sábado, 19 de fevereiro de 2011

Crítica: Santuário

Rebarba de Avatar

Carlos Baumgarten

O nome que mais chamou atenção foi o de James Cameron, mas ele não assina nem a direção, nem o roteiro. Um dos atrativos seria a tecnologia 3D, mas não temos, sequer, uma cena que a ferramenta seja bem aproveitada. O elenco, provavelmente esperando ser impulsionado pelos efeitos, deixa a desejar. E, por fim, o roteirista estreante se inspirou em sua própria experiência para criar a trama.

Este é Santuário, mais um marketing do 3D de Cameron, sendo que as chamadas abusavam nas referências a Avatar (2009). Mas, a impressão que dá é a de que Santuário foi feito com a rebarba da superprodução de James Cameron. O filme conta a história de um grupo de mergulhadores que fica preso em um labirinto de cavernas subaquáticas e luta contra o tempo para encontrar a saída.

A situação começa a desenvolver a paranoia dos mais inexperientes, sendo que o “titio” da turma, “burro velho” das águas, procura passar todo o seu conhecimento sobre mergulho para conduzir o caminho para a sobrevivência. Só que a impaciência, que lhe é peculiar, vai levantar muitos conflitos entre as personagens, incluindo com o próprio filho do experiente mergulhador, que discorda dos métodos utilizados pelo pai.

O único atrativo do filme, que seria a tecnologia 3D, foi desperdiçado. Nenhuma das cenas, nem as de tensões provocadas pelas imagens subaquáticas, aproveita bem a ferramenta. Infelizmente, vemos as personagens caminhando em nossas direções, com pouco ar, pouco espaço, que pode provocar sensações claustrofóbicas, mas nada de novidade do que vemos em filmes típicos da sessão da tarde.

O diretor Alister Grierson  e os roteiristas Andrew Wight (que passou pela experiência do filme) e John Garvin não conseguiram criar uma atmosfera de maior suspense e tensão, atingindo nada mais do que o previsível, com ambientes escuros envoltos por rochas, muita água e a incerteza: irão eles sobreviver? Além disso, a trama paralela, o drama familiar, vivido entre pai e filho, vende o clichê de um sentimentalismo barato, em que os dois passam a se conhecer melhor dentro de uma situação de risco.

Enfim, James Cameron parece que retirou um dinheiro da poupança de Avatar para investir nessa produção. O resultado está bem aquém do que se poderia imaginar, o que faz de Santuário apenas mais um filme, sem nenhum aspecto relevante que o torne um diferencial.   

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