quinta-feira, 30 de junho de 2011

Crítica: Qualquer Gato Vira-Lata

Filme global segue fórmula do gênero na língua de TV


Carlos Baumgarten


Qualquer Gato Vira-Lata, em cartaz nos cinemas brasileiros, segue direitinho a fórmula das comédias românticas. Ou seja, quem for conferir, vai encontrar inúmeros clichês, algum humor forçado e um elenco que mais parece um jogo de marketing para o filme do que atores dispostos a atuar.

Tudo começa quando a personagem de Cléo Pires (uma das jogadas de marketing do filme) leva um pé na bunda do namorado mulherengo. Ela encarna uma mulher ciumenta, grudenta, que deixa qualquer um, louco por liberdade, a beira de um ataque de nervos. Ela encontra um professor (Malvino Salvador) que desenvolve a tese de que os seres humanos devem agir como os outros animais: macho vivendo em poligamia sem a fêmea incomodar.

Assim, Cléo Pires se oferece para ser o seu objeto de estudo, com o intuito de provocar ciúmes no seu ex-namorado.

Inspirada na peça homônima de Juca de Oliveira, Qualquer Gato Vira-Lata peca em todos os sentidos. Não há nada de interessante que possa se aproveitar da trama. O elenco, que poderia ser um diferencial, não ajuda nem um pouco. Não há química alguma entre os atores. Como já foi dito, um humor forçado e, em alguns momentos, parece que estamos vendo uma peça de teatro.

Falando em linguagem, a mão da Globo está, mais uma vez, presente. A impressão que temos é que daqui a alguns meses teremos uma minissérie a partir deste “piloto” lançado nos cinemas. Isso sem contar com os velhos clichês que nos levam a um final extremamente previsível.

Obviamente, para aqueles que são fãs dos programas globais que recheiam as nossas telinhas, a trama pode até agradar, já que seria como ver uma novela em tela grande. Mas, se está buscando algo, pelo menos, diferente, divertido, Qualquer Gato Vira-Lata definitivamente não é uma boa opção.  

terça-feira, 28 de junho de 2011

O que é single shot cinema?

Redação


O cineasta holandês, Leonard Helmich, ministrará um workshop entre os dias 28 e 30 de julho, em Salvador, durante o CineFuturo – VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, que acontece de 25 a 30 deste mesmo mês. Helmich apresentará uma nova técnica de filmagem criada por ele: o single shot cinema.

Single Shot Cinema é um jeito de filmar através do qual a câmera e o seu operador se movem de modo flexível pela cena para conseguir diferentes ângulos que expressem o olhar e percepções pessoais. Os movimentos de câmera podem ser rápidos ou lentos, altos ou baixos, de pertou ou de longe, mas tudo isso em um só shot, ou seja, uma só tomada dentro de uma mesma cena.

                                   Foto: Divulgação
O cineasta Leonard Helmrich demonstrando a
single shot cinema

O método busca dar mais realidade à cena e dá mais liberdade ao operador da câmera sobre o que está sendo filmado, tornando possível a exploração de novos ângulos. O cineasta Leonard Helmrich vai desenvolver essa técnica com os participantes do workshop, através de métodos e equipamentos desenvolvidos por ele próprio.

O workshop terá a duração de três dias em período integral (com pausa de uma hora para almoço), no ICBA, em Salvador, com carga horária de 21h. A inscrição, com a seleção prévia dos participantes – profissionais e estudantes de cinema - tem o investimento de R$ 350. São 20 vagas disponíveis. Os interessados devem preencher o cadastro no site www.cinefuturo.com.br.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Confira a programação do Cine Nostalgia para julho

Dia  01 às 15:00 filme " CHINATOWN " ano - 1974 ( USA )
Atores - Jack Nicholson, Faye Dunaway, Perry Lopez e John Huston
Diretor - Roman Polanski - Policial - 12 anos - 130 mim.
 
Dia 02 às 15:00  filme " TARDE DEMAIS  ano -1949 ( USA )
Dia 03 às 16:00 ( o mesmo filme )
Atores - Montegomery Clift, Olivia de Haviland e Ralph Richardson
Diretor - William Wyler - Drama - 14 anos - 116 mim
 
Dia 07 às 15:00 filme " CROWN O MAGNÍFICO " ano - 1968 ( USA )
Atores - Steve McQueen, Faye Dunaway e Paul Burke
Diretor - Normam Jewison - Policial - 12 anos - 142 mim
 
Dia 08 às 15:00 filme " PECADORES EM SÃO FRANCISCO " ano - 1952 ( USA )
Atores - Joel McCrea, Yvonne de Carlo e Sidbey Blakmer
Diretor - Robert Parrish - Faroeste - 12 anos - 80 mim
 
Dia 09 às 15:00 filme " E AGORA BRILHA O SOL " ano - 1957 ( USA )
Dia 10 às 16:00 ( o mesmo filme )
Atores - Tyroen Power, Ava Garddner e Errol Flynn
Diretor - Henty King - Drama - 14 anos  -  130 mim
 
Dia 14 às 15:00 filme " KLUTE, O PASSADO CONDENA " ano -1971 ( USA )
Atores - Jane Fonda e Donalad Sutherland
Diretor - Alan J. Pakula - Drama -= 14 anos - 114 mim
 
Dia 15 às 15:00 filme " NO RASTRO DA BRUXA VERMELHA " ano 1948 ( USA 
Atores - John Wayne, Gail Russel, Gig Young e Adele Mara
Diretor - Edward Ludwig - Aventura - 14 anos - 106 mim
 
Dia 16 às 15:30 filme " O ESCÃNDALO DA PRINCESA " ano - 1960 ( USA )
Dia 17 às 16:00 ( o mesmo filme )
Atores - Sophia Loren, Maurice Chevalier e John Gavin
Diretor - Michael Curtis  - Comédia - Livre - 97 mim
 
Dia 21 às 15:00 filme " DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES " ano 1954 ( USA )
Atores - Victor Mature, Susan Hayward, Michael Rennie e Debra Paget
Diretor - Delmer Davis - Épico/Bíblico - Livre - 101 mim.
 
Dia 22 às 15:00 filme " A HORA FINAL " ano -1959 ( USA )
Atores - Gregory Peck, Ava Gardner, Fred Aitaire e Anthony Perkins
Diretor - Stanley Kramer - Guerra 12 anos - 130 mim
 
Dia 23 às 15:30 filme " EM ALGUM LUGAR DO PASSADO " ano - 1980 ( USA )
Dia 24 às 16:00 ( o mesmo filme )
Atores - Christopher Reever, Jane Seymore Cristopher Plummer
Diretor - Jeannot Szwarc - Drama - Livre - 103 mim
 
Dia 28 às 15:00 filme " O FAROL DO FIM DO MUNDO " ano 1971 ( USA )
Atores - Kirk Douglas, Sammantha Eggar e Yul Brynner
Diretor - Kevin Billington - Aventura - Livre 128 mim
 
Dia 29 às 15:00 filme " COMO NASCE UM BRAVO " ano -1958 ( USA )
Atores - Glen Ford, Jack Lemon e Anna Kashifi
Diretor - Delmer Davis - Faroeste -  12 anos -  92 mim
 
 
Dia 30 às 15:00 filme " ENTRE DOIS AMORES  ano -1955 ( USA ) 07 Oscar
Atores - Robert Redford, Mary Strep e Kalus Maria Brandauer
Diretor - Sidney Polack - Drama - 16 anos - 155 mim.

Morre o cineasta Gustavo Dahl

Redação


Morreu, neste domingo, aos 72 anos, o cineasta Gustavo Dahl, um dos grandes nomes do Cinema Novo. Dahl estava na cidade de Trancoso, na Bahia, e foi vítima de um ataque cardíaco fulminante.

O cineasta estava como gerente do Centro Técnico Audiovisual (CTAV), no Rio de Janeiro. Seu corpo será velado nesta terça-feira, a partir das 15h, no Salão Portinari do Palácio Gustavo Capanema, na capital fluminense.

Gustavo Dahl nasceu em Buenos Aires, mas se naturalizou brasileiro. Além de cineasta, atuou como crítico, sendo, no início de sua carreira, colaborador de inúmeros jornais e revistas no Brasil e no exterior. Em sua filmografia estão diversos curtas e os longas O Bravo Guerreiro (1968), Uirá: Um Índio em Busca de Deus (1973) e Tensão no Rio (1972). 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Morre Peter Falk

Redação


Morreu, na madrugada desta sexta-feira, o ator Peter Falk. Não há detalhes sobre a causa, mas o ator sofria do Mal de Alzheimer há vários anos.

No cinema, Falk tem uma lista de 60 filmes no currículo. Mas foi em um seriado de TV dos anos 70 que ele ficou marcado, interpretando o detetive Columbo, que dava nome ao programa. Pelo trabalho, o ator foi premiado com diversos Emmys.

Seu último trabalho no cinema foi no filme American Cowslip (2009). Falk nasceu em 16 de setembro de 1927, em Nova Iorque. Fazia parte de uma família judia, com um pai russo e uma mãe tcheca. 

Animação da Disney e documentário de João Amorim entre as estreias da semana*

Carlos Baumgarten


Depois de Kung Fu Panda 2, chegou a vez de a Disney apresentar a sua franquia de uma animação de sucesso entre a garotada. Trata-se de Carros 2, que entra em cartaz neste fim de semana no Brasil.  

Para quem conhece as personagens, desta vez, Relâmpago McQueen resolve participar da Corrida dos Campeões, e vai rodar o mundo durante a competição. Ele e o seu amigo Mater acabam se envolvendo no mundo da espionagem internacional, quando conhecem um investigador da inteligência britânica.

Outra estreia é o documentário 2012: Tempo de Mudança, do diretor João Amorim. O longa projeta uma alternativa radical à visão apocalíptica e fatalista que vivemos no presente contexto.

Seguindo o jornalista Daniel Pinchbeck, autor de 2012: O Ano da Profecia Maia, o filme discute um novo paradigma, que integra sabedoria arcaica de culturas tribais com o método científico, projetando o nascimento de uma cultura regenerativa do planeta.

E outro documentário chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira. É o filme Morro do Céu, exibido nos festivais de Gramado e Tiradentes. Dirigido por Gustavo Spolidoro, o documentário apresenta uma pequena comunidade de descendentes de italianos no sul do Brasil. 

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular... 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Gilberto Gil, Sting e David Lynch em documentário

Redação



O diretor João Amorim lançou o documentário 2012: Tempo de Mudança nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. Na próxima sexta-feira, 24, o longa tem o lançamento oficial em salas do Rio e de São Paulo. O filme, conduzido pelo jornalista Daniel Pinchbeck busca um novo paradigma, que integra sabedoria arcaica, culturas tribais e o método cinetífico.

2012... projeta uma alternativa radical à visão apocalíptica e fatalista que apontam diversas profecias, que já cansamos de ouvir. O que sugere Pinchbeck, autor do livro 2012: O Ano da Profecia Maia, é que, ao invés de devastação, a humanidade poderia vivenciar o nascimento de uma cultura regenerativa no planeta.

Nesse contexto, a colaboração substituirá a concorrência, onde a exploração da psique e do espírito torna-se a nova bossa, substituindo o materialismo estéril que vem dominando e destruindo nosso planeta. Todas essas ideias levantam opinião de personalidades como Gilberto Gil, Sting, David Lynch, Elen Page, André Soares, entre outros que são entrevistados no documentário.

O filme de João Amorim foi exibido no último Festival do Rio e já foi exibido nos Estados Unidos, onde permaneceu em cartaz por mais de 10 semanas. Mais informações sobre 2012: Tempo de Mudança no site oficial do documentário: www.2012tempodemudanca.com.br.

