domingo, 23 de janeiro de 2011

Nossos caminhos 2

Carlos Baumgarten


Os produtores de Tropa de Elite haviam anunciado que pretendiam fazer um terceiro longa da franquia, dessa vez em 3D, diante do sucesso estrondoso do segundo filme em 2010. Na semana passada, José Padilha sinalizou que iria fazer um filme sobre a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A base para a produção seria um livro que está sendo escrito por Rodrigo Pimentel, o mesmo que escreveu Tropa de Elite e, hoje, é também “comentarista de segurança” da Globo.

Seria esse o Tropa de Elite 3? Bom, independente da resposta, o fato é que Padilha parece estar restringindo o seu talento aos chamados “filmes de favela”. Isso porque ele está indo na onda da suposta nova (até antiga, já) mania do público da última década, que é prestigiar filmes desse gênero. Prova disso é o resultado de filmes como Cidade de Deus (2002). Carandiru (2003) e o próprio Tropa de Elite (2007).

O sucesso de Tropa 2, sem dúvida, influiu na decisão de Padilha. Será difícil imaginar que possamos esperar um filme superior ao que já vimos. O público se acostuma com um estilo de filme e, mesmo por curiosidade, apenas, passa a lotar as salas do cinema. E nesse momento passamos por uma transição dos “filmes de favela” para a nova onda espírita, a religião do momento no Brasil.

Diversos filmes inspirados na vida e obra de Chico Xavier têm sido lançados e anunciados. E eles fazem bonito nas bilheterias. Vale registrar aí uma nova tendência da cineTV global, que leva a linguagem televisiva para as telas do cinema. Agora, longas da Globo ganham alguns minutos a mais e viram minisséries da rede.

O Bem Amado (2010), que foi novela nos anos 70 e virou um longa-metragem no ano passado, virou minissérie (exibida na semana passada), oriunda do filme dirigido por Guel Arraes. Daniel Filho foi pelo mesmo caminho e o seu filme Chico Xavier (2010) será exibido em formato de minissérie a partir desta terça-feira.

Eles percorrem um caminho que, até então, era feito de maneira oposta. Primeiro, a minissérie e depois o filme. Exemplos são O Auto da Compadecida (2000) e Caramuru: A Invenção do Brasil (2001), ambos de Guel Arraes. Mas, é óbvio, que você alongar um trabalho é mais vantajoso, em termo de público, do que você diminuí-lo.

Então, a tendência é essa: conquiste o público no cinema, desperte a curiosidade e lance uma minissérie com cenas adicionadas na TV, que tem um alcance ainda maior. Se for de um gênero, arrisque o máximo que puder e, quando o público enjoar, procure uma nova fórmula e um assunto do momento. Essa é a nova forma de se fazer cinema de massa e ainda levar a forma de televisão para a telona e vice-versa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário