terça-feira, 31 de maio de 2011

Confira a programação do Cine Nostalgia para junho

Dia 02 às 15:00 filme " AS 8 VÍTIMAS " ano - 1949  ( Inglaterra )
Atotres -  Dennis Price, Alec Guiness, Valerie Robson e Hugh GRiffth.
Diretor - Robert Hammer - Policial  - 12 anos - 104 mim.
 
Dia 03 às 15:00 filme " A DAMA OCULTA " ano - 1938 ( Inglaterra ).
Atores - Margareth Lockwood, Michael Redgrave e Paul Lucas
Diretor -  Alfred Hittchcock - 16 anos - 93 mim.
 
Dia 04 às 15:30 filme " GRANDES ESPERANÇAS  ano -1946 ( inglaterra ). 
Dia 05 `16:00 ( o mesmo filme )
Atores - John Mills, Alec Guiness, Jean Simmons e Bernard Miles. 
Diretor - David Lean - Drama - Livre - 118 mim
 
Dia 09 às 15:00 filme " O JARDIM DE ALLAH " ano - 1936  ( USA)
Atores - Marlene Dietrich e Charles Boyer.
Diretor - Richard Boleslawski - Romanace - Livre - 90 mim.
 
Dia10 às 15:00 filme " LOS ANGELES CIDADE PROIBIDA " ano - 1997 ( USA ).
Atores - Kevin Space, Russel Crowe, Guy Pearce e Kim Bassinger.
Diretor - Curtis  Hanson - Policial - 12 anos - 138 mim.
 
Dia 11 às 15:30 filme " CAN CAN " ano - 1960 ( USA ).
Dia 12 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Frank Sinatra, Shirley MacLaine, Maurice Chevalier e Louis Jourdan
Diretor - Walter Lang - Comédia/Musical - 14 anos - 142 mim.
 
Dia 16 às 15:00 filme " ONZE HOMENS E UM SEGREDO " ano -1970 ( USA ).
Atores - Frank Sinatra, Dean Martim, Sammy Davis Jr., Peter Lawford e Angie Dickinson
Diretor - Lewis Milestone - Policial - 12 anos - 127 mim.
 
Dia 17 às 15:00 filme " MATAR PARA VIVER " ano - 1957 ( USA ).
Atores - Ray Milland, Anthony Queen e Debra Paget.
Diretor - Allan Dwan - Drama  - 12 anos - 87 mim.
 
Dia 18 às 15:30 filme " SEMENTES DE TAMARINDO " ano -1974 ( USA ).
Dia 19 ás 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Julie Andrews, Omar Sharif, Anthony Quayle e Silvia Sims.
Diretor - Black Edwards - Aventura - 12 anos - 125 mim
 
Dia 23 às 15:00 filme " MEU ADORÁVEL VAGABUNDO " ano - 1941 ( USA ).
Atores - Gary Cooper, Barbara Stanwyck,  Edward Arnold e Walter Brennan
Diretor - Frank Capra - Drama -  12 anos  -121 mim.
 
Dia 24 às 15:00 filme " REVANCHE SELVAGEM " ano - 1968 ( USA ).
Atores - Burt Lancaster, Shelley Winters e Telly Savalas.
Diretor - Sidney Pollack - Faroeste - Livre - 103 mim
 
Dia 25 às 15:00 filme " LAÇOS ETERNOS " ano - 1943 ( USA )
Dia 26 às 16:00 ( o mesmo filme )
Atores- Deanna Durbin, Joseph Cotten, Charles Winninger e Evelyn Ankers
Diretor -  Frank Ryan - Comédia  - 12 anos - 94 mim.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cannes: inesquecível

Carlos Baumgarten

Junto com o Oscar, o Globo de Ouro e o Festival de Veneza, o Festival de Cannes é, talvez, um dos eventos mais relevantes do cinema mundial. Sua magnitude e tradição, em 64 anos de existência, chamam a atenção de cinéfilos dos quatro cantos do globo e ajudam a lançar futuros sucessos e enigmas.

Porém, o brilho do festival, nesta edição realizada entre 11 e 22 de maio, não faz com que todo o ano este evento seja inesquecível. Em 2011, entretanto, podemos dizer: foi inesquecível. Acredito eu, inesquecível por dois momentos específicos: o retorno do retraído Terrence Mallick e pelo banimento de Lars von Trier, especialista em polêmicas.

Vamos por partes.

Quando ouvimos dizerem por ai que Terrence Mallick tem quarenta anos de carreira, imaginamos uma longínqua filmografia existente na trajetória desse diretor, correto? Só que, para quem não conhece, é preciso aprender: Terrence Mallick é e, pelo visto, sempre será um enigma.

São quarenta anos de carreira e apenas seis filmes no currículo, sendo um deles um curta-metragem. Assim se resume a obra física de Mallick. Mas a metafísica é o principal em suas obras. E sua biografia ajuda a entender isso.

Mallick estudou filosofia em Havard e se formou com as mais altas honras. Isso quer dizer que cada um de seus filmes é uma reflexão complexa sobre o ser e o nada, o moral e o imoral, a ética e aética.

O Festival de Cannes deste ano marcou o retorno desse enigmático diretor, cujos filmes são considerados por muitos críticos obras-primas da cinematografia mundial. A Árvore da Vida, que está previsto para estrear no Brasil em julho, traz no elenco Brad Pitt e Sean Penn e apresenta, em sua trama, a jornada de uma personagem que passa pela inocência da infância e as desilusões da fase adulta.

O filme de Mallick foi premiado, quase que por unanimidade do júri, com a Palma de Ouro em Cannes. Apesar dos holofotes, o cineasta norte-americano é conhecido pela sua timidez. Ele não costuma aparecer em premiações. Em 1998, com o seu filme Além da Linha Vermelha, Mallick foi indicado ao Oscar de melhor diretor e nem sequer apareceu para entrevistas na época, muito menos na cerimônia. E não foi diferente em Cannes. Ele preferiu o “anonimato expositor” do que os flashes dos fotógrafos.

Se por um lado, Terrence Mallick não gosta de aparecer, por outro, Lars von Trier adora chamar uma atençãozinha para o seu lado, seja por seu comportamento, seja por seus filmes. O polêmico diretor, com mais dois cineastas conterrâneos seus, foi um dos autores do manisfesto Dogma 95, publicado no ano de 1995, na Dinamarca.

A proposta era fazer um cinema mais realista e menos comercial, com o mínimo de recursos possíveis. De lá, saíram obras-primas como Festa em Família, de 1998, e Dançando no Escuro, de 2000, sendo que este último título é do próprio Lars von Trier. E é o próprio Lars que foi responsável por uma das obras mais ousadas do cinema, Dogville (2003), gravado em um galpão, sem cenário, com o foco apenas nas intensas interpretações dos atores.

Há dois anos, ele lançou o violento Anticristo, com cenas de sexo e mutilação explícitas. Segundo o diretor, é a sua visão sobre Deus e uma ode à depressão e ao desespero. Agora, com Melancholia, von Trier causou mais polêmica por suas colocações do que pelo filme propriamente dito.

Além de expor a atriz Kirsten Dunst em uma coletiva, afirmando que ela sabia bem o que era “depressão”, o cineasta afirmou ter uma certa empatia por Hitler. Nas palavras dele: “Eu entendo Hitler”. A atitude fez com que a direção do Festival de Cannes o expulsasse do evento. Lars von Trier é, agora, “peronsa non grata” em Cannes e, ele mesmo, em entrevista à Folha revelou: “Já ouvi dizer que quando você é banido dura para sempre”.

Apesar da expulsão, o filme Melancholia não saiu da competição oficial e rendeu a atriz Kirsten Dunst o prêmio de melhor atriz. Sim, a Mary Jane do Homem Aranha parece ter desabrochado enquanto uma atriz madura e talentosa. Vale ressaltar que von Trier leva os seus atores ao limite, sendo as mulheres as principais vítimas de crises nervosas.

Verdade seja dita, esses dois fatos renderam e foram, sem dúvida, os principais atrativos de Cannes neste ano. Polêmicas, retornos, saias justas... se tudo isso não retirar o brilho dos trabalhos cinematográficos, o Festival de Cannes será sempre inesquecível.  

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Franquia de Piratas do Caribe chega ao Brasil

Carlos Baumgarten

Pode não ser a melhor, mas estreia de maior destaque desta sexta-feira, sem dúvida, é a terceira sequência da franquia Piratas do Caribe, que traz o debochado Johnny Depp, mais uma vez, na pele do capitão Jack Sparrow. O primeiro filme da série foi lançado em 2003 e, na época, foi a quarta maior bilheteria do ano.

Jerry Buckheimer, produtor especialista em super-produção, é um daqueles grandões de Hollywood que só se cansa de fazer uma sequência quando está deixa de dar resultados (leia-se: lucros). Então, já que o público tem uma simpatia pelo filme Piratas do Caribe, e mais ainda por Johnny Depp, a depender do resultado deste quarto longa, é possível esperarmos por mais um num futuro próximo.

Uma estreia, no mínimo, inusitada é o documentário Transcendendo Lynch. É um filme brasileiro, dirigido por Marcos Andrade, sobre a viagem que o diretor David Lynch fez ao Brasil para divulgar a Meditação Transcendental, da qual ele é adepto desde os anos 70. O cineasta, inclusive, tem uma organização para disseminar e incentivar essa forma de meditação: a David Lynch Foundation.

Direto de Moçambique, vem O Último Voo do Flamingo. O filme conta a história de um italiano, oficial da ONU, convocado para investigar misteriosas explosões de soldados na cidade de Tizangara, em Moçambique. Falado em português e com ares de suspense, o longa de João Ribeiro pode ser uma boa pedida.

Na linha da originalidade, o premiado cinema argentino traz o drama Chuva, dirigido por Paulo Hernandez. O filme narra a história de um homem e uma mulher que se encontram em um engarrafamento em Buenos Aires, sob uma forte chuva. A mulher não sabe para onde vai e o homem não sabe de onde vem.

Finalizando as estreias deste fim de semana, chega o filme canadense Incêndios. O roteiro se desenvolve a partir da história de dois irmãos gêmeos que, durante a leitura do testamento de sua mãe, descobrem que um outro irmão e o pai ainda estão vivos, sem que eles soubessem.