Crítica: Meia-Noite em Paris

De volta aos velhos tempos

Carlos Baumgarten

Meia-Noite em Paris, novo filme de Woody Allen, que estreou na última sexta-feira nos cinemas brasileiros, celebra o retorno. O retorno à charmosa Paris dos anos 20 e o retorno de Woody Allen à boa forma, lembrando clássicos como A Rosa Púrpura do Cairo (1985), através de um realismo fantástico.

O filme abre em tom de deslumbramento frente à Paris. Observamos a passagem de tempo, desde o nascer do dia, passando pela chuva até a noite. Encontramos, então, Gil Pender (interpretado por Owen Wilson), um roteirista de Hollywood bem-sucedido, porém frustrado com a sua realidade, buscando o sonho de se tornar um romancista. Ele está com a noiva Inez, mulher dominadora que faz parte de uma família conservadora.

Os pais de Inez vieram à Paris para o patriarca tratar de negócios. O casal aproveitou para fazer uma visita à cidade da luz e planejar o casamento. Voltando à frustração de Gil Pender, a presença dele na capital francesa o faz desejar conviver em uma Paris chuvosa dos anos 20, quando grandes pensadores, escritores e artistas desenvolviam suas ideias para o mundo.

Em uma noite, após algumas doses de vinho, Pender resolve voltar ao hotel a pé e acaba se perdendo. Ao encostar-se a uma catedral e ouvir o bater do sino marcando a meia-noite um típico veículo dos anos 20 surge na escuridão das ruas e transporta Gil Pender para a época em que ele desejaria viver.

De repente, o roteirista e escritor do século XXI está se relacionando com grandes artistas, escritores e pensadores do século passado, como Hemingway, Fritzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñel, entre outros. Não é de primeira que Gil Pender entende o que está acontecendo, nem o espectador.

Woody Allen busca não fornecer nenhuma explicação lógica para o que acontece, como em A Rosa Púrpura do Cairo. A essência está em fomentar uma reflexão sobre o ciclo do pensamento social. Existe uma cultura global de se afirmar que o presente não serve e teríamos que viver no passado para reviver a “era de ouro”. Mas, nos anos 20, a Belle Époque do século XIX era considerada os anos dourados da velha Paris, enquanto para os habitantes daquele tempo era a Renascença o grande arcabouço filosófico, artístico e social que regia as grandes ideias da humanidade.

Então, Woody Allen, através do seu humor peculiar de uma pessoa que frequenta sessões de psicanálise há décadas, faz, talvez, uma auto-reflexão, transmitindo para o espectador o que é o presente e o que foi o passado. Então, em meio à luz da noite de Paris podemos ver um Allen se reencontrando com as suas origens, dessa vez fora de sua tradicional Nova Iorque.

As últimas tentativas de o cineasta filmar na Europa não foram tão bem-sucedidas quanto em Meia-Noite em Paris. Filmes como Scoop (2006), rodado em Londres, e Vicky Cristine Barcelona (2009), rodado em Barcelona, possuem o mesmo deslumbramento pelas respectivas cidades, mas se prendem e se perdem em roteiros pouco criativos. Não era o que se esperava de Woody Allen.

Como em toda obra, o cineasta escolhe uma personagem para ser o seu alter ego, quando não é interpretado por ele mesmo. Nesse caso, vemos claramente uma transposição de Woody Allen para a personagem de Owen Wilson: brilhante, mas inseguro, frustrado, em busca de novas realizações e desafios.

O filme gira em torno dessa aventura temporal de Gil Pender, fazendo um paralelo com seu difícil relacionamento com a noiva Inez, personagem, por vezes, exageradamente desagradável, mas nada que comprometa o andamento da película. Podemos dizer que Paris, assim como inspirou diversos artistas em épocas diferentes, dessa vez, inspirou Woody Allen para reviver o seu bom desempenho. Mais do que isso, talvez ele queira mostrar é que os tempos mudaram, as pessoas mudaram, ele também, e não há porque se lamentar pelo que passou e sim celebrar o que há no presente.    

terça-feira, 21 de junho de 2011

Abertas inscrições para Festival 5 Minutos

Redação


Realizadores com poder de síntese têm até o dia 25 de julho para se inscrever no XIV Festival Nacional 5 Minutos. O tradicional evento, que acontece em Salvador e no interior do Estado, premia vídeos de até cinco minutos. O objetivo principal é a difusão do audiovisual no Brasil.

Serão selecionados 50 vídeos para participação na Mostra Competitiva, doas quais quatro serão premiados pela comissão do Festival e um por votação do júri popular. O grande vencedor leva R$ 10 mil. O segundo lugar recebe R$ 8 mil e o terceiro, R$ 6 mil.

Serão distribuídos prêmios, também, na categoria Melhor Vídeo de Jovem Realizador, escolhidos entre os participantes que tenham, no máximo 21 anos completados até 31 de dezembro deste ano. Essa categoria contempla também o Prêmio Luiz Orlando, que aponta os mesmos requisitos, mas a escolha é feita através do voto popular. Ambas as premiações são no valor de R$ 3 mil.

O evento é uma realização da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), por meio da Diretoria de Audiovisuais (DIMAS). Mais informações sobre o XIV Festival Nacional 5 Minutos nos sites da DIMAS (www.dimas.ba.gov.br) ou da FUNCEB (www.funceb.ba.gov.br). 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cinema é cinema, TV é TV

Carlos Baumgarten


No dia em que se comemora a retomada do cinema brasileiro (19 de junho é Dia do Cinema Brasileiro), encerrou-se o 9º Fest Petrobras Brasil, que acontecia desde o dia 12 de junho, em Nova Iorque. Junto com ele, encontramos uma triste, mas esperada constatação: o cinema brasileiro não está em sua melhor forma. Aliás, está muito longe disso.

O grande vencedor do evento foi o filme voltado para o público adolescente, intitulado Desenrola, dirigido por Rosane Svartman. O público votou e o filme foi escolhido o melhor do ano, segundo o festival, levando o prêmio Lente de Cristal. Entre os concorrentes, nada de novidades. No meio das 13 produções, estavam títulos como Malu de Bicicleta, A Suprema Felicidade, Bróder e Nosso Lar.  

