quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tropa de Elite 2 fora do Oscar

Carlos Baumgarten


Tropa de Elite 2 ficou de fora da disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A lista preliminar deconcorrentes da categoria foi divulgada nesta quarta-feira. Na próxima semana, no dia 24, serão anunciados os finalistas em todas as categorias do Oscar, que acontece em fevereiro. Um dos fortes candidatos a receber a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro é o iraniano A Separação, que já conquistou o Globo de Ouro.

Apesar de ter tido um bom desempenho nas bilheterias, sendo o filme nacional mais assistido dos últimos tempos, e ser guiado por um roteiro ácido e abertamente crítico do sistema político brasileiro, Tropa de Elite 2 não possui um perfil para a categoria. Se observarmos os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, todos eles são permeados por temáticas mais introspectivas, beirando o dramático.

Se fosse um filme hollywoodiano, ou tivesse um padrinho dessa indústria, é possível que Tropa de Elite 2 concorresse em categorias como Roteiro Original, Edição, Efeitos Sonoros e por aí vai. Jamais Melhor Filme, nem Melhor Diretor, apesar da competência de José Padilha.

Existe uma regra básica evidente para os votantes da Academia. Essa regra presume a ideia de que o Oscar vive de ciclos temáticos e, acima disso, está em busca de produções que agradem os seus cerca de 6 mil jurados, a maioria, figurões da indústria cinematográfica de Hollywood.  

Enquanto em alguns períodos, super-produções, como Coração Valente (1996), Titanic (1998) e Gladiador (2001) são premiadas nas principais categorias, em outros, vemos a consagração de uma produção quase independente com uma temática delicada (Crash: No Limite, de 2006), uma espécie de mea-culpa com um diretor de renome, porém esnobado (Martin Scorsese com o mediano Os Infiltrados, de 2007) e ainda a visita ao universo bollyowoodiano, exaltado em 2008 (Quem Quer Ser Um Milionário?).

Ainda assim, a mais constante das categorias é a de Melhor Filme Estrangeiro. Por se tratar de películas faladas em outras línguas (e sabemos que os norte-americanos têm certa dificuldade com legendas), os jurados parecem sempre optar pelos trabalhos artisticamente acabados, com uma estética visceral, que confronte com os princípios da cinematografia tradicional. Aliado a isso, estão roteiros dramáticos (e, às vezes, melodramáticos), na maioria das vezes, de boa qualidade.

Apesar de Tropa de Elite 2 ser um filme bem trabalhado, bem dirigido e bem acabado, não responde aos critérios artísticos que encontramos nos finalistas à categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar. A arte está implícita e o que está em evidência é a oralidade. Foi um filme direcionado para o grande público, logo, não poderia ser diferente.

E o Oscar parece ser um prêmio almejado pela população brasileira, como um sexto título de uma Copa do Mundo, afinal, a Argentina já tem duas estatuetas (A História Oficial, de 1984, e O Segredo dos Seus Olhos, de 2009).

A rivalidade exacerbada e o desejo de ser reconhecido pela indústria de cinema mais poderosa do mundo fazem muitos brasileiros esquecerem um pequeno detalhe: Oscar não é e nunca foi parâmetro de qualidade.    

Um comentário:

  1. Eles querem ibope, Carlinhos... não estão nem ligando para qualidade, querem promoção, status, por isso esse sonho do Oscar. Mas o bate-bola com los hermanos foi o melhor saque do texto...hehe

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