segunda-feira, 4 de abril de 2011

Enquanto não se acha o novo, se busca o velho

Carlos Baumgarten


Saiu na Agência O Globo. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, recebeu um documento assinado por mais de 100 cineastas durante a reunião do Conselho Superior de Cinema. O documento, em resumo, critica a ineficiência e burocracia na gestão da Agência Nacional de Cinema (Ancine).

O documento foi resultado do I Encontro Nacional de Realizadores, que aconteceu nos dias 19 e 20 de março no Tempo Glauber, no Rio de Janeiro.

A questão é: público=burocrático, em qualquer esfera da nossa infeliz sociedade. E há uma discrepância quando o dinheiro dos contribuintes é utilizado para produções cinematográficas. Qual deve ser o critério para a seleção dos editais? Filmes de caráter autoral seriam, de fato, necessitados de dinheiro público?

Fazer cinema do Brasil não é fácil. Todo mundo sabe. Mas o que se vê é uma velha guarda, sempre com as mesmas reivindicações, sem qualquer proposta de avanço ou aberta a novas formas de se produzir. É preciso ter visão estratégica. Cinema é mercado e o produtor deve ser um empresário também.

O problema é que a maioria dos cineastas fica esperando os editais e reclama da ineficiência do poder público. Mas editais deveriam ser voltados para jovens realizadores, novatos nesse mundo mágico e ainda aqueles pequeninos (produtores “raçudos” que fazem o filme como podem), afinal, são estes que não têm acesso a nada. Já os veteranos, os “grandões”, a exemplo de Luiz Carlos Barretto, têm gabarito para buscar formas independentes de produzir (ele provou isso com o filme sobre Lula).

Não existe uma fórmula mágica. E ninguém é o dono da verdade. Mas, é preciso admitir que nosso cinema vive um momento de escassas produções de qualidade. Contamos nos dedos o que agrada o grande público ou o que agrada uma leva considerável de cinéfilos. O restante não agrada nenhum dos dois. Ou seja, dinheiro público aplicado em produções insossas, fato questionado (e constatado) no ano passado durante o Festival de Cinema de Paulínia, no interior de São Paulo.  

Os caminhos existem. Falta visão estratégica ou talvez um pouco de boa vontade para seguir em frente. 

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