ANIMAÇÃO
"Rango", de Gore Verbinski

EFEITOS VISUAIS
"A Invenção de Hugo Cabret"

ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer, de "Toda Forma de Amor"

TRILHA SONORA
"O Artista", de Ludovic Bource

CANÇÃO ORIGINAL
"Man or Muppet", do "Os Muppets", música e letra de Bret McKenzie

ROTEIRO ADAPTADO
"Os Descendentes", de Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash

ROTEIRO ORIGINAL
"Meia-Noite em Paris", de Woody Allen

MELHOR CURTA
"The Shore"

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Saving Face"

ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"

DIRETOR
"O Artista", de Michel Hazanavicius

ATOR
Jean Dujardin, de "O Artista"

ATRIZ
Meryl Streep, de "A Dama de Ferro"

FILME
"O Artista"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Spirit Awards consagra O Artista

Redação


Um dia antes do Oscar, o Spirit Awards apontou os seus melhores do ano. A premiação é considerada o Oscar do cinema independente e consagrou a produção francesa O Artista. Confira a lista completa de premiados:


Melhor Filme
"O Artista"


Melhor Diretor
Michel Hazanavicius - "O Artista"


Melhor Roteiro
Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash - "Os Descendentes"


Melhor Estreia
"Margin Call - O Dia Antes do Fim" - J.C. Chandor


Melhor Estreia em Roteiro
Will Reiser - "50%"


Prêmio John Cassavetes
"Pariah" - Roteirista/Diretor: Dee Rees


Melhor Atriz
Michelle Williams - "Sete Dias com Marilyn"


Melhor Ator
Jean Dujardin - "O Artista"


Melhor Atriz Coadjuvante
Shailene Woodley - "Os Descendentes"


Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer - "Toda Forma de Amor"


Melhor Fotografia
Guillaume Schiffman - "O Artista"


Melhor Documentário
"The Interrupters" - Diretor/Produtor: Steve James, Produtor: Alex Kotlowitz


Melhor Filme Internacional
"A Separação" (Irã)


Prêmio Piaget de Produtores
Sophia Lin - "Take Shelter" 

Adam Sandler é um dos favoritos a piores do ano

O filme de Adam Sandler, Cada Um Tem A Gêmea Que Merece, e a franquia da saga Crepúsculo, dominam as indicações do Framboesa de Ouro, a antítese do Oscar. Pela primeira vez, a entrega do Framboesa vai ocorrer depois da cerimônia da Academia, no dia 1o de abril. Confira os indicados abaixo:



Pior Filme


“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I“
“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
“Bucky Larson: Dotado Para Brilhar”
“Noite de Ano Novo”
“Transformers – O Lado Oculto da Lua”


Pior Diretor


Bill Condon, por “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I“
Dennis Dugan, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” e “Esposa de Mentirinha“
Garry Marshall, por “Noite de Ano Novo”
Michael Bay, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”
Tom Brady, por “Dotado Para Brilhar”


Pior Ator


Adam Sandler, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” e “Esposa de Mentirinha“
Nick Swardson, por “Dotado Para Brilhar”
Nicolas Cage, por “Caça às Bruxas“, “Fúria Sobre Rodas” e “Reféns“
Russell Brand, por “Arthur – O Milionário Irresistível”
Taylor Lautner, por “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I” e “Sem Saída“


Pior Atriz


Adam Sandler, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” (como Jill)
Kristen Stewart, por “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I“
Martin Lawrence, por “Vovó… Zona 3 – Tão Pai, Tal Filho” (como Momma)
Sarah Jessica Parker, por “Não Sei Como Ela Consegue” e “Noite de Ano Novo”
Sarah Palin, por “Sarah Palin – The Undefeated”


Pior Ator Coadjuvante


Al Pacino, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
James Franco, por “Sua Alteza?”
Ken Jeong, por “O Zelador Animal”, “Se Beber, Não Case! – Parte 2″, “Transformers – O Lado Oculto da Lua” e “Vovó… Zona 3 – Tão Pai, Tal Filho”
Nick Swardson, por “Dotado Para Brilhar” e “Esposa de Mentirinha“
Patrick Dempsey, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”


