terça-feira, 3 de maio de 2011

Um morre e Hollywood fareja grana

Carlos Baumgarten


São mais de 23h do dia 3 de maio de 2011 e não podia deixar de passar em branco. Bastava apenas uma leve inspiração. Ontem, dia 2 de maio, todo mundo já sabe: foi um dia histórico. O blá blá blá de sempre da mídia, diante de um sensacionalismo barato, evocou os poderes da repetição e estava armado o circo. A suposta morte do terrorista Osama Bin Laden foi a notícia do dia em todo o mundo.

O posicionamento da imprensa brasileira, claramente a favor da estratégia norte-americana, está estampado em cada palavra escrita, ecoada ou tweetada. A ignorância e arrogância do povo dos Estados Unidos também ficaram ainda mais evidentes. A alienação naquele País é maior do que se imagina.

E, nesse contexto, o que se esperar de Hollywood? Se o 11 de Setembro já era um prato cheio para produtores sedentos por sucesso, o que dizer do desfecho desse capítulo da história norte-americana? O patriotismo exagerado, o suspense envolto, o cenário de guerra, o clima de ação... Tudo contribui para a fórmula hollywoodiana de se fazer filmes.

Veja Guerra ao Terror (2009), premiado com o Oscar de melhor filme e consagrou a primeira mulher a levar a estatueta de melhor diretora: Kathryn Bigelow. E esta mesma já estava preparando um filme sobre o assassinato de Bin Laden. A notícia ecoada pelo presidente Obama, na madrugada do dia 1º para o dia 2 de maio, obrigou, segundo informações, a diretora a reescrever o roteiro de seu novo filme.

A princípio, o filme seria baseado em uma operação mal sucedida para pegar o líder da Al-Qaeda. É bem provável que a notícia da suposta morte (insisto no suposto, pois, em se tratando de Estados Unidos, todo cuidado é pouco) de Bin Laden dê um novo rumo à produção. O olhar nos dólares de bilheteria pode fazer com que o filme seja lançado antes do previsto.

E esse é só primeiro de uma série de produções voltadas ao tema que poderão surgir ao longo dos anos. Foi assim com os atentados de 11 de setembro de 2001. Além das reproduções dos fatos, como As Torres Gêmeas (2006) e Voo United 93 ( 2006 - cujo fato, curiosamente, foi explorado em duas produções, exatamente da mesma forma; o outro filme tem o título de Voo 93 e foi lançado somente para TV, tambpem em 2006), alguns filmes ficcionais se apoiaram no evento como pano de fundo para outras situações (veja Invasões Bárbaras, de 2003, ou a referência aos ataques em Presságio, de 2009).

Pode ser, também, que Schwarznegger, disposto a voltar a atuar, vire um caçador de terrorista e desencadeie uma operação bem-sucedida para surpreender um líder terrorista do Oriente Médio em algum lugar do mundo. Pode ser também que o “contra a corrente” apareça, e critique a falta de ética norte-americana em celebrar uma morte, enquanto a hipocrisia não faz lembrar o quanto o seu imperialismo não poupou vida ao longo de anos.

E o que dizer de documentários, a exemplo do polêmico Michael Moore? Será que ele vai entrar numa ampla investigação para provar que se trata de uma teoria da conspiração? Não me surpreenderia se descobríssemos que Bin Laden recebeu uma grana do governo estadunidense para fazer uma plástica com Yvo Pitangui e sumir do mapa. Sou teórico da conspiração, sim. Mas, repito, em se tratando de Estados Unidos, tudo pode acontecer.

Enfim, após engolirmos o discurso midiático, bombástico, sensacionalista e alienador, agora precisamos esperar para engolirmos ou regozijarmos aquilo que virá sobre o que chamamos de “dia histórico”. 

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