segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Crisis

Carlos Baumgarten

A linguagem cinematográfica passa por uma crise tão grande, que o principal filme desse ano é um longa que remete aos primórdios da sétima arte. E, quando falo em primórdios, digo PRIMÓRDIOS mesmo. O Artista venceu nas categorias mais importantes do Sindicato dos Diretores de Hollywood, do Sindicato de Produtores, do Critic´s Choice e do Globo de Ouro. O filme retrata a transição do cinema mudo para o cinema falado, ressaltando a decadência de grandes estrelas que não se adaptaram à chegada da banda sonora.

Outro aspecto interessante dessa odisseia vitoriosa de O Artista é que se trata de uma produção francesa idolatrada pelo cinema norte-americano. Não é pra menos. Diante da chegada da tecnologia 3D, uma transição que pode deixar à margem muita mão-de-obra do cinema, um filme preto-e-branco, quase que totalmente mudo, chega para fazer história em pleno século XXI. O diretor Michel Hazanavicius utiliza recursos considerados pioneiros na época, mas simples nos dias atuais, para narrar um drama musical com pitadas de humor.

O filme vem conquistando crítica e público por onde passa e já tem, finalmente, data de estreia por aqui: será no dia 10 de fevereiro. A tendência mostra que O Artista tem tudo para ser vitorioso na principal premiação do cinema hollywoodiano, o Oscar, cuja lista de finalistas será divulgada amanhã.   

Na era digital, onde a tecnologia fala mais alto que a arte, mais alto que a linguagem cinematográfica, nada mais oportuno do que voltar aos primórdios, resgatar as emoções transpassadas pela imagem em movimento e pela expressão do artista. O cinema é audiovisual e as imagens devem falar por si só. 

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