quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crítica: Inverno da Alma

Falta de autenticidade prejudica filme com ar de independente

Carlos Baumgarten

Um remanescente do Oscar estava em cartaz numa sessão especial. Por que não conferir? Era Inverno da Alma, indicado a quatro estatuetas, incluindo melhor atriz para a jovem Jennifer Lawrence. Com ar de filme independente, a produção dirigida pela novata Debra Granik parecia ter um bom atrativo.

Entretanto, no decorrer de, mais ou menos, 100 minutos, o resultado é, no mínimo, decepcionante. Em suma, a história é ambientada nas montanhas de Ozarks, no estado do Missouri. Na trama, temos uma adolescente que vive com dois irmãos e uma mãe inválida. Ela precisa encontrar o seu pai, procurado pela polícia, para impedir que a justiça tome a sua casa.

Em meio a muita pobreza, a jovem tem que lutar pela sobrevivência com o pouco que possui, além de encarar antigas rixas familiares. O tom cinzento da fotografia aumenta a dramaticidade do filme, mas não lhe traz autenticidade.

A começar pelo roteiro adaptado do romance homônimo de Daniel Woodrell. A naturalidade ou espontaneidade dos acontecimentos não convencem. Para fazer uma comparação bem esdrúxula, em alguns momentos, parece que o roteiro tenta explicar a trama para o espectador, remetendo a diálogos de novela mexicana ou merchandising de novela brasileira.

A narrativa é toda focada na personagem de Jennifer Lawrence. Se dependesse apenas dela, o filme estaria salvo. Aquele ar de menina doce é totalmente desconstruído, dando lugar a uma fisionomia sofredora, mas determinada em salvar a família. Ela mostra que não vai a lugar nenhum. Será a responsável pelos seus irmãos mais novos até o dia em que eles não forem mais dependentes.

Inverno da Alma foi indicado ainda aos Oscars de melhor filme,  melhor ator coadjuvante, para John Hawkes, e melhor  roteiro adaptado. É uma obra que merece ser apreciada pelo seu esforço. Mas, poderia ter um acabamento superior, se o roteiro não se prendesse a essa falta de naturalidade e à tentativa de empurrar goela abaixo um drama fora da característica “melosa”.     

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