Pior Atriz Coadjuvante


Brandon T. Jackson, por “Vovó… Zona 3 – Tão Pai, Tal Filho” (como Charmaine)
David Spade, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” (como Monica)
Katie Holmes, por “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
Nicole Kidman, por “Esposa de Mentirinha“
Rosie Huntington-Whiteley, por “Transformers – O Lado Oculto da Lua”


Pior Roteiro


“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I“
“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
“Dotado Para Brilhar”
“Noite de Ano Novo”
“Transformers – O Lado Oculto da Lua”


Pior Remake, Prequel, Rip-Off ou Sequência


“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte I“
“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece” (remake/rip-off de “Glen ou Glenda?”
“Dotado Para Brilhar” (rip-off de “Boogie Nights – Prazer Sem Limites” e “Nasce Uma Estrela”)
“Se Beber, Não Case! – Parte 2″ (sequência “e” remake)


Pior Conjunto na Tela


Todo o elenco de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1“
Todo o elenco de “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”
Todo o elenco de “Dotado Para Brilhar”
Todo o elenco de “Noite de Ano Novo”
Todo o elenco de “Transformers – O Lado Oculto da Lua”


Pior Dupla


Adam Sandler & Jennifer Aniston ou Brooklyn Decker (“Esposa de Mentirinha“)
Adam Sandler & Katie Holmes ou Al Pacino ou Adam Sandler (“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”)
Kristen Stewart & Taylor Lautner ou Robert Pattinson (“A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1“)
Nicolas Cage & Qualquer pessoa com quem ele tenha contracenado em qualquer um de seus três filmes em 2011 (“Caça às Bruxas“, “Fúria Sobre Rodas” e “Reféns“)
Shia LeBeouf & Rosie Huntington-Whiteley (“Transformers – O Lado Oculto da Lua”)

A má educação de Kate Winslet

Kate Winslet estava tão certa que iria ganhar o Oscar por Titanic (1997), que não escondeu a decepção ao perder a estatueta para Helen Hunt e sua interpretação em Melhor É Impossível (1997). Na lista daquele ano, a escolha da Academia não poderia ter sido melhor.

Fonte: Youtube 

Os espanhóis no Oscar

O talento de Pedro Almodóvar foi reconhecido pela Academia em 1999, com o filme Tudo Sobre Minha Mãe. A estatueta de Melhor Filme Estrangeiro foi entregue por duas estrelas reveladas pelo cineasta espanhol.   

Fonte: Youtube

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Joe Pesci e o seu “prolixo” discurso

A parceria entre o trio Scorsese/De Niro/Pesci já rendeu grandes momentos para o cinema. Os filmes Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1991) e Cassino (1995) são aulas da junção positiva entre interpretação e direção no cinema. Foi pelo segundo filme que Joe Pesci levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, em uma performance, de fato, memorável. Mas parece que ele estava esperando ser indicado pelo papel principal. 

Fonte: Youtube

“Saia justa” em 1999

Martin Scorsese e Robert De Niro entram no palco para entregar um Oscar honorário a Elia Kazan (1909-2003), diretor de clássicos como Sindicato de Ladrões (1954) e Viva Zapata (1952). Sua contribuição à sétima arte é incontestável. No ativismo político, entretanto, a história é outra.

Kazan, que havia sido membro do Partido Comunista dos Estados Unidos, denunciou colegas do antigo grupo ao Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas. Por essa postura, o cineasta foi duramente criticado por representantes da classe artística, como Sean Penn e o diretor Orson Welles. Penn foi um dos que criticou, abertamente, a decisão da Academia em homenagear Elia Kazan

Os defensores do cineasta, no entanto, alegam que os delatados já faziam parte de uma lista composta pelo comitê, e seriam encontrados, de um jeito ou de outro. Os críticos, por outro lado, afirmam, com convicção, que, ao fornecer informações, ele contribuiu, de maneira tática, para o macartismo. 

Fonte: Youtube

A maior injustiça da Academia

Já foi dito aqui várias vezes: Oscar não é parâmetro de qualidade. Mas, os votantes da Academia, todos os anos, dão o que falar com suas escolhas, no mínimo, duvidosas, e as injustiça culminadas diante de tais posturas. Como conceber que um cineasta do quilate de Alfred Hitchcock nunca tenha levado uma estatueta de Melhor Diretor?