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular... 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Projeto Quartas Baianas circula pelo interior

Redação


O projeto Quartas Baianas, que busca retomar e valorizar a produção cinematográfica do Estado da Bahia, não estará centralizada apenas na capital. Graças a um edital do Banco do Nordeste, a Associação Baiana de Cinema e Vídeo capitalizou patrocínio para levar as projeções ao interior. Serão contemplados os municípios de Cachoeira. Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camçari e Lencóis.

O projeto tem o nome de Quartas Baianas pois, semanalmente, na Sala Walter da Silveira (anexo à Biblioteca Pública do Estado), em Salvador, são exibidas produções cinematográficas locais. O dia de exibição é quarta-feira.

Veja a programação completa e outras informações dos itinerantes:

Quartas Baianas no Interior
Mostras de filmes | Oficinas | Debates
Patrocínio: Programa BNB de Cultura – Parceria BNDES
Apoio: DIMAS/ FUNCEB/ Rádio Educadora Bahia/ TVE BA/ IRDEB/ SecultBA
Realização: ABCV
Onde e quando:
Cachoeira (18 a 21 de maio)
Feira de Santana (25 a 28 de maio)
Vitória da Conquista (8 a 11 de junho)
Camaçari (6 a 9 de julho)
Lençóis (13 a 16 de julho)
Quanto: Grátis
Informações:

PROGRAMAÇÃO EM CACHOEIRA
18/5 (quarta-feira)
= No Auditório da Fundação Hansen Bahia, 19h30
Anil, de Fernando Bélens
Brabeza, de José Umberto Dias e Robinson Roberto Sales Barreto
Silent Star, de Alexandre Guena
Agosto, de Wallace Nogueira
Sensações Contrárias, de Amadeu Alban, Jorge Alencar e Matheus Rocha
O Pátio, de Glauber Rocha
LançamentoAgosto, de Wallace Nogueira, que estará presente no evento.

19/5 (quinta-feira)
= Na Praça da Aclamação, 20h
Maniçoba, de Paulo Hermida e Petrus Pires
O Carroceiro, de Ney Negrão
Cachoeira, Cidade do Recôncavo, de Ney Negrão
Irmandade da Boa Morte, de Alonso Rodrigues
Hansen Bahia, de Joel de Almeida
A Busca da Noite, de Cícero Bathomarco
Debate: com presença dos diretores Joel de Almeida e Paulo Hermida.

20/5 (sexta-feira)
= No Auditório da UFRB, 10h
Conferência: “Audiovisual e Diversidade Cultural”, com Geraldo Moraes.
= Na Praça da Aclamação, 20h
Lençóis, de Claude Santos
Oriki, de Jorge Alfredo e Moisés Augusto
Na Terra do Sol, de Lula Oliveira
Pierre Verger, Chegar à Bahia, de Carlos Pronzato
A Lenda do Pai Inácio, de Pola Ribeiro
Debate: com presença dos diretores Lula Oliveira e Carlos Pronzato.

21/5 (sábado)
= No Auditório da UFRB, 10h
Mesa-redonda: “Do fomento à produção: o audiovisual no nordeste do Brasil”, com Sofia Federico (DIMAS/FUNCEB), Danilo Barata (UFRB), Solange Lima (ABDn), Ana Paula Santana (SAV / Minc) e Mateus Damasceno (ABCV)
= Na Praça da Aclamação, 20h
O Corneteiro Lopes, de Lázaro Faria
Memórias da Capoeira do Recôncavo, de Pedro Habib
Debate: com presença dos diretores Lázaro Faria e Pedro Habib.

Final de semana com sobrenatural, comédia e comunismo*

Redação


As estreias do último final de semana foram bastante variadas. Por motivos de força maior, infelizmente, a tela não foi atualizada a tempo. Mas, se você quer conferir o que estreou na última sexta-feira, confira as pequenas sinopses abaixo:

As Doze Estrelas

Luiz Alberto Pereira dirige Paulo Betti e Leonardo Brício em Doze Estrelas, que conta a história de um renomado astrólogo chamado para trabalhar na equipe da próxima novela das oito. Sua missão é entrevistar doze atrizes, cada uma de um signo do Zodíaco, para compor o elenco do folhetim.

Caminho da Liberdade

O visionário diretor Peter Weir apresenta esse drama de guerra baseado em fatos reais. O longa narra a história de um grupo de soldados que, em 1940, consegue escapar de um campo de concentração da antiga União Soviética. A jornada dos foragidos passa pelo Himalaia, o deserto de Gobi, cruzando o Tibet, até se estabelecerem na Índia.

Como Arrasar um Coração

Essa comédia francesa conta apresenta a história inusitada de uma agência de matrimônio às avessas, ou seja, o trabalho da empresa é provocar a separação entre casais apaixonados. A missão acompanhada no filme é a demanda de um homem cheio da grana que contrata a agência para, em uma semana, acabar com o casamento da filha.

Feliz Que Minha Mãe Esteja Viva

Uma relação nada convencional entre mãe e filho é o mote dessa obra francesa, dirigida por Claude e Nathan Miller. Conta a história de uma adolescente que abandona os seus dois filhos e, anos depois, um deles a encontra e começa o desenvolvimento de um conflito interno da personagem e a busca por respostas.

