domingo, 31 de outubro de 2010

Projeção restaurada de A Doce Vida será exibida hoje no Festival de Roma


Redação


O clássico do cinema italiano, A Doce Vida (1960), do cineasta Frederico Felini, ganhou uma versão digital restaurada, que terá estreia mundial hoje, no Festival de Roma. Entre as celebridades confirmadas para participar do lançamento está o diretor ítalo-americano Martin Scorsese, que deve chegar a Roma neste domingo. A projeção marca o 50º aniversário de lançamento do trabalho de Felini.

O Festival de Roma iniciou na última quinta-feira, dia 28, e prossegue até o dia 5 de novembro. Nesta edição, o evento será dedicado ao Japão, e terá 16 títulos procedentes de países como Estados unidos, México, Irlanda, Dinamarca, Bélgica e França. Mais informações sobre o festival, no site www.romacinemafest.it.  

sábado, 30 de outubro de 2010

Cine Nostalgia - programação de novembro

Dia 02 às 15:30 filme " DESCALÇO NO PARQUE " ano - 1967  ( USA ).
Atores -  Robert Redford, Jane Fonda, Charles Boyer e Mildred Natwick.
Diretor - Gene Saks.
 
Dia 04 às 15:00 filme " A CEIA DOS ACUSADOS " ano - 1934  ( USA ).
Atotres - William Powell, Myrna Loy e Maureen O'Sulivan.
Diretor - V. S. Van Dyke
 
Dia 05 às 15:00 filme " O TERCEIRO HOMEM" ano - 1949   01 OSCAR ( USA ).
Atores - Orson Welles, Alida VAlli Josseph Cotten e Trevor Howard.
Diretor - Carol Reed.
 
Dia 06 às 15:30 filme " 100 HOMENS E 1 GAROTA "  ano - 1937  ( USA ).
Dia 07 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Deanna Durbin, Adolphe Menjou e Alice Brady.
Diretor - Henery Koster.
 
Dia 11 às 15:00 filme " UM FIO DE ESPERANÇA " ano - 1952 ( USA ).
Atores - John Wayne, Claire Trevor Laraine Day e Robert Stack.
Diretor - William A. Wellman.
 
Dia 12 ás 15:00 filme " FUGA DE FORTE BRAVO " ano -1953  ( USA )
Atores - William Holden, Eleonor Parque e John Forsytthe,
Diretor - John Sturges.