Ao longo de seus 60 anos de carreira, o mestre do suspense recebeu várias indicações, nunca ganhou. Em 1968, recebeu o então intitulado prêmio Irving G. Thalbert, pelo conjunto de sua obra. É a mesma coisa que dar um atestado de aposentadoria para o cineasta.

A reação de Hitchcock diz tudo, e talvez por isso a Academia tenha se apressado em dar um Oscar a Martin Scorsese por um filme mediano (Os Infiltrados, de 2007), para não cair no erro de ter que oferecer um prêmio honorário. 

Fonte: Youtube

Oscar 2012

Estamos na semana do Oscar. Confira alguns poucos momentos memoráveis (ou não) da cerimônia de gala do cinema hollywoodiano. 

Abaixo, relembre os indicados:

Filme
A Árvore da Vida
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
O Artista
Meia-Noite em Paris
Tão Forte e Tão Perto

Direção
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
Michel Hazanavicius - O Artista
Alexander Payne - Os Descendentes
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret
Terrende Malick - A Árvore da Vida

Ator
Demián Bichir - A Better Life
George Clooney - Os Descendentes
Jean Dujardin - O Artista
Gary Oldman - O Espião Que Sabia Demais
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo

Atriz
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn

Ator Coadjuvante
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Kenneth Branagh - Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte - Guerreiro
Max von Sydow - Tão Forte e Tão Perto

Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo - The Artist
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer - Albert Nobbs
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas

Roteiro original
O Artista - Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento - Jriste Wiig, Annie Mumolo
Margin Call - O Dia Antes do Fim - J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris - Woody Allen
A Separação - Ashgar Farhadi

Roteiro adaptado
Os Descendentes - Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret - John Logan
Tudo pelo Poder - George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo - Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais - Bridget O'Connor, Peter Straughan

Animação
Um Gato em Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Gato de Botas
Rango

Canção Original
"Man or Muppet" - The Muppets - Música e Letra de Bret McKenzie
"Real in Rio" - Rio - Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett

Trilha sonora
As Aventuras de Tintim - John Williams
O Artista - Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
O Espião que Sabia Demais - Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra John Williams

Filme estrangeiro
Bélgica - Bullhead - Michael R. Roskam
Canadá - Monsieur Lazhar - Philippe Falardeau
Irã - A Separação - Asghar Farhadi
Israel - Footnote - Joseph Cedar
Polônia - In Darkness - Agnieszka Holland

Efeitos visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Gigantes de Aço
Planeta dos Macacos: A Origem
Transformers: O Lado Oculto da Lua

Edição de som
Drive
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Cavalo de Guerra

Mixagem de som
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Cavalo de Guerra

Direção de arte
O Artista - Laurence Bennett, Robert Gould
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 - Stuart Craig, Stephenie McMillan
A Invenção de Hugo Cabret - Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo
Meia-Noite em Paris - Anne Seibel, Hélène Dubreuil
Cavalo de Guerra - Rick Carter, Lee Sandales

Fotografia
O Artista
Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
A Árvore da Vida
Cavalo de Guerra

Figurino
Anonymous
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W.E.

Curta metragem de animação
Dimanche/Sunday - Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce and Brandon Oldenburg
La Luna - Enrico Casarosa
A Morning Stroll - Grant Orchard and Sue Goffe
Wild Life - Amanda Forbis and Wendy Tilby

Curta metragem
Pentecost - Peter McDonald and Eimear O'Kane
Raju - Max Zähle and Stefan Gieren
The Shore - Terry George and Oorlagh George
Time Freak - Andrew Bowler and Gigi Causey
Tuba Atlantic - Hallvar Witz

Maquiagem
lbert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Dama de Ferro

Edição
O Artista
Os Descendentes
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo

Documentário longa metragem
Hell and Back Again
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

Documentário curta metragem
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God Is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Homenagem ao cinema de um cineasta cinéfilo*

Redação

A Invenção de Hugo Cabret estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira e traz uma singela e grandiosa homenagem à sétima arte por parte de seu diretor, Martin Scorsese. Scorsese, diga-se de passagem, é reconhecido por sua paixão pelo cinema. Não é um cineasta por profissão ou pelo dinheiro.

