segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Iluminado: um clássico fracassado

Carlos Baumgarten


Na data de hoje, 31 de outubro, costuma-se dizer que se comemora o dia das bruxas. É um prato cheio para o comércio infantil e, no caso do cinema, para os fanáticos por filmes de terror. Ontem, o canal pago AXN exibiu o filme O Iluminado (1980), dirigido por Stanley Kubrick. 


O filme é baseado na obra do escritor norte-americano Stephen King que, para registro, não aprovou a adaptação de Kubrick para os cinemas. O autor teria afirmado que o diretor não captou a essência da obra, modificando a trajetória da história. 


O Iluminado, conforme consta na biografia de Kubrick, foi um filme realizado para satisfazer a posição comercial do diretor. Depois de realizar obras fantásticas, reverenciadas até hoje, como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1969) e Laranja Mecânica (1971), Kubrick apostou num longa de época, Barry Lyndon (1975), filme com mais de três horas de duração que tem o toque perfeccionista do cineasta. 


Em Barry Lyndon, Kubrick, juntamente com o seu diretor de fotografia, John Alcott, desenvolveu uma nova lente para o cinema, que abria o obturador ao máximo para a captação de luz. Assim, em Barry Lyndon, não temos a utilização de luz artificial, sendo a fotografia um dos pontos mais altos do filme. 


Se fosse apenas a técnica que definisse o desempenho de um filme, Barry Lyndon poderia ter feito bonito nos cinemas. Mas não foi o caso. Suas mais de três horas de duração foram consideradas monótonas por parte do público e crítica e afundou no fracasso nas bilheterias. 


Foi assim que surgiu a motivação para fazer O Iluminado, uma obra puramente comercial, com o intuito de conquistar mais o público do que a crítica, voltada exclusivamente para a arrecadação de bilheteria. Talvez pela veia cult do cineasta, talvez pela mudança de rumo da história original, O Iluminado não foi um sucesso nem de público, nem de crítica, frustrando o diretor e sua equipe. 


Alguns problemas de relacionamento entre Kubrick e o elenco, especialmente com a atriz Shelley Duvall, além da característica do diretor no detalhamento das ações, expuseram, na obra, um caminho perdido e, mais uma vez, com uma dose de monotonia. A atuação de Jack Nicholson salvou a obra do seu esquecimento, pois, apesar do fracasso, é um dos filmes de terror mais lembrados (não reverenciado) de todos os tempos. 


Enquanto obra de terror, O Iluminado tem os seus méritos. A fotografia capta a imensidão do hotel e o vazio enfrentado pela família isolada. Cenas como o banho de sangue do elevador e a do garoto Danny (filho do casal) rodando com um triciclo pelos corredores vazios tornaram-se clássicas e, essas sim, reverenciadas, inclusive por inúmeras paródias. 


Fracassado ou não, a verdade é que, para cinéfilos, O Iluminado é uma obra que vale a pena ser conferida, pelo seu trabalho estético. Não vamos entrar em detalhes, pois, aproveitando a deixa do tal dia das bruxas, nada melhor do que sugerir: alugue ou, se colecionador, adquira o DVD ou Blu-Ray.


O Iluminado (The Shining, EUA, 1980)
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Jack Nicholson, Shelly Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers

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