Desenrola é um filme com linguagem distante do cinema. Talvez tivesse um resultado mais satisfatório se fosse uma série de TV. Faz o seu trabalho junto ao público-alvo. Mas o que se espera de um festival voltado para a sétima arte é que se premie a linguagem, se avalie o conteúdo e não se a obra agrada ou não ao seu público-alvo, afinal, alguns trabalhos tentam provocar justamente o efeito contrário.

Já está mais do que na hora de se buscar, no cinema brasileiro, a independência artística. Estamos sendo bombardeados de minisséries globais, com fórmulas prontas, que chegam às grandes telas e desqualificam a linguagem cinematográfica. Se no mundo inteiro já temos uma crise linguística no que se refere ao cinema, no Brasil temos o monopólio televiso que faz o seu “competente” trabalho.

O público brasileiro está acostumado com a TV (convenhamos: ir ao cinema não é tão barato). Portanto, transferir o que temos na telinha para a telona, colocando atores conhecidos do grande público, atrai, com muito mais força, as pessoas às salas de cinema do que se optarmos por reverenciar a linguagem, mesmo que de forma discreta, para valorizar o que os irmãos Lumière criaram e o que David W. Grifith desenvolveu enquanto narrativa, tendo no Brasil expoentes culturais, como Glauber Rocha.

Mesmo que as novas plataformas criem as facilidades de se produzir, não podemos cair na banalidade. Nada contra as minisséries globais ou os filmes de adolescente. Mas que fique claro: cinema é cinema, TV é TV.   

Peter Joseph confirma presença no CineFuturo

Redação

Foto: Divulgação
O diretor do documentário Zeitgeist: Moving Forward: O Futuro é Agora confirmou presença no VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual – CineFuturo, que será realizado entre 25 e 30 de julho, em Salvador. Peter Joseph (foto), que dirige o polêmico documentário, participará da exibição do filme durante o evento.

Trata-se de um longa-metragem que compõe um projeto cultural de filmes em série. Essas obras propõem um caminho para a transição do atual paradigma socioeconômico monetário que rege a sociedade mundial. A partir de três temas centrais, Zeitgeist propõe o redesenho de uma vida empírica na Terra em nome da sobrevivência humana e social.

Peter Joseph estabelece uma abordagem social nova e radical, porém prática, baseada em conhecimentos avançados que poderiam resolver os atuais problemas sociais enfrentados pelo mundo contemporâneo, a exemplo das guerras, da pobreza, da corrupção, da fome, da miséria e o sofrimento humano.

O cineasta norte-americano é multiuso. Além de assinar a direção, Joseph é produtor, compositor, editor e narrador da obra. O primeiro Zeitgeist: The Movie, é de 2007, e foi um documentário lançado na plataforma da web e alcançou mais de 100 milhões de acesso. Em 2008, foi lançado Zeitgeist: Addendum, a continução do documentário anterior, e já teve uma estreia mais pomposa, no Artivist Film Festival, em Hollywood. Tornou-se também um fenômeno viral na internet, com mais de 50 milhões de exibições em seu primeiro ano.

Após o sucesso alcançado, Peter Joseph fundou um movimento social inspirado na reação do público, chamado de Movimento Zeitgeist. Hoje, é uma organização de escala global com mais de meio milhão de inscritos em 200 países, inclusive o Brasil. O objetivo da organização é dar início à transição da cultura atual para um novo paradigma econômico sustentável.

A terceira parte deste projeto, Zeitgeist: Moving Forward – o Futuro é Agora, em janeiro deste ano em mais de 60 países e em cerca de 20 idiomas, é, em parte, uma expressão midiática com o mesmo foco. O filme apresenta atores notáveis que, de forma abstrata, representam as diversas atitudes relacionadas à mensagem dramática, além de utilizar vigorosos recursos visuais e de animação em 2D e 3D.

sábado, 18 de junho de 2011

Crítica: Kung Fu Panda 2

Animação busca gancho para não cair em repetição
Carlos Baumgarten

Kung Fu Panda foi um grande sucesso em 2008. Trazendo a história de um urso panda, filho de um ganso (?), louco por kung fu, que acaba sendo revelado como o Dragão Guerreiro da China. Nesse primeiro filme, não temos nenhuma referência à origem do urso panda. As atenções estão todas voltadas para o seu processo de aprendizado até a conquista do respeito dos cinco furiosos.

Kung Fu Panda 2, em cartaz no cinema desde a semana passada, deveria buscar uma saída para não cair na repetição ou monotonia. Então, os roteiristas não deixaram passar em branco a origem da simpática personagem. Descobrimos, assim, como um urso panda passou a ser filho de um ganso. Paralelamente, Po e os cinco furiosos vão lutar contra um poderoso inimigo que quer extinguir o kung fu da China.

Apoiado no típico humor de animação, Kung Fu Panda 2 é um deleite para a criançada. Cenas bem elaboradas, agitado, engraçado e com uma mensagem positiva. Para os pais, está a aposta de não cair na fórmula repetitiva de muitas franquias norte-americanas, especialmente aquelas voltadas para o público infantil.

No elenco de vozes original, estão astros como Jack Black, Angelina Jolie e Jackie Chan. Na versão dublada, em português, temos o ator Lucio Mauro Filho, que tem um ótimo desempenho na animação (muito diferente de Luciano Huck em Enrolados, que destoou completamente da personagem). Lúcio Mauro já havia emprestado a sua voz na primeira versão, que contava também com a atriz Juliana Paes para a voz do Tigresa (na franquia, ela não repetiu a dose).

O ritmo de Kung Fu Panda 2 é até menor do que o primeiro. A animação não se prende apenas no humor, fazendo paralelos que focam no sentimentalismo, passando por leves toques de drama. Mas, nada para cair no choro. Nessa sequência, foi explorada, por mais tempo, a animação tradicional em 2D. Os animadores e a diretora Jennifer Yuh se apóiam nessa variação de linguagem para representar o presente e as lembranças do urso panda.

A animação em 3D (inclusive, produzida para salas de cinema com recursos de terceira dimensão) é, mais uma vez, cuidadosamente desenvolvida. Então, aos pais que tenham interesse, Kung Fu Panda 2 não será uma monotonia repetitiva. É um programa satisfatório para toda a família. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Crítica: Família Braz: Dois Tempos

Um filme sobre a nova classe média brasileira

Carlos Baumgarten
Fotos: Divulgação
Seu Toninho, dona Maria, Anderson, Denise, Gisele e Eder. Eles compõem a família Braz, centro do documentário dirigido por Arthur Fontes e Dorrit Harazin. Os diretores fazem uma reflexão sobre a chamada nova classe média brasileira. Para isso, foi necessário realizar o filme em dois tempos. Portanto, eis a justificativa do título Família Braz: Dois Tempos. O documentário estreou nos cinemas no último dia 10.

Em 2000, os diretores selecionaram uma família moradora do bairro da Brasilândia, periferia de São Paulo, e indagaram seus membros sobre sonhos e perspectivas para o futuro. Nessa época, percebemos algumas frustrações e uma certa baixa autoestima por parte de alguns dos membros. O esforço e a perseverança de todos, porém, é evidente.

Seu Toninho, o pai, é bombeiro hidráulico. Anderson, o filho mais velho, trabalha em uma imobiliária. Denise é uma espécie de segurança financeira da casa. Gisele e Éder, os dois mais novos, estudam e trabalham. Dona Maria, a mãe, é apontada como o alicerce da família. Por isso, o documentário abre com ela, puxando uma panorâmica para a gigantesca cidade de São Paulo ao fundo.

“Me considero uma pessoa de classe baixa”. Assim se define Dona Maria no primeiro momento do filme. A casa de poucos cômodos, com todos os quatro filhos ainda vivendo sob o mesmo teto, vai revelando as angústias e dificuldades da família Braz. Essa espécie de retrospectiva é enquadrada em preto e branco, de forma que o espectador entenda que aquelas afirmativas estão em um passado, relativamente, próximo.


Seu Toninho, no ano 2000.

Uma década depois, o colorido da imagem retrata a prosperidade. Anderson, o filho mais velho, já ocupa um cargo mais alto na empresa. Casou-se e mudou-se para um apartamento. Denise também cresceu na empresa e começa a realizar os seus sonhos de consumo. Gisele e Éder fazem planos, mas ambos já estão com seus empregos, seguindo o caminho da independência financeira.

Enquanto isso, seu Toninho continua os seus serviços na área hidráulica, mas já com uma equipe formada e fazendo planos para a aposentadoria, coisa que, 10 anos antes, ele nem acreditava ser possível. Dona Maria continua sendo o alicerce da casa. Tem uma fisionomia mais tranquila e está mais segura do presente e do futuro.

Anderson com a esposa, Aline, em 2010.

Com essa condução, os diretores Arthur Fontes e Dorrit Harazin nos apresentam mais uma família brasileira que alcança a prosperidade. Não há nenhuma referência explícita ao momento econômico brasileiro e o surgimento da chamada nova classe média. Mas, subtende-se o que é possível conquistar em tempos de aquecimento da economia.

Dessa forma imparcial, somos levados a uma análise do modo de vida de dessa família, que podia ser qualquer outra nas diversas periferias das grandes capitais do nosso país. Pode ser que elas tivessem o mesmo “final” da família Braz. Pode ser que não. Portanto, o documentário, praticamente, acompanha o surgimento dessa classe média acompanhando os passos, os planos e os esforços dessa família paulistana. Dez anos depois, sonhos se concretizam, pensamentos mudam, planos percorrem caminhos inesperados e assim o ciclo se renova e prossegue.

Com sua “honestidade” narrativa, a câmera de Fontes e Harazin busca, simplesmente, esse acompanhamento em dois tempos, que acaba se tornando uma bela análise econômica e social do Brasil. Pelo trabalho, o filme foi premiado na última edição do festival É Tudo Verdade. 

Mamonas e Woody Allen estreiam no cinema*

Carlos Baumgarten


Já se passaram 15 anos desde que os integrantes dos Mamonas Assassinas morreram em um trágico acidente aéreo. Uma carreia meteórica em todos os sentidos: em oito meses, foram mais de 300 shows, milhões de discos vendidos e a conquista de uma legião de fãs em todo o Brasil. A morte precoce, inesperada, interrompeu um ciclo de sucesso e fica sempre a dúvida: se estivessem vivo, os Mamonas ainda estariam no topo das paradas? Essa é uma pergunta que ninguém pode responder.

Mas o que o documentário Mamonas pra Sempre, de Claudio Kahns, mostra é como esse cinco jovens criados na periferia de Guarulhos, em São Paulo, conquistaram todo o Brasil e ficaram na memória de quem viveu e curtiu a rápida trajetória do grupo. O filme é uma das estreias desta sexta-feira.

Saindo do documentário, entramos na ficção do “psicanalisado” Woody Allen. Sim! O cineasta norte-americano não se cansa de trabalhar. Há alguns meses, ele lançava Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, que tinha no elenco Antonio Banderas. Agora, Allen apresenta Meia-Noite em Paris. No elenco, o público poderá conferir a performance da primeira-dama francesa, Carla Bruni.

Meia-Noite em Paris inicia a narrativa contando a história de uma família que viaja a negócios para a capital francesa. Nesse período, o casal que acompanha a família tem o noivado transformado, ao descobrir a ilusão de que, se levassem uma vida diferente, poderiam ser mais felizes.

Outra estreia desta sexta-feira é uma produção genuinamente francesa. No elenco, nomes como Catherine Deneuve e Gérard Depardieu. Trata-se da comédia Potiche: Esposa Troféu, dirigida por François Ozon. Conta a história de um homem obcecado pelos seus negócios que não se relaciona bem com ninguém, de funcionários à família. Após uma greve na fábrica, ele é sequestrado e sua mulher assume os negócios, mostrando ser uma melhor administradora do que o seu marido.

Finalizando as estreias da semana, Pedro Urano apresenta o seu road-movie Estrada Real da Cachaça. O documentário procura mapear a presença da cachaça na cultura brasileira.

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...  

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Confira a lista dos vencedores do Cine Ceará, realizado entre 8 e 15 de junho, em Fortaleza

Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem:

Troféu Mucuripe de Melhor Longa-metragem a “Mãe e Filha”, de Petrus Cariry;
Troféu Mucuripe de Melhor Direção a Werner Schumann, por “O Coro”;
Troféu Mucuripe de Melhor Fotografia para Felipe Meneghel, por “O Coro”, de Werner Schumann;
Troféu Mucuripe de Melhor Montagem para Ernest Blasi e Carlos Prieto, por “Bicicleta, Colher, Maça”, de Carlos Bosch;
Troféu Mucuripe de Melhor Roteiro para Petrus Cariry, Firmino Holanda e Rosemberg Cariry, por “Mãe e Filha”, de Petrus Cariry;
Troféu Mucuripe de Melhor Som para Erico Paiva e Petrus Cariry, do filme “Mãe e Filha”, de Petrus Cariry;
Troféu Mucuripe de Melhor Direção de Arte para Fernando González, por “Pássaros de Papel”;
Troféu Mucuripe de Melhor Trilha Sonora Original para Josep Sanou, por “Bicicleta, Colher, Maça”, de Carlos Bosch;
Troféu Mucuripe de Melhor Atriz para Claudia Lapacó, por “Língua Materna”
Troféu Mucuripe de Melhor Ator para Héctor Medina, por “Bilhete para o Paraíso”
Prêmio BNB de Melhor Produção de Temática Nordestina para “Mãe e Filha”, de Petrus Cariry;
Prêmio da Crítica: “Mãe e Filha”, de Petrus Cariry;

Mostra Competitiva Brasileira de Curta Metragem:

Troféu Mucuripe de Melhor Curta-metragem a “O Céu no Andar de Baixo”, de Leonardo Cata Preta;
Troféu Mucuripe de Melhor Direção a Murilo Hauser (por “Meu Medo”);
Troféu Mucuripe de Melhor Roteiro para Rodolfo Barreto (por “Com a Mosca Azul”, de Cesar Netto);
Troféu Mucuripe de Melhor produção cearense: “Doce de Coco”, de Allan Deberton;
Prêmio da Crítica: “O Céu no Andar de Baixo”, de Leonardo Cata Preta.

Flexibilizar: uma saída?

Redação


Após uns dois anos sem muitas novidades, com filmes medíocres concorrendo no topo de uma lista que, supostamente, deveriam estar os melhores, Hollywood decide flexibilizar. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou esta semana que, a partir de 2012, a categoria de melhor filme, no Oscar, poderá ter entre cinco e 10 candidatos.

Há dois anos, a Academia resolveu ampliar, de cinco para 10, o número de candidatos indicado a melhor filme. Em declaração à imprensa, o diretor-executivo da Academia justificou a decisão, afirmando que a indicação a melhor filme no Oscar deve ser uma prova de mérito extraordinário. Portanto,ele concluiu, se só houver oito filmes que realmente mereçam ser indicados, não deve haver o sentimento de obrigação de arredondar esse número.

Flexibilizar poderia ser o melhor caminho, já que, nos últimos dois anos, vimos filmes na categoria que estavam aquém da qualidade esperada. Assim, a Academia não restringe, nem “enche linguiça”. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cineasta holandês ministra workshop sobre nova técnica de filmagem

Redação


Durante o Cinefuturo, que acontece entre 25 e 30 de julho, em Salvador, será realizado o workshop Single Short Cinema. O workshop será ministrado pelo cineasta holandês Leonard Retel Helmrich, elogiado mundialmente por desenvolver uma nova técnica de filmagem. A técnica? Só durante o encontro.

O workshop é direcionado para profissionais e estudantes de cinema. Haverá uma seleção prévia dos participantes e um investimento de R$ 350. O cadastro deve ser preenchido no site do Cinefuturo, lembrando que há também uma taxa de inscrição para participar do evento. O valor da inscrição é de R$ 50. Professores universitários, da rede pública e privada de ensino e estudantes pagam 50% desse valor.

O pagamento da taxa de inscrição será feito através do depósito na Conta Corrente nº 24569-4, agência 0705 do banco Itaú com o envio do comprovante para inscricoes@seminariodecinema.com.br. Caso prefira, o interessado pode comparecer ao escritório da VPC Cinemavídeo, na rua Marechal Floriano, 28, sala 203, Canela,  e efetuar o pagamento presencialmente.

Bernardo Bertolucci será revisitado em Seminário de Cinema

Redação

O cineasta italiano, Bernardo Bertolucci, será o homenageado durante a sétima edição do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (Cinefuturo), que acontece entre os dias 25 e 30 de julho em Salvador. A Mostra Retrospectiva Bernardo Bertolucci revisitará a filmografia do diretor de filmes como O Último Tango em Paris (1973) e O Último Imperador (1987).


A diversificada programação do evento será um grande atrativo para cinéfilos e profissionais da área de cinema e audiovisual. Haverá Mostra de Longas Internacionais, Mostra de Longas Nacionais, incluindo a avant-premièr de O Homem Que Não Dormia, novo filme do baiano Edgard Navarro, além de mostra de curtas, animação, entre tantas outras.

Fora isso, o público poderá conferir mesas redondas e workshops, com cineastas e estudiosos da sétima arte, de países como Estados Unidos, França e Holanda. A programação completa pode ser conferida no site: www.cinefuturo.com.br

Inscrições para Seminário Internacional de Cinema estão abertas

Redação


Agora com o título de Cinefuturo, a sétima edição do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual já está com inscrições abertas. O evento vai acontecer entre os dias 25 e 30 de julho, em quatro pontos da cidade de Salvador: Teatro Castro Alves, Teatro Martim Gonçalves, Instituto Goethe e Aliança Francesa. Os interessados podem se inscrever pelo site do evento: www.cinefuturo.com.br.

