segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A narrativa cinematográfica

Carlos Baumgarten


Foi com o norte-americano David W. Griffith (foto) que o cinema começou a assumir a posição de arte enquanto narrativa política e social. O cineasta introduziu movimentos de câmera inovadores, a exemplo do travelling, além de desenvolver as suas narrativas através da montagem paralela, formulando o famoso “início, meio e fim”, com direito a trama, suspense e desfecho. 


Apesar de suas contribuições técnicas para contar uma história, Griffith não era o que podemos chamar de um artista humanitário. Filho de um colono do estado do Kentucky, o cineasta expressou em seus filmes toda a mentalidade retrógrada de uma camada da sociedade branca norte-americana. Exemplo clássico é o filme O Nascimento de uma Nação (1915), no qual podemos ver negros interpretados por atores brancos (com os rostos pintados) vistos como seres inferiores e o Klu Klux Klan como um grupo heroico. 


Controvérsias a parte, o fato é que ninguém nega a contribuição de Griffith para a narrativa cinematográfica, incluindo o lendário Charles Chaplin. Com a sua famosa personagem, The Tramp,foi o grande nome do cinema muda, com suas comédias físicas de tons dramáticos. Se Griffith tinha uma visão completamente avessa ao humanismo, o mesmo não pode se dizer de Chaplin. Até hoje, seus filmes inspiram e ajudam a refletir sobre o que está a nossa volta. 

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