domingo, 2 de janeiro de 2011

As chances de David Fincher

Carlos Baumgarten


O ano começou e já nas primeiras semanas temos um importante evento de premiação do cinema “pipocão”, que é o Globo de Ouro. O evento acontece no próximo dia 16 de janeiro e é considerado uma prévia do Oscar, que será realizado no dia 27 fevereiro. O público e a crítica (até mais a crítica) já ditam os favoritos. Aliado a isso, temos a preferência dos jurados na indicação dos finalistas aos prêmios.

A Rede Social, de David Fincher, foi batido pelo britânico O Discurso do Rei, de Tom Hooper. Enquanto o filme que narra a criação do Facebook foi indicado em seis categorias, o longa que traz a história do rei Jorge VI, conhecido pelos seus feitos, mas mais ainda pela sua gagueira incontrolável, teve sete indicações ao Globo de Ouro.

Apesar de o número de indicações não ser regra na hora de determinar o favorito a ganhar os prêmios principais, como melhor filme e melhor diretor, já podemos ter um esboço do que será a disputa nos próximos meses. Entretanto, o público brasileiro só poderá conferir O Discurso do Rei no dia 4 de fevereiro, quando estreia o filme em nossa terra, cerca de duas semanas após o Globo de Ouro.

Por outro lado, A Rede Social já está em cartaz desde dezembro e tem feito um relativo sucesso entre o público e principalmente entre a crítica. A direção, sempre alucinada, de David Fincher ditou o tom da narrativa, unindo um elenco de forte empatia com um roteiro bem adaptado do livro de Ben Mezrich.

O diretor, aliás, foi, sem dúvida, essencial ao resultado final. Fincher é um dos grandes talentos de sua geração. Além da personalidade forte, revelada já em sua estreia na direção em Alien 3 (1992), quando bateu de frente com os grandes executivos da Fox por discordar de muitas decisões tomadas durante o processo de produção, o cineasta tem um dom para ditar uma narrativa dinâmica, dosando o ritmo de forma que o público tenha fôlego para seguir até o fim.

Exemplos não faltam na sua, relativa, recente filmografia: Seven (1995), Vidas em Jogo (1997), Clube da Luta (1999), Zodiáco (2007), O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), entre outros. O último título, diga-se de passagem, foi responsável pela primeira indicação de David Fincher ao Oscar de Melhor Diretor, que, na ocasião, ficou com Danny Boyle, por Quem Quer Ser Um Milionário (2008).

Esse fato não garante, mas já é um ponto a favor de Fincher na disputa. Não é somente a questão de A Rede Social ser um filme de muita qualidade, dentro de uma história real, polêmica, recente e, até então, pouco conhecida entre o grande público. Trata-se também da confirmação do reconhecimento do trabalho de Fincher, que vem se consolidando como um dos grandes diretores dos Estados Unidos.

Sua influência dos primórdios, quando dirigia videoclipes, o acompanha e seus trabalhos, apesar de estarem incluídos no cinemão comercial de Hollywood, têm um “quê” de alternativo (veja a força do polêmico Clube da Luta). Pode até ser que David Fincher não saia com a estatueta nas mãos, mas, vale repetir, já inicia o ano consagrado como um dos grandes talentos de sua geração.      

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