sexta-feira, 29 de abril de 2011

Confira a programação do Cine Nostalgia para maio

Dia 01 às 15:00 filme " A MEGERA DOMADA " ano - 1967 ( USA ).
Dia 02 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Elizabeth Taylor, Richard Burton e Michael York.
Diretor - Franco Zefirelli - Comédia - Livre - 122 min.
 
Dia 05 às 15:00 flme "  A FAMÍLIA DO GÊNIO " ano - 1952 ( USA ).
Atores - Jeanne Cram, Myrna Loy. Jeffrey Hunter e Débora Paget.
Diretor  - Henry Levi - Comédia - Livre - 89 min.
 
Dia 06 às 15:00 filme " A TRAVESSIA DE CASSANDRA " ano -1976 ( USA ).,
Atores - Sophia Loren, Burt Lancaaster, Ava Gardner e Richard Harris.
Diretor - George P. Cosmatos - Avenetura - 18 anos - 129 min.
 
Dia 07 às 15:30 filme "  TRÊS PALAVRINHAS " ano - 1950 ( USA ).
Dia 08 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Fred Astaire, Red Skelton. Vera Ellen e Arlene Dahi.
Diretor - Richard Thorpe - Musical - Livre - 102 min.

Dia 12 às 15:00  filme " ALTA SOCIEDADE " ano - 1956 ( USA )
Atores -  Bing Crosby, Grace Kelly, Frank Sinatra e Louis Armstrong.
Diretor - Charles Walters - Romance - Livre - 108 min.
 
Dia 13 às 15:30 filme " A HISTORIA DO F. B. I. " ano - 1959 ( USA ).
Atores - James Stewrt, Vera Miles, Murray Hampton e Larry De Pennel.
Diretor - Merwin Le Roy - Policial - 10 anos - 149 min.
 
Dia 14 às 15:30 filme " ÓDIO NO CORAÇÃO " ano - 1942 ( USA ).
Dia 15 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Tyrone Power, Gene Tierney, George Sanders e Francis Farmer. 
Diretor - John Cormwell - Aventura - 10 anos - 98 min.
 
Dia 19 às 15:00 filme " MERCADO DE LADRÕES " ano -1949 ( USA ).
Atores - Richard Conte, Valentina Cortesa, Lee J. Cobb e Barbara Lawrrence.
Diretor - Jules Dassin - Poloicial - 12 anos - 93 min.
 
Dia 20 às 15:0  filme " A CRUZ DE FERRO " ano - 1977 ( Inglaterra/Alemanha )
Atores - James Corbum, Maximilian Schel e James Mason.
Diretor - Sam Peckinpah - Guerra - 12 anos - 120 min.
 
Dia 21 às 15:30 " SUAVE É A NOITE " ano -1962 ( USA )
Dia 22 às 16:00 (  o mesmo filme ).
Atores - Jennifer Jones, Jason Robards Jr,. Joan Fontaine e Tom Ewell
Diretor - Henry King - Drama - 12 anos - 145 min.      
 
Dia 26 às 15:00 filme  " ESTIGMA DA CRUELDADE " ano - 1958 ( USA ).
Atores - Gregory Peck, Joan Collins e Stephen Boyd
Diretor - Henry King - Faroeste - 12 anos - 97 min.
 
Dia 27 às 15:00 filme " SIROCO " ano - 1921 ( USA ). 
Atores - Humphrey Bogart, Marta Toren e Lee J. Cobb
Diretor -Curtis Bmhardt - Aventura  - 12 anos - 98 min.
 
Dia 28 às 15:30 filme " SONATA DE AMOR " ano 1947 ( USDA ) Baseado na vida e obra do compositor Schumann
Dia 29 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Katharine Hepburn
Diretor - Clarence Browing - Romance - Livre - 118 min.

Sonho bollywoodiano nas telas do cinema

Carlos Baumgarten


Bollywood tem andado em alta nos últimos anos. Sendo o País que mais produz filmes no mundo, a Índia chamou certos olhares ao seu espetáculo cinematográfico. O Brasil não podia ficar de fora, e a jovem diretora Beatriz Seigner captou essa atmosfera mística, ao mesmo tempo que se provoca o choque cultural, no filme Bollywood Dream, uma das estreias desta sexta-feira.

O filme, um co-produção entre Brasil e Índia, conta a história de três atrizes brasileiras que viajam até a Índia em busca da fama em Bollywood. Chegando lá, sofrem com os contrastes culturais, mas não perdem a esperança de se tornarem estrelas da indústria cinematográfica indiana. Na verdade, seus sonhos se “adaptam” à nova realidade.

Já em Hollywood, Robert Pattison, o galã de Crepúsculo, parece que está tentando se desvincular da imagem de “vampiro pegador”. Ele é o protagonista do romance com cargas de drama intitulado Água para Elefantes. O longa, que combina o universo circense com a grande depressão norte-americana, conta a história de um entrelaço amoroso, envolvendo um estudante de veterinária e uma domadora de cavalos.  

Para quem viu Natalie Portman dominar as cenas em Cisne Negro, poderá ver o lado light da atriz, conforme palavra da própria. Ela afirmou, em entrevista, que precisava fazer papeis menos densos, para não entrar em um colapso nervoso, após o extenuante trabalho no elogiado Cisne Negro. Em Thor, Portman interpreta uma terráquea (parece óbvio, mas...) que encontra com a personagem título do filme. Thor está prestes a ser coroado como rei, mas é enviado à Terra para lutar contra forças que ameaçam a sobrevivência do seu mundo.

Michael Hoffman escreve e dirige A Última Estação, que acompanha os últimos e turbulentos anos da vida de Leo Tolstoi. Nesse período, ele se vê dividido entre a sua doutrina da pobreza e da castidade e a realidade de riqueza, 13 filhos e uma vida de hedonismo.

Um elenco de peso é o grande atrativo da comédia Como Você Sabe?. Nomes como Jack Nicholson e Reese Whitherspoon são personagens da narrativa que acompanha o reencontro de uma mulher com um amigo. A moça está no meio de uma crise no relacionamento, enquanto o seu amigo passa por um grande problema financeiro. Assim, estão eles interligados em um triângulo amoroso.   


Dois documentários esquentam as telas do cinema neste fim de semana. Marcha da Vida acompanha jovens de todo o mundo que estão conhecendo campos de concentração nazistas, em Auschwitz e Birkenau. Eles estão acompanhados de sobreviventes do Holoucausto, que contam suas histórias de sofrimento, terror e angústia.

Já o documentário Nana Caymmi em Rio Sonata mistura imagens de palco e entrevistas para remontar a trajetória de uma das cantoras mais importantes e respeitadas da MPB. 


*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Festival de cinema quer impulsionar setor na China

Redação


Apesar das censuras e restrições a produções estrangeiras, a China dá o primeiro passo para desenvolver o setor cinematográfico no País. Desde o último sábado, 24, acontece o 1º Festival de Cinema de Pequim, organizado pela Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão e pelo Governo de Pequim. Ao todo, serão seis dias de evento. A abertura contou com as presenças de atores como Jackie Chan e Zhang Ziyi.

Na programação do festival, estão debates sobre o mercado cinematográfico e toda a sua cadeia produtiva. O diretor Darren Aronofsky é um dos diretores presentes ao evento. A ideia, segundo os organizadores, é que o festival de Pequim seja uma plataforma de discussão do desenvolvimento da indústria de cinema local. Em 2010, a China produziu mais de 500 filmes, gerando uma receita acima de US$ 1 bilhão. 

Crítica: Rio

Estereótipos da inocência

Carlos Baumgarten 

A campanha efervescente de marketing por trás da animação Rio, em cartaz há duas semanas nos cinemas nacionais, é digna de uma grande produção hollywoodiana. Não é a toa que o filme vem liderando as bilheterias, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos. Em nosso País, ainda há um toque especial : a auto-referência e a homenagem à cidade-maravilhosa são atributos que atraem não só as crianças, mas também os adultos.

A história é a seguinte: uma arara-azul domesticada nos Estados Unidos tem que ir ao Brasil para se encontrar com uma fêmea de sua espécie. Eles são as últimas e, caso não reproduzam, a espécie entrará em extinção. Um fundo ecológico, assunto que está na pauta contemporânea, em um filme que se passa no Brasil não poderia ser mais apropriado.

Os elogios a Carlos Saldanha, diretor do filme, brasileiro, carioca e um dos responsáveis pela trilogia A Era do Gelo, foram inúmeros, por parte de mídia e do público que aprovou o trabalho.  Mas Rio não escapa da visão estereotipada do americano. Mesmo tendo um diretor brasileiro, os roteiristas de Rio são americanos (Saldanha assina apenas o argumento).

Portanto, o público vê um Rio de Janeiro arquitetonicamente maravilhoso e, vale ressaltar, não se esconde o contraste entre o luxo das praias e do calçadão e as favelas esquecidas pela gestão pública. Porém, vemos os típicos cariocas malandros. Amáveis, mas malandros. Os bichinhos que os representam (tucanos, araras, periquitos e afins) mostram ser fieis amigos, pais presentes, porém não dispensam uma boa festa, um bom samba e uma romântica bossa nova.

E a arara-azul protagonista se enxerga como um peixe fora d água nesse ambiente, ainda mais se considerarmos que ela chega ao Rio bem na semana do Carnaval. Outra questão: os traços dos contrabandistas de animais possuem forte ligação com os afro-descendentes, enquanto o suposto “mocinho” da história está mais familiar aos americanos e as suas peles brancas, em sua maioria.

É óbvio: apesar das campanhas, do lançamento do filme em comunidades do Rio e o fato de termos um diretor brasileiro não são suficientes para negar que a animação é um produto americano, que pretende ganha o mundo, mas quer fazer bonito em casa, ou seja, nos Estados Unidos.  Logo, não se pode fugir dos estereótipos.

Não há criticas ao suposto jeito de ser do brasileiro. Vemos muito samba (em uma cena, por exemplo, que uma família, composta por pai, mãe e filha, começam a tocar um pandeiro e a sambar) e o desenrolar de uma aventura divertida. E mais: apesar de todos esses estereótipos constatados, sabemos que o alvo final são as crianças. Elas não estão nem aí para essas baboseiras. Olhando por esse lado, temos uma animação completa que cumpre o seu objetivo junto ao público-alvo.

Mas, por favor, não vamos nos cegar pelos “confetes” midiáticos ou pela “inocência” do brasileiro. Os gringos ainda têm muito o que aprender sobre o Brasil.  

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cinema peruano na França

Redação


Começa nesta quarta-feira, 27, e prossegue até o dia 3 de maio, a 6ª edição do Festival de Cinema Peruano de Paris. O evento é organizado pela associação Pérou Pacha e, este ano, vai homenagear a região dos Andes, com o objetivo de valorizar e incentivar a cinematografia peruana, que, atualmente, conta com o baixo número de 10 lançamentos por ano.

Veja mais informações no site: www.peroupacha.com

O ataque e a defesa: arte e religião

Carlos Baumgarten


Acabou o feriado santo. Para os adeptos das religiões cristãs, um momento de refletir, renovar e todas essas baboseiras que falam todos os anos. É hora de pagar os pecados para depois cometer novos. O cinema, enquanto arte, tem na sua linguagem as possibilidades de concordar com os ensinamentos bíblicos ou discordar, veementemente, dos templos sagrados e suas doutrinas.

Sou mais simpático ao segundo. A moralidade da igreja, especialmente a católica, vem caindo por terra nos últimos anos. E não é a toa que autores de livros e, consequentemente, produtores de cinema estão explorando esse universo. Código da Vinci (2006) e Anjos e Demônios (2008) são os exemplos mais conhecidos. Escrito por Dan Brown e adaptado por Akiva Goldsmith, em produção dirigida por Ron Howard, a obra ataca os supostos segredos da igreja católica, escondido à sete chaves.

Recentemente, o cinema italiano não resolveu, explicitamente, atacar, mas buscou tirar do pedestal intocável a figura mais poderosa da igreja católica: o Papa. Habemus Papam, de Nanni Moretti, estreou nos cinemas italianos em 15 de abril e narra a agonia de um cardeal que recorre a uma analista para aguentar a pressão de ser “promovido” ao posto mais alto da igreja.

Com mais cautela do que nos pedidos de boicote, o Vaticano não se pronunciou oficialmente sobre a temática abordada pelo cineasta. Apenas um jornal de vertente católica na Itália atacou e publicou um pedido de boicote ao filme de Moretti, pedido este que pode provocar um efeito inverso, ou seja, pode atiçar ainda mais a vontade das pessoas em conhecer a obra.

Mas, os escândalos, especialmente os que envolvem pedofilia, dentro da igreja católica abalou as estruturas internas da religião.Outros segmentos cristãos, a exemplo do protestante, ganha espaço na mídia pela divulgação de esquemas de lavagem de dinheiro e, principalmente, abuso da boa fé de seus seguidores. Entretanto, a pompa que possui o catoliscismo acaba sendo um prato mais cheio para artistas avessos a esses passos de caranguejo seguidos pelos líderes católicos.

A arte, em tom crítico, em papel ideológico, está a favor dos dois lados, mas, sem dúvida, hoje em dia, funciona mais no ataque do que na defesa.  

domingo, 24 de abril de 2011

Morre a atriz Marie-France Pisier, musa do cinema de autor

Redação


Morreu na madrugada deste domingo, aos 66 anos, a atriz francesa Marie-France Pisier. Ela residia na localidade de Saint-Cyr-sur-Mer, no sudeste da França. As informações são da prefeitura local, que não especificou a causa da morte.

Sua estreia foi em grande estilo. Estava nas mãos de, ninguém mais, ninguém menos que, François Truffaut, um dos grandes nomes da Nouvelle Vague francesa. O cineasta buscava uma adolescente para fazer para com o ator Jean-Pierre Léaud, em Antoine e Colette, um dos sketches do curta Amor aos 20 Anos, de 1961. Ela viria a retomar a personagem Colette em 1979, no filme Amor em Fuga.

A atriz integrou elenco de grandes nomes do cinema de autor dos 60 e 70, a exemplo do espanhol Luis Buñel.Foi indicada duas vezes ao César, uma espécie de Oscar francês, como melhor atriz coadjuvante por Memórias de uma Mulher de Sucesso, de 1976, e Barroco, de 1977. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Inscrições abertas para o RioFan 2011

Redação




Até o próximo dia 20 de maio, os interessados em participar da seleção do RioFan (Festival de Cinema Fantástico do Rio de Janeiro) podem se inscrever para a disputa. O evento acontece na capital fluminense entre os dias 19 e 24 de julho.

O evento é dedicado a produções de terror, ficção científica, fantasia e temas relacionados ao universo dos quadrinhos e dos games. Podem participar longas ou curtas, com roteiros ficcionais, documentais ou experimentais.

As obras selecionadas concorrem ao Prêmio RioFan e o público do festival é que dará o veredicto. Outras informações em www.riofan.com.br

Feriadão antecipa estreias da semana

Carlos Baumgarten



Para quem não vai viajar neste feriadão, o cinema pode ser uma boa opção. Por conta dos dias de folga, os cinemas anteciparam as estreias dessa semana, que já podem ser conferidas a partir de hoje. Um dos que chama mais atenção é a versão adulta e sombria do conto Chapeuzinho Vermelho. Sob o título de A Garota da Capa Vermelha, o filme narra a história de uma jovem que se apaixona por um homem, mas está prometida a outro. O detalhe: ambos são suspeitos de serem lobisomens.

Indicado ao Oscar de melhor maquiagem, A Minha Versão do Amor traz o ator Paul Giamatti num processo de decadente envelhecimento. Ele interpreta um homem de 65 anos que está inconformado com a sua separação. Para não sair por baixo, a personagem de Giamatti encontra uma diversão: perturbar a vida do marido de sua ex-mulher. Nesse processo, ele começa a relembrar fatos de sua trajetória no passado.

Na linha do terror sobrenatural, um filme pode atrair fãs do gênero para as salas de cinema nesta quinta-feira. O título não poderia ser mais conveniente: Sobrenatural: O Filme. Do mesmo diretor de Jogos Mortais, o longa conta a história de uma família que percebe a presença de um espírito maligno na nova casa para a qual se mudam. Eles resolvem, então, buscar uma nova moradia e ao se acomodar no novo espaço descobrem que não era a casa que estava possuída.

Um dos diretores de Lixo Extraordinário, João Jardim, traz uma mistura poética de documentário e ficção sobre relações amorosas marcadas com algum tipo de violência. Atrizes e atores profissionais interpretam depoimentos de pessoas que viveram situações que envolvem ciúmes, culpa, paixão e poder.

Come é época de Páscoa, não poderia faltar um filme com a temática, inclusive, para a criançada. A animação Hop: Rebelde Sem Páscoa conta a história de um coelhinho (da Páscoa mesmo) que é atropelado. Ele pede ao motorista que provocou o acidente para ajudá-lo a distribuir os ovos de chocolate.

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...

Bom feriado!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cinema para todos, contra o fim do cinema

Carlos Baumgarten


Que os estúdios precisam se adaptar aos novos hábitos da população mundial, todo mundo já sabe. Mas partir para o radicalismo é demais. Veja só: a empresa DirecTV deve começar, segundo a Folha On Line, a oferecer um serviço de cinema premium a partir desta quinta-feira. Os espectadores que estiverem a fim poderão pagar US$ 29,99 para assistir uma espécie de pré-estreia caseira do filme Esposa de Mentirinha, que ainda está em cartaz nos cinemas.

Os lançamentos em DVDs ocorrem, geralmente, entre dois e quatro meses depois das estreias nas telonas, a depender de uma série de fatores, sendo o mais relevante deles o resultado nas bilheterias. Superficialmente, vemos uma arma eficiente contra a pirataria, mas, honestamente, me parece uma ameaça ao cinema tradicional. Já pensou se a moda pega? Pensando nisso, diretores como James Cameron, Peter Jackson, Robert Zemeckis, entre outros, assinaram uma carta, de autoria da Associação Nacional de Proprietários de Salas de Cinema dos Estados Unidos, contra a proposta.

É verdade que a internet mudou os hábitos do cidadão em todo o mundo. Ir ao cinema é, de fato, caro para uma grande parcela da população de países como o Brasil, por exemplo. Muitos não têm acesso a salas, cujas sessões têm ingressos que variam entre R$10 e R$20. A opção em acompanhar os grandes lançamentos surge, então, com a pirataria: um indivíduo vai ao cinema com o intuito de filmar o que se passa na tela e reproduzir uma cópia ilegal. Outros, como aconteceu em 2007 com Tropa de Elite, têm acesso a versões não finalizadas e jogam nas mãos do público.

