sábado, 22 de janeiro de 2011

Prato cheio para uma Hollywood tendenciosa

Carlos Baumgarten


O anúncio de que Hollywood está preparando um filme sobre a vida do fundador do site WikiLeaks revela o oportunismo da situação. Julian Assange não é uma daquelas figuras que deva ter a sua cinebiografia exposta gerações depois dos seus feitos. Não é como Hitchcock, que fez história no seu tempo e vai ganhar um longa, possivelmente, protagonizado por Anthony Hopkins. Todos querem saber quem é Assange e como ele consegue todas aquelas informações sigilosas.

Os produtores que adquiriram os direitos do livro The Most Dangerous Man in the World (o homem mais perigoso do mundo) consideram o projeto um thriller dramático e de suspense, de acordo com revista Variety. Além de oportunista, eu diria que se trata de um projeto também tendencioso, afinal, estamos falando do homem conhecido por ter vazado diversos documentos secretos dos Estados Unidos em seu site.

Para prendê-lo, foi preciso acusá-lo de crime sexual, que teria sido cometido na Suécia. Assange revelou-se um homem ameaçador ao mostrar ser articulado o suficiente para ter acesso a tais documentos. Se fosse morto, poderia ser considerado por muitos um mártir. Para os Estados Unidos, porém, trata-se de uma espécie de “mosca na sopa”.

O livro do qual será adaptado o longa foi escrito pelo jornalista australiano, conterrâneo de Assange, Andrew Flower. Com os direitos nas mãos, Hollywood pode fazer a adaptação que lhe for conveniente. Apesar de observamos uma mudança na linha de pensamento das grandes produções, não podemos criar expectativas em cima de uma obra que narra a história de uma das figuras de maior impacto na diplomacia mundial dos últimos tempos.

O oportunismo se faz no momento em que todos querem saber quem é esse homem e, assim como o Facebook, acompanhar uma história de impacto para toda uma geração.  Se os produtores não forem tendenciosos, teremos, de fato, um trabalho que se igualará ao impacto de Todos os Homens do Presidente (1972), guardada as proporções da época. Foi o que colocou um dos produtores do filme, Barry Josephson. 

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