terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tropa de Elite 2 tentará uma vaga entre os finalistas do Oscar

Carlos Baumgarten
Foto: Alexandre Lima/Divulgação

O Ministério da Cultura anunciou hoje que Tropa de Elite 2, de José Padilha, será o representante brasileiro que tentará uma vaga no Oscar 2012. Lançado em 2010, o longa de Padilha foi o mais bem-sucedido do cinema nacional nos últimos anos, batendo todos os recordes, atingindo 10 milhões de espectadores em todo o Brasil. Na lista pré-selecionada pelo Ministério, estavam filmes como Bruna Surfistinha e As Mães de Chico Xavier.

Adotando uma postura crítica com relação ao sistema de segurança pública, Tropa de Elite 2 conquistou uma legião de seguidores, muitos deles atraídos pela curiosidade, já que o primeiro Tropa..., de 2007, teve o seu lançamento sabotado pela pirataria. Na época, antes de chegar aos cinemas, o corte final do filme já estava nas mãos dos piratas e sendo vendido no mercado ilegal.

Tecnicamente, Tropa de Elite 2 não deixa a desejar. É um filme muito bem trabalhado, que mescla uma crítica político-social com a fórmula comercial americana (muitos tiros, suspense e por aí vai). É um “faroeste” moderno, rodado nas ruas do Rio de Janeiro e teve tudo para ser um sucesso de bilheteria (e foi), pois agrada ao grande público. 

                          



Wagner Moura em cena no filme Tropa de Elite 2

A Academia, porém, é sempre previsível, de tempos em tempos. Os filmes estrangeiros raramente são premiados por sua técnica. A profundidade estética e oral é unida em uma só análise. Se esses elementos agradarem aos membros, as chances de estar entre os finalistas são grandes. Ganhar, já é outra história.

Voltando à Tropa... 2, como foi citado acima, tecnicamente é um filme que não deixa a desejar. Poderia até ser finalista nas categorias técnicas, mas não tem o perfil de finalista da categoria Melhor Filme Estrangeiro. O capitão Nascimento, em determinados momentos, nos lembra o lendário Charles Bronson e os seus desejos de matar (veja foto acima). O sucesso no Brasil deve-se a expressão maior de um sentimento nacional, contra a impunidade política.

Mas, é preciso ressaltar, que a escolha foi justa. Talvez, não a melhor, mas justa, principalmente se compararmos ao fiasco do ano passado, quando Lula: O Filho do Brasil, da família de lobistas culturais, foi o escolhido para a disputa. Sabemos que o Oscar não é parâmetro de qualidade, mas não há como negar o tamanho da projeção que se ganha na premiação. E mais: se motivações políticas moveram as escolhas do ano passado, podemos dizer que esse ano as mesmas motivações vieram à tona, mas de um lado mais justo, afinal a escolha deve ser do público. Nesse caso, a bilheteria fala por si só.

Os finalistas do Oscar serão anunciados em Los Angeles no próximo dia 24 de janeiro de 2012. A cerimônia de premiação será no dia 26 de fevereiro, no Kodak Theater.

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