quinta-feira, 21 de julho de 2011

“Formamos gerações para pensar o cinema como arte, não só entretenimento”

Assessoria de Imprensa do CineFuturo
Foto: Divulgação

O cineasta baiano Walter Lima (foto), idealizador e coordenador do CineFuturo, esteve à frente da Diretoria  de Imagem e Som (DIMAS) da Fundação Cultural do Estado da Bahia, nos anos 70. Naquela época, criou a Sala Valter da Silveira e o Cinema do Museu. No âmbito internacional, foi produtor do último filme do diretor chileno Miguel Litin “Dawson Isla 10”, lançado no ano passado, no VI Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, no TCA.

Atualmente, ele cuida do lançamento do seu longa-metragem “Antonio Conselheiro, o Taumaturgo do Sertão”, que levou cerca de 25 anos para ficar pronto, em meio a muitas adversidades. Ainda assim, Walter Lima já se articula para realizar o próximo filme, “América do Sol”, que define como “um panorama crítico da elite brasileira”.

Mas agora, a sua atenção está voltada para a sétima edição do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual – CineFuturo. Nessa entrevista ao CineFuturo, ele fala sobre cinema de arte, a importância e as dificuldades para realizar o evento em Salvador:

CineFuturo; Qual a sua maior motivação para prosseguir à frente de um evento voltado para a Sétima Arte?
Walter Lima: Como fui aluno de Walter da Silveira, que formou gerações, tenho o compromisso também de passar isso, um pouco do que aprendi. E vivi essa experiência na Bahia, quando era uma província, sem nenhuma informação. Com um sentimento de continuidade, eu tenho esse lado de realizador e animador cultural. Quando fui diretor da Imagem e Som, criei a Sala Walter da Silveira e o Cinema do Museu. Nós formamos duas gerações, trazendo o que havia de melhor em termos de programação de filmes, cinema de qualidade. Como disse o mestre do cinema soviético Sergei Eisenstein, “o cinema é a síntese de todas as artes.” É preciso, então, formar as novas gerações para pensar o cinema como arte, não só entretenimento e mercado. O cinema filosófico, poético, humanístico, este cinema está desaparecendo.

CF: Qual o perfil do Seminário e como tem sido a sua repercussão?
WL: Trazemos para o público um mix de festival, porque você tem que ter filmes bons, pessoas interessantes, qualidade na projeção, logística, atualidade e glamour. E é um seminário, do ponto de vista acadêmico, porque traz o debate, as ideias, a polêmica. Todas essas mídias novas e a tecnologia se tornam uma janela para nós. É preciso juntar conteúdo e forma. O Seminário já é um evento consolidado que faz parte do calendário cultural de Salvador. Podemos ver o resultado, a repercussão, a presença maciça do público, especialmente os jovens, e os desdobramentos naturais de um acontecimento desse porte, que dura seis dias e é realizado em vários espaços.

CF: Quais as dificuldades para chegar a esta sétima edição.
WL: Este ano, o formato está mais enxuto (ficou de fora o encontro de Produtores e Distribuidores, e o número de mesas-redondas foi reduzido de seis para quatro), devido à falta de verbas. O Ministério da Cultura entrou com 30% dos recursos com relação ao ano passado, e com relação ao Fazcultura, perdemos 50%. Pouco mais de R$ 300 mil não dá para nada. Falta sensibilidade do governo e das empresas privadas. A Bahia, não só no cinema, está culturalmente atrasada. Claro que o cinema é pior porque se trata de uma arte muito cara, que se apóia em um tripé – produção, distribuição e exibição. A produção praticamente não existe mais aqui.  Pernambuco está muito melhor. A Bahia é o berço da cultura brasileira, mas  não se leva isso a sério.

CF: Mas a programação continua atraindo o grande público...
WL: Apesar da falta de dinheiro e das dificuldades que isso causa, conseguimos garantir uma programação muito boa, de qualidade, trazendo personalidades importantes e grandes colaboradores. Mantendo a tradição, fazemos mais uma homenagem a um grande nome do cinema, com a Mostra Retrospectiva Bernardo Bertolucci. Em outras edições, foram Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, Jean-Luc Godard e Píer Paolo Pasolini.  Nossa lista ainda tem mais uns 20 nomes. Faltam, por exemplo, Orson Welles, Fellini, Truffaut e Hitchcock.

Nenhum comentário:

Postar um comentário