sábado, 2 de outubro de 2010

Especial

Para os amantes do cinema: Casa de Cinema                                       

Carlos Baumgarten

Avanços tecnológicos. Eis um tema que, aos ouvidos de uns, soa harmônico. Já para outros, desafina na maior parte dos compassos. Desde os idos dos anos 30, o avanço desenfreado da tecnologia chamava a atenção de gênios sensíveis às necessidades da sociedade. Charlie Chaplin e o seu “Tempos Modernos” (1936) traziam uma perfeita sátira do homem moderno, escravo das máquinas e intelectualmente mecanizado. Em 1968, Stanley Kubrick adaptou o romancista Arthur C. Clarke e levou ao mundo “2001: Uma Odisseia no Espaço”. O filme imagina uma sociedade que atingiu o ápice da exploração espacial com avançadas tecnologias. Entretanto, no decorrer de uma missão, essa tecnologia se volta contra o próprio homem.

Se fôssemos enumerar o número de obras que tratam dos possíveis malefícios de uma tecnologia, poderíamos descrever um tratado no trabalho em questão. Entretanto, como foge do objetivo da proposta a seguir, é preciso direcionar o foco para a nossa real meta. Apresentamos um estabelecimento comercial especializada em locação de filmes, um negócio bastante comum em cidades de diversos portes, desde grande metrópoles à pequenas cidades do interior.

A locadora em questão chama-se Casa de Cinema, de propriedade do jornalista Roberto Harfush Midlej, localizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Roberto possui um ponto no Shopping Rio Vermelho, onde o seu negócio funciona de segunda a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos das 11h às 18h. Quando entrou para o ramo, no final de 2003, Roberto sabia que encontraria dificuldades. Ele teria que afrontar concorrentes diretos, como a GPW, que na época já tinha pelo menos 10 anos de mercado, e a Vídeo Hobby, que possui mais de 15 anos no segmento.

Fora essas duas, Salvador possui aquelas pequenas locadoras de bairro, com clientela fixa da região, porém sem perspectiva de crescimento. E não era esse o pensamento de Roberto. Segundo o jornalista e empresário, o pensamento dele era atender a uma clientela fiel, porém não se estabelecendo como uma pequena locadora de bairro, sem desmerecer esses negócios.

Mas outros obstáculos rondavam o caminho do jornalista. Na época, o DVD estava ganhando o seu mercado, substituindo os antigos videocassetes. Era um caminho para uma diferenciação do negócio, não fosse os altos preços cobrados pelos produtos. Para adquirir um lançamento em DVD para locação, a faixa de preço variava entre R$ 90 e R$ 100. Filmes de catálogo custavam em torno de R$ 30.

Foi aí que Roberto encontrou um nicho de mercado para atuar. Cinéfilo e frequentador assíduo de salas de arte, o jornalista observou que, apesar de restrito, o público interessado em cinema cult e clássicos da cinematografia mundial crescia. Então, ele decidiu que a sua locadora, a Casa de Cinema, seria um espaço diferenciado em Salvador, oferecendo para locação filmes cult, clássicos, produções que não chegam ao circuito comercial.

Locadora Casa de Cinema: acervo cult em Salvador

E, você deve estar se perguntando, qual seria a relação de todo esse relato acima com a nossa introdução? A resposta se configura em mais um obstáculo para o negócio de Roberto e para o mercado de locadoras de filme em geral. A facilidade em se obter um filme pirata, em realizar download ilegal pela internet de filmes e até o barateamento dos discos de DVD (hoje, pode-se encontrar filmes originais por até R$ 9,90) aparecem no caminho dos donos de locadora como mais um desafio a ser vencido e um momento para procurar adequações à nova demanda do mercado. 

Uma matéria publicada no portal Folha On Line, em 15 de janeiro de 2010, traz o seguinte título: “Mercado de locadoras de filmes cai à metade no Brasil”. O texto, de autoria de Ana Paula Sousa apresenta números desse mercado. Segundo a matéria, entre 2003 e 2005, havia, no Brasil, quase 14 mil locadoras. Esse número começou a decair em 2006 e, hoje, existe, no máximo, 6 mil lojas, em todo o País.

Essa situação pode ser refletida no número de DVDs comercializados entre 2006 e 2008, que caiu 14%, de acordo com o texto. Entretanto, falando-se dos números de vendas DVDs só para locação, registra-se uma queda de 45%. Dentro dessa crise, entra a questão da pirataria, beneficiada pelas altas tecnologias. Hoje, pode-se fazer uma cópia de DVD facilmente, liberando as travas que impedem a cópia em unidades convencionais, além do barateamento das mídias, que custam, em média, R$0,89. Tudo isso que parecia ser um benefício tecnológico do homem para o homem virou pesadelo de muitos negócios, inclusive os das locadoras de filmes.

Mas temos os remanescentes, que seguem na batalha em manter a velha tradição da locação de filmes, mesmo em meio à tamanha concorrência desleal. E, nesse contexto, ainda arriscar para atender a um nicho de mercado específico torna a Casa de Cinema não somente uma homenagem à sétima arte, mas uma homenagem aos amantes da sétima arte. Não deixe de visitar esse espaço, com um verdadeiro acervo cult em plena capital baiana.

Casa de Cinema
Telefone: 71 3334-4409
Endereço: Rua Ordilan Santos, 205, Rio Vermelho. Salvador – Bahia
Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos das 11h às 18h.
Preços: R$ 4,90, lançamentos, R$ 3,90, catálogo.  

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