segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Culpa da internet ou hora de mudar?


Carlos Baumgarten

Internet: vilã ou aliada?



No Festival Internacional de Cinema de Tóquio, que começou sábado e prossegue até o próximo domingo, 31, diretores apontaram a internet como grande vilã da indústria cinematográfica. O diretor irlandês, Neil Jordan, de sucessos como Entrevista com o Vampiro (1994), foi um dos que defendeu a tese.

Mas seria o caso culpar a rede mundial de computadores por tudo de ruim que está acontecendo na indústria ou estaria na hora de buscar novas formas de produção e distribuição? Como bem pontuou Jordan, a internet mudou os hábitos das pessoas. Ou seja, não há mais como impor a vontade de uma indústria, já que a sociedade passou a ser protagonista de suas ações.

O acesso fácil e rápido à informação (de qualidade ou não) e a própria pirataria determinaram a crise de diversos setores, que, além do cinema, pode incluir a indústria fonográfica e no mercado de livros. A música parece ter encontrado, em parte, seu caminho, mas o cinema não.

Obviamente, a pirataria é um forte e covarde concorrente, já que aí entram também aspectos legais de direitos autorais. Mas, as novas formas de distribuição e as próprias ferramentas disponíveis deveriam ser encaradas pelo cinema como um desafio e não um problema.

Ridley Scott, por exemplo, conseguiu produzir o primeiro filme realizado por usuários de todo o mundo, através do Youtube (Life in a Day, ou Vida em um Dia, em tradução livre). Em países como o Brasil, carentes de recursos para o cinema, a internet acabou tornando-se o espaço para diretores independentes vencerem a barreira da distribuição, um dos nossos principais desafios.

É claro que, transfigurando para a internet, os hábitos mudam. Uma tela de computador em seu quarto é muito diferente de uma tela de cinema em uma sala de cinema. São desafios que devem ser encarados e, quem está na área, não se pode fugir dessa responsabilidade. É fundamental, para a indústria em todo mundo superar essa tal crise, enxergar a ferramenta da internet como uma aliada.

O que deve ser combatido não são as novas formas de produção e distribuição, mas os “pormenores” que, de fato, instauram esse processo dificultoso para os realizadores. É preciso que a indústria mude os seus “hábitos”, e não a sociedade.  

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