A indústria fonográfica já sofre desse mal há anos e está se adaptando aos novos tempos. A banda Radiohead, por exemplo, disponibilizou download gratuito de duas faixas de seu novo disco, mas para todos aqueles que compraram a obra. Ou seja, não se parou de vender disco pela disponibilidade nas nuvens e pela mobilidade de dispositivos como iPod, MP5 e afins. Não se parou de fazer show, que é o grande espetáculo, o grande chamariz de uma banda. As vendas podem ter diminuído, mas esses elementos não foram extintos. E não deve ser diferente com o cinema.

O combate à pirataria deve ser algo bem estudado e feito de maneira cuidadosa. Não adianta tomar decisões precipitadas, nem criticar as novas plataformas de acesso. Mas se você cria um serviço que vai permitir que o indivíduo assista a produções que ainda estão em cartaz no conforto de sua casa, o que seria das salas de cinema, lotadas, justamente, para aqueles que têm cacife para bancar os US$ 29,99 cobrado pela DirecTV?

A realidade do Brasil é a seguinte: 55% da população urbana do nosso País assistem a filmes piratas, segundo levantamento da Associação Cinematográfica dos Estados Unidos. Sabemos que a maior parcela da população não tem grana para arcar uma sessão de cinema regularmente. Às vezes, não tem grana para bancar nunca. Essas pessoas são o grande-alvo da pirataria. Mas não são os únicos que mantêm esse mercado (vejam os engravatados e as dondocas parando nos camelôs para comprar os últimos lançamentos no cinema).

Pela população carente de cinema, deve interceder o incentivo do poder público para promover espaços em que as pessoas possam ter acesso a cinema mais barato. O combate à pirataria vem com educação e incentivo. Essas são as palavras-chave. Partindo para uma realidade muito diferente da nossa, podemos imaginar que boa parte da população nos Estados Unidos tem acesso ao cinema. Mas, uma parcela muito pequena deve ser apaixonada pelas tradições da sétima arte.

Ou seja: muitos vão ao cinema ver um filme pela curiosidade do lançamento. Mas, se eles recebem essa opção de assistir em casa, é possível que a tela grande não os seduza para se deslocarem até o complexo mais próximo e se aconchegar em uma sala. É um paradoxo. Aliás, é, sim, uma ameaça às salas de cinema, e a Associação brada com razão.

Qual será a razão de ser de um cinema? Qual será a razão de ser de um cineasta? Televisão e cinema possuem linguagens bem diferentes. E a impressão é que, se essa moda pega, os filmes serão todos direcionadas para a pequena caixa. Coloque um home theater e uma TV Led de 55 polegadas e você tem um protótipo de cinema. Esquece das salas.

Critiquei o radicalismo, mas posso estar sendo radical também, tudo em favor do cinema. Não há como comparar a emoção de você conviver com diferentes reações, de pessoas que você só vai ver, provavelmente, uma vez na vida, naquela sessão, daquele filme projetado na grande tela em sua frente, com a experiência de assistir um DVD na TV de sua casa, por mais polegadas que ela tenha.

Claro, tem gente que prefere. Nada contra a opção, mas se contente em esperar o lançamento em DVD (e, óbvio, todos esperam sem reclamar) Entretanto, sabemos que uma sala de cinema vive de faturamento. É um negócio como qualquer outro. E a existência do negócio é diretamente proporcional ao faturamento. Quando se escafeder as verdinhas, o negócio some junto.

O cinema está em fase de maturação para conviver com essa nova realidade. É preciso aceitar os novos tempos, as novas tecnologias, as novas plataformas, e se adaptar a esses elementos, e não absorvê-los por inteiro, quer dizer, mudar o “fazer cinema” ou se contentar com a ideia de que as pessoas só vão assistir filmes em casa.

A pirataria vai continuar existindo. Pode ser que em menor escala, um dia, mas é muito difícil que esse hábito mude. Seres humanos costumam ser oportunistas. Mas diminuir esse ritmo de consumo ilegal é possível e, como já reforcei, o combate à pirataria vem com educação e incentivo. A sétima arte deve estar mais acessível a todos. Não pode ser uma arte de elite. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mais um filme brasileiro selecionado para o Festival de Cannes

Redação


Cartaz oficial de Cannes para 2011

O Abismo Prateado, do diretor Karim Ainouz, foi um dos selecionados para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, que acontecerá entre os dias 11 e 22 de maio. O longa é baseado na letra da canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, e tem no elenco nomes como Alessandra Negrini e Milton Gonçalves.

A Quinzena dos Realizadores é uma das mostras paralelas do festival e é voltada para a descoberta de filmes de jovens realizadores e para saudar obras de diretores reconhecidos. Dos veteranos, o público poderá conferir Impardonnables, do premiado André Téchiné.

O cineasta iraniano Jafar Panahi, que está preso, também será homenageado com um prêmio oficial. O diretor está preso no Irã, com a acusação de fazer propaganda contra o regime. Ele está proibido de exercer a sua profissão. 

Campanha pede para M. Night Shyamalan voltar para a escola de cinema

Redação


A moral de M. Night Shyamalan está em baixa. Após o estrondoso sucesso de O Sexto Sentido, em 1999, o diretor indiano anda acumulando fracassos ao longo de sua carreira. O último fiasco culminou no inevitável prêmio de pior diretor, no Framboesa de Ouro, pela produção O Último Mestre do Ar.

Agora, veja o que um trio de fãs do diretor está aprontando para tentar reerguer a carreira do indiano. Eles estão arrecadando fundos para que Shyamalan volte à faculdade de cinema e reaprenda a fazer filmes. Segundo informações publicadas em O Globo, o escritor Chris Baker teve a ideia após ver o trailer do filme Demônio, que arrancou risos da plateia quando o nome do cineasta apareceu nos créditos da produção.

O projeto intitulado M. Night School pretende arrecadar US$ 150 mil para mandar o cineasta de volta à escola. Com site oficial e tudo, até agora foram registrados míseros US$ 500. Mas os idealizadores estão confiantes em alcançar a meta. Obviamente, espera-se que Shyamalan rejeite a oferta. Por isso, eles já têm em mente um plano B: realizar um festival de cinema em Nova Iorque, com os recursos levantados, para aspirantes a cineastas, cujo prêmio seria uma bolsa de estudos para a New York University.

Boas ideias podem nascer quando menos se espera. Mesmo que não aceite a oferta, Shyamalan poderia refletir sobre essa questão e oferecer ao público produções do nível que o levaram à fama mundial. 

Morre o ator Michael Sarrazin

Redação


Nesta segunda-feira, foi informada a morte do ator canadense Michael Sarrazin. Ele tinha 70 anos de idade e lutava contra um câncer, segundo informações divulgadas. O ator morreu em Montreal, onde residia há 10 anos.

Sarrazin é mais conhecido por sua participação no filme A Noite dos Desesperados (1969), indicado a nove Oscars. Dirigido por Sidney Pollack, o longa é ambientado durante a Grande Depressão dos anos 30 dos Estados Unidos, quando a grande parte da população estava em busca de trabalho para sobreviver. Oportunidades inusitadas surgiam, como concursos de dança, que testavam a resistência dos competidores em troca de comida e alguns trocados. 

Brasileiros vão narrar história norte-americana

Redação


O cineasta Fernando Meirelles está cotado para dirigir um filme sobre a família Onassis, segundo publicou a Folha On Line. Meirelles iria convocar o roteirista Bráulio Mantovani, de Cidade de Deus, para escrever a narrativa de Onassis, que, por sua vez, seria baseado no livro Nemesis, de Peter Evans.

O livro relata uma disputa entre o magnata grego Aristotle Onassis com Robert F. Kennedy, irmão do presidente John F. Kennedy. Na época em que John era presidente, Robert era promotor-geral dos Estados Unidos e barrou inúmeros negócios de Onassis. Evans aponta ainda que o magnata teria até financiado o assassinado de Robert Kennedy, em 1968. 

sábado, 16 de abril de 2011

Google relembra 122 anos de Charile Chaplin

Carlos Baumgarten


Há exatos 122 anos, nascia um gênio. Charles Spencer Chaplin, ou, simplesmente, Charlie Chaplin, nasceu em Londres no dia 16 de abril de 1889. E quem entrou no site de buscas Google, desde ontem, notou que o gigante da internet não se esqueceu de fazer referência a esse grande nome da comédia e dos primórdios do cinema.

Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus filmes. Dizem os estudiosos que ele foi fortemente influenciado pelo comediante francês Max Linder, a quem ele dedica um de seus filmes. Sua personagem mais marcante é referência até hoje, especialmente na comédia física. The Tramp, o simpático andarilho, bigodudo que caminhava de smoking e bengala  fazendo palhaçadas, fez plateias ao redor do mundo sorrirem, numa época em que o cinema tinha como único recurso a imagem.

Mas a comédia de Charlie Chaplin não era vazia. Era humana. Isso lhe rendeu uma série de polêmicas ao longo de sua carreira, especialmente em seus discursos humanitários contra a guerra, fortemente presentes em O Grande Ditador (1940). Chaplin também foi um visionário ao criticar a mecanicidade da vida com a recém-instalada Revolução Industrial e provou que estava muito a frente do seu tempo em Tempos Modernos (1936).

Em O Garoto (1921), Chaplin mostrou talento, como ninguém da sua época, em conseguir dirigir uma criança, com tanta espontaneidade e autenticidade, que não há como não se emocionar ao nos depararmos com a relação entre The Tramp e o pequeno garotinho.

Chaplin ganhou um Oscar honorário em 1972 pelo conjunto da obra. Mas, o que fica na memória é a sua mensagem humanitária através da comédia e a sua visão genial do mundo em que vivemos. Para comemorar esses 122 anos, compartilhamos um trecho do discurso final de O Grande Ditador, que pode dar uma ideia do que significa, em resumo, a trajetória de um gênio do cinema, da comédia e que captou na melhor essência o que é ser humano.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.

Charlie Chaplin (1889-1977)

                                  Reprodução
Homenagem do Google a Charlie Chaplin.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Títulos inusitados, franquias retomadas e documentário que bateu meio Brasil no Oscar. Confira as estreias da semana*

Carlos Baumgarten


Quem estava na faixa etária entre 16 e 18 anos lá por volta de 1996 lembra-se claramente do fenômeno chamado Pânico. O terror adolescente retomado por Wes Craven (responsável por A Hora do Pesadelo, de 1984) reinaugurou as portas do cinema teen voltado para o gênero. Não é à toa que uma série de filmes foi feita no mesmo período, dentro do mesmo clichê de Pânico, a exemplo de Lenda Urbana (1998) e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997). 

Hoje, esse mesmo público está na casa dos 30 anos e talvez não tenham o mesmo interesse que tinham há uma década. Os produtores tentam conquistar as novas gerações, mas de uma maneira muito estranha: fazendo exatamente a mesma coisa que faziam nos seus primórdios. E não será diferente com Pânico 4: mesma história, mesmo clichê e sustos que não fazem o mesmo efeito. É apenas a tentativa de ganhar um novo público, adaptado aos novos tempos. A franquia é uma das estreias desta sexta-feira.

O documentário que ganhou o Oscar que supostamente iria para o Brasil também chega às telas do cinema. Trabalho Interno, dirigido por Charles Ferguson, revela os bastidores da crise econômica que estourou em 2008 e rolou como uma bola de neve ao redor do mundo.

Da França vem mais um documentário: Bebês. O filme de Thomas Balmes acompanha o primeiro ano de vida de quatro bebês em partes diferentes do mundo.

Como produtor, Steven Spielberg volta à temática nerd que lhe deram fama e fortuna. Eu Sou o Número Quatro conta a história de nove alienígenas que fogem para a Terra, após o planeta em que vivem estar ameaçado de ser eliminado do universo.

E, fechando as estreias para este fim de semana, Pierre Thoreton, revisita a trajetória do estilista Yves Saint Laurent e o seu relacionamento  com Pierre Bergé e a moda. Trata-se do documentário  O Louco Amor de Yves Saint Laurent.

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Trabalhar Cansa, filme brasileiro, estará no Festival de Cannes

Redação


Os cineastas Marco Dutra e Juliana Rojas estrearam em grande estilo com o seu primeiro longa-metragem. O filme, dirigido pela dupla, Trabalhar Cansa está entre os selecionados para a mostra Un Certain Regard (um certo olhar) do Festival de Cannes. Além deste, eles concorrem ao troféu Caméra d´Or, oferecido a diretores estreantes.

