quarta-feira, 2 de março de 2011

Robocop vai receber suborno ou lutar contra a corrupção?

Carlos Baumgarten


Quem conhece a trajetória do policial, metade humano, metade máquina, sucesso do final dos anos 80, sabe que Robocop locomove-se como uma máquina, mas sente como um homem. Ou seja, apesar de ser um exemplar cumpridor da lei, inclusive forçando o cumprimento, ele também pode se deixar levar pelas “emoções humanas”.

José Padilha, segundo tem se divulgado na imprensa, estaria sendo sondado pela MGM para dirigir um remake de Robocop. De acordo com informações de sites especializados, os executivos teriam ficado impressionados com o trabalho de Padilha, especialmente em Tropa de Elite, obviamente, temática que interessa aos produtores.

A assessoria do cineasta brasileiro negou, conforme matéria no UOL, que haveria algo de concreto sobre Robocop, ainda. Já há uma especulação que esse “ainda”  seja um informação de entrelinhas, que significaria: “as negociações existem, mas ainda estão em andamento e não há nada fechado”.

Seja lá o que esteja acontecendo, a ideia de um diretor brasileiro dirigindo o remake de um grande sucesso hollywoodiano dos 80 é positiva. Robocop: O Policial do Futuro (1987) foi dirigido pelo holandês Paul Verhoeven. Teve duas sequências, uma em 90 e outra em 92, que puseram fim à franquia cinematográfica.

A temática voltada para a corrupção policial, muito bem abordada por Padilha em seus Tropas, pode ser bem aproveitada em um filme como Robocop. Para quem não conhece, não se trata exatamente de um filme de super-herói. Tudo gira em torno de uma Detroit, em um futuro próximo, decadente, dominada pelo crime e pela corrupção política e das grandes corporações.

É uma grande corporação, inclusive, que quer terceirizar a polícia de Detroit e lança a ideia dos policiais robôs. Um dos projetos é o próprio Robocop. Com um violência crua, Verhoeven construiu um ambiente dominado pela hipocrisia e pela ganância. Aparentemente incorruptível, Robocop passa a combater o crime nas ruas e dentro da corporação.

Uma visão mais moderna e com o tom de um brasileiro, povo que vive em constante clima de desordem política, com a corrupção escancarada, o resultado seria, no mínimo, interessante. Pelo menos no Brasil, Padilha enche as salas de cinema, o que pode agradar os executivos. Falta esperar o desfecho dessas negociações e vamos ver se o Robocop vai receber suborno ou vai, de fato, combater a corrupção.  Ou quem sabe ainda se ele integrará a tropa de elite da polícia do Rio de Janeiro. 

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