quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

“A Eternidade de um Dia”

Redação

Às vésperas de sua morte, antes de ser enclausurado em um hospital, o escritor Alexander encontra uma carta de sua mulher, Anna. No texto, ele relembra emoções vividas há 30 anos e se dá conta do quanto os dois se amaram. A partir daí, ele resolve sair de sua casa e passa seus últimos momentos tentando ajudar um garoto albanês a cruzar a fronteira. Incentivado pelas palavras, ele tenta reviver todas as suas emoções em um único dia.

Esse é o enredo de A Eternidade de um Dia, dirigido pelo cineasta grego Theo Angelopoulos, que morreu na madrugada desta quarta-feira, depois de ser atropelado por uma moto em Atenas. O diretor, famoso pelas alegorias presentes em seus filmes e pelas referências mitológicas, era considerado por muitos o maior artista grego vivo.

Aos 76 anos, Angelopoulos buscava locações para o seu novo filme, que trataria da crise econômica vivenciada pelos países europeus, inclusive a Grécia. Diferentemente do seu conterrâneo, Costa-Gavras (que é naturalizado francês), o cineasta Angelopoulos tinha um discurso estritamente intimista e voltado para a sua terra. Comparado ao nosso cinema, podemos reverenciá-lo ao lado de Glauber Rocha.

Seus filmes eram caracterizados, justamente, pela concepção do cinema enquanto cinema. Além de alegorias e referências à mitologia grega, tecnicamente, podemos ver longos planos sequências, envolvidos por um silêncio que ajuda a prevalecer a arte cinematográfica enquanto linguagem e expressão.

Aos que acreditam, depois dos anos de militância, o porta-voz da Grécia, como se referiu o jornalista Arthur Dapieve, em artigo publicado no site O Globo, abandona este plano de maneira inesperada. “Agora, o resto é mesmo silêncio, mas Angelopoulos deveria saber que para ele a eternidade chegaria um dia”, escreveu Dapieve. 

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