sábado, 30 de julho de 2011

O velho tiro no pé

Carlos Baumgarten


É a situação de sempre. Crie uma polêmica, imponha a proibição e você sempre terá alguém para burlar a lei. Mais uma vez, o puritanismo hipócrita da nossa sociedade deu um tiro no pé ao proibir a exibição do filme A Serbian Film – Terror Sem Limites. O Congresso Brasileiro de Cinema (CBC) divulgou um manifesto repudiando tal atitude.

O que acontece é o seguinte: o filme em questão é extremamente violento e, pelo que sabemos, de extremo mau gosto. Entretanto, esse mau gosto é relativo e dependente da perspectiva de quem assiste e, além do mais, não é crime ter mau gosto. A Serbian Film conta a história de um ator pornô aposentado que resolve voltar à ativa, a fim de ganhar uma grana.

Porém, ele descobre que o projeto é macabro, e inclui cenas de estupro e pedofilia. Ao recusar, o ator se vê coagido pelo diretor a continuar. Misteriosamente, ele “apaga” e acorda todo coberto de sangue, sem saber o que aconteceu. Ao investigar o caso, o ator descobre que foi drogado e teve os seus instintos sexuais e violentos aflorados, cometendo inúmeras atrocidades.

Essas inúmeras atrocidades incluem um estupro de um recém-nascido e atos de necrofilia. Por essas e outras, a justiça no Brasil (e em alguns países da Europa) decidiu, não apenas podar o filme do cineasta sérvio Srdan Spasojevic, mas censurá-lo de uma vez. E aí  vem a pergunta: por que?

Se o filme não está de acordo com os seus padrões éticos ou morais, ou provocará náuseas em você, não assista. A censura estaria na faixa etária de 18 anos em diante e, a não ser que um jovem falsifique a sua identidade, menores não teriam acesso a esse conteúdo nas telas do cinema. Para completar, se a justiça tivesse ficado quieta, talvez o filme de Spasojevic passasse despercebido.

Como a justiça resolveu agir, a curiosidade de todos se aflorou: “o que será que esse filme tem de tão forte para ser proibido”. Eu, particularmente, já ouvi algumas pessoas dizerem que vão baixar A Sebian Film na internet. Ou seja, esse alarde de nada adiantou. Além de ter acesso, e também correr o risco de dar a acesso a jovens menores de idade (já que eles manjam bastante dessas novas tecnologias), a justiça incentivou o público a cometer um ato criminoso, que é a pirataria.

Essa é mais uma prova que a censura é um retrocesso, em qualquer setor da nossa sociedade. Mais uma vez, repito: melhor seria ter ficado quieto. O efeito da curiosidade não iria desabrochar nas pessoas e o filme, provavelmente, ficaria algumas poucas semanas em cartaz, recebendo uma meia dúzia de pessoas que, em sua maioria, não recomendariam o filme. Fica a lição para as próximas polêmicas. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cineasta holandês apresenta técnica de filmagem em workshop

Redação


O cineasta holandês Leonard Rettel Helmrich apresenta a técnica de filmagem criada por ele mesmo: a single shot cinema. Atuante na direção de documentários, Leonard veio à Salvador para participar do CineFuturo, que previa em sua programação um workshop sobre essa técnica. O workshop teve inicio na manha de hoje, na capital baiana, e prossegue até sábado.

Single Shot Cinema é um jeito de filmar através do qual a câmera e o seu operador se movem de modo flexível pela cena para conseguir diferentes ângulos que expressem o olhar e percepções pessoais. Os movimentos de câmera podem ser rápidos ou lentos, altos ou baixos, de perto ou de longe, mas tudo isso em um só shot, ou seja, uma só tomada dentro de uma mesma cena.

O método busca dar mais realidade à cena e dá mais liberdade ao operador da câmera sobre o que está sendo filmado, tornando possível a exploração de novos ângulos. O cineasta Leonard Rettel Helmrich está desenvolvendo essa técnica com os participantes do workshop, através de métodos e equipamentos desenvolvidos por ele próprio.

À noite, o público poderá conferir o documentário Posição Entre Estrelas, dirigido por Helmrich, que segue os conceitos e a técnica da single shot cinema.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

MANIFESTO DO CBC – CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA DE REPÚDIO À CENSURA

Reproduzindo

O CBC – CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA, entidades culturais e cidadãos brasileiros abaixo assinados manifestam seu total REPÚDIO a ATOS DE CENSURA à exibição de obras audiovisuais que, contrariando frontalmente o disposto na CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA, infelizmente vêm se multiplicando por todo o país e que, neste momento manifesta-se em sua forma bárbara e virulenta através das consecutivas proibições da exibição do filme “A Serbian Film – Terror sem Limites”, na cidade do Rio de Janeiro, primeiramente no Espaço Caixa Cultural, dentro da programação da RioFan2011 – por veto da Caixa Econômica Federal, empresa patrocinadora do evento – e logo a seguir, momentos antes de sua pré-estréia no Cine Odeon, por determinação judicial exarada pela juíza Jatahy Nygaard, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro, originária de ação movida pelo Diretório Regional do PARTIDO DEMOCRATAS, quando para além da mera proibição da exibição do filme, lembrando os mais obscuros e dolorosos tempos da ditadura, sem qualquer base legal, já que sem amparo até mesmo na determinação judicial exarada, desembocou na ação de “seqüestro” da cópia em 35mm da obra.

Acerca destes ATOS DE CENSURA, merece registro que o mesmo filme, após ter se submetido a todos os trâmites legais impostos pela Ancine e pelo Ministério da Justiça, inclusive no que diz respeito à classificação indicativa, estabelecida pela Portaria 3.203, de 8 de outubro de 2010, já havia sido exibido sem qualquer problema de ordem legal e sem causar quaisquer danos sociais, nas programações do Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico, realizado na cidade de Porto Alegre (RS) e do Festival Internacional Lume de Cinema, realizado na cidade de São Luís (MA). Neste contexto, julgamos ainda mais preocupante de que estes ATOS DE CENSURA estejam ocorrendo justamente na cidade do Rio de Janeiro, que sempre foi tida por grande parte dos brasileiros como sendo “CAPITAL CULTURAL” do país. E que por conta do poderio de suas empresas midiáticas faz com que os acontecimentos locais tenham repercussão nacional.

É também necessário o registro de que às PROIBIÇÕES / ATOS DE CENSURA acima mencionados foram determinadas por “autoridades” que sequer assistiram a obra CENSURADA e que, portanto, por não terem o conhecimento prévio acerca do seu real conteúdo, na prática, utilizaram de seus poderes de maneira no mínimo discricionária, desproporcional e inaceitável dentro do ESTADO DE DIREITO, e atenderam apenas as provocações e pressões exercidas por forças que sempre relutaram em aceitar a plena vigência da DEMOCRACIA, esquecendo que a LIBERDADE DE EXPRESSÃO e de PLENO ACESSO A INFORMAÇÃO E A CULTURA são direitos humanos inalienáveis e fazem parte das cláusulas pétreas de nossa CONSTITUIÇÃO, não podendo, portanto serem submetidas aos interesses de grupamentos partidários.

Assim, neste momento de perplexidade e indignação, o CBC – CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA renova seu REPÚDIO a todo e qualquer ATO DE CENSURA e conclama a todos os brasileiros a se manifestarem e LUTAREM CONTRA A VOLTA DA CENSURA ou quaisquer outras atitudes desta natureza, que colocam em risco a própria essência da DEMOCRACIA e o pleno exercício dos direitos de cidadania.
Renova ainda seu ALERTA para o fato que, pelos mais variados e sempre injustificáveis motivos, tais atos vem perigosamente se ampliando e se espalhando por todo o país. E precisam encontrar resistência para que as exceções não acabem transformando-se em regra geral.

Finalmente apela às autoridades judiciais a imediata revisão da proibição da exibição do filme “A Serbian Film – Terror sem Limites”, bem como a imediata devolução da cópia ilegalmente “sequestrada”.

PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO!
PELO RESPEITO À CONSTITUIÇÃO FEDERAL!
PELA MANUTENÇÃO DA LEGALIDADE E DO ESTADO DE DIREITO!
PELO DIREITO DE PLENO ACESSO A INFORMAÇÃO E A CULTURA!
BRADAMOS TODOS COLETIVAMENTE:
ABAIXO A CENSURA!
FILMES FORAM FEITOS PARA SEREM  VISTOS E NÃO CENSURADOS!
CBC / CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA

Para assinar este documento acesse:


Entidades que subscrevem este documento:

CBC – Congresso Brasileiro de Cinema
AMC – Associação Mineira de Cineastas
APROCINE – Associação dos Produtores e Realizadores de Filmes de Longa Metragem de Brasília
AR – Associação dos Roteiristas
ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema
CBDC – Coalizão Brasileira Pela Diversidade Cultural
CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
Fórum dos Festivais
GRAV – Grupo de Estudos Audiovisuais (UFES/ES)
Sindicato da Indústria Audiovisual do Rs (SIAV-RS)
UNINFRA
Festivais:
FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual
Cineclubes:
Cineclube Abelin nas Nuvens (Silveira Martins, RS)

Cineclube Amoeda Digital (Recife, PE)
Cineclube Aquiry (Rio Branco, AC)
Cineclube Central (Vila Velha, ES)
Cineclube Coxiponés (Cuiabá, MT)
Cineclube da ABD Capixaba (Vitória, ES)
Cineclube Guadala (Vila Velha, ES)
Cineclube FUNEC (Contagem, MG)
Cineclube Imaginário (Salvador, BA)
Cineclube Laguna (Laguna, SC)
Cineclube Lanterninha Aurélio (Santa Maria, RS)
Cineclube Nangetu (Belém, PA)
Cineclube Natal (Natal, RN)
Cineclube NPD Orlando Vieira (Aracaju, SE)
Cineclube Paraty (Paraty, RJ)
Cineclube Participação (Vila Velha, ES)
Cineclube Projeto Kalu (São Luis, MA)
Cineclube Vozes do Morro (Vila Velha, ES)
Cine Everest (Hortolândia, SP)
Cine Gastrô (Fortaleza, CE)
Cine Guará (PR)
Cine Molotov (Fortaleza, CE)
Cine Olho (Niterói, RJ)
CineOca (Porto Velho, RO)
CREC – Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos (Rio Claro, SP)
Difusão Cineclube (Atibaia, SP)

Mostra Bernardo Bertolucci prossegue no Goethe Institute

Redação


Pasolini e Godard foram alguns dos nomes homenageados nas últimas edições do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (CineFuturo). Este ano, o homenageado através de retrospectiva é o italiano Bernardo Bertolucci, diretor de filmes como O Último Tango em Paris (1973) e 1900 (1976).

Desde ontem, o público do CineFutro pode conferir títulos, clássicos e atuais, do cineasta, que causou polêmica com as cenas tórridas de O Último Tando em Paris. A programação completa pode ser acessada no site do evento, que acontece até o próximo dia 30 de julho.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Documentário Zeitgeist será exibido hoje no CineFuturo

Redação

Peter Joseph, diretor do filme Zeitgeist, que participará de
mesa redonda no CineFuturo

A terceira parte do projeto Zeitgeist, idealizado pelo diretor norte-americano Peter Joseph, poderá ser conferido hoje, a partir das 20h30, durante o CineFuturo. Zeitgeist: Moving Forward – O Futuro é Agora será exibido na sala principal do Teatro Castro Alves em Salvador, e contará com a presença do cineasta.

O filme apresenta atores notáveis que, de forma abstrata, representam as diversas atitudes relacionadas à mensagem dramática, além de utilizar vigorosos recursos visuais e de animação em 2D e 3D. Trata-se de um longa-metragem que compõe um projeto cultural de filmes em série.

Essas obras propõem um caminho para a transição do atual paradigma socioeconômico monetário que rege a sociedade mundial. A partir de três temas centrais, Zeitgeist propõe o redesenho de uma vida empírica na Terra em nome da sobrevivência humana e social.

Peter Joseph estabelece uma abordagem social nova e radical, porém prática, baseada em conhecimentos avançados que poderiam resolver os atuais problemas sociais enfrentados pelo mundo contemporâneo, a exemplo das guerras, da pobreza, da corrupção, da fome, da miséria e o sofrimento humano.

O cineasta norte-americano é multiuso. Além de assinar a direção, Joseph é produtor, compositor, editor e narrador da obra. O primeiro Zeitgeist: The Movie, é de 2007, e foi um documentário lançado na plataforma da web e alcançou mais de 100 milhões de acesso.

Em 2008, foi lançado Zeitgeist: Addendum, a continução do documentário anterior, e já teve uma estreia mais pomposa, no Artivist Film Festival, em Hollywood. Tornou-se também um fenômeno viral na internet, com mais de 50 milhões de exibições em seu primeiro ano.

Após o sucesso alcançado, Peter Joseph fundou um movimento social inspirado na reação do público, chamado de Movimento Zeitgeist. Hoje, é uma organização de escala global com mais de meio milhão de inscritos em 200 países, inclusive o Brasil. O objetivo da organização é dar início à transição da cultura atual para um novo paradigma econômico sustentável.

Peter Joseph já participou na tarde desta terça-feira, da etapa Diálogo do CineFuturo, ao lado do professor universitário Messias Bandeira. Na sexta-feira, 29, ele participa da mesa redonda Cinema Político e Contemporâneo, junto com o cineasta cubando Miguel Coyula.  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Diretor de Zorba morre aos 89 anos

Redação


Morreu, nesta segunda-feira, em Atenas, o cineasta Michael Cacoyannis. Ele tinha 89 anos e Fundação Cultural que leva o seu nome, responsável por passar a informação, não detalhou a causa exata da morte.

Nascido no Chipre, Cacoyannis tornou-se internacionalmente conhecido pelo filme Zorba: O Grego, premiado com três Oscars, em 1964. Trata-se de uma adaptação do romance co escritor grego Nikos Kazantzakis, autor do polêmico A Última Tentação de Cristo, levado aos cinemas por Martin Scorsese em 1989.  

CineFuturo começa hoje em Salvador

Redação




Com a abertura oficial marcada para hoje, às 14h,  na Sala Principal do Teatro Castro Alves, em Salvador, será iniciado o VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual – CineFuturo. Com uma programação variada, que incluem mostras, palestras, mesas-redondas e oficinas, o evento prossegue até o dia 30 de julho, em diversos pontos da capital baiana.

O CineFuturo será o ponto de encontro, nos próximos dias, de cineastas, professores, críticos, estudiosos e cinéfilos. Grandes nomes do cinema, do Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos confirmaram presença e estarão debatendo a sétima arte durante o evento. Na abertura, será feita uma homenagem póstuma a Gustavo Dahl, crítico e cineasta, morto recentemente.

Confira abaixo como estará distribuída a programação do CineFuturo:

Teatro Castro Alves: Mesas-redondas, Diálogos, Mostra Competitiva de Curtas, Mostra Internacional de Filmes, Mostra de Curtas Indicados aos Prêmios da Academia Europeia de Cinema e Lounge Multimídia. Os ingressos para as mostras de filmes na Sala Principal têm ingressos a R$ 8,00 a inteira.

Goethe Institut/ICBA: Mostra Retrospectiva Bernardo Bertolucci (entrada franca).Workshop “Single Shot Cinema” (inscrições encerradas).

Sala Walter da Silveira: Mostra Amor à Francesa (entrada franca);

Sala Alexandre Robatto: Mostra Sandrine Bonnaire e Mostra de Animação Francesa (entrada franca).

Hotel Sol Victória Marina: Ciclo de Palestras “Mercado Audiovisual – Dificuldades e Alternativas” (entrada franca).

Para mais detalhes, acesse: www.cinefuturo.com.br. 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Assalto ao Banco Central chega aos cinema brasileiros*

Carlos Baumgarten


Seis anos depois do maior roubo a banco do século, o público brasileiro vai poder conferir os pormenores de um dos crimes mais bem planejados já visto no Brasil. Assalto ao Banco Central, de Marcos Paulo, estreia nesta sexta-feira em circuito comercial e conta como o golpe aconteceu, desde a preparação da quadrilha até os bastidores da investigação da Polícia Federal.

A quadrilha não precisou disparar um tiro e levaram três toneladas de dinheiro, após passarem três meses cavando um túnel de 84 metros. Trata-se de um verdadeiro empreendimento, pois foi preciso investir milhares de reais no planejamento da obra. No elenco, atores como Lima Duarte, Gero Camilo e Vinícius de Oliveira.

Também do Brasil, chega o documentário Filhos de João: O Admirável Mundo Novo Baiano, dirigido por Henrique Dantas. O filme resgata a história do grupo musical Novos Baianos, que explodiu no final da década de 60, mostrando a influência do cantor João Gilberto na mentalidade daqueles jovens.

Outra estreia da semana é o suspense A Inquilina. O filme traz Hillary Swank no papel de uma médica recém-separada que recomeça a vida num espaçoso apartamento no Brooklyn. Misteriosos acontecimentos fazem acreditar que ela não está sozinha. O pior: ela tinha razão.

Já tendo o seu talento comprovado como ator, Phillip Seymour Hoffman ataca de diretor na comédia dramática Vejo Você no Próximo Verão. Narra a história de um motorista que, através de um casal, conhece e se apaixona por uma tímida garota. Enquanto o relacionamento dos dois cresce, os amigos que os apresentaram começam a entrar em uma crise no casamento.

Lola, uma produção franco-filipina, também poderá ser conferida a partir desta sexta-feira. Trata-se da narrativa que mostra as graves consequência sofridas por duas idosas, que têm os seus netos envolvidos em crimes.

Fechando os lançamentos desta sexta-feira, temos a produção peruana Outubro. O longa conta a história de um homem tímido e sua vizinha solitária, que o vê como uma esperança em sair da solidão. Um dia, o homem encontra um bebê recém-nascido na porta de sua casa, fruto de sua relação com uma prostituta que está desaparecida. Ele vai em busca da mãe da criança, enquanto a sua vizinha toma conta da criança. Surgem novos afetos e emoções, cujo homem jamais havia sentido. 

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular... 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

“Formamos gerações para pensar o cinema como arte, não só entretenimento”

Assessoria de Imprensa do CineFuturo
Foto: Divulgação

O cineasta baiano Walter Lima (foto), idealizador e coordenador do CineFuturo, esteve à frente da Diretoria  de Imagem e Som (DIMAS) da Fundação Cultural do Estado da Bahia, nos anos 70. Naquela época, criou a Sala Valter da Silveira e o Cinema do Museu. No âmbito internacional, foi produtor do último filme do diretor chileno Miguel Litin “Dawson Isla 10”, lançado no ano passado, no VI Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, no TCA.

Atualmente, ele cuida do lançamento do seu longa-metragem “Antonio Conselheiro, o Taumaturgo do Sertão”, que levou cerca de 25 anos para ficar pronto, em meio a muitas adversidades. Ainda assim, Walter Lima já se articula para realizar o próximo filme, “América do Sol”, que define como “um panorama crítico da elite brasileira”.

Mas agora, a sua atenção está voltada para a sétima edição do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual – CineFuturo. Nessa entrevista ao CineFuturo, ele fala sobre cinema de arte, a importância e as dificuldades para realizar o evento em Salvador:

CineFuturo; Qual a sua maior motivação para prosseguir à frente de um evento voltado para a Sétima Arte?
Walter Lima: Como fui aluno de Walter da Silveira, que formou gerações, tenho o compromisso também de passar isso, um pouco do que aprendi. E vivi essa experiência na Bahia, quando era uma província, sem nenhuma informação. Com um sentimento de continuidade, eu tenho esse lado de realizador e animador cultural. Quando fui diretor da Imagem e Som, criei a Sala Walter da Silveira e o Cinema do Museu. Nós formamos duas gerações, trazendo o que havia de melhor em termos de programação de filmes, cinema de qualidade. Como disse o mestre do cinema soviético Sergei Eisenstein, “o cinema é a síntese de todas as artes.” É preciso, então, formar as novas gerações para pensar o cinema como arte, não só entretenimento e mercado. O cinema filosófico, poético, humanístico, este cinema está desaparecendo.

CF: Qual o perfil do Seminário e como tem sido a sua repercussão?
WL: Trazemos para o público um mix de festival, porque você tem que ter filmes bons, pessoas interessantes, qualidade na projeção, logística, atualidade e glamour. E é um seminário, do ponto de vista acadêmico, porque traz o debate, as ideias, a polêmica. Todas essas mídias novas e a tecnologia se tornam uma janela para nós. É preciso juntar conteúdo e forma. O Seminário já é um evento consolidado que faz parte do calendário cultural de Salvador. Podemos ver o resultado, a repercussão, a presença maciça do público, especialmente os jovens, e os desdobramentos naturais de um acontecimento desse porte, que dura seis dias e é realizado em vários espaços.

CF: Quais as dificuldades para chegar a esta sétima edição.
WL: Este ano, o formato está mais enxuto (ficou de fora o encontro de Produtores e Distribuidores, e o número de mesas-redondas foi reduzido de seis para quatro), devido à falta de verbas. O Ministério da Cultura entrou com 30% dos recursos com relação ao ano passado, e com relação ao Fazcultura, perdemos 50%. Pouco mais de R$ 300 mil não dá para nada. Falta sensibilidade do governo e das empresas privadas. A Bahia, não só no cinema, está culturalmente atrasada. Claro que o cinema é pior porque se trata de uma arte muito cara, que se apóia em um tripé – produção, distribuição e exibição. A produção praticamente não existe mais aqui.  Pernambuco está muito melhor. A Bahia é o berço da cultura brasileira, mas  não se leva isso a sério.

CF: Mas a programação continua atraindo o grande público...
WL: Apesar da falta de dinheiro e das dificuldades que isso causa, conseguimos garantir uma programação muito boa, de qualidade, trazendo personalidades importantes e grandes colaboradores. Mantendo a tradição, fazemos mais uma homenagem a um grande nome do cinema, com a Mostra Retrospectiva Bernardo Bertolucci. Em outras edições, foram Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, Jean-Luc Godard e Píer Paolo Pasolini.  Nossa lista ainda tem mais uns 20 nomes. Faltam, por exemplo, Orson Welles, Fellini, Truffaut e Hitchcock.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Exposição contempla cinema, vídeo, fotografia, música e poesia

Redação
Fotos: Divulgação

Golden Hamlet


Um artista multimídia. Assim podemos definir Arthur Omar, um mineiro, natural de Poços de Caldas, que apresenta uma obra que abarca cinema, vídeo, fotografia, música e poesia, além da reflexão crítica. Como parte da programação do VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (CineFuturo), que acontece entre os dias 25 e 30 de julho, em Salvador, o público poderá conferir a exposição A Imagem Pulsátil de Arthur Omar. O detalhe é que a exposição já será aberta nesta sexta-feira, 22, às 20, na Paulo Darzé Galeria de Arte (rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8,  Corredor da Vitória).

A exposição reúne criações de um dos grandes nomes do experimentalismo no Brasil. Serão expostos, entre outros, os painéis fotográficos “Golden Hamlet”, “Madona do Véu Negro”, “No Coração da Esgrima Enigmática”, “Transoceânica” e “Um Olhar e Sete Pérolas”.  Em paralelo à mostra, o artista realizará Noite de Autógrafos do livroViagem ao Afeganistão. (Cosac Naify. 2011). 

Madona do Véu Negro

O trabalho de Omar surgiu no início da década de  70, atuando como diretor e roteirista de cinema. Realizou cerca de 30 filmes e vídeos, e os longas Triste trópicoSonhos e Histórias de FantasmasAlquimia da Velocidade e Os Cavalos de Goethe (2011), que será exibido na Mostra Internacional de Filmes do CineFuturo, no dia 27 de julho, às 20h30, na Sala Principal do Teatro Castro Alves. Em 1999 teve retrospectiva dos seus filmes e vídeos no Museu de Arte Moderna de Nova York. É autor dos livros A Lógica do Êxtase (CCBB), O Zen e a Arte da Fotografia (CosacNaify), Antropologia da Face Gloriosa (CosacNaify), O Esplendor dos Contrários (CosacNaify) e Viagem ao Afeganistão (Cosac Naify. 2011). 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mostra competitiva de curtas traz 12 produções nacionais

Redação
Fotos: Divulgação


Cena de A Poeira e o Vento
Do drama à animação, a Mostra Competitiva de Curtas do VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (CineFuturo) reúne produções nacionais de temáticas diversificadas. Os filmes serão exibidos ao decorrer do seminário, que acontece entre 25 e 30 de julho, em Salvador. A Mostra de Curtas antecede à Mostra Internacional de Filmes. Os ingressos custam R$ 8, a inteira, e R$ 4, a meia.

No dia 30, serão anunciados os vencedores dos prêmios de Melhor Curta Baiano e Melhor Curta Nacional. Confira a programação completa dos curtas que serão exibidos na Sala Principal do Teatro Castro Alves.




MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS*
Sala Principal do Teatro Castro Alves

25/07- 18h:30- segunda-feira
Tempo de Criança - De Wagner Novais. Drama Infantil, 12 minutos, 2010, Rio de Janeiro. Sinopse: Uma construção dramática e poética sobre o cotidiano de uma menina, que tem que ser grande quando a mãe não está em casa.


A Mula Teimosa e o Controle Remoto - De Hélio Vilella Nunes. Ficção, 15 minutos, 2010, São Paulo. Sinopse: A história de uma amizade num duelo sem palavras.

25/07 – 20h:30 – segunda-feira
A Morte de D.J. em Paris - De Igor Penna. Ficção, 20 minutos, 2011, Bahia. Sinopse: O curta-metragem conta a história de um tímido professor de francês de uma pequena cidade no Brasil que resolve abandonar seu mundo fragmentado para realizar seu sonho: conhecer Paris e conquistar a Femme Bleu, o protótipo de mulher idealizada por ele, mas nada será tão fácil.

26/07- 18h:30- terça-feira
Entre Vãos - De Luísa Caetano. Documentário, 20 minutos, 2010, Brasília. Sinopse: Entre Vãos é um documentário etnolírico que se passa no Vão de Almas, comunidade remanescente quilombola Kalunga, em Cavalcante (GO). Lizeni é uma menina kalunga de dez anos e é ela quem conduz nosso olhar por entre as brincadeiras de infância, o mundo adulto dos pais, a relação da família com a cidade mais próxima, além de nos revelar sonhos em contraposição à realidade do dia-a-dia em família.

26/07 – 20h:30-terça-feira
Tempestade - De César Cabral. Animação/ficção/drama, 10 minutos, 2010, São Paulo. Sinopse: Um marujo solitário navega, através de oceanos tumultuados por tempestades, em busca do reencontro com sua amada. Segue uma rotina rígida de afazeres até que mudanças inesperadas em sua rota alteram seu destino.

A animação Tempestade, uma das novidades da Mostra


27/07– 18h:30- quarta-feira
A Poeira e o Vento – De Marcos Pimentel. Minas Gerais, documentário, 18 minutos, 2011. Sinopse: Interior do estado de Minas Gerais. Uma pequena vila no meio do nada. Isolamento. Montanhas. Silêncio. O homem. A paisagem. O tempo.

27/07 – 20h:30- quarta-feira
Corte Seco - De Matheus Vianna. Documentário, 14 minutos, 2011, Bahia. Sinopse: Da folha à fibra, das mãos às máquinas. As etapas de um ciclo.


Calma Monga, Calma! De Petrônio de Lorena. Ficção, 18 minutos, 2011, Pernambuco. Sinopse: Psicopata misteriosa chama a atenção da polícia e do jornalismo investigativo através de ataques simiescos aos varões da sociedade recifense.

28/07- 18h:30 - quinta-feira
Sala de Milagres - De Cláudio Marques e Marília Hughes. Documentário, 13 minutos,  2011, Bahia. Sinopse: Um dia e uma noite na romaria de Bom Jesus da Lapa.

28/07- 20h:30- quinta-feira
Haruo Ohara- De Rodrigo Grota. Ficção, 16 minutos, 2010, Paraná. Sinopse: Hoje você vê a flor. Agradeça à semente de ontem.

29/07- 18h:30 – sexta-feira
Acercadacana- De Felipe Calheiros. Documentário, 20 minutos, 2010, Pernambuco. Sinopse: Nos anos 90, com a valorização do etanol e a expansão do latifúndio canavieiro, 15 mil famílias foram expulsas dos seus sítios na Zona da Mata de Pernambuco. Maria Francisca decidiu resistir.

29/07- 20h30 -sexta-feira
Olho de Boi- De  Diego Lisboa. Ficção, 18 minutos, 2011, Bahia. Sinopse: Junca quer ir à escola com seus novos sapatos, mas para isso terá de enfrentar os meninos mais velhos da rua, seu pai e a sua própria fé.

30/07– 20h:30 - sábado
O júri anunciará o resultado da Mostra Competitiva de Curtas
Exibição do Melhor Curta Baiano e do Melhor Curta Nacional

Cena do curta baiano Sala de Milagres, documentário de
Cláudio Marques e Marília Hughes


*Fonte: Assessoria de Imprensa do CineFuturo