segunda-feira, 25 de abril de 2011

O ataque e a defesa: arte e religião

Carlos Baumgarten


Acabou o feriado santo. Para os adeptos das religiões cristãs, um momento de refletir, renovar e todas essas baboseiras que falam todos os anos. É hora de pagar os pecados para depois cometer novos. O cinema, enquanto arte, tem na sua linguagem as possibilidades de concordar com os ensinamentos bíblicos ou discordar, veementemente, dos templos sagrados e suas doutrinas.

Sou mais simpático ao segundo. A moralidade da igreja, especialmente a católica, vem caindo por terra nos últimos anos. E não é a toa que autores de livros e, consequentemente, produtores de cinema estão explorando esse universo. Código da Vinci (2006) e Anjos e Demônios (2008) são os exemplos mais conhecidos. Escrito por Dan Brown e adaptado por Akiva Goldsmith, em produção dirigida por Ron Howard, a obra ataca os supostos segredos da igreja católica, escondido à sete chaves.

Recentemente, o cinema italiano não resolveu, explicitamente, atacar, mas buscou tirar do pedestal intocável a figura mais poderosa da igreja católica: o Papa. Habemus Papam, de Nanni Moretti, estreou nos cinemas italianos em 15 de abril e narra a agonia de um cardeal que recorre a uma analista para aguentar a pressão de ser “promovido” ao posto mais alto da igreja.

Com mais cautela do que nos pedidos de boicote, o Vaticano não se pronunciou oficialmente sobre a temática abordada pelo cineasta. Apenas um jornal de vertente católica na Itália atacou e publicou um pedido de boicote ao filme de Moretti, pedido este que pode provocar um efeito inverso, ou seja, pode atiçar ainda mais a vontade das pessoas em conhecer a obra.

Mas, os escândalos, especialmente os que envolvem pedofilia, dentro da igreja católica abalou as estruturas internas da religião.Outros segmentos cristãos, a exemplo do protestante, ganha espaço na mídia pela divulgação de esquemas de lavagem de dinheiro e, principalmente, abuso da boa fé de seus seguidores. Entretanto, a pompa que possui o catoliscismo acaba sendo um prato mais cheio para artistas avessos a esses passos de caranguejo seguidos pelos líderes católicos.

A arte, em tom crítico, em papel ideológico, está a favor dos dois lados, mas, sem dúvida, hoje em dia, funciona mais no ataque do que na defesa.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário