segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Uma noite de confirmações

Carlos Baumgarten



Talvez de forma tardia, David Fincher foi reconhecido como um dos grandes diretores de sua geração. Desde o seu primeiro filme, Alien 3 (1992) até o mais recente, A Rede Social, seu talento e personalidade revelavam uma condução firme, esteticamente alucinada e cuidada nos mínimos detalhes.

A conquista do Globo de Ouro de melhor diretor na noite deste domingo mostra ainda a confirmação do favoritismo de A Rede Social para a principal premiação do cinema norte-americano, que é o Oscar. Confirma ainda uma nova tendência em Hollywood, em premiar o que tem qualidade estética e, acima de tudo, de conteúdo.

A Rede Social foi um filme preparado de forma peculiar, em um momento oportuno, como colocou o crítico Rubens Ewald Filho, direcionado para toda uma geração que vive em torno das populares redes sociais. Foi premiado não pelo seu orçamento ou pelo seu elenco, mas por seu contexto, por seu roteiro e por sua direção.

Com isso, não quero desmerecer o elenco, que, diga-se de passagem, foi escolhido “a dedo” e não há como pensar em outra pessoa para interpretar Mark Zuckerberg senão Jesse Eisenberg, uma espécie de Alex, de Laranja Mecânica (1971), de sua geração, guardada, obviamente, as devidas proporções.  

Outro favorito, O Discurso do Rei, infelizmente, acabou passando despercebido, mas arrebatou o merecido prêmio de melhor ator para Colin Firth. O filme só estreia no Brasil em fevereiro, mas pela sua repercussão já se podem levantar grandes expectativas. O britânico Colin Firth interpreta o rei Jorge VI, que assumiu o trono da Inglaterra, mesmo sofrendo de extrema gagueira.

Se David Fincher foi reconhecido como um dos grandes diretores de sua geração, Natalie Portman confirmou o seu talento e favoritismo e, sem dúvida, hoje, é uma das grandes estrelas de Hollywood. Seu talento já era evidente desde cedo, quando começou a atuar aos 14 anos de idade. Toda sua trajetória converge para o seu último trabalho, Cisne Negro, pelo qual conquistou o Globo de Ouro de melhor atriz e já é considerada a favorita para levar o Oscar em fevereiro.

Foi uma premiação mais que justa, de certa forma, equilibrada, mostrando, mais uma vez, que bom roteiro e bons atores valem mais do que altos orçamentos. Prova disso é que, apesar de A Origem, de Christopher Nolan, ter um bom roteiro e uma excelente direção, acaba tendo força maior pelos efeitos especiais.

Vale registrar, para finalizar, que Nolan é mais um dos diretores que ganham respeito e espaço na cinematografia mundial, desde o seu cult Amnésia (2000) até a sua versão adulta de Batman. Como Fincher, ele só precisa esperar o momento (e o filme) oportuno para conquistar o seu reconhecimento frente à poderosa indústria hollywoodiana.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário