terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O eterno sorriso

Carlos Baumgarten


Dois ícones da comédia saíram de cena este ano. Em 28 de novembro, o ator Leslie Nielsen morreu aos 84 anos, deixando a lembrança de papéis cômicos inesquecíveis, sempre com a veia de canastrão, mas com um carisma único de um talento singular. Poucas semanas depois, no dia 15 de dezembro, foi-se o cineasta Blake Edwards, aos 88 anos.

Este último, responsável por clássicos como Bonequinha de Luxo (1961), Victor ou Victoria (1982) e a cinessérie da Pantera-Cor-de-Rosa (entre os anos 60 e 90), nos deixa uma lacuna no processo de condução da comédia, tanto sutil, quanto física. A junção entre os talentos desses dois artistas somou, ao longo dos anos, risadas em públicos de diferentes culturas, crenças, faixas-etárias e classes sociais.

Apesar de nunca terem trabalhados juntos, Edwards e Nielsen tinham no sangue o dom da comédia, do fazer rir. Não é tarefa simples. Na verdade, é algo genial. O humor, enquanto arte, é um processo tão complexo que figuras, como essas duas que se foram, acabam tornando-se raras em nosso mundo.

A sensibilidade, o carisma e, principalmente, o bom-humor podem esconder fragilidades nunca imaginadas antes. A comédia é a arte de divertir o próximo, talvez, uma das mais nobres atividades dentro do campo cultural. As luzes se apagam, a cortina se fecha, mas o sorriso continua eterno. O público agradece. 

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