segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cineasta italiano, Mario Monicelle, se atira de janela de hospital

Redação



O cineasta Mario Monicelli, de 95 anos, se atirou da janela de um hospital em Roma, onde estava internado, e morreu nesta segunda-feira, de acordo com informações da agência Ansa. Não foram divulgadas outras informações sobre os motivos que teriam levado o cineasta italiano a se suicidar. Fontes afirmam que ele foi diagnosticado há alguns dias com câncer de próstata.

Monicelli tem uma vasta filmografia e era considerado um dos maiores diretores da safra italiana. Entre os seus principais filmes, estão O Incrível Exército de Brancaleone (1966), Meus Caros Amigos (1975) e Quinteto Irreverente (1982). Em 1959, seu filme La Grande Guerra foi contemplado com o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza, além de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro daquele ano.

Nascido em Viareggio, província de Lucca, na Itália, Monicelli foi crítico cinematográfico entre os anos 30 e 40, período em que trabalhou em alguns poucos trabalhos, especialmente curtas-metragens. Em 1949, começou a desenvolver seus próprios trabalhos,  imprimindo o seu estilo marcante, por meio de uma narrativa simples, mas eficaz para o andamento de suas tramas. Ele optou por se consagrar com um estilo sem virtuosismos, valorizando a narrativa e concentrando-se no desenvolvimento de seus filmes. 

Diagnóstico sobre audiovisual na Bahia será apresentado em encontro

Redação


Será realizado nestas terça, 30, e quarta-feira, 1º de dezembro, o Seminário Economia do Audiovisual - Cultura da Convergência e Sustentabilidade, no Sebrae, em Salvador. O objetivo é reunir pesquisadores, empresários e gestores públicos para uma ampla discussão sobre a perspectiva econômica do audiovisual brasileiro e apontar novos caminhos para a sustentabilidade da atividade. Na ocasião, será apresentada a pesquisa inédita Diagnóstico da Rede Audiovisual da Bahia, do economista Paulo Miguez. 

O diagnóstico retrata a dinâmica produtiva do audiovisual na Bahia e deve servir de base para buscar novos caminhos para o desenvolvimento do segmento, reconhecendo-o como atividade complexa e sistêmica, na qual atuam artistas, artesãos, técnicos e agentes produtivos. A solicitação para o levantamento do diagnóstico partiu da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), promotora do Seminário, que conta com a parceria do Sebrae.

Ainda durante o encontro, será assinado um convênio entre a Ancine (Agência Nacional de Cinema) e o Irdeb (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia) para a implantação do Programa Especial de Fomento – Imagens da Bahia. A iniciativa tem o objetivo de criar um novo mecanismo de apoio direto à atividade audiovisual no Estado. Conforme explica o diretor de Economia da Cultura da Secult, Eduardo Damasceno, o convênio vai possibilitar a captação de R$ 11 milhões em recursos para a produção audiovisual baiano em 2011. “Antes esse poder era exercido exclusivamente pela Ancine. Agora, o Irdeb poderá atuar, adequando a captação às necessidades locais”, diz.

Também no âmbito do Seminário, a Ancine ministrará workshops voltados ao público de realizadores e de gestores municipais de Cultura. Os encontros visam à capacitação desses profissionais para utilização do Fundo Setorial do Audiovisual. Serão abordados os mecanismos existentes para investimentos em projetos de produção e para implantação de complexos de cinema em cidades com mais de 20 mil e menos de 100 mil habitantes, que não disponham desse serviço.

Morre o diretor de O Império Contra-Ataca



Redação



Após a notícia da morte do comediante Leslie Nielsen, a sétima arte teve mais uma baixa nesta segunda-feira. Morreu o diretor Irvin Kreshnet, responsável pelo filme O Império Contra-Ataca (1980), da franquia Guerra nas Estrelas, além de outros blockbusters, como 007 Nunca Mais Outra Vez (1983) e Robcop 2 (1990).

Kreshner tinha 87 anos e, ao longo de sua carreira, dirigiu 24 filmes. Ele nasceu na Filadélfia, em 1923, e trabalhou com música e fotografia antes de começar sua trajetória no cinema. De acordo com informações divulgadas, o cineasta estava com a saúde frágil e morreu em sua própria casa, em Los Angeles. 

Morre o comediante Leslie Nielsen



Redação



O ator canadense Leslie Nielsen, conhecido pela sua veia cômica, morreu neste domingo, segundo informações divulgadas, por complicações devido a uma pneumonia. Nielsen tinha 84 anos.

O comediante ganhou fama nos anos 80, por conta de filmes como Apertem os Cintos: O Piloto Sumiu”! (1980) e Corra que a Polícia Vem Aí (1988), sendo que este último originou duas sequências. Chegou a trabalhar na produção de ficção científica O Planeta Proibido (1956) e no drama O Destino do Poseidon (1972).

Entretanto, foram os papéis cômicos que deram ao ator a fama mundial. Seu último papel foi no filme Corra que Tem Loucos Por Aí, em 2008.

Nascido na cidade de Regina, no Canadá, em 11 de fevereiro de 1926, Nielsen participou de mais de 100 filmes e programas de TV ao longo de sua carreira. 

sábado, 27 de novembro de 2010

Conflitos no Rio e Tropa de Elite: a popularização do Bope

Carlos Baumgarten



Pode até ser uma visão pessoal, mas a verdade é que, desde o primeiro Tropa de Elite, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) parece ter ganhado uma popularidade maior. Popularidade essa que pode até ser prejudicial, uma vez que muitos membros da nossa sociedade acreditam que o caminho para o fim da violência é a própria violência.

Quando Tropa de Elite foi lançado em 2007, o capitão Nascimento tornou-se uma referência para uma sociedade amedrontada e paranoica. A ideia de que “vagabundo comigo não tem vez” e que “tudo se resolve na base da tortura”, defendida em muitos níveis da nossa sociedade, foi revisada na sequência do filme de José Padilha.

O discurso ganhou um ar mais político e mais “humanista”, por assim dizer. Nascimento vira um tipo de super-herói do povo brasileiro e faz o que muita gente teria vontade de fazer, como, por exemplo, dar uns tabefes em um deputado corrupto. E, em meio a esses lamentáveis acontecimentos no Rio de Janeiro, que já estão completando uma semana, é inevitável fazer essa ligação com o filme de Padilha.

O Bope surge na televisão como uma personagem popular entre os brasileiros, respeitado como estrela de cinema e admirado como herói nacional. O discurso torna-se superficial, voltando ao primeiro filme, em 2007. Eu, particularmente, já ouvi gente falando que “considerar traficante pobre coitado é frescura. Tem que matar”. Pobre coitado ninguém quer ser, com certeza. Optar pelo crime é uma opção, sem dúvida. Mas seria uma opção consciente?

Sabemos que quem sustenta o tráfico, em grande parte, é a classe média alta, a polícia corrupta e os políticos que almejam o poder acima de tudo. Aliar os dois discursos dos Tropa 1 e 2 e entender o que representa a atual guerra civil que ocorre no Rio é rever uma série de valores da nossa sociedade.

Como publicado na Agência O Globo hoje, os conflitos no Rio deram um novo fôlego ao filme de Padilha. Mas precisamos entender o porquê: a popularização do Bope, a necessidade dos heróis fictícios ou entender essa lógica ilógica da violência pela violência? O cinema nos ajuda a refletir sobre o que se passa ao nosso redor, mesmo quando achamos que já debatemos tudo que podíamos debater.   

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Entrevista

Qual o seu tipo de filme: drama, romance ou NACIONAL?




Carlos Baumgarten
Fotos: Tatiana Takahashi

Com muito bom humor, a jovem roteirista e produtora, Bia Crespo, de 21 anos, lançou à luz dos holofotes uma discussão que, superficialmente, para muitos de nós, pode até passar despercebida. Porém, se formos ao fundo da questão, veremos que passa além de um simples “rótulo de prateleira” e já parte para um debate que envolve a valorização do nosso cinema.

Cena de Final Feliz.
Bia foi a responsável pelo roteiro do curta-metragem Final Feliz, projeto premiado no concurso Brasil em Cartaz, promovido pela Rede Cinemark. O curta foi dirigido por Dario Pato e se passa na fila de um cinema, quando um cliente xaveca a atendente da bilheteria. Na conversa, a atendente pergunta ao rapaz que tipo de filme ele gosta. Um dos gêneros citados por ele é “nacional”. Eis o grande cerne da questão.

Quando vamos às locadoras, por exemplo, acredito que em todo o País, vamos vasculhando: “lançamentos”, “drama”, “suspense”, “romance”, “comédia”, “NACIONAL”... Embora a produção tupiniquim desenvolva filmes dos mais diferentes gêneros, não importa a “rotulação”, eles sempre vão ser identificados como “NACIONAL”.

E é de forma bem-humorada que a roteirista e produtora Bia Crespo, juntamente com o diretor Dario Pato e toda a sua equipe, abordam essa questão em pouco menos de dois minutos. Bia, que é estudante do curso superior de Audiovisual da Escola de Comunicação e Artes da USP, concedeu ao Nicotina, Cafeína e Cinema esta entrevista, na qual abordamos a questão da valorização do cinema nacional.

Ele diz que gosta de filme "nacional".
Desde os 13 anos, Bia já sabia que queria trabalhar na área de audiovisual. “Foi um despertar muito simples: todos os meus amigos já falavam sobre alguma carreira que queriam seguir e eu não fazia ideia do que pretendia fazer no futuro. Minha mãe disse que eu deveria fazer algo que realmente gostasse. Eu disse que gostava muito de ir ao cinema e ela respondeu que talvez ‘fosse isso’”, lembra.

E não é a primeira vez que um trabalho desta jovem roteirista e produtora é contemplado no concurso da Cinemark. No ano passado, ela produziu o filme, “Menu”, dirigido pela Camila Luppi, vencedor do concurso promovido pela rede de cinemas. Quem quiser conferir esses e outros trabalhos de Bia Crespo, podem acessar a sua página do Vimeo: http://vimeo.com/biacrespo.

Ela diz que "nacional" não é gênero. 
Se ficou curioso para conferir Final Feliz, não perca tempo: clique aqui e veja o curta e confira aqui o making of. Para entrar em contato com a nossa entrevistada, escolha o Twitter (@wannabia) ou o Facebook (http://www.facebook.com/profile.php?id=100000019231334&v=info). E abaixo, sem mais delongas, confira a entrevista gentilmente concedida por Bia Crespo ao nosso blog:



Nicotina, Cafeína e Cinema - Apesar dos diversos gêneros do cinema nacional, nós, brasileiros, costumamos rotular a nossa produção como NACIONAL, ao invés de rotulá-los de acordo com os gêneros da prateleira. De que forma você aborda essa questão no seu projeto?

Bia Crespo - Eu tentei expor a questão de forma bem leve e cômica, sem parecer que realmente estava levantando uma discussão. É um diálogo simples entre uma vendedora de ingressos do cinema e um rapaz que tenta paquerá-la, mas acaba se dando mal, porque diz que gosta do gênero “nacional”, que ela alega não ser um gênero. É um filme de um minuto com uma piadinha, mas essa coisa de nacional não ser um gênero acaba ficando na cabeça das pessoas. Pelo menos, é isso que eu espero.

NCC - Na sua opinião, o que leva a população brasileira a generalizar a sua própria produção? Seria o imperialismo hollywoodiano ou uma questão cultural de não aceitar o que é da terra (como aqueles comentários: "nem parece que é filme brasileiro"!)?

BC - Eu acho que essa generalização vem de muito tempo atrás. Nos anos 70, diziam que todo filme brasileiro era filme de sacanagem. Desde o começo da década, estamos vivendo a época do “filme de favela”. Agora tá começando o tal do “sci-fé”, que traz uma onda de filmes sobre o espiritismo. O problema não é que todos os nossos filmes tratam do mesmo tema, e sim que nossos filmes que fazem sucesso tratam do mesmo tema. O Brasil tem uma produção cinematográfica razoável, mas só apresenta quatro ou cinco blockbusters por ano. Se um filme cai no gosto do público, logo surgem vários outros sobre a mesma coisa. Como a gente não tem uma indústria cinematográfica no Brasil, o jeito é ficar repetindo fórmulas que já deram certo. Os filmes que fogem desse “tema dominante” não entram no circuito comercial, mas eles sempre existiram.

NCC - Faltaria um pouco de firmeza dos nossos produtores com relação a essa questão?

