terça-feira, 22 de novembro de 2011

Dos cinejornais ao cinema 3D

Carlos Baumgarten


No início, eram os cinejornais. Agora o cinema 3D renovou de uma vez, tecnicamente falando, a forma de ser “ver” cinema. Não é a toa que uma série de atrações vem se aproveitando do recurso para fazer jus à nova onda. 


Bandas, como U2, disponibilizam seus shows em 3D para serem exibidos em salas de cinema ao redor do mundo. E agora até futebol... 


Nesta quarta-feira, em São Paulo, será exibido o jogo entre Milan e Barcelona, válido pela Liga dos Campeões da Europa. Pra quem pensou que se trata de VT promocional do campeonato, chutou longe. A partida será transmitida ao vivo, às 17h30, no shopping Jardins, localizado na zona sul da capital paulistana.  


O preço dos ingressos são salgados: R$ 50, quase o dobro do que se paga em uma sessão convencional. Obviamente, é um grande atrativo para fãs de futebol e eu me pergunto se essa seria um incremento ou mesmo a salvação do cinema de uma inimaginável extinção diante dos fenômenos da pirataria e dos downloads via internet?  


Pouco mais de uma década depois da invenção do cinema, o Pathé Journal de Paris levou a experiência de noticiar a população através das grandes telas. Foi uma inovação, já que os cinemas naquele período eram lotados de documentários, mas não de notícias compactas. No Brasil, essa prática iniciou-se em 1912. Até o início dos anos 80, o público podia acompanhar VTs de grandes jogos de futebol em cinemascope. 


Bandas também levaram suas criações para a grande tela, como Pink Floyd numa clássica gravação realizada em Pompeia, na Itália, em meados dos anos 70. 


Logicamente, essa modalidade de ver um jogo de futebol ou mesmo uma apresentação musical nas salas de cinema foi perdendo força com a popularização da TV, o advento do vídeo cassete, a chegada do DVD e o desenvolvimento da internet banda larga. 


Mas não é que o cinema 3D vem marca essa nova era do mundo digital? E mais: com a possibilidade de transmissões ao vivo. Forma-se, assim, um novo público de cinema, dentro de um novo formato de exibição. Não é o que podemos chamar de arte. É exclusivamente tecnológico. No entanto, podemos pensar em adiar a extinção das salas de cinema (pelo menos, aquelas que disponham do recurso).

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