segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Por um mundo mais humano

Carlos Baumgarten


Desde a última sexta-feira, está acontecendo em Salvador a Jornada Internacional de Cinema da Bahia. O evento, que prossegue até o próximo dia 15, já está em sua 38ª edição. Dias antes de seu início, porém, dificuldades financeiras revelavam a duro caminho percorrido pelo idealizador, Guido Araújo, para concretizar a tradicional jornada.  


A maior dificuldade: a financeira. Entretanto, ele confirmou que, apesar de todas as dificuldades, a Jornada não deixaria de acontecer, como não deixou. A programação segue a todo vapor e pode ser conferida no site da Jornada: http://www.jornadabahia.com. Em meio à correria, o documentarista Guido Araújo concedeu, gentilmente, uma rápida entrevista ao Nicotina, Cafeína e Cinema. 


Na conversa, ele fala sobre as dificuldades enfrentadas para organização da jornada e lembra momentos marcantes do evento, que já está fincada no calendário audiovisual da Bahia. O evento continua sua militância em favor da sua sustentabilidade ambiental e lutando por um mundo mais humano. Confira:


Nicotina, Cafeína e Cinema - Quais são as dificuldades que você encontra para organização de um evento como a Jornada?
Guido Araújo - As dificuldades de execução são motivadas pela burocracia, falta de recursos e equipe reduzidissima.


N-2C - A jornada é um evento que já faz parte do calendário cinematográfico de Salvador. São 38 edições, correto? O que foi crucial para a consolidação dessa imagem ao longo dos anos?
GA - Exato. A jornada já existe faz 40 anos, se levarmos em conta os dois anos que ela aconteceu na saída do Governo Saney e a entrada de Collor.


N-2C - Temos alguma novidade na Jornada deste ano?
GA - A grande novidade deste ano é a trilogia de veneno. A Jornada esta empenhada na luta contra o agrotóxico, com filmes e debates de grande significado


N-2C - Vamos falar um pouco de história. Quando e por que surgiu a jornada?
GA - A Jornada surgiu em plena ditadura, como espaço de resistência, com o objetivo de aglutinar os cineastas, cineclubistas que estavam dispersos.


N-2C - Em 38 anos, muita coisa mudou, em termos de produção, de público... Você poderia citar momentos marcantes ao longo dessa trajetória, não apenas da jornada, mas também do cinema baiano?
GA - Os momentos mais marcantes ao longo destes 38 anos foram aqueles em que a Jornada proporcionou a criação da Associação Brasileira de Documentaristas - ABD, a retomada do movimento cineclubista brasileiro e a abertura para o cinema independente, sobretudo da America Latina e África.


N-2C - O que mais o motiva em manter o evento, anualmente, no calendário cinematográfico da capital baiana?
GA - Poder contribuir, ainda que modestamente e com grande sacrifício, para que pessoas inteligentes e sensíveis, sobretudo os jovens, prossigam na luta por um mundo mais humano.


N-2C - O que falta ao cinema baiano para ele se desenvolver? Você acha que as políticas de incentivo à produção tiveram êxito no desenvolvimento da sétima arte, em âmbito local e nacional?
GA - As políticas de incentivo tanto nacional como estadual tiveram um certo êxito para a produção do  cinema estadual e nacional. Já em nível local , nada foi  feito. Nenhuma outra cidade produtora do Brasil tem um desestimulo tão grande como Salvador!


N-2C - A distribuição ainda é um gargalo para o cinema em todo o País. O que você vê como alternativa para superar essa dificuldade? O Estado deve ser o principal interventor, nesse sentido, ou os produtores deveriam buscar novas formas, além do Estado, para produzir os seus filmes?
GA - Apesar de ter melhorado um pouco nos últimos tempos, a distribuição  ainda é o grande obstáculo para o cinema brasileiro. É um assunto complexo que exige um esforço constante do Estado, dos produtores e diria mesmo de toda a sociedade brasileira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário