segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cinema é cinema, TV é TV

Carlos Baumgarten


No dia em que se comemora a retomada do cinema brasileiro (19 de junho é Dia do Cinema Brasileiro), encerrou-se o 9º Fest Petrobras Brasil, que acontecia desde o dia 12 de junho, em Nova Iorque. Junto com ele, encontramos uma triste, mas esperada constatação: o cinema brasileiro não está em sua melhor forma. Aliás, está muito longe disso.

O grande vencedor do evento foi o filme voltado para o público adolescente, intitulado Desenrola, dirigido por Rosane Svartman. O público votou e o filme foi escolhido o melhor do ano, segundo o festival, levando o prêmio Lente de Cristal. Entre os concorrentes, nada de novidades. No meio das 13 produções, estavam títulos como Malu de Bicicleta, A Suprema Felicidade, Bróder e Nosso Lar.  

Desenrola é um filme com linguagem distante do cinema. Talvez tivesse um resultado mais satisfatório se fosse uma série de TV. Faz o seu trabalho junto ao público-alvo. Mas o que se espera de um festival voltado para a sétima arte é que se premie a linguagem, se avalie o conteúdo e não se a obra agrada ou não ao seu público-alvo, afinal, alguns trabalhos tentam provocar justamente o efeito contrário.

Já está mais do que na hora de se buscar, no cinema brasileiro, a independência artística. Estamos sendo bombardeados de minisséries globais, com fórmulas prontas, que chegam às grandes telas e desqualificam a linguagem cinematográfica. Se no mundo inteiro já temos uma crise linguística no que se refere ao cinema, no Brasil temos o monopólio televiso que faz o seu “competente” trabalho.

O público brasileiro está acostumado com a TV (convenhamos: ir ao cinema não é tão barato). Portanto, transferir o que temos na telinha para a telona, colocando atores conhecidos do grande público, atrai, com muito mais força, as pessoas às salas de cinema do que se optarmos por reverenciar a linguagem, mesmo que de forma discreta, para valorizar o que os irmãos Lumière criaram e o que David W. Grifith desenvolveu enquanto narrativa, tendo no Brasil expoentes culturais, como Glauber Rocha.

Mesmo que as novas plataformas criem as facilidades de se produzir, não podemos cair na banalidade. Nada contra as minisséries globais ou os filmes de adolescente. Mas que fique claro: cinema é cinema, TV é TV.   

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