BC - Não sei se a culpa é só dos produtores. Acho que é de todo mundo: produtores, roteiristas, diretores, distribuidores e exibidores. No Brasil, costumam existir só dois tipos de cineastas: aqueles que se consideram “artistas” e fazem filmes para um público específico e seleto e aqueles que só fazem filmes para mais de um milhão de espectadores e, portanto, nunca saem da mesma fórmula. Não existem filmes no meio-termo, aquele tipo de filme que você assiste, se sente bem, e depois esquece. Ou é um sucesso estrondoso, ou ninguém viu. É difícil ter uma variação de gêneros quando nossa produção é centralizada e quando os distribuidores não dão espaço para filmes de médio apelo.

NCC - Como estudante de audiovisual no Brasil, hoje, como você vê as possibilidades de mercado para vocês, novos realizadores?

BC - O mercado é bastante complicado para cineastas independentes. Enquanto fica cada vez mais fácil fazer um longa-metragem de baixo orçamento graças ao formato digital e ao barateamento das câmeras que filmam em full HD, a possibilidade de exibir o filme em algum cinema de prestígio ou de lançá-lo no mercado diminui brutalmente. Foi-se o tempo em que o jovem cineasta saía com a lata do filme embaixo do braço, batendo de porta em porta atrás de algum exibidor. Se o distribuidor e o exibidor não tiverem certeza de que seu filme será um sucesso de bilheteria, eles não vão lançá-lo. Eu acho que o melhor caminho pro cineasta independente hoje é a internet, seja para lançar o filme, seja para trilhar um caminho para as salas de cinema. O Esmir Filho, por exemplo, ficou famoso com a série “Tapa na Pantera” no YouTube e, uns dois ou três anos depois, conseguiu produzir e lançar um longa-metragem (“Os Famosos e Os Duendes da Morte”) no cinema, ainda que em circuito pequeno.

NCC - Fale um pouco do seu projeto Final Feliz. Detalhe um pouco a história. Você escreveu o roteiro, não foi?

BC - Sim, fui eu que escrevi. É uma história de um minuto que se passa na bilheteria de um cinema. Um rapaz quer ver um filme, mas não sabe qual. Então, a vendedora pergunta de que gêneros ele gosta. Ele acaba se dando mal quando fala “nacional”, porque a vendedora logo explica que nacional não é um gênero. O rapaz ainda tenta dar a volta por cima pedindo dois ingressos pra hora em que ela sair do trabalho. Mas a vendedora avisa que vai ao cinema com o namorado, que é o cara fortão da bombonière.

Bastidores de Final Feliz.

NCC - O que representa, pra você, a premiação do concurso Brasil em Cartaz? 

BC - Esse concurso é uma ótima oportunidade de aprendizado para estudantes de audiovisual. Não sei quando vamos ter a chance de trabalhar com um orçamento de R$ 30.000 de novo… É legal pra ter uma ideia de como funciona o mercado e ter que lidar com prazos, burocracias, fornecedores, etc. Pra mim, o melhor de tudo foi ver o filme no cinema e ouvir o público dando risada. Acho que essa é a melhor sensação que um roteirista pode ter! A maior parte do mérito por essas risadas vai pro Dario Pato, o diretor do filme. Eu costumo trabalhar com o Pato sempre que posso. Eu produzo e ele dirige. A gente tem ideias bem parecidas e ele é um excelente diretor. Fora isso, também gostei muito de ganhar carteirinha VIP pra assistir filmes de graça no Cinemark até o fim de 2011. Eu acho que todo estudante de cinema deveria ter direito a isso… A gente vai ao cinema mais de duas vezes por semana e, de certa forma, é estudo.

NCC - Pra você, qual seria o principal fator de desvalorização do cinema nacional? 

BC - O cinema nacional passou por trancos e barrancos ao longo da sua existência. Nos anos 60 e 70, quando nossa dramaturgia atingiu seu ápice, não tínhamos infraestrutura pra filmar e a maioria das falas tinha que ser dubladas. Nessa época, as pessoas iam ao cinema e não entendiam nada que os personagens estavam falando. Ainda assim, os nossos melhores filmes foram feitos entre essas duas décadas. Agora que trabalhamos com equipamentos de última geração e nossos cinemas são excelentes, não fazemos mais dramaturgia de alta qualidade. E isso não é específico do cinema. A TV também está desvalorizada. Pra mim, o maior problema é que não inventamos mais histórias boas e, se inventamos, não sabemos contá-las.

NCC - A falta de espaço para produções menores acaba dificultando a projeção de novos projetos no Brasil. Você acha que o cinema brasileiro, hoje, está "preso" à "grandes produções"?

BC - Essa discussão é bastante complicada. A utopia do entretenimento é unir qualidade à rentabilidade, mas isso raramente acontece e vem acontecendo cada vez menos. Se fazem filmes que parecem novelas da Globo, é porque o público gosta e paga pra ver. Não acho isso errado. Muito pelo contrário. Acho que nossa maior capacidade audiovisual está justamente nas novelas. Elas já foram bem melhores, mas ainda têm muita força. Se a novela dá 40, 50 pontos de audiência, por que não repetir a história no cinema? Por que não usar aquele ator ou aquela atriz para atrair o público? Brasileiro gosta de novela. Eu também gosto! É parte da nossa cultura. Apesar disso, deveria mesmo haver mais espaço para produções menores. É só com esse tipo de produção mais livre de fórmulas e menos comercial que o cinema consegue evoluir como arte, mas não acho que os filmes comerciais estejam tirando o espaço dos filmes mais artísticos. O público é diferente. Pra mim, difícil mesmo é acertar o ponto. Por exemplo: Tropa de Elite 2 está para se tornar a maior bilheteria da história do cinema nacional e, na minha opinião, não tem nada de mais. É um filme de ação. Se fosse americano, seria um daqueles filmes que a gente vai ver num sábado à tarde, depois do almoço. Agora, Saneamento Básico – O Filme, também com o Wagner Moura (e outros atores Globais), é uma comédia ótima, com roteiro inteligente, totalmente acessível ao grande público e foi vista por apenas 190 mil pessoas.

NCC - Como você avalia a sétima arte no Brasil, hoje? 

BC - Um dos maiores problemas, na minha opinião, é que os cineastas brasileiros não têm visão prática. A maioria dos estudantes de cinema não assiste TV, não acompanha novela, não sabe quais são as febres pré-adolescentes do momento. Esse distanciamento acaba gerando uma alienação que é muito séria. O cineasta quer ser “artista”, quer mostrar sua visão do mundo sem se “contaminar” pela massa. Isso é meio anos 60, sabe? Hoje em dia, o cinema é muito mais comunicação do que arte. E, como comunicacadores, nossa missão é saber exatamente o que o público está pedindo. Temos que expressar nossa visão de mundo de modo que o público seja capaz de absorver essa ideia, e não mantendo um distanciamento elitista. Não precisa fazer novela no cinema, mas também não precisa fazer filme de arte o tempo todo.

NCC - Você acha que o cinema deve ser regionalizado, ou tratado como linguagem universal, o que, como toda obra de arte, o é?

BC - Essa pergunta é bastante difícil. Eu não tenho muito conhecimento sobre cinema de outros Estados, mas imagino que sejam filmes bem voltados para o público interno mesmo, já que não chegam ao Sudeste. Sim, sou a favor da universalidade dos temas, mas acho que isso pode ser feito usando uma região de forte influência cultural como parte da história. “O Auto da Compadecida”, por exemplo, faz parte daquela onda do “nordestino fantástico” e foi sucesso no Brasil inteiro. Era uma produção bem moderna, com câmera rápida e temas que podem ser assimilados por pessoas de qualquer lugar do mundo (pobreza, crime, redenção, fé, dupla de personagens atrapalhados). É como algumas novelas mais antigas (“Roque Santeiro”, “O Bem Amado”, “A Indomada”), que se passam no Nordeste e falam de política e temas que estavam em voga na época. Sim, tanto o filme quanto as novelas são produções do Sudeste com cenário no Nordeste. Então, não sei dizer se esse aspecto universal vem das grandes capitais do País. Acho que o Rio e São Paulo, e principalmente São Paulo, conseguem falar de temas mais abrangentes porque não têm uma identidade cultural tão forte quanto o Nordeste ou o Sul, por exemplo.

NCC - E quais são os seus planos para o futuro?

BC - Ano que vem tenho que apresentar um projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e estou desenvolvendo com mais duas colegas um projeto de longa-metragem. Nunca fizeram um longa de TCC, mas acho que está mais do que na hora. Tenho alguns colegas que vão rodar um western em julho do ano que vem, e, no Rio e no Ceará, os universitários estão produzindo filmes bem legais (“Apenas o Fim”, longa do pessoal da PUC-RIO, por exemplo). Não gosto do formato de curta-metragem. Acho que é bem útil pro aprendizado, mas não tem nenhuma vida comercial. Não estou interessada em ganhar prêmios em festivais. Quero que meu filme seja visto! Fora que as pessoas não têm o hábito de ver curtas-metragens de 10 a 20 minutos. Ou elas assistem filmes de até 3 minutos no YouTube, ou elas sentam para assistir um longa. O ambiente da Universidade é um dos mais propícios para fazer um longa-metragem, já que temos equipamentos e infraestrutura de graça. Nossa ideia é fazer um filme que fale um pouco sobre nossa geração (a “Geração Y”, como dizem). Então, todos os protagonistas serão universitários de 20 a 25 anos. Eles estão tentando assassinar um político famoso. Por enquanto, estamos desenvolvendo o projeto, mas assim que tiver um argumento fechado eu volto aqui pra falar mais sobre o filme, pode ser?

NCCCom certeza!

BC - Foi um grande prazer dar essa entrevista! Quem quiser entrar em contato comigo, pode me adicionar no Twitter (@wannabia) ou no Facebook (http://www.facebook.com/profile.php?id=100000019231334&v=info).

Equipe de Final Feliz. Nossa entrevistada, Bia Crespo, está entre eles. Se você
ficou curioso pra saber quem é, visita a página dela no Vimeo.

Novo filme de Woody Allen chega aos cinemas



Carlos Baumgarten



Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos. Um típico título de um filme de Woody Allen, porque é um filme de Woody Allen. O longa estreia nesta sexta-feira em circuito comercial e traz uma tradicional trama do cineasta nova iorquino. Narra a  história de dois casamentos: Alfie, um homem na melhor idade que após finalizar uma união de décadas, resolve casar-se de novo com uma jovem prostituta.

A esposa abandonada de Alfie, no auge do abandono, torna-se dependente de uma vidente. Já a filha de Alfie mostra que o seu casamento não anda lá grande coisa também. Ela se apaixona pelo seu chefe e o seu marido sente-se atraída pela vizinha. Está formada a trama de um filme de Woody Allen.

Três documentários chegam aos cinemas essa semana. Dzi Croquetes resgata a trajetória do grupo que se tornou símbolo da contracultura ao enfrentar a ditadura militar, usando ironia e inteligência, nos anos 70. Homens utilizando roupas femininas e sapatos de salto alto revolucionavam os palcos nesse período. Já o longa Vida Sobre Rodas conta a história dos primórdios do skate no Brasil, ouvindo os quatro maiores ídolos do esporte aqui no País: Bob Burnquist, Cristiano Mateus, Lincoln Ueda e Sandro Dias.  Completa essa lista o documentário Marília Rocha,  A Falta que Você Me Faz.

Outra estreia é a comédia Os Outros Caras, que traz nomes como Will Ferrel, Mar Whakberg e Samuel L. Jackson. Seguindo a linha dos filmes do “cão”, chega às salas Demônio, dirigido por M. Night Shyamalan, que costumava fazer filmes interessantes nos primórdios. Entretanto, os últimos lançamentos deixaram (e muito) a desejar. 


Demônio narra a história de cinco pessoas, que nunca se viram, e ficam presas em um elevador. Acontecimentos estranhos mostram que uma das pessoas ali dentro não é quem aparenta ser. Completando a lista, estreia o épico da Grã-Bretanha, Centurião.

Aproveite a sessão e bom filme!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Confira a programação do Cine Nostalgia para o mês de dezembro

Dia 02 às 15:00 filme " BECO SEM SAÍDA " ano - 1937 ( USA ).
Atores - Silvia Sidney, Joel M'Crea, Humprey e Claire Trevor.
Diretor - William Wyler.
  
Dia 03 às 15;00  filme " HERANÇA SAGRADA " ano - 1954 ( USA ).
Atores - Rock Hudson, Barbara Rush e Greg Palmer. 
Diretor - Douglas Sirk
 
Dia 04 às 15;30 filme " SONHAREI COM VOCÊ" ano 1951 ( USA ).
Dia 05 às 16;00 ( o mesmo filme ).
Atores - Doris Day, Danny Tomas, Frank Lovejoy e Patrícia Wylmore.
Diretor - Michael Curtiz.
 
Dia 09 às 15:00 filme " O ÚLTIMO CHÁ DO GENERAL YEN" ano 1932 ( USA ).
Atores - Barbara Stanwick, e Nils Aster.
Diretor - Frank Capra.
 
Dia 10 às 15:00 filme " OS CORRUPTOS " ano - 1953 ( USA ).
Atores - Glen Ford, Gloria Grahame
Diretor - Fritz Lang.

Dia 11 às 15;30 filme " DIVINO TORMENTO " ano - 1940 ( USA ).
Dia 12 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Nelson Eddy e Jeanette Mc Donald.
Diretor - W. S. Van Dyke.
 
Dia 16 às 15:00 filme " O HOMEM ERRADO " ano - 1956 ( USA ).
Atores - Henry Fonda e Vera Miles.
Diretor - Alfred Hitchcock.
 
Dia 17:00 às 15;00 filme " O MERCADOR DE ILUSÕES  ano - 1947 ( USA ). 
Atores - Clarke Gable, Debora Keer e Ava Gardner. 
Diretor - Jack Conway.
 
Dia 18 às 15;30 filme " A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM " ano 1967 ( USA ).
Dia 19 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Anne Bancroft, Dustin Hoffman e Katharine Ross.
Diretor - Mike Nichols.
 
Dia 23 às 15:00 filme " DINHEIRO SUJO " ano 1972 França;
Atores - Alain delon, Richard Grenna e  Catharine Deneuve.
Diretor - Jean Pierre Melville.

Dia 24 às 15:00 filme " DESAFIO DAS ÁGUIAS " ano 1968 ( USA )., 
Atores - Richard Burton, Clint Eastwood e Mary Ure.
Diretor - Brian G, Hutton.
 
Dia 25 às 15:30 filme " CASANOVA  70 " ano 1965 ( ITÁLIA)  
Dia 26 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Marcelo Mastroiane, Virna Lisi e Marisa Mell.
Direetor - Mário Monicelli,
 
Dia 30 às 15:00 filme " CORAÇÃO REBELDE " ano - 1961 ( USA ). 
Atores - Elvis Presley, Hope Lange e Tuesday Weld.
Diretor - Phillip Dunne.
 
Dia 31 às 15:00 filme " O CISNE NEGRO " ano -1942 ( USA ),
Atores - Tyrone Power, Maureen O'Hara, George Sanders e Antony Queen.
Diretor - Henry King.

O Cine Nostalgia funciona no Teatro da Barra, na Rua Marquês de Caravelas, em Salvador. O ingresso custa R$ 6 e as exibições acontecem de quinta a domingo. 

A Rede Social terá pré-estreia em São Paulo, próximo sábado

Redação

O novo filme de David Fincher, A Rede Social, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em 3 de dezembro, terá três sessões de pré-estreia no próximo sábado, dia 27, em São Paulo.

O filme mostra como Mark Zuckerberg criou a rede social Facebook e se tornou um dos mais jovens bilionários do mundo, em uma trama que envolve sexo, traições e, claro, muita grana. 

Documentário sobre Elza Soares tem pré-estreia hoje em Salvador

Redação


A cantora Elza Soares vai participar hoje da pré-estreia do documentário Elza, em uma sessão exclusiva para convidados na Sala de Arte Cine XIV, no Pelourinho, em Salvador, a partir das 20h. Dirigido por Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan, o filme retrata a carreira da cantora, bem como o histórico de algumas canções.

O filme mostrará a relação da artista com ícones da MPB, como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Jorge Ben Jor, entre outros. O longa ainda não tem previsão de estreia no circuito comercial.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 já é o filme de maior bilheteria do cinema nacional



Redação



A moda do filme favela no Brasil está começando a dar espaço à safra de filmes espíritas. Entretanto, enquanto a transição não ocorre totalmente, o público responde bem às bilheterias nos longas das favelas brasileiras. Prova disso é o recorde atingido por Tropa de Elite 2 na última terça-feira. O filme de José Padilha atingiu ontem os 10 milhões de espectadores em pouco mais de um mês após a sua estreia.

Vale ressaltar que, dessa vez, não teve o “apoio” da pirataria “precoce, sendo que Padilha adotou um forte esquema de segurança para evitar o vazamento do filme antes de sua chegada aos cinemas, como aconteceu em Tropa de Elite 1. Saúde aos realizadores, mas que eles busquem inovações, e não estagnem em uma fórmula mastigada!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Começa Festival de Brasília


Redação

A partir desta terça-feira, os holofotes de Brasília não estarão iluminando o Congresso ou o Palácio do Planalto. Todas as atenções estarão voltadas para a 43ª Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, que acontece até o dia 29.

A Mostra Competitiva Nacional começa na quarta-feira, com exibição de filmes em 35 mm, e prossegue até o final do festival. Diariamente, serão exibidas duas sessões: a premier, às 20h30, com a presença das equipes e elencos dos filmes, e a reprise, às 22h30. As projeções acontecem no Cine Brasília.

A organização prevê a passagem de 70 mil pessoas pelo evento. Além da Mostra Competitiva, o público poderá conferir a Mostra Brasília, que evidencia produções locais. Ao todo, serão distribuídos R$ 555 mil em prêmios. A cerimônia de premiação acontece no dia 30 de novembro, no Cine Brasília.

Confira quem está na disputa da Mostra Competitiva:

Longas


A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande (RJ).
Transeunte, de Eryk Rocha (RJ).
Os Residentes, de Tiago Mata Machado (MG).
O Céu sobre os Ombros, de Sérgio Borges (MG).
Amor?, de João Jardim (RJ).
Vigias, de Marcelo Lordello (PE).


Curtas 



Cachoeira, de Sergio José de Andrade (AM).

Fábula das Três Avós, de Daniel Turini (SP).
Angeli 24 Horas, de Beth Formaggini.
Contagem, de Gabriel Martins e Maurilio Martins (MG).
Acercadacana, de Felipe Peres Calheiros (PE).
Braxília, de Danyella Proença (DF).
Matinta, de Fernando Segtowick (PA).
Falta de Ar, de Érico Monnerat (DF).
A Mula Teimosa e o Controle Remoto, de Hélio Villela Nunes (SP).
Café Aurora, de Pablo Polo (PE).
O Céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta (MG).
Custo Zero, de Leonardo Pirovano (RJ). 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Filmes pela internet sem pirataria

Redação



A Netflix, uma dos maiores empreendimentos do segmento de aluguel de filmes pela internet, anunciou que o lançamento de uma oferta de assinatura que permite assistir filmes online em caráter ilimitado, sem necessidade de receber o DVD.

Em comunicado, a empresa explicou que o conteúdo online é o mais acessado hoje em dia, inclusive no que se refere à filmes e séries. Agora, os assinantes podem obter episódios de séries de TV ou filmes em seus televisores ou computadores. A oferta lançada no mercado americano está disponível ao preço de US$ 7,99 por mês. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O início do fim: chega aos cinemas primeira parte do último Harry Potter


Carlos Baumgarten

Depois de uma década, os atores da saga Harry Potter estão livres para viverem as suas vidas. O primeiro passo é se desintoxicar das personagens que restringiram os artistas mirins (hoje adultos) até de jogar futebol, por exemplo (o contrato não permitia que eles colocassem em risco suas integridades físicas para não atrasar as filmagens e evitar substituição de elenco). O próximo passo é mostrar que podem fazer mais do que feitiços ou voar em vassouras.

A estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é o início do fim da saga do bruxo britânico, que virou, primeiro, um fenômeno na literatura para depois seguir o sucesso nas telas. A última parte da série será lançada já no ano que vem. É um típico filme para fãs.

Fora do circuito comercial, uma das estreias é A Vida Durante a Guerra, um drama focado em relacionamentos familiares. Outro drama, só que oriundo da França, é o longa Um Homem que Grita, que se passa na República do Chade. O filme narra a história de um ex-campeão de natação que trabalha na piscina de um hotel de luxo e é obrigado a se demitir quando investidores chineses compram o empreendimento. É o início de uma guerra civil e o governo cobra da população uma contribuição com o “esforço de guerra”, algo que nem todos podem pagar.

Para finalizar a nossa lista, outro título francês chega aos cinemas neste fim de semana. Trata-se do drama Um Novo Caminho, que se desenrola dentro de um romance em uma clínica de reabilitação para alcoólatras. Agora, é só escolher os seus horários! Bom filme!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Crítica: Senna

Retrato chapa branca



Carlos Baumgarten


Ayrton Senna não foi só um grande ídolo do automobilismo. Foi um grande ídolo do esporte mundial. Sua agressividade nas pistas contrastava com a tranquilidade junto à família. O documentário Senna, que estreou na última sexta-feira em circuito nacional, apresenta a trajetória de vitórias do piloto até a sua morte precoce, em 1994. Um relato positivo, emocional e digno de um campeão.

Mas, como todo relato emocional, a linha de distância entre a história e o realizador torna-se tênue. A impressão que temos é que o filme Senna foi feito exclusivamente para agradar os fãs do piloto e do automobilismo. Diga-se de passagem, ninguém pode negar que Ayrton Senna foi um grande campeão, de fato, e foi um dos poucos que lutou contra a politicagem na Fórmula 1.

Entretanto, a sua agressividade ou obsessão pela vitória, em determinados momentos, poderia ser interpretado como um ato falho. Uma fala do seu arquirrival, Alain Prost, esclarece esse ato falho. Em um dos  GPs de Mônaco, Senna pilotava ferozmente a sua McLaren, tendo inclusive sendo alertado pelos seus engenheiros de que a vantagem dele era imensa e o ritmo deveria ser reduzido. Ele não deu ouvidos e, resultado: acabou no guardrail.

Na ocasião, Prost citou que Senna queria humilhá-lo com tal atitude, o que, do ponto de vista do documentário, veio como uma declaração de mau perdedor. Apesar de se comentar que Senna cresceu com o fato, o retrato do campeão é focado em todos os seus pontos altos, sua personalidade determinada, persistente e a imagem que ele passava ao público de humildade.

Pode até não ser uma intenção explícita, mas Senna faz um retrato do nosso campeão como alguém incorruptível, um ser humano além do plano terreno. Guiado pelo talento, pela persistência e por muita fé, Senna foi tricampão mundial de Fórmula 1, tendo que enfrentar nomes como Alain Prost e políticos do automobilismo mundial, como o presidente da Federação Internacional de Automobilismo da época, Jean Marie Balestre.

Com esses elementos, o documentário de Asif Kapadia ganha ares de drama ficcional: você tem batalhas nas pistas, vilões fora delas, muito dinheiro em jogo e um herói. Por tudo que fez,  merecidamente, Senna é reconhecido até hoje como um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1. Sua luta por melhores gestões e melhores condições para os pilotos, infelizmente, vieram apenas após a sua morte, no GP de San Marino, em 1994. Desde o fatídico 1 de maio de 1994, não houve mais fatalidades na categoria. Ele só não conseguiu derrotar o maior de todos os vilões: a politicagem.

Mas, seu legado para o esporte é evidente, apesar de até hoje não termos nenhum piloto brasileiro em evidência na Fórmula 1. O documentário Senna é uma excelente pedida para diversos públicos: para os curiosos, para os admiradores do piloto, para os fãs de automobilismo, para quem quer ver um pouco dos bastidores, enfim, pode e deve agradar a muita gente. Para os críticos, deve deixar a desejar no sentido de se focar no “endeusamento” do piloto.

Asif Kapadia fez um filme todo em cima de imagens de arquivo. Os depoimentos atuais, do jornalista Reginaldo Leme, da sua irmã, Viviane Senna, e de personalidades da Fórmula 1, como o próprio Prost e Frank Williams, seu último patrão, são executados em off, sobre as imagens. E são inúmeras cenas de bastidores, entrevistas inéditas e até vídeos caseiros. É um relato extremamente rico, bem conduzido de uma figura que trazia alegrias a muitos brasileiros nos domingos.

Talvez, desse ponto de vista, possamos entender porque Kapadia focou na emoção em vez de optar pela razão. Mais do que um documentário, mais do que a construção de uma vida, a construção de um ídolo, é um tributo a um campeão e a uma referência do esporte mundial.    

Foto: Divulgação

sábado, 13 de novembro de 2010

Sétima arte se despede de Luis García Berlanga, grande nome do cinema pós-guerra espanhol


Redação



Morreu neste sábado, em Madri, o cineasta espanhol Luis García Berlanga. Ela tinha 89 anos e sofria do Mal de Alzheimer.

Berlanga foi um dos grandes nomes do cinema espanhol do pós-guerra, cujo movimento superou a censura com um humor ácido e inteligente, para retratar a Espanha atingida pela Guerra Civil, entre 1936 e 1939. Seu principal longa foi Bienvenido, Mr. Marshall! (1953). Seu último filme foi Paris Tombctu, de 1999.

Luis García Berlanga nasceu em Valencia, no dia 12 de junho de 1921. Antes de entrar na carreira cinematográfica, foi estudante de filosofia. Quando descobriu qual era a sua verdadeira vocação, ingressou no Instituto de Investigaciones y Experiencias Cinematográficas, em Madri. Berlanga é considerado um dos grandes renovadores do cinema espanhol do pós-guerra. Como já foi dito, suas narrativas caracterizavam-se pela ironia de diferentes situações políticas e sociais, um ponto forte da produção do período do franquismo. 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Godard recusa receber Oscar por conjunto da obra

Redação


O cineasta Jean-Luc Godard, um dos grandes nomes da Nouvelle Vague francesa, não vai comparecer à solenidade de premiação, onde receberia um Oscar pelo conjunto de sua obra, neste sábado. Trata-se de uma homenagem da Academia de Artes e Ciência Cinematográfica, durante a entrega dos Governors Awards, que contará com a presença de cnomes como Francis Ford Coppola e Eli Wallach.

A solenidade acontece antes da cerimônia oficial de entrega do Oscar, prevista para fevereiro, quando o público pode conferir, em alguns minutos os melhores momentos da cerimônia. Apesar da recusa de Godard em comparecer ao evento, a homenagem, mais do que merecida, permanece.

Godard mostra que, mesmo aos 80 anos, este em plena forma a confrontar com os “grandões” da indústria, já que o movimento do qual fez parte, a Nouvelle Vague, difundia a ideia de cinema livre, narrativa não-cronológica e, acima de tudo, liberdade criativa. Isso mostra que Hollywood, em boa parte de suas produções, caminha na direção contrária, difundido trabalhos massificados, que podem ter técnica e até estética, mas sem qualidade narrativa. 

Senna estreia nos cinemas.

Carlos Baumgarten


Para alguns, um playboy que curtia carros velozes. Para outros, um exemplo de pessoa dentro e fora das pistas. Esse era Ayrton Senna, piloto consagrado na maior categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1, tendo conquistado três campeonatos. A carreira de Senna acabou precocemente, com a sua morte durante o GP de San Marino, em 1994. O retrato para os fãs do piloto foi a de um grande profissional com postura de campeão e, neste ano, o atleta estaria completando 50 anos.  

E é com o tom mais positivo de sua trajetória que o documentário Senna, dirigido por Asif Kapadia, estreia nas salas de cinema de todo o Brasil nesta sexta-feira, às vésperas da última corrida da temporada 2010 de Fórmula 1. Infelizmente, apesar de ser um ídolo no Brasil para muitas pessoas, inclusive para aquelas que não são fãs de automobilismo, o documentário ficou nas mãos de uma produtora britânica, o que não tira os méritos de seus realizadores, mas nos faz refletir sobre a falta de pulso ou interesse de nosso cinema em resguardar uma história genuinamente brasileira.   

Outros documentários preenchem as nossas salas a partir deste fim de semana. Mais um filme da safra espírita do cinema brasileiro, especificamente do médium Chico Xavier, desta vez em formato documental, mostra as famílias que receberam cartas psicografadas pelo líder religioso. Trata-se do longa As Cartas Psicografadas por Chico Xavier, dirigido por Cristiana Grumbach. Chega às telas também o documentário Terras, que retrata o cotidiano dos habitantes que vivem na fronteira tríplice, entre Brasil, Colômbia e Peru.

Uma co-produção entre França, Argentina e Inglaterra é um dos destaques dos espaços de ficção entre as estreias desta semana. Destinos Cruzados conta a história de um homem e uma mulher, de culturas e crenças diferentes, mas com o objetivo em comum de encontrar seus respectivos filhos, que são estudantes em Londres e estão sem notícias deles, desde os atentados a um metrô na capital britânica, em julho de 2005.

O premiado filme canadense Eu Matei a Minha Mãe, escrito, dirigido e estrelado por Xavier Dolan, conta a história de um jovem de 17 anos que despreza a mãe, por todas as suas atitudes. Assim, começa a desenvolver uma relação de amor e ódio fora de seu controle, vagando pela sua adolescência e descobrindo valores e experiências novas.

Um filme com uma temática envolvente, e repleto de grandes nomes do cinema hollywoodiano, como Julianne Moore, Annete Bening e Mark Ruffalo, é a comédia com ares de drama Minhas Mães e Meu Pai. O longa narra a história de dois irmãos adolescentes, filhos de um casal homossexual, concebidos através de inseminação. Criado pelas duas mães, ao completar a maior idade, os dois resolvem embarcar em uma aventura em busca do pai biológico, que, ao ser encontrado, muda o cotidiano da família.

O comediante Bruno Mazzeo, da Rede Globo, é um dos roteiristas de Muita Calma Nessa Hora, dirigido por Felipe Joffily. Trata-se da história de três amigas em busca de novos caminhos.

Por fim, a adaptação da HQ Trasmetropolitan, Planetary, de autoria de Warren Ellis, traz nomes como Bruce Willis e Morgan Freeman em um filme recheado de ação e bom humor, ingredientes que muita agradam fãs do gênero. Acompanhamos a história de um ex-agente da CIA que se torna alvo da mesma numa operação chamada queima de arquivo.

