segunda-feira, 9 de maio de 2011

Crítica: Bollywood Dream


Uma viagem espiritual e autoral

Carlos Baumgarten


Mais do que um filme que se passa na Índia, Bollywood Dream: O Sonho Bollywoodiano é uma imersão espiritual e cultural nesse universo milenar do povo indiano. Mais do que o sonho bollywoodiano, apontando no título, Bollywood Dream é, talvez, a concretização de um ideal da jovem diretora Beatriz Seigner, estudiosa da cultura indiana.

O longa, o primeiro de Beatriz, conta a história de três atrizes brasileiras que viajam à Índia com o intuito de atuar na indústria cinematográfica daquele País, conhecida como Bollywood. A promissora indústria de enlatados pode não ser, esteticamente, diversificada. Mas, o fato é que são mais de 800 filmes lançados por ano, conforme informações dentro do próprio roteiro de Beatriz.

Na jornada em busca desse sonho, as três atrizes brasileiras vão se deparar com os diferentes aspectos culturais que norteiam o País. Nesse trajeto, elas farão uma viagem espiritual, vão se deparar com as dificuldades (e facilidades) de adaptação a um ambiente diverso e encontrarão conflitos internos ainda mal resolvidos.

Beatriz demonstra, não só sua habilidade na condução fotográfica (de caráter semi-documental), mas revela também a sua admiração e conhecimento referente à cultura indiana. Pode-se dizer que Bollywood Dream é um filme profundamente autoral, por toda a vivência que a diretora, oportunamente, já obteve junto aos indianos.

É por isso que, em determinados momentos, Bollywood Dream parece mais um documentário do que uma ficção. A câmera na mão, o som direto a liberdade artística, todos esses elementos contribuem para uma assinatura firme de um talento promissor do nosso cinema.

Beatriz viajou para a Índia, pela primeira vez, aos 18 anos e, desde então, conforme entrevista concedida a este blog, sempre teve o interesse em produzir um filme que unisse as culturas brasileira e indiana. A ideia do recorte em Bollywood veio com o questionamento de amigos, atores, que perguntavam sobre as oportunidades daquela indústria.

Então, em 2006 começaram os processos de roteiro e pré-produção de Bollywood Dream, que ainda arrecada o marco de ser a primeira co-produção entre Brasil e Índia. Com um modesto orçamento de US$ 20 mil, Beatriz realiza um trabalho admirável, dentro de todas as adversidades que poderiam ser encontradas.

A jovem cineasta fez o filme que queria do jeito que queria. Não é um enlatado de fácil digestão. É necessário repertório para entender o que há por trás daqueles 83 minutos de projeção. Bollywood Dream não cai também na visão estereotipada, típica de folhetins exibidos em horário nobre. É uma visão original, real e, sobretudo, como colocou a própria diretora, em muitos aspectos, “é mais indiana do que brasileira”. 




                                            Foto: Divulgação
Cena de Bollywood Dream

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