O Noivo da Minha Melhor Amiga

Kate Hudson integra o elenco de mais um filme sobre casamentos. Dessa vez, ela interpreta uma mulher, cuja melhor amiga se apaixona pelo seu noivo.


Os Agentes do Destino

Pode ser uma mistura de Efeito Borboleta com A Origem, coisas do tipo, mas o longa, que traz no elenco Matt Damon, conta a história de um policial e uma bailarina que possuem um relacionamento afetado por forças misteriosas que querem manter o casal separado.

Padre

Apesar do título, Padre é um filme da moda, ou seja, um filme sobre vampiros. O herói da trama é o Padre Guerreiro, forçado a viver escondido entre cidadãos comuns após o fim do combate entre humanos e vampiros que devastou o mundo. Mas, esse retiro acaba quando sua sobrinha é sequestrada pelos aterrorizantes vampiros e o Padre Guerreiro contraria as ordens da Igreja, indo à luta.

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Festival de Cannes abre as portas

Redação



Começou hoje, na França, a 64ª edição do tradicional Festival de Cannes. O evento, com ampla programação, prossegue até o próximo dia 22 de maio. Entre as estrelas que já marcam presença no local, estão Woody Allen, com o seu novo filme, Meia-noite em Paris, e Robert De Niro, que vai presidir o júri deste ano.

O Brasil terá representantes também. O Abismo Prateado, de Karim Ainouz, foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores. Já a produção Trabalhar Cansa, da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, serão exibidos na mostra Un Certain Regard. Além deste, Dutra e Rojas concorrem ao troféu Caméra d´Or, oferecido a diretores estreantes.

Confira detalhes de todas as mostras e a programação completa do Festival de Cannes no site: www.festival-cannes.com. 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Crítica: Bollywood Dream


Uma viagem espiritual e autoral

Carlos Baumgarten


Mais do que um filme que se passa na Índia, Bollywood Dream: O Sonho Bollywoodiano é uma imersão espiritual e cultural nesse universo milenar do povo indiano. Mais do que o sonho bollywoodiano, apontando no título, Bollywood Dream é, talvez, a concretização de um ideal da jovem diretora Beatriz Seigner, estudiosa da cultura indiana.

O longa, o primeiro de Beatriz, conta a história de três atrizes brasileiras que viajam à Índia com o intuito de atuar na indústria cinematográfica daquele País, conhecida como Bollywood. A promissora indústria de enlatados pode não ser, esteticamente, diversificada. Mas, o fato é que são mais de 800 filmes lançados por ano, conforme informações dentro do próprio roteiro de Beatriz.

Na jornada em busca desse sonho, as três atrizes brasileiras vão se deparar com os diferentes aspectos culturais que norteiam o País. Nesse trajeto, elas farão uma viagem espiritual, vão se deparar com as dificuldades (e facilidades) de adaptação a um ambiente diverso e encontrarão conflitos internos ainda mal resolvidos.

Beatriz demonstra, não só sua habilidade na condução fotográfica (de caráter semi-documental), mas revela também a sua admiração e conhecimento referente à cultura indiana. Pode-se dizer que Bollywood Dream é um filme profundamente autoral, por toda a vivência que a diretora, oportunamente, já obteve junto aos indianos.

É por isso que, em determinados momentos, Bollywood Dream parece mais um documentário do que uma ficção. A câmera na mão, o som direto a liberdade artística, todos esses elementos contribuem para uma assinatura firme de um talento promissor do nosso cinema.

Beatriz viajou para a Índia, pela primeira vez, aos 18 anos e, desde então, conforme entrevista concedida a este blog, sempre teve o interesse em produzir um filme que unisse as culturas brasileira e indiana. A ideia do recorte em Bollywood veio com o questionamento de amigos, atores, que perguntavam sobre as oportunidades daquela indústria.

Então, em 2006 começaram os processos de roteiro e pré-produção de Bollywood Dream, que ainda arrecada o marco de ser a primeira co-produção entre Brasil e Índia. Com um modesto orçamento de US$ 20 mil, Beatriz realiza um trabalho admirável, dentro de todas as adversidades que poderiam ser encontradas.

A jovem cineasta fez o filme que queria do jeito que queria. Não é um enlatado de fácil digestão. É necessário repertório para entender o que há por trás daqueles 83 minutos de projeção. Bollywood Dream não cai também na visão estereotipada, típica de folhetins exibidos em horário nobre. É uma visão original, real e, sobretudo, como colocou a própria diretora, em muitos aspectos, “é mais indiana do que brasileira”. 




                                            Foto: Divulgação
Cena de Bollywood Dream

Cinema na Praça tem sessão nesta quarta-feira, 11

Redação


O projeto Cinema na Praça, da Fundação Gregório de Mattos, ganha mais uma edição em Salvador. A primeira exibição será no próximo dia 11, às 18h, na praça Municipal, no centro da cidade, com o filme Nosso Lar (2010). Durante o mês, a programação do projeto contemplará somente filmes nacionais.

No dia 16, no bairro do Calabar, às 19h, será exibido o longa Besouro, rodado na Chapada Diamantina, Bahia. Mais uma vez na Praça Municipal, só que no dia 18, às 18h, será a vez de conferir As Melhores Coisas do Mundo (2010).