A programação inclui mesas redondas, diálogos, workshops e mostras de filmes. Segundo a organização, trata-se de um festival para quem pensa, faz e curte a sétima arte. Um dos motes é o debate sobre como amadurecer as ideias sobre os rumos da produção cinematográfica nesta nova era do mundo digital.

O Cinefuturo é idealizado e coordenado pelo cineasta baiano Walter Lima. A realização é da VPC Cinemavídeo, com o patrocínio da Oi, apoio da Secretária de Cultura do Estado da Bahia e Universidade Federal da Bahia. O evento tem a produção da Mil Produções.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hitchcock no Rio e em São Paulo

Redação


Rio de Janeiro e São Paulo terão o privilégio de poder conferir uma mostra dedicada ao mestre do suspense. No Rio, desde 1º de junho, no Centro de Cultura Banco do Brasil (CCBB), acontece a Mostra Hitchcock. Na capital fluminense, o evento prossegue até 14 de julho. Já em São Paulo, o público poderá conferir as 54 obras e os 127 episódios da série de televisão produzida pelo cineasta a partir de quarta-feira.

Na capital paulistana, o evento será realizado até 24 de julho. Mas, lá, a entre 8 e 17 de julho, o Cinesc São Paulo vai exibir trabalhos emblemáticos dessa referência da cinematografia mundial.

Hitchcock desenvolveu uma linguagem audiovisual própria, que marcou o gênero do suspense, principalmente, entre as décadas de 40 e 60. Como falar de sua obra sem fazer referência à espetacular “cena do chuveiro” de Psicose (1960) ou da “ode” ao voyeurismo em Janela Indiscreta (1954)?

O diretor quebrou, de certa forma, alguns tabus ao tratar de temas como a sexualidade, em obras como Festim Diabólico (1948) e o próprio Psicose. O suspense psicológico de Hitchcock avança décadas e gerações e até hoje o cineasta é uma referência em termos de linguagem cinematográfica.

Confira a programação completa da Mostra Hitchcock acessando o site: http://www.mostrahitchcock.com.br/.   

sábado, 11 de junho de 2011

Uma aula de cinema

Carlos Baumgarten


Reprodução

Todo crítico de arte é uma figura controversa. Pelo menos, é o que muitos dizem. E o que dizer do baiano André Setaro (foto)? Há 32 anos, ele é professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, lecionando disciplinas ligadas ao audiovisual.

Formado em Direito em 1974, nunca exerceu a profissão. Preferiu o jornalismo, através da qual pôde se aprofundar no mundo apaixonante da sétima arte, realizando um Mestrado em História e Teoria da Arte. O arcabouço cinematográfico de Setaro, como o próprio afirma, é autodidata.

“Primeiro, na infância e na adolescência, o contato com o cinema de gêneros do cinema americano e, depois, vim a frequentar o Clube de Cinema da Bahia, presidido por Walter da Silveira, aonde vim a conhecer e entender o cinema como expressão de uma arte”, relata o professor.

No Clube de Cinema, Setaro conheceu o expressionismo alemão, o realismo poético francês, a escola de documentários inglesa, o neorrealismo italiano, a nouvelle vague, o maravilhoso cinema japonês de Yasujiro Ozu, Kurosawa, Kenji Mizoguchi, a anti-narrativa de Michelangelo Antonioni, o cinema polonês da Escola de Lodz, entre tantos outros.

 Questionado sobre o que o levou à crítica, ele responde: “Tinha um amigo que escrevia no suplemento dominical do extinto Jornal da Bahia e comecei, bissextamente, a publicar na sua página. Em agosto de 1974, dei início à minha colaboração, com uma coluna diária, na Tribuna da Bahia, onde escrevo até hoje (mas, nos últimos anos, somente às quintas)”.

Para o professor, o grande cinema já morreu. “Sem querer desestimular pessoa alguma, não seria, hoje, se jovem fosse, comentarista cinematográfico. Existem filmes bons e excelentes, mas que passam à margem, são alternativos. O circuito comercial é um grande celeiro do lixo da indústria cultural”, declara.

Voltando ao início do texto: todo crítico de arte é uma figura controversa. Pelo menos, é o que muitos dizem. E o que dizer do baiano André Setaro? Tire as suas conclusões conferindo a entrevista concedida pelo mestre ao Nicotina, Cafeína e Cinema.

Nicotina, Cafeína e Cinema - O que podemos dizer da atual crítica cinematográfica brasileira?

André Setaro - Assim como o cinema decaiu, a crítica o acompanhou. Os jornais estipulam um espaço muito limitado, pois as pessoas não gostam mais de ler. Também o império do audiovisual domina em detrimento da cultura literária. A grande crítica, com nomes como Paulo Emílio Salles Gomes, Antonio Moniz Vianna, Francisco Luiz de Almeida Salles, Ely Azeredo, Walter da Silveira, entre muitos outros, não existe mais. No momento atual, há excelentes críticos, como Inácio Araújo e (Luiz Carlos) Merten, mas confinados e restritos a pequenos espaços nos jornais que escrevem.

NCC - Para o senhor, quais os elementos que compõem um bom crítico?


AS - Respondo com a mesma resposta que dei à Ilustríssima da Folha de S. Paulo: "A rigor, a função da crítica de cinema é ajudar o espectador a percorrer o itinerário do filme com um mínimo de conhecimento da sua linguagem, de modo a permitir que se reconheça, durante o trajeto, aquilo que é importante e o que não é. Uma função, portanto, que, mesmo antes de se reportar à apreciação estética da obra considerada no seu conjunto, incide sobre a sua sucessiva "racionalização", quer dizer, a tradução em termos lógico-discursivos do sentido poético que ela exprime através dos procedimentos de significação que lhe são próprios. É necessário que o aspirante a crítico construa primeiro um repertório para depois se aventurar na análise fílmica. A crítica é a arte da paciência.

NCC - Quais as suas principais referências em termos de crítica?


AS - André Bazin, Moniz Vianna e Walter da Silveira.

NCC- Existem alguns piadistas de plantão que dizem que o crítico é um profissional frustrado que queria ser cineasta e não conseguiu. O senhor acha que essa afirmativa, mesmo sendo uma brincadeira, teria algum fundo de verdade? 


AS - Pessoalmente, acho que não. Gosto de ser espectador, mais espectador, inclusive, do que crítico. O crítico é meio arrogante, quer ser dono da verdade. Acho fazer cinema muito chato, demorado.

NCC - Em termos de produção, na sua visão, por que o cinema brasileiro carece de produções de qualidade hoje em dia? O que estaria faltando?


AS - Ao depender da captação de recursos, perdeu muito a sua independência criativa. Se houve evolução na técnica, tendo uma qualidade que pode ser comparada a dos filmes estrangeiros, não se percebe, atualmente, a emergência estética. O chamado cinema de invenção, de Ozualdo Candeias, Mojica, Sganzerla, entre outros, não tem mais espaço no panorama atual. A produção mais independente se encontra concentrada nos filmes feitos em digital por uma nova geração, como os apresentados na Mostra Aurora de Tiradentes neste ano.

                                  Reprodução


"Sem dúvida, hoje qualquer pessoa faz um filme até pelo celular. Mas o tempo vai se encarregar de mandar a maior parte para o lixo"


NCC - O senhor acha que existe alguma possibilidade estrutural de o cinema nacional deixar de ser refém de dinheiro público?

AS - O advento do digital talvez possa ser uma tábua de salvação para a expressão cinematográfica.

NCC - Na sua opinião, as novas tecnologias e as novas plataformas de produção são uma forma de democratizar ou banalizar o fazer cinematográfico? 


AS - Sem dúvida, hoje qualquer pessoa faz um filme até pelo celular. Mas o tempo vai se encarregar de mandar a maior parte para o lixo.

NCC - E o cinema baiano? A Novíssima Onda Baiana realmente existe?


AS - Não existe cinema baiano, já o disse várias vezes, mas filmes baianos. Para a existência de uma cinematografia, é necessário que haja uma produção sistemática e continuada. A Novíssima Onda é um rótulo. Apenas.

NCC - Se esse ritmo atual persistir, o cinema baiano está fadado a viver de esmolas...


AS - E cada vez mais. O mendigo da igreja de São Bento em Salvador ganha mais do que um cineasta baiano.

NCC - Se o senhor tivesse que apontar uma obra emblemática na história do cinema, qual seria?


AS - Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), de Orson Welles.

NCC - Para finalizar, como o senhor definiria o cinema, enquanto arte?


AS - A linguagem cinematográfica, a partir de David Wark Griffith, diretor de "O Nascimento de uma Nação" (1915), filme que instaurou a montagem narrativa com eficiência dramática, foi sendo elaborada e enriquecida durante seis décadas do século passado. Os realizadores inventores de fórmulas, que contribuíram na evolução da linguagem, como Orson Welles, Hitchcock, Godard e outros tantos, se esgotaram em meados da década de 1960, quando houve uma espécie de exaustão e a invenção foi substituída por estilos pessoais. O cinema é uma arte em crise, porque todos os bons filmes já foram feitos, como gostava de dizer o cineasta americano Peter Bogdanovich.
     

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Comédia global e documentário vencedor do É Tudo Verdade entre as estreias da semana*

Carlos Baumgarten


A filha de Glória Pires entra em mais uma empreitada cinematográfica. Qualquer Gato Vira-Lata é mais uma adaptação de uma peça teatral e, talvez, mais uma tentativa da Globo de fazer um “piloto” para série ou minissérie de TV. É a história de uma jovem estudante de Direito que se oferece de cobaia para a tese de um professor sobre a harmonia entre as conquistas amorosas.


Uma boa pedida para este fim de semana, para quem aprecia o gênero, pode ser o documentário Família Braz: Dois Tempos. Os diretores Arthur Fontes e Dorrit Harazim filmaram seis pessoas de uma mesma família em dois períodos. A primeira parte foi rodada em 2000. Em 2010, eles voltaram a mesma casa, para ver o que mudou, o que foi feito de suas expectativas e o que esperam para o futuro. O filme foi premiado no festival É Tudo Verdade, evento voltado, exclusivamente, para o gênero documentário.   

A sequência da animação Kung Fu Panda é outra estreia desta semana. Agora, o simpático urso panda tem que enfrentar um novo inimigo, que possui uma arma secreta capaz de permitir a conquista da China e acabar com o kung fu.

No final de semana do Dia dos Namorados, o drama Blue Valentine narra a história de um casal em crise. Após anos de casamento, os dois tentam superar o momento, buscando no passado e no presente motivos que os mantiveram unidos.   

O longa argentino O Homem ao Lado explora a relação entre vizinhos e a suposta tentativa de manter a privacidade em meio ao caos das construções das grandes cidades. A narrativa se desdobra a partir de um casal que vive na única casa feita na América pelo famoso arquiteto Le Corbusier. A rotina deles é alterada, quando um vizinho resolve construir, ilegalmente, uma janela que dá visão para a casa da família. A tensão vivida pelas personagens acaba atingindo o próprio cerne do casal.  

O Primeiro Que Disse é uma produção italiana que conta a história de um herdeiro de uma rica família que resolve assumir a homossexualidade durante a celebração da promoção de seu irmão na fábrica onde trabalha. Porém, antes que ele possa abrir a boca, é o irmão que revela para todos a homossexualidade e acaba sendo deserdado e expulso da família. Assim, o irmão que revelaria a sua sexualidade assume os negócios da família, e se enfia num beco sem saída.

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...