Na Palma de Ouro, diretores do cacife de Lars Von Trier e Pedro Almodóvar estarão na disputa. O Festival de Cannes começa no próximo dia 11 de maio e prossegue até o dia 22. A mostra Un Certain Regard será aberta pelo filme Restless, do diretor Gus Van Sant

O filme "Trabalhar Cansa", primeiro longa dos cineastas paulistas Marco Dutra e Juliana Rojas, está entre os selecionados para a mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar), principal paralela do Festival de Cannes. O filme concorre ainda ao troféu Caméra d'Or, oferecido a diretores estreantes.

Confira a lista completa da mostra Un Certain Regard:

The Hunter, de Bakur Bakuradze
Halt auf Freier Strecke, de Andreas Dresen
Hors Satan, de Bruno Dumont
Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin
Les Neiges du Kilimandjaro, de Robert Guédiguian
Skoonheid, de Oliver Hermanus
The Day He Arrives, de Sangsoo Hong
Bonsái, de Cristián Jiménez
Tatsumi, de Eric Khoo
Arirang, de Ki-duk Kim
Et Maintenant On Va Ou?, de Nadine Labaki
Loverboy, de Catalin Mitulescu
Yellow Sea, de Hong-jin Na
Miss Bala, de Gerardo Naranjo
Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra
L'exercice de L'etat, de Pierre Schoeller
Toomelah, de Ivan Sen
Oslo, August 31, de Joachim Trier

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crítica: Inverno da Alma

Falta de autenticidade prejudica filme com ar de independente

Carlos Baumgarten

Um remanescente do Oscar estava em cartaz numa sessão especial. Por que não conferir? Era Inverno da Alma, indicado a quatro estatuetas, incluindo melhor atriz para a jovem Jennifer Lawrence. Com ar de filme independente, a produção dirigida pela novata Debra Granik parecia ter um bom atrativo.

Entretanto, no decorrer de, mais ou menos, 100 minutos, o resultado é, no mínimo, decepcionante. Em suma, a história é ambientada nas montanhas de Ozarks, no estado do Missouri. Na trama, temos uma adolescente que vive com dois irmãos e uma mãe inválida. Ela precisa encontrar o seu pai, procurado pela polícia, para impedir que a justiça tome a sua casa.

Em meio a muita pobreza, a jovem tem que lutar pela sobrevivência com o pouco que possui, além de encarar antigas rixas familiares. O tom cinzento da fotografia aumenta a dramaticidade do filme, mas não lhe traz autenticidade.

A começar pelo roteiro adaptado do romance homônimo de Daniel Woodrell. A naturalidade ou espontaneidade dos acontecimentos não convencem. Para fazer uma comparação bem esdrúxula, em alguns momentos, parece que o roteiro tenta explicar a trama para o espectador, remetendo a diálogos de novela mexicana ou merchandising de novela brasileira.

A narrativa é toda focada na personagem de Jennifer Lawrence. Se dependesse apenas dela, o filme estaria salvo. Aquele ar de menina doce é totalmente desconstruído, dando lugar a uma fisionomia sofredora, mas determinada em salvar a família. Ela mostra que não vai a lugar nenhum. Será a responsável pelos seus irmãos mais novos até o dia em que eles não forem mais dependentes.

Inverno da Alma foi indicado ainda aos Oscars de melhor filme,  melhor ator coadjuvante, para John Hawkes, e melhor  roteiro adaptado. É uma obra que merece ser apreciada pelo seu esforço. Mas, poderia ter um acabamento superior, se o roteiro não se prendesse a essa falta de naturalidade e à tentativa de empurrar goela abaixo um drama fora da característica “melosa”.     

Cultura a favor da Copa

Redação


A CBF vai financiar projetos culturais até a realização da Copa do Mundo de 2014, segundo informações da Folha On Line. Estão incluídos aí financiamentos de filmes ligados ao esporte. O primeiro projeto contemplado pela entidade foi o filme sobre Heleno de Freitas, jogador brilhante, mas que teve vida marcada por escândalos e problemas pessoais. O total investido pela CBF foi R$ 200 mil

A cinebiografia de Heleno de Freitas já foi rodada e está prevista para estrear nas telas do cinema até o final do ano. A produção é dirigida por José Henrique Fonseca, e conta com Rodrigo Santoro no elenco, que interpreta o protagonista da história, ou seja, o próprio Heleno de Freitas. O jogador passou por times como Vasco, Botafogo, além de atuar em 18 partidas pela seleção brasileira.

A CBF vai também financiar projetos de outras naturezas, a exemplo de espetáculos teatrais. O único pré-requisito é que os projetos sejam ligados ao esporte.

E não é a primeira vez que a entidade presidida por Ricardo Teixeira tentou emplacar uma empreitada cultural. Na Copa de 2002, quando o Brasil foi pentacampeão mundial na Ásia, os bastidores dos atletas foram registrados. Diretores do calibre de Pedro Almodóvar chegaram a estudar o projeto, mas a baixa qualidade das imagens capturadas fizeram a ideia ser engavetada.

Mais preparados técnica e profissionalmente em 2006, na Copa da Alemanha, o projeto seguiu os mesmos passos. Porém, o fiasco que foi a atuação da seleção, que culminou em sua eliminação nas quartas-de-final pela França, fez, mais uma vez, o projeto ser engavetado. Registro: a CBF, que precisa de uma boa recuperação de imagem frentes aos escândalos de corrupção que rondam a entidade e a pessoa de seu presidente, não poderia trazer um filme com uma mensagem positiva a partir de uma eliminação, por melhor que fosse as suas intenções.

A esperança é a Copa de 2014, no Brasil. Ricardo Stuckert, ex-fotógrafo oficial de Lula, foi convocado para fazer os registros dos bastidores da nossa seleção. Basta saber se a poderosa CBF continuará com cacife alto para se manter em meio às crises e se os nossos atletas estarão em forma para conquistar o hexacampeonato dentro de casa.

Uma coisa é certa: de tanta sujeira que acompanhamos no noticiário (e nos mínimos possíveis, afinal, os grandes escondem a poeira embaixo do tapete), a CBF, pelo menos, trará parte dos seus enormes recursos para promover a cultura. A entidade está se apoiando nas leis de incentivo à cultura e em um País cuja população vive de pequenos repertórios, qualquer incentivo à cultura é bem-vindo.   

terça-feira, 12 de abril de 2011

Rio e São Paulo relembram última década do cinema nacional

Redação


A partir de amanhã, São Paulo começa a exibir cerca de 60 títulos nacionais produzidos na última década. As exibições serão complementadas com debates em cima de temas que permeiam a busca por uma explicação sobre o que fez o público se sentir atraído pelo cinema nacional nesses últimos anos. O evento Cinema Brasileiro: Anos 2000, 10 questões, acontece em São Paulo até o dia 1º de maio. O Rio de Janeiro também será contemplado com a mostra, entre os dias 26 de abril e 8 de maio.

A iniciativa busca respostas na estética dos filmes, e não se prende apenas a um debate ligado a questões financeiras de produção que, de certa forma, também contribuíram para uma melhoria da qualidade do nosso cinema. Para se ter uma ideia da importância do debate, basta lembrar que Tropa de Elite 2 conseguiu alcançar o posto de maior bilheteria da história do cinema brasileiro, desbancando o intocável Dona Flor e Seus Dois Maridos, que detinha o posto há 35 anos.

Ou seja, os anos 80 e 90, praticamente, foram uma época de adormecimento do cinema no Brasil. A chamada retomada começou no final da década retrasada e com a melhoria das leis de incentivos fiscais. Chegamos a um bom patamar de produção, mas agora precisamos avançar mais uma vez. É notável a necessidade por novas formas de produção, financiamento e a articulação também com os gestores privados para alavancar a qualidade e diminuir a inércia da classe cinematográfica que, muitas vezes, vislumbra apenas os editais públicos com o único caminho de se entrar em produção.

Caso não se busque e se avance nesse sentido, é provável que passaremos, mais uma vez, por uma época adormecida da nossa sétima arte. 

É Tudo Verdade


“O Fim e o Princípio”



Carlos Baumgarten


Referência em documentário no Brasil, não há como deixar de mencionar o nome de Eduardo Coutinho ao falarmos do gênero. Desde a juventude, Coutinho sempre teve uma posição político-social bastante definida e, em seus filmes, podemos ver uma ampla sensibilidade ao SER humano. Começou uma empreitada na década de 60 com o cinema de ficção, que acabou sendo interrompido pela intervenção do regime militar.

Apesar de ter boa parte dos negativos perdidos, os que sobreviveram serviram de inspiração para dar continuidade ao projeto, cerca de 20 anos depois. É aí que começa a história de Cabra Marcado Para Morrer, de 1984, um dos documentários mais importantes da cinematografia brasileira. Para entendê-lo, é preciso voltar ao início dos trabalhos, nos anos 60.

Coutinho e sua equipe queriam filmar uma cinebiografia de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. Com a interrupção, em 64, o projeto ficou engavetado, mas não foi esquecido. As filmagens foram retomadas 17 anos depois, mas dessa vez em formato documental. A equipe colheu depoimento dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens, inclusive da viúva de João Pedro, Elizabeth.

Adepto do movimento cinema verdade, Coutinho já demonstrava aspectos dessa natureza naquele trabalho, quando, por exemplo, focava na reação expressiva dos camponeses ao se verem nas primeiras filmagens, quase duas décadas antes. Daí em diante, Coutinho não parou de ascender no gênero documental.

Entre tantos trabalhos, podemos destacar filmes como O Fio da Memória (1991), Babilônia (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004), e O Fim e o Princípio (2005). O lema do cinema verdade é construir a realidade através da lente, ou seja, sem intervenções externas, realizando uma filmagem crua dos fatos, dentro de um recorte específico.

Em outras palavras, podemos dizer que Coutinho desenvolve um projeto, junta a sua equipe, liga a câmera e deixa as coisas acontecerem. Num bate-papo usual, descobrimos histórias de vida marcantes, tristes, vencedoras. Nesses depoimentos, nos envolvemos por uma atmosfera humanizada que não tem tamanho.

Um bom exemplo desse processo de trabalho de Coutinho está no filme O Fim e o Princípio. Na narração inicial do filme, ouvimos uma explicação de qual será o caminho a ser seguido pela produção. Eles estão em busca de uma comunidade do sertão nordestino para ouvirem diferentes histórias de vida. Caso eles não encontrassem uma comunidade específica, o documentário seria baseado, apenas, nesse caminho percorrido na esperança de obter uma boa história.

Sendo Eduardo Coutinho essa grande referência do gênero para nós brasileiros, não podíamos deixar de apresentar a finalização do Festival É Tudo Verdade, que terminou neste último dia 10, sem citar esse grande gênio do cinema documental. Os grandes vencedores das mostras competitivas foram anunciados neste mesmo dia 10 e você pode conferir a lista abaixo:

Competição internacional:

Longa e média-metragem

Melhor documentário
Você Não Gosta da Verdade: 4 Dias em Guantánamo, de Luc Côté e Patrício Henriquez

Menção honrosa
Cinema Komunisto, de Mila Turajlic

Curta-metragem

Melhor documentário
Fora de Alcance, de Jakub Stozek

Menção honrosa
Viagem a Cabo Verde, de José Miguel Ribeiro

Competição brasileira:

Longa e média-metragem

Melhor documentário
 A Poeira e o Vento, de Marcos Pimentel

Menção honrosa
Meia Hora com Darcy, de Roberto Berliner

Prêmio Canal Brasil
São Silvestre, de Lina Chamie

Prêmio ABD São Paulo de melhor curta-metragem brasileiro
Hoje Tem Alegria, de Fábio Meira 

sábado, 9 de abril de 2011

Morre Sidney Lumet, diretor de 12 Homens e uma Sentença

Redação


Morreu neste sábado, aos 86 anos, o diretor Sidney Lumet, segundo informações do New York Times. Ainda de acordo com a publicação, o cineasta morreu em sua casa, localizada em Nova Iorque, por conta de um linfoma.

Lumet veio de uma geração de diretores pautada pelo cinema de autor. Essa marca estava presente nas referências à sua cidade natal, Nova Iorque. Porém, trata-se de um dos profissionais mais versáteis da segunda metade do século 20. Em seus filmes, imperavam o fator psicológico.

Estreou com o clássico 12 Homens e uma Sentença, de 1957, utilizado como objeto de estudo em diversas escolas de psicologia ao redor do mundo. O roteiro gira em torno de um julgamento. Doze jurados devem decidir se um homem é culpado ou não de um assassinato, sob pena de morte. Onze deles têm certeza de que ele culpado, enquanto um não acredita em sua inocência, mas também não o considera culpado. A análise dos fatos por parte desse jurado pesará na decisão final, em uma trajetória na qual ele terá que enfrentar os rancores dos demais jurados.

Em 1975, ele dirigiu Um Dia de Cão, no qual Al Pacino estoura os nervos durante um assalta a um banco do Brooklyn. Entre outros trabalhos relevantes de Sidney Lumet, estão Assassinato no Orient Express (1974), Serpico (1973) e Rede de Intrigas (1976). Seu último trabalho foi mais um thriller psicológico: Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, lançado em 2007. 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rio é uma das estreias da semana

Carlos Baumgarten


O diretor é brasileiro. A animação se passa no Brasil. Mas não se trata de um filme brasileiro. Carlos Saldanha, responsável por A Era do Gelo 3 (2009), e co-diretor dois primeiros dessa franquia, faz uma homenagem à sua terra natal em Rio, que estreia nesta sexta-feira em circuito comercial.

Com vozes de astros como Anne Hathaway, Jamie Foxx e Rodrigo Santoro, Rio narra a história da arará azul Blu, que foi domesticada nos Estados Unidos, mas é levada ao Rio de Janeiro para procriar com a última fêmea da espécie. E sua aventura vai rondar a cidade maravilhosa em pleno Carnaval.

O drama francês Cópia Fiel também estreia nas telonas deste fim de semana. Trata-se da história de um escritor de meia idade que vai à Itália que começa a se descobrir ao conhcer uma francesa. Junto, os dois fazem uma viagem inesquecível pela Toscana.

Da Alemanha, vem o drama Jericó. O filme narra a história de um soldado que, após ser dispensado do serviço no Afeganistão, retorna à cidade de Jericó. Lá, consegue emprego como motorista de um dono de uma rede de lanchonetes e se envolve com uma alemã, que, por acaso, é a esposa de seu patrão. Um dilema moral se debruça sobre o soldado ao descobrir que a mulher sofre abusos do marido.

Outra estreia é o musical francês Turnê, que conta a história de um ex-produtor de TV em Paris que largou tudo para começar uma nova vida na América. Ele retorna à sua terra natal com um grupo de strippers, com o qual o sonhador pretendia realizar uma grande turnê na França de um musical sobre Paris. Tudo vira contra a corrente quando o grande show na capital francesa vai por água abaixo, por conta da traição de um amigo.

Falando em Contracorrente, esse é o título de outra estreia desta semana. A produção peruana se passa em uma pequena vila de pescadores. Um casal, Miguel e Mariela, que está prestes a ter o seu primeiro filho em uma comunidade pautada por tradições religiosas e pela manutenção de aparências. A chegada de um fotógrafo muda a vida dessa pequena vila. Ele passa a fotografar o cotidiano dos moradores e mantém um romance secreto com Miguel, o futuro pai de primeira viagem.  

*As estreias não acontecem, necessariamente, em todas as cidades. Confira as sessões em sua localidade, pois alguns dos lançamentos podem ser exibidos posteriormente nos cinemas próximos a você. A certeza é que estreias estarão disponíveis. Escolha a que for mais apropriada ao seu gosto e tenha um bom filme! Não se esqueça de desligar o celular...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tropa de Elite 2 conquista mais um...

Redação


Dessa vez, foi o Melhores do Ano CineSesc. O longa que dominou as bilheterias brasileiras de 2010, Tropa de Elite 2, foi o grande vencedor da premiação, cuja cerimônia aconteceu nesta quarta-feira, 6, no CineSesc, em São Paulo. Tropa 2 levou os prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro e melhor ator pela escolha popular. O júri critico fez quase as mesmas escolhas, mas preferiu premiar Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo como melhor filme.

A lista completa de premiados será exibida durante o ano de 2011. Há 37 anos, o Sesc promove a iniciativa, para reconhecer as melhores produções nacionais dos anos anteriores. A programação completa dos melhores de 2010, de acordo com o público do CineSesc, você pode conferir no site www.sescsp.org.br

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estão abertas as inscrições para o Claro Curtas

Redação


Entre 30 e 90 segundos. Esses são os tempos mínimo e máximo que os interessados em participar da 3ª edição do Festival Claro Curtas têm para produzir os seus curtas. As inscrições já estão abertas e os vídeos, feitos a partir de qualquer dispositivos móveis, podem ser enviados até o dia 17 de junho. Mais detalhes e informações, no site: www.clarocurtas.com.br.

Este ano, o tema da competição é O Tempo do Agora. Os realizadores devem refletir sobre a importância e o aproveitamento na sociedade contemporânea, baseada na economia do tempo e na efemeridade dos dias. São R$ 100 mil em prêmios, distribuídos em barras de ouro, equipamentos de gravação e edição, além de cursos de linguagem audiovisual.

Comunidades de Salvador são contempladas com projeções de filmes

Redação


Recentemente ocupada pela versão baiana das unidades de polícias pacificadoras, que são oriundas do Rio de Janeiro, a comunidade do Calabar, em Salvador, já parece conviver com mais tranquilidade ao longo desses dias. Para tornar o ambiente ainda mais agradável, a Fundação Gregório de Matos vai contemplar a comunidade com a exibição do filme Avatar, nesta quarta-feira, que será projetado na Quadra Comunitária do Calabar, a partir das 18h.

O filme foi escolhido pelos próprios moradores que poderão acompanhar a saga criada pelo diretor James Cameron. E não é só o Calabar que será “invadida”  pela sétima arte. No dia 13 de abril, a próxima quarta-feira, a comunidade do Alto das Pombas, também em Salvador, vai poder conferir a comédia Saneamento Básico, de Jorge Furtado, que tem no elenco os baianos Wagner Moura e Lázaro Ramos.

Ambas as comunidades estão sendo contempladas com o projeto Cinema na Praça, idealizado pela Fundação Gregório de Matos.