Fechando a programação, no dia 23, na comunidade do Alto das Pombas, às 19h, o público poderá conferir, também, o filme Besouro (2009).

A Fundação Gregório de Matos informa que, por ser ao ar livre, a programação está sujeira a alteração, a depender das condições climáticas.

O projeto Cinema na Praça é uma iniciativa de caráter itinerante que tem o objetivo de levar lazer e cultura à população de Salvador. Outras informações: www.culturafgm.salvador.ba.gov.br

O Leão de Sete Cabeças, de Glauber Rocha, com exibição até o dia 12 em Salvador

Redação




Em 1970, Glauber Rocha lançava O Leão de Sete Cabeças, batendo de frente com o auge do cerceamento da liberdade de expressão, por conta da ditadura militar que rondava o país. Para quem não teve oportunidade de conferir e para as novas gerações, uma chance de ver ou rever o longa de Glauber está na sala Walter da Silveira, em Salvador, que está projetando o filme desde o dia 6. O filme será exibido até o dia 12 de maio, sempre às 19h.  

O Leão de Sete Cabeças foi o primeiro filme de Glauber no exílio. Trata-se de uma co-produção entre Itália e França, filmada no continente africano. Conta a história de um guerrilheiro latino-americano e um líder negro rebelde, unidos para libertar a África do colonialismo branco. 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Nelson Pereira dos Santos é homenageado em Paris

Redação


Um dos fundadores do Cinema Novo e um dos nomes mais importantes da nossa cinematografia, Nelson Pereira dos Santos foi homenageado na França, durante a abertura do 13º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que começou nesta quinta-feira, 5. A programação do evento prossegue até o dia 17 de maio, com mostras cinematográficas, exposições fotográficas e debates.

Entre as obras de Nelson Pereira dos Santos, uma das mais conhecidas é Rio, 40 Graus, de 1955, uma espécie de “primórdio” do recente Cidade de Deus (2002). Aos 80 anos, o diretor carioca continua na ativa e informou, no evento, que finalizou um filme sobre Tom Jobim.

Rodado no Rio, Velozes e Furiosos 5 chega aos cinemas brasileiros*

Carlos Baumgarten


A Film Comission do Estado do Rio de Janeiro vem cumprindo a sua missão. Está transformando o Rio em um local atrativo para produções, inclusive super-produções hollywoodianas, e projetando tanto a cidade, quanto o Estado, para o mundo através do cinema. E a mais nova empreitada pode ser conferida a partir desta sexta-feira, nos cinemas nacionais, com Velozes e Furiosos 5: Operação Rio.

A franquia Velozes e Furiosos é um sucesso entre admiradores e, obviamente, praticantes do tunning, e para os amantes da velocidade. É claro que não deixa de se prender a fórmula pronta dos enlatados de Hollywood, mas, para o público que busca boa dose de ação e cenas espetacularmente mentirosas, Velozes e Furiosos 5 pode ser uma boa pedida.

Sem fugir do estereótipo da malandragem, a dupla de protagonistas, interpretada por Paul Walker e Vin Diesel, escondem-se na cidade do Rio de Janeiro, fugindo da polícia. Lá, eles terão mais uma missão a cumprir e escapar de desafetos que os querem ver mortos.

Outra estreia da semana traz Nicole Kidman como protagonista. Reencontrando  a Felicidade rendeu a Kidman a indicação ao Oscar deste ano na categoria melhor atriz. O filme conta a história de um casal que busca meios de superar a perda do filho, morto em um acidente de carro.

Direto dos quadrinhos para as telas do cinema, chega, nesta sexta-feira, também, o longa Scott Pilgrim Contra o Mundo. O filme, direcionado ao público adolescente, segue a trajetória de um roqueiro de 23 anos que tenta namorar uma das meninas mais populares do colégio. Para isso, terá que encarar seus sete maléficos ex-namorados.  

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Morre o ator Jackie Cooper

Redação


O ator Jackie Cooper morreu nesta terça-feira, aos 88 anos, nos Estados Unidos, segundo informações do TMZ. Ainda segundo a publicação, ele morreu após passar mal e chegou a ser internado em um hospital de Bervely Hills, mas não resistiu. 

Em 1931, Cooper tornou-se o ator mais jovem a receber uma indicação ao Oscar, por sua atuação em Skippy, quando tinha nove anos. Ele começou seu trabalho aos três anos, em uma série de curtas humorísticos. Por sua participação no seriado M*A*S*H*, dos anos 70, ele foi premiado com um Emmy.

Cooper é mais conhecido pelo grande público por sua interpretação de Perry White, editor-chefe de Clark Kent, nas adaptações do cinema de Superman, entre os anos 70 e 80. O primeiro filme foi lançado em 1978 e último, em 1987.  

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jovem cineasta segue o verdadeiro caminho das Índias

Carlos Baumgarten
Fotos: Divulgação




Apesar da pouca idade, a cineasta Beatriz Seigner (foto), 26 anos, já tem uma trajetória cinematográfica em ascendência. Há 11 anos, ela fazia o seu primeiro curta: Uma Menina como outras Mil, participando das primeiras oficinas de Kinofórum, na favela Monte Azul, na capital paulistana. Já em 2001, participou do primeiro festival de cinema, o Internacional de Curtas-metragens de São Paulo.


Os caminhos seguidos culminaram na produção do longa Bollywood Dream: O Sonho Bollywoodiano, que estreou na última sexta-feira nos cinemas nacionais. A ideia de filmar na Índia vem de longa data.  “Desde a primeira vez que fui para a Índia, aos 18 anos de idade, já com uma câmera na mão, que tinha a vontade de fazer um filme que unisse nosso país aos deles”, revela a diretora, que é natural de São Paulo.

O filme é uma co-produção entre Brasil e Índia e, graças às novas plataformas disponíveis, o orçamento, relativamente modesto, de US$ 20 mil possibilitou a concretização do projeto de Beatriz, que começou a trabalhar no roteiro de Bollywood Dream em 2006.

Ela acredita que a liberdade que traz consigo vem da formação que recebeu na escola Waldorf Rudolf Steiner, dos 8 aos 18 anos de idade. A partir dos 14 anos, Beatriz começou a se envolver com teatro, na Companhia Paidéia, onde, nas palavras da cineasta, aprendeu a “ser cidadã engajada neste mundo”.

Aos 17 anos, Beatriz obteve uma significativa experiência. Naquela época, a cineasta foi morar na tribo indígena Xavante, no centrooeste brasileiro. Seu primeiro contato com a Índia veio aos 18 anos, quando ela embarcou para o País. “Fui até lá completamente apaixonada pela dança clássica indiana, Odissi, e pelo cinema de Satyajit Ray”, conta.

Em seguida, mudou-se para Roma, onde estudou no Centro Sperimentale di Cinematografia. “Já queria fazer direção, mas, por ser muito nova, me ofereceram o curso de atuação”, lembra Beatriz. E, finalmente, após dois anos trabalhando no roteiro e na pré-produção de Bollywood Dream, lá estavam a jovem diretora e a sua equipe, filmando na Índia.  

Nesta entrevista concedida ao Nicotina, Cafeína e Cinema, Beatriz Seigner fala sobre esse novo trabalho, dos desafios da produção, das diferenças (e semelhanças) culturais entre Brasil e Índia, além de bater um papo à respeito da atual realidade do cinema brasileiro. Entre outros pontos, a diretora defende que a arte deve ser subsidiada pelo Estado, mas que esse investimento retorne ao público e não às empresas privadas. Confira:

Nicotina, Cafeína e Cinema - O que a motivou a fazer um filme passado em Bollywood?
Beatriz Seigner - Desde a primeira vez que fui para a Índia, aos 18 anos, já com uma câmera na mão, tinha a vontade de fazer um filme que unisse nosso País aos deles. No entanto, não encontrava um recorte ideal para me acercar das questões que me intrigavam naquele país, com aquela cultura milenar. Ao voltar para o Brasil e ouvir amigos atores perguntando sobre Bollywood, percebi que este poderia ser o recorte, o olhar, que eu estava buscando. 

 NCC - Você conhece ou já ouviu histórias de pessoas que buscaram o mesmo sonho que as três principais personagens do filme: ir para Bollywood atrás de uma carreira promissora?
BS - Muitas pessoas do leste Europeu trabalham bastante com isso lá. De brasileiras, sei de cinco modelos que no momento estão participando de alguns filmes. Todas elas foram para lá depois que fizemos nosso filme. Estes dias, no debate que fizemos com a Folha (de São Paulo), outras pessoas disseram que foram para a Índia trabalhar com outras coisas, mas acabavam fazendo essas pontas em filmes para ganhar um dinheirinho extra e poder viajar mais pela Ásia. De modo geral, é muito comum os agentes de Bollywood escalarem viajantes na rua para participarem de filmes. O bairro de Cobala, em Mumbai, é bastante conhecido por isso.

NCC - Tratando-se de uma co-produção, como se deu a junção cultural entre Brasil e Índia nesse aspecto produtivo? 
BS - Os indianos ficaram com 30% da RLP do filme (Renda Líquida do Produtor), em troca de nos oferecerem infraestrutura e logística, ou seja, hospedagem, transporte, parte da equipe, parte dos equipamentos e acesso às facilidades dos estúdios. Durante toda a pré-produção, pesquisa de locacão, casting, nos demos muito bem. Na hora de filmar, no entanto, já com as atrizes brasileiras lá, percebi que nossas propostas estéticas eram muito diferentes. Eu queria improvisar e fazer jazz com as atrizes, e eles queriam que eu reproduzisse o modelo enlatado da indústria cinematográfica de lá. Daí, liguei para o produtor com o qual tinha o contrato que me dava total liberdade artística e corte final do filme, e ele trocou a equipe por outra bem menor, mas também mais ágil, disposta a filmar nas ruas, mais afinada com o frescor que queríamos no filme. Aí formamos uma família e foi uma delícia, apesar de termos que passar por muito mais escassez de produção.

NCC - Você acha que esse processo de co-produção entre países é uma forma de alavancar produções e viabilizá-las de maneira global? 
BS - Antes de tudo, vale observar que o ser humano contemporâneo é um ser deslocado, em migrações, êxodos, com influências globais, e é natural que o cinema acompanhe essas questões de uma "humanidade planetária", de condicionamentos culturais diversos. Em termos financeiros, acho que sim, que é sempre válido expandir nossos horizontes para mercados internacionais, e fazer co-produções. É uma forma de entrar também em outros mercados. A Ásia, neste momento, está fervendo em diversos aspectos, tanto criativos, quanto econômicos. O BRICS (Brasil, Russia, India, China e África do Sul) está mudando o cenário econômico global. Então, por que não nos unir também culturalmente?



"Acho que em muitos aspectos meu olhar é mais indiano do que brasileiro"

NCC -  Na sua opinião, o que separa o cinema indiano do brasileiro? E, ao mesmo tempo, o que juntaria essas duas culturas cinematográficas?
BS - O cinema indiano tem a maior parte de sua produção baseada na lógica industrial, de enlatado culturais, em diversas repetições de mesmas fórmulas narrativas e estéticas. Não todo o cinema, é claro. Estou me referindo apenas à sua grande maioria. No entanto, isso vem mudando dos anos 2000 para cá, quando a indústria se profissionalizou, de fato. Os sindicatos surgiram e diversos roteiristas de outros continentes começaram a ser contratados para trabalhar lá. Ao mesmo momento, é um cinema que conta com um parque exibidor. Só na Índia, são mais de 10 mil salas, sendo que 95% delas são ocupadas com filmes nacionais, num território que é um pouco maior do que um terço do brasileiro, enquanto a gente conta com um parque exibidor de pouco mais de 2 mil salas, sendo que, destas, apenas 10% não são associadas aos estúdios americanos. É um cinema unido à indústria fonográfica, no qual cada filme lança consigo cerca de seis músicas, tocadas em rádios e videoclipadas nas histórias dos filmes. Isso é tão importante por lá, que primeiro fazem as canções e depois o roteiro do filme que se encaixem com elas. No cinema brasileiro, a maioria dos filmes é filmada em locação, ao invés de em estúdios, prezamos muito mais o realismo nas interpretações, o som direto lapidado. 

NCC - O crítico Luiz Carlos Merten disse que você pode ter realizado o melhor filme do Ocidente sobre a Índia. Como se deu a construção do enredo? Para você, estereótipos são inevitáveis, no momento em que se tem uma visão de fora sobre aquela cultura?
BS - Acho que esse filme (Bollywood Dream) é sobre três personagens tentando se livrar dos condicionamentos culturais brasileiros, que carregam consigo onde quer que vão, mesmo num lugar tão diferente quanto a Índia. É um filme muito mais de perguntas do que de respostas. Ao mesmo tempo que trago o meu olhar, de quem estuda por mais de oito anos a cultura indiana, já morou mais de seis meses lá e já retornou outras quatro vezes,  ou seja, um olhar muito próximo ao dos indianos, tento mostrar de maneira não exótica o olhar das atrizes, que estavam passando por aquele País pela primeira vez. Acho que em muitos aspectos meu olhar é mais indiano do que brasileiro.

NCC - Falando de aspectos mais gerais, você fez um filme com um orçamento de US$ 20 mil. Pode-se dizer que os diversos recursos disponíveis, hoje, as inúmeras plataformas e ferramentas possibilitam que as novas gerações tenham mais acesso ao "fazer cinematográfico"?
 BS - Acredito que sim. Jamais poderíamos ter feito esse filme se não fosse a acessibilidade dos meios digitais.

NCC - A distribuição ainda é considerada o principal gargalo do cinema brasileiro. Na sua opinião, o que provoca essa dificuldade?
BS - A distribuição no Brasil é bem difícil, por diversos motivos. Um deles, por termos tão poucas salas, e muito menos salas diferenciadas, que não passem apenas os enlatados norte americanos. Sem dúvida, o sistema atual estrangula muito filme bom, que não consegue chegar ao seu público.

"Acredito que a arte deve ser subsidiada pelo Estado, sim, mas que esse subsidio volte ao público com ingressos gratuitos"

NCC -  No quesito captação de recursos, o que você acha que precisa mudar em termos de políticas públicas, de um lado, e de comportamento da área artístico-cultural, de outro?
BS - Acredito que esse é um problema urgentíssimo para ser tratado, pois as verbas públicas foram parar nas mãos dos diretores de marketing das empresas privadas, que buscam apenas a visibilidade egóicas de suas marcas sem se preocupar com a herança cultura do povo que está se formando. Isso é um absurdo! E ainda por cima, eles ficam com a propriedade patrimonial dos filmes, e recebem a bilheteria, e qualquer lucro que vier, sobre um investimento feito com dinheiro público. Esse retorno deveria ir para o Estado e não para as empresas privadas! Outro absurdo são os estúdios americanos utilizarem os recursos do Artigo 3º (sob impostos devidos) para fazerem filmes e serem permitidos ficar com o corte final destes. Ou seja, um empresário em Los Angeles decide o que deve ser feito num filme brasileiro, feito com recursos públicos, e o corte final não é do diretor, mas deste empresário anônimo!

NCC – Você acha, então, que a arte deve ser subsidiada pelo Estado?
BS - Acredito que a arte deve ser subsidiada pelo Estado, sim, mas que esse subsidio volte ao público com ingressos gratuitos. Ou seja, usou R$ 1 milhão de recursos públicos, então R$ 1 milhão em ingressos, de todas as sessões, devem ser distribuídas gratuitamente. Quem vai em médico público não é atendido de graça? Por que cinema público a pessoa tem que pagar a entrada? E por que, em muitos casos, o público tem que pagar R$ 300, R$ 400 reais num show financiado pelo governo? Acredito que todo este dinheiro deveria ir para um fundo, do cinema, do teatro, da música, das artes plásticas, e que fosse todo destinado a editais públicos feitos com júris rotativos de cada área, como na Argentina em que cada cineasta é júri dos editais uma vez a cada quatro anos. Assim, os grupos beneficiados seriam rotativos, a verba seria democratizada e acabaria com o nepotismo esclarecido de apenas sobrinhos-netos de empresários terem acesso a esses recursos, ficando com 10% destes, pois essa é a praxe de mercado: nenhum artista recebe isso, mas os captadores, sim. Acredito também ser urgentíssimo unirmos a arte à educação primária e secundária, exigindo do Ministério da Educação um currículo escolar que contemple a formação de música, teatro, dança, artes plásticas, fotografia, cinema, história da arte, história da arquitetura, nas escolas, e assim termos indivíduos muito mais equilibrados emocionalmente e uma sociedade muito mais saudável. Só assim poderemos falar de consumidores de cultura, livres, de fato.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um morre e Hollywood fareja grana

Carlos Baumgarten


São mais de 23h do dia 3 de maio de 2011 e não podia deixar de passar em branco. Bastava apenas uma leve inspiração. Ontem, dia 2 de maio, todo mundo já sabe: foi um dia histórico. O blá blá blá de sempre da mídia, diante de um sensacionalismo barato, evocou os poderes da repetição e estava armado o circo. A suposta morte do terrorista Osama Bin Laden foi a notícia do dia em todo o mundo.

O posicionamento da imprensa brasileira, claramente a favor da estratégia norte-americana, está estampado em cada palavra escrita, ecoada ou tweetada. A ignorância e arrogância do povo dos Estados Unidos também ficaram ainda mais evidentes. A alienação naquele País é maior do que se imagina.

E, nesse contexto, o que se esperar de Hollywood? Se o 11 de Setembro já era um prato cheio para produtores sedentos por sucesso, o que dizer do desfecho desse capítulo da história norte-americana? O patriotismo exagerado, o suspense envolto, o cenário de guerra, o clima de ação... Tudo contribui para a fórmula hollywoodiana de se fazer filmes.

Veja Guerra ao Terror (2009), premiado com o Oscar de melhor filme e consagrou a primeira mulher a levar a estatueta de melhor diretora: Kathryn Bigelow. E esta mesma já estava preparando um filme sobre o assassinato de Bin Laden. A notícia ecoada pelo presidente Obama, na madrugada do dia 1º para o dia 2 de maio, obrigou, segundo informações, a diretora a reescrever o roteiro de seu novo filme.

A princípio, o filme seria baseado em uma operação mal sucedida para pegar o líder da Al-Qaeda. É bem provável que a notícia da suposta morte (insisto no suposto, pois, em se tratando de Estados Unidos, todo cuidado é pouco) de Bin Laden dê um novo rumo à produção. O olhar nos dólares de bilheteria pode fazer com que o filme seja lançado antes do previsto.

E esse é só primeiro de uma série de produções voltadas ao tema que poderão surgir ao longo dos anos. Foi assim com os atentados de 11 de setembro de 2001. Além das reproduções dos fatos, como As Torres Gêmeas (2006) e Voo United 93 ( 2006 - cujo fato, curiosamente, foi explorado em duas produções, exatamente da mesma forma; o outro filme tem o título de Voo 93 e foi lançado somente para TV, tambpem em 2006), alguns filmes ficcionais se apoiaram no evento como pano de fundo para outras situações (veja Invasões Bárbaras, de 2003, ou a referência aos ataques em Presságio, de 2009).

Pode ser, também, que Schwarznegger, disposto a voltar a atuar, vire um caçador de terrorista e desencadeie uma operação bem-sucedida para surpreender um líder terrorista do Oriente Médio em algum lugar do mundo. Pode ser também que o “contra a corrente” apareça, e critique a falta de ética norte-americana em celebrar uma morte, enquanto a hipocrisia não faz lembrar o quanto o seu imperialismo não poupou vida ao longo de anos.

E o que dizer de documentários, a exemplo do polêmico Michael Moore? Será que ele vai entrar numa ampla investigação para provar que se trata de uma teoria da conspiração? Não me surpreenderia se descobríssemos que Bin Laden recebeu uma grana do governo estadunidense para fazer uma plástica com Yvo Pitangui e sumir do mapa. Sou teórico da conspiração, sim. Mas, repito, em se tratando de Estados Unidos, tudo pode acontecer.

Enfim, após engolirmos o discurso midiático, bombástico, sensacionalista e alienador, agora precisamos esperar para engolirmos ou regozijarmos aquilo que virá sobre o que chamamos de “dia histórico”.