segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Contracultura

Carlos Baumgarten


Enquanto Hollywood se consolida como indústria cinematográfica, a Itália do pós-guerra expressa todo o seu sentimento devastado por meio da sétima arte. É a escola do Neorrealismo italiano, que se firma como um veículo estético e ideológico de resistência ao movimento fascista. Os filmes neorrealistas tinham como protagonistas pessoas da classe operária e retratavam o ambiente degradante de pobreza no qual viviam. 


De volta à Hollywood, é lá que o cinema começa a absorver as tendências imperialistas norte-americanas. Não podemos negar que grandes nomes souberam dominar, de maneira suprema, a técnica cinematográfica: Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Sidney Lumet e por aí vai. 


Mas a estética enlatada estava despertando os artistas adormecidos do outro lado do oceano. A Nouvelle Vague francesa surge, assim, como um contraponto às regras impostas pelo cinema comercial. Os cineastas do movimento estão no auge da juventude, entre o final dos anos 50 e início dos anos 60, e propõe uma ruptura narrativa, expressada pelo amoralismo e montagens inesperadas.   


Paralelamente, no Brasil, Glauber Rocha e alguns colegas cineastas encabeçam o Cinema Novo. Os filmes dessa safra retratam um Brasil pouco conhecido. Eles trabalhavam dentro do que Glauber chamou de a “estética da fome”, com a temática do sertanejo oprimido pelo sistema injusto e sanguessuga. Era a luta por uma estética nacional, original, fincada em conceitos próprios de narrativa desvinculada à fórmula enlatada de Hollywood. 

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