Filmes para todos os gostos. Basta escolher o que mais convém ao seu estilo. Bom feriado e boa sessão!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Morre Dino De Laurentiis


Redação


Morreu nesta quinta-feira o produtor italiano Dino De Laurentiis, que trabalhou junto à grandes nomes, como Frederico Felini e Roberto Rossellini. Teve participação significativa também no cinema norte-americano, em filmes como Veludo Azul (1986), de David Lynch, e Hannibal (2001), de Ridley Scott. Segundo informações divulgadas, o produtor morreu aos 91 anos, na cidade de Los Angeles.

Dino De Laurentiis nasceu no dia 8 de agosto de 1919, em Torre Annunziata, na Itália. Aos 20 anos, já trabalhava com cinema, sendo um dos principais produtores do Neorrealismo italiano. Nos anos 70, mudou-se para os Estados Unidos, onde prosseguiu com sua carreira de produtor.  

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Robert De Niro vai ganhar Globo de Ouro por sua carreira

Redação


O premiado ator ítalo-americano Robert De Niro, que já conquistou dois Oscars, será agraciado com um Globo de Ouro especial pelo conjunto de seu trabalho. O anúncio foi feito pelos organizadores da cerimônia de entrega do Globo de Ouro, nesta terça-feira. O evento está marcado para acontecer no dia 16 de janeiro.

De Niro, que iniciou uma promissora carreira no final dos anos 60, foi premiado com os Oscars de Melhor Ator Coadjuvante no filme O Poderoso Chefão II (1974) e de Melhor Ator por Touro Indomável (1980). Este último já fazia parte de uma parceria com o diretor Martin Scorsese, precedida por filmes como Caminhos Perigosos (1973) e Taxi Driver (1976).

Nascido em 1943, na cidade de Nova Iorque, Roberto De Niro iniciou a carreira no filme Quem Anda Cantando Nossas Mulheres (1968), de Brian De Palma. O ator tem um estilo único de atuação, que expressa autenticidade e naturalidade, de forma que sua carreira não ficou marcada por personagens específicos, mas pelo indiscutível talento, comprovado ao longo dos anos.  

Durante os anos 80 e 90, a parceria entre De Niro e Scorsese prosseguiu com títulos de grande sucesso, sendo um dos destaques o filme Os Bons Companheiros (1990). Ultimamente, os dois não têm realizados projetos em conjunto. Entretanto, coincidência ou não, na cerimônia de entrega do Globo de Ouro deste ano, realizada em 11 de janeiro, o cineasta Martin Scorsese recebeu um prêmio também pelo conjunto da obra.   

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Film Comission: até que ponto interferir na vida da população?


Carlos Baumgarten


Que o cinema é um excelente meio de divulgação, isso ninguém pode negar. Não é a toa que, recentemente, produções internacionais têm sido atraídas para rodar em terras tupiniquins, principalmente no Rio de Janeiro. Na última semana, o território fluminense recebeu equipes das franquias Crepúsculo, sucesso entre o público adolescente, e Velozes e Furiosos, um hit junto aos amantes de velocidade e carros tunados.

Para isso, entra em ação o trabalho do Film Comission, órgão que busca, justamente, atrair produções para as suas respectivas localidades através de negociações com as equipes. Se considerar o alcance do cinema hollywoodiano (principais alvos dos Film Comission ao redor do mundo), a divulgação através de fotografias primorosas acaba se concretizando com valores mínimos e, no final das contas, geram empregos e negócios pontuais no período de filmagens.

Mas, vale lembrar: a ação não sai totalmente gratuita. O diretor Woody Allen, por exemplo, recebeu uma proposta de patrocínio de US$ 7 milhões por parte de uma empresa privada carioca para rodar seu novo filme no Rio de Janeiro. Ações como essa rendem também bons incentivos para atrair produções mais modestas, porém de grande visibilidade, como é o caso dos trabalhos de Woddy Allen. Porém, junto a filmes como Crepúsculo e Velozes e Furiosos, trata-se de um valor irrisório.

O pagamento maior, entretanto, vem à população moradora das localidades. A rotina é modificada bruscamente durante os dias de filmagem. O que para uns pode ser um bom entretenimento, apesar de o acesso ser permitido apenas para membros das equipes e figurantes, para outros pode ser um terrível de um transtorno.

Exemplo recente foi a confusão ocasionada pelas filmagens do filme Amanhecer, da franquia Crepúsculo, realizadas no centro do Rio de Janeiro, em bairros como Lapa e Fátima, no último domingo. Moradores, avisados de última hora, acabaram sendo impedidos de adentrar em suas próprias ruas, por não estarem portando comprovantes de endereço.

Além da reclamação dos moradores, alguns comerciantes locais protestaram contra as imposições das equipes de filmagem. Um deles, inclusive, denunciou que a produção disse para eles não fazerem alarde, pois ganhariam R$ 100 pelo “apoio”. Falando em “cachê”, figurantes que atuaram como pedestres receberam R$ 70, cada, enquanto proprietários de veículos que circularam durante as filmagens embolsaram R$ 100, mas tiveram seus carros vistoriados. Como se não bastasse, moradores revoltados atearam fogo em banheiros químicos.

É claro que o sigilo das gravações deve ser respeitado, a fim de evitar vazamento de imagens antes da finalização do filme. Mas, as negociações entre a Film Comission de cada localidade junto à equipe de produção dos filmes devem ser articuladas de forma mais incisiva, buscando não se rebaixar à arrogância norte-americana, como bem ficou exposto no comportamento de Sylvester Stalonne e o seu Os Mercenários (2010).

Nesse aspecto, é preciso definir melhor o papel do Film Comission, não só como um órgão de atração de produções internacionais às localidades, mas também de defensor dos direitos de suas comunidades. Aproveitar ao máximo a oportunidade de receber produções que dêem visibilidade a determinado local não é apenas divulgar a imagem no exterior. É também dar oportunidade a trabalhadores locais, gerando emprego e renda, é incentivar a arte e a produção audiovisual, e, acima de tudo, entender que se trata de uma concessão da população, esta que, antes de qualquer interesse comercial, deve ser valorizada e respeitada.

Sabemos que essa realidade está um pouco longe. É só dar uma olhada do estereótipo criado pelo olhar estrangeiro ao longo dos anos. Mas, é a articulação de nossos gestores e os seus talentos para negociações que devem entrar em ação, de forma que não se predomine o interesse apenas de uma das partes, afinal, o resultado positivo pode vir para ambos os lados.