quinta-feira, 24 de março de 2011

A mulher que vale mais de US$ 1 milhão

Carlos Baumgarten


O cinema despediu-se ontem de uma de suas grandes estrelas. Elizabeth Taylor morreu nesta quarta-feira, 23, em Los Angeles, aos 79 anos, vítima de insuficiência cardíaca congestiva. Nas últimas aparições em público, Taylor já dava sinais da saúde debilitada. Críticos e estudiosos do cinema apontam a morte da atriz como o fim da era de ouro do cinema de Hollywood.

Para o crítico da Folha de São Paulo, Pedro Butcher, por exemplo, Elizabeth Taylor enquadra-se ao lado de estrelas como Audrey Hepburn e Marilyn Monroe, grandes nomes da chamada época de ouro hollywoodiana. Já Ricardo Calil destacou que fama e beleza escondiam a grande atriz que era Taylor. E, como não podia deixar de ser, o melodrama também fazia parte de sua vida real, conforme colocou o crítico André Barcinsky, diante das polêmicas e inúmeros casamentos.

Dona de uma beleza peculiar, com os seus olhos cor de violeta, Elizabeth Taylor começou a carreira cedo, aos nove anos de idade. Seu primeiro papel de destaque, ainda aos 12 anos, foi no filme A Mocidade é Assim Mesmo, de 1944. O mundo começava a ver nascer uma estrela, que mais tarde seria contemplada com dois Oscars, de um total de cinco indicações.

O primeiro Oscar veio com Disque Butterfield 8, em 1961. Em 1967, no longo ápice de sua carreira, ela recebe o segundo Oscar, dessa vez por sua performance no clássico Quem Tem Medo de Virginia Wolf?.   

Como apontou o crítico Ricardo Calil, a beleza da atriz acabou sendo uma espécie de dificuldade, logo no princípio de sua carreira. Quando fez os testes para There´s One Born Every Minute, de 1942, os executivos da Universal Pictures ficaram encantados com os seus olhos cor de violeta. Mas a fissura pela beleza física ofuscou o talento e, com a não aprovação do público, o contrato de Elizabeth Taylor foi revogado pela Universal.

A MGM resolveu lhe dar outra chance em A Mocidade é Assim e, dessa forma, sua carreira começou a seguir os passos do sucesso. Sucesso esse que rendeu a Elizabeth Taylor o posto de primeira mulher a receber um cachê de US$ 1 milhão pela participação em um filme. O filme em questão é Cleópatra (1963), no qual ela interpreta a personagem título.

 Um investimento alto para um filme abaixo da média, porém o feito de Taylor abriu portas para as atrizes hollywoodianas, em termos financeiros, afinal, se compararmos hoje, um cachê de uma atriz como Julia Roberts não fica abaixo dos sete zero.  

Nos anos 80 e 90, a carreira de Elizabeth Taylor já não estava mais no ápice, mas estrela continuava brilhando, mesmo em participações em filmes como Os Flinstones (1995). Seu nome, porém, continuava sendo marca registrada de Hollywood.

Do lado de fora, nove casamentos e ativismo por diversas causas, inclusive no apoio ao combate à AIDS. Defendeu o amigo Michael Jackson quando o mesmo foi acusado de pedofilia e gerou revolta por muitas parcelas da sociedade. Uma igreja de fundamentalistas, inclusive, está conclamando um protesto no dia do funeral da atriz, por ela defender as causas homossexuais.

Elizabeth Taylor, ao morrer, deixa um enorme legado. Ela não vai ser lembrada como a primeira atriz que conquistou um cachê de US$ 1 milhão, mas sim como uma profissional intuitiva, já que nunca teve um aprendizado formal em artes cênicas, que fez brilhar a estrela e ajudou a construir a era de ouro do cinema de Hollywood. 

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