Basta ver que, mesmo tratando-se de uma história relativamente sem grandiosidade, um filme dirigido por Martin Scorsese extrai o máximo da arte e linguagem cinematográfica traduzida em imagens em movimento. Hugo Cabret é a primeira incursão do diretor no cinema 3D e no gênero infantil.

Hugo é um garoto de 12 anos que trabalha como relojoeiro na cidade de Paris dos anos 30. Sua vida muda quando ele encontra um androide quebrado que, se consertado, pode escrever e desenhar coisas incríveis. O garoto, lógico, vai fazer de tudo para consertá-lo. O filme tem o maior número de indicações ao Oscar: 11, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

A atuação elogiadíssima de Meryl Streep pode ser conferida, a partir de hoje, nos cinemas nacionais. A Dama de Ferro, que trás a trajetória da ex-Primeira Ministra da Inglaterra, Margareth Thatcher. O filme faz um retrospecto das ações da dama de ferro que precederam as Guerras das Malvinas. Streep concorre pela 17ª vez ao Oscar e pode ganhar o seu terceiro da carreira.

Brad Pitt também foi elogiado por sua atuação em O Homem Que Mudou o Jogo, que também estreia nesta sexta-feira. O longa narra a história real de um treinador de um time de baseball tendo disponível um ínfimo orçamento se comparados a outros times da liga que, através de baixos custos, investe em um sofisticado software para reunir um elenco de primeira linha. O ator concorre ao Oscar de Melhor Ator.

Depois de ser questionado se não era um vampiro do século XIX, o ator Nicolas Cage pode ser conferido na inútil sequência de Motoqueiro Fantasma. A produção, intitulada Motoqueiro Fantasma 2: A Ameaça Fantasma, acompanha a trajetória do protagonista, que é recrutado por uma seita para salvar um garoto do demônio. Ele resiste, mas “boa ação” pode livrá-lo de sua maldição.

Reis e Ratos traz no elenco nomes como Selton Mello e Rodrigo Santoro. O longa de Mauro Lima retorna aos idos da década de 60, no Estado do Rio de Janeiro, e traz a história de um agente da CIA radicado no Brasil que elabora um plano para emboscar o presidente do Brasil.

*As estreias podem não ocorrer em todos os territórios. Confira a programação de sua cidade, desligue o celular e tenha um bom filme!

Jovens realizadores serão únicos representantes da América Latina no projeto Microgrant em Cannes

Carlos Baumgarten
Fotos: Roberta Sant´Anna

A Avante Filmes é uma produtora gaúcha, sediada em Porto Alegre, formada por jovens profissionais do audiovisual. Reune o produtor Caio Sehbe, os diretores Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, o fotógrafo João Gabriel de Queiroz e o montador e finalizador Samuel Telles, que trabalham juntos desde 2009.

As produções da Avante buscam uma conciliação entre o comercial e o artístico, abordando temas como juventude, sexualidade e educação, conforme definição de seus idealizadores.

O edital Microgrant é uma iniciativa da Real Idea Studios, organização que apoia o lançamento de realizadores ao redor do mundo. Além de distribuir as produções no Festival de Cinema de Slamdance (uma espécie de “concorrente” de Sundance), proporciona a participação de cineastas no prestigiado Festival de Cannes.

A iniciativa busca reunir curtas-metragens documentais com visões de diretores de diversas nacionalidades sobre um único tema, formando um longa-metragem.

O que a Avante e o Microgrant têm em comum? Sim. Os realizadores gaúchos foram selecionados pelo edital, sendo os únicos representantes da América Latina no projeto e possuindo o único curta não falado em língua inglesa. My Other, dirigido por Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, será apresentado junto com outros 10 curtas no Festival de Cannes, que acontece entre 16 e 27 de maio.

Cena de My Other, dirigido por Filipe Matzembacher
e Márcio Reolon


Nesta entrevista concedida ao Nicotina Cafeína e Cinema, os cineastas falam um pouco sobre o projeto, rodado em três diárias. É a primeira vez que a Avante Filmes inscreve um projeto no edital Microgrant. Os jovens gaúchos possuem uma experiência consolidada no mercado audiovisual, participando de festivais e mostras nacionais e internacionais, o que justifica o êxito da dupla.

Os dois cineastas começaram a carreira nos palcos de teatro, somando experiências atuais nos segmentos de dramaturgia e direção. Ambos produzem o CLOSE (Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual). Este ano, Filipe e Márcio vão dirigir o primeiro longa-metragem produzido pela Avante Filmes. Confira essas e outras informações na entrevista abaixo:

Os diretores Filipe Matzembacher (à esquerda) e Márcio Reolon


Nicotina, Cafeína e Cinema - De início, uma pergunta básica: qual o sentimento de ser o único representante da América Latina e a única produção não falada em inglês no Microgrant?

Filipe Matzembacher e Márcio Reolon - É muito bacana estarmos representando a América Latina no projeto. Quando recebemos a notícia, esperamos alguns dias para divulgar, para termos certeza de que havíamos sido selecionados. Estamos realmente extasiados e esperando o momento de projetar o filme no festival.

N2C - Qual a abordagem “do outro dentro de nossa sociedade” a partir do segmento de vocês?

FM e MR - Ao recebermos este direcionamento "o outro em sua sociedade" pensamos diretamente: quem é o outro em nossa sociedade? Vieram diversos grupos sociais e indivíduos. O outro parte muito de uma relação com os demais. Chegamos, primeiramente, na comunidade LGBT, e pensamos em ir mais fundo, explorar os subgrupos dentro deste grupo. Percebemos que, após muita pesquisa, existe uma divisão muito grande entre faixas etárias neste universo, que separam realmente as pessoas. Uma falta de reconhecimento e, de certo modo, preconceito dos mais novos com os mais velhos, que acabam retribuindo na mesma moeda. Decidimos abordar esse diálogo entre gerações, dentro de um grupo já excluído da sociedade.
  
N2C - Vocês falam de um ensaio poético e visual sobre as diferentes visões que separam as gerações. Como essas gerações são ou estão separadas?  

FM e MR - São separadas pelos grupos de convívio, por lugares que frequentam e, muitas vezes, por termos que se aproximam,ou até mesmo se tratam, de apelidos maldosos. Há uma falta de diálogo e identificação entre esses dois grupos e eles não percebem que estão diretamente ligados e lutando pelos mesmos direitos.

"Ao recebermos este direcionamento 'o outro em sua sociedade' pensamos diretamente: quem é o outro em nossa sociedade? Decidimos abordar esse diálogo entre gerações, dentro de um grupo já excluído da sociedade"


N2C - Como se deu o processo de criação? O que o público pode esperar desse trabalho?

FM e MR - O filme foi rodado em três diárias e trabalhamos através de um olhar lúdico sobre o tema. Os protagonistas do filme, um jovem bailarino e um ator de 50 anos, recriam uma dança, remetendo a ação e reação desses grupos. As pessoas podem esperar um documentário nada convencional, pois ele abusa de elementos narrativos ficcionais e de uma imagem muito trabalhada.

N2C – Já haviam inscritos outros projetos no Microgrant?

FM e MR - Não. Está é a primeira vez que inscrevemos um projeto no Microgrant.


N2C – O projeto será incluído em um produto maior, correto?

FM e MR - Sim, o projeto fará parte de um longa, que será distribuido pela Real Idea e por Cannes. São onze curtas no total, gerando o longa-metragem.

N2C -  As gerações do cinema, assim como a técnica, renovam-se ao longo dos anos. Muito se fala, nos dias de hoje, em “crise da linguagem cinematográfica”. Na visão de vocês, essa crise existe? Existe alguma diferença entre a antiga geração e a nova geração da sétima arte?

FM e MR - Bom, particularmente, acreditamos que esse sentimento de nostalgia é muito pobre, quando é utilizado em comparação com novas tecnologias, novos anos, etc. Nós, da Avante, não vemos um retrocesso, e sim um avanço. Hoje, mais e mais artistas conseguem se expressar, e isso, com certeza, é uma evolução. Antigamente, os artistas criavam de maneira diferente, pois o universo cinematográfico era uma página em branco, diferente de hoje. Contudo, acreditamos que há uma evolução gradual e uma expansão nas possibilidades de se fazer cinema.

N2C -  E para o futuro? O que podemos esperar da Avante?

FM e MR - Estamos trabalhando no primeiro longa-metragem inteiramente produzidos pela empresa, que se chamará Beira-Mar e será rodado ainda este ano. O filme será dirigido pela duplinha do My Other e fala sobre juventude e amadurecimento. Em nosso site já temos informações sobre o longa-metragem. Continuamos também produzindo o CLOSE (Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual), além do canal de humor Não No Meu Turno. Pretendemos, este ano ainda, realizarmos mais algumas produções no formato de curta-metragem ficcional e documentário.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas é uma das estreias da semana*

Redação

Os conflitos raciais formam o eixo central da narrativa de Histórias Cruzadas, produção que vem sendo elogiada pela crítica e concorre a algumas estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme. O longa, que estreia nesta sexta-feira, narra a história de uma jovem recém-formada que sonha em ser escritora. Ela resolve entrevistar mulheres negras que cuidam das famílias do sul, chocando diversos membros desses “conjuntos”.

O filme se passa na década de 60, e retrata o período de transição de pensamento, a redução da imposição racista branca, predominante na região sul dos Estados Unidos, berço de muitos “cérebros” da humanidade. No elenco, Emma Stone e Viola Davis, entre outras estrelas. O filme recebeu o prêmio máximo do Sindicato de Atores de Hollywood no último fim de semana.

Na onda do 3D, a Disney vem relançando diversos clássicos. Agora, a criançada de hoje e as ex-crianças de 20 anos atrás, poderão conferir a animação A Bela e a Fera, sob a tutela da tecnologia de três dimensões. O filme foi um sucesso na época em que foi lançado (1991) e está nos cinemas, mais uma vez, a partir de hoje.

A Bela e a Fera narra a história de uma garota, insatisfeita com a vida provinciana e aculturada de sua pequena cidade. Em determinado ponto, ela se encontra com a Fera, um príncipe que foi amaldiçoado, transformado em monstro porque não conseguia amar. Contos de fadas têm finais previsíveis. Portanto, sabemos como vai terminar, mas, que não conhece, não sabe qual o desenrolar até o desfecho.

Seguindo a linha do terror demoníaco, A Filha do Mal faz uma mistura que já vem se tornando ultrapassada, trazendo a linguagem documental para filmes do gênero. Uma mulher está convencida de que a sua mãe cometeu três assassinatos após enlouquecer. Ela descobre, então, que os assassinatos faziam parte de um ritual exorcista e resolve produzir um documentário sobre o fato.

Já o longa À Beira do Abismo traz uma daquelas tramas de injustiças e inocentes. Um policial é preso por um crime que não cometeu. No dia do funeral de seu pai, ele é liberado para acompanhar a cerimônia, mas escapa e segue para o topo de um hotel, onde ameaça se suicidar. Sob outro ponto de vista, vamos acompanhar o irmão do policial, que está prestes a cometer um assalta na mesma rua em que o policial está disposto a se atirar para a morte.

Fechando as estreias desta semana, o fantasioso Viagem 2: A Ilha Misteriosa. O elenco está recheado de atores de segunda, como Dwayne Johnson e Vanessa Hudgens. O filme se passa em uma ilha secreta, onde não deveria existir nenhum tipo de vida. Um aventureiro capta uma mensagem dessa localidade e resolve resgatar o habitante desconhecido, antes que a ilha afunde no mapa.

*As estreias pode não ocorrer em todos os territórios. Confira a programação de sua cidade, desligue o celular e tenha um bom filme!

Festival, em Ilhéus, oferece prêmio de R$2 mil para realizadores

Carlos Baumgarten



Pelo segundo ano consecutivo, Ilhéus, terra de Jorge Amado, localizada no sul da Bahia, vira o templo do cinema do Estado. Trata-se do Festival de Cinema Baiano, que promove ações para formação de público, mão-de-obra difusão e incentivo ao audiovisual. Tudo isso é embasado por oficinas, mostras competitivas de longas e curta-metragens, além de bate-papo com realizadores.

Foto: Divulgação
Para falar sobre o evento, o Nicotina, Cafeína e Cinema realizou uma entrevista com Edson Bastos (foto), sócio-diretor da Panorâmica Produções, uma das empresas promotoras do festival. Edson é especialista em audiovisual pela Universidade Estadual de Santa Cruz e graduado em cinema e vídeo pela Faculdade de Tecnologia e Ciências. Atuou como roteirista e diretor de filmes como Joelma, que venceu o prêmio do Festival Mix Brasil de 2011.   

O Festival de Cinema Baiano é organizado também pela Núproart (Núcleo de Produções Artísticas). Nesta edição, o projeto teve aprovação da Demanda Espontânea da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O evento acontece entre os dias 2 e 7 de abril, no Teatro Municipal de Ilhéus e na Fundação Cultural de Ilhéus.

Segundo Edson, quem quiser garantir toda a programação do evento pelo preço promocional de R$ 20,00 (vinte reais), basta entrar no site (www.feciba.com.br) e buscar informações de como proceder. Serão mais de 50 filmes exibidos durante seis dias de programação intensa.

Já para o realizador que quiser se inscrever na Mostra Competitiva de Curtas, é fundamental ler todo o regulamento, disponível no site do Festival, baixar os arquivos de aceitação do regulamento além da ficha de inscrição e em seguida, enviar uma cópia do filme em DVD ou Pen Drive para o endereço, Festival de Cinema Baiano / Mostra Competitiva de Curta-metragem / Rua Teódulo de Albuquerque, Bl 195, Apt 202. / CabulaVI / Salvador-Ba. / CEP 41181-010. Edson reforça que o candidato entre no site e leia o regulamento por completo.

“Este ano a Mostra Competitiva será realizada por meio de inscrições e todos os realizadores do estado da Bahia podem inscrever seus filmes e concorrer a R$ 2 mil”, informa Edson. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:


Nicotina, Cafeína e Cinema – Qual a principal novidade em relação à última edição do Festival Baiano de Cinema?
Edson Bastos - Teremos dessa vez ainda mais convidados, mais filmes, mais dias de evento justamente para mostrar o quanto estamos produzindo tanto na capital quanto no interior e discutir sobre a qualidade desses filmes. Este ano a Mostra Competitiva sera realizada por meio de inscrições e todos os realizadores do estado da Bahia podem inscrever seus filmes e concorrer a R$ 2.000,00 (dois mil reais). Teremos mais filmes exibidos nas Mostras Atualidades, que foram produzidos por realizadores do interior do estado. Estamos firmando novas parcerias para deixar o FECIBA ainda mais completo que o do ano passado.

N2C - Como surgiu a ideia de realizar o evento?
EB - Observamos o FECIBA como uma proposta de reconhecimento e valorização da nossa identidade e acreditamos que o cinema é a melhor forma de promover reflexões à sociedade. Pensamos também sobre a atual situação do cinema Nacional e nos remetemos à cinematografia baiana, hoje já centenária, levando em consideração os entraves e conquistas desencadeados durante esse período, até os dias atuais. Verificamos que estamos produzindo, com diversas universidades ensinando o labor do cinema, mas pouquíssimas vezes esses filmes tomam as telas do cinema, sobretudo às do interior, que possuem poucas salas e em sua maior parte, exibem filmes blockbuster para poder se sustentar. Foi assim que entendemos a necessidade do FECIBA e fomos em busca da sua concretização. Pensamos em tornar o FECIBA, um evento voltado para a celebração do audiovisual baiano e ao mesmo tempo, um espaço de debate sobre essa cinematografia, incluindo a possibilidade de haver ou não, um cinema baiano.

N2C – Existem dificuldades no processo de realização de um festival desse porte?
EB - Sempre enfrentaremos dificuldades, mas, a maior dificuldade quando se começa um projeto como esse, no interior do estado, é conseguir firmar uma rede de parceiros que acreditem na proposta e no seu retorno a curto, médio e longo prazo. Diversas empresas acreditam que o investimento em cultura é gasto. Estamos propondo um investimento de imagem que certamente terá bons frutos para quem realiza, apoia e participa do evento. Temos tudo para fazer um evento em 2012 ainda maior e mais completo do que estamos planejando, mas para isso precisamos sempre de mais recursos tanto humanos, quanto financeiros.

N2C - O que o público pode esperar desse segundo festival?
EB - Na primeira versão, chegamos causando uma grande repercussão e mudança de pensamento na cidade de Ilhéus e em todo o estado. O público saiu muito satisfeito e ansiando pela segunda versão. Garantimos que neste ano teremos filmes excelentes, lançaremos diversos filmes que ainda não foram exibidos na cidade de Ilhéus e teremos convidados ilustres para promover o debate com o público, pois é uma maneira deles se aproximarem ainda mais do processo de produção e do realizador. Contaremos ainda com o Museu Roque Araújo, no qual estarão exibidos alguns objetos de cena, câmeras filmadoras, cartazes de filmes e outros equipamentos utilizados para a produção desses filmes baianos.


Foto: Divulgação
O primeiro Festival de Cinema Baiano, realizado ano passado


N2C - O que você acha do cinema baiano hoje? Há espaço para novos realizadores? Existem condições de manter uma produção audiovisual mais constante?
EB – Estamos produzindo muito e com bastante qualidade. Os filmes baianos estão ganhando o mundo, circulando por diversos Festivais, sendo exibidos em TV, permanecendo por semanas no circuito de cinema e encontrando outras janelas. Isso tudo porque estamos mudando nossa perspectiva e encontrando maneiras diferentes de desenvolver nossas ideias e projetos. Precisamos produzir com ou sem editais, não podemos nos tornar escravos deles. Há diversas formas de fomento para realização de um filme. O mundo é outro. O Governo possui um papel importante de fomentar, que ao mesmo tempo é estratégico, pois em cada um dos filmes ou eventos que financiam, há uma contrapartida de imagem na mesma proporção do investimento realizado. Os realizadores do interior também perceberam que conseguem fazer filmes, com qualidade, sem sair das cidades onde residem. Das 04 universidades de cinema que temos no estado, duas estão no interior, sem contar as universidades de Rádio e TV, como é o caso da UESC em Ilheus, que tem uma produção audiovisual intensa. Portanto, temos sim condições de manter uma produção constante. Já estamos fazendo isso, buscando consolidar esta cinematografia e promover uma dinâmica de produção. Precisamos agora é formar nosso público para que eles vejam com seus próprios olhos, o que está acontecendo.

Foto: Divulgação


"Temos diversos cineastas baianos produzindo filmes com muita qualidade, desde gerações pioneiras a diversos jovens realizadores com uma estética de produção consolidada"


N2C - Jorge Amado é conhecido, também, por produzir uma obra literária bastante visual. Pelo seu conteúdo e linguagem, conquistou diversas partes do mundo. No cinema, tivemos uma expressão do vulcão da baianidade, com Glauber Rocha. Desde então, não vemos mais a expressão na cinematografia nacional e mundial algum nome oriundo da nossa terra. Pra você, há que se deve esse fato? Faltaria estrutura, espaço, ou cinema é uma arte esquecida e/ou marginalizada na Bahia?
EB – Temos diversos cineastas baianos produzindo filmes com muita qualidade, desde gerações pioneiras a diversos jovens realizadores com uma estética de produção consolidada. Não ousamos citar nomes, pois são muitos. Há a diversidade de olhares, de abordagens, de formas de produção. Cinema é arte, técnica e linguagem. Assim como no Cinema Novo, discutimos política, estética e assuntos que estão em voga na sociedade, temos muito mais recursos e acesso a informação. Hoje tem espaço para todos. Seja nas salas de cinema ou na internet. Selecionar um cineasta como representante do nosso estado para o mundo e supervalorizá-lo é reduzir a Bahia ao olhar de um único realizador. A Bahia é de Jorge Amado e de Adonias Filho, de Glauber Rocha e de Roberto Pires. Reafirmamos a importância desses ícones Baianos, mas afirmamos que precisamos expandir as fronteiras do nosso olhar, buscando uma visão de futuro. Assim conseguiremos ainda mais destaque no mundo e certamente teremos a consolidação da nossa cinematografia. O que falta, digo novamente, é formar nosso público e mostrar que fazemos cinema de qualidade, para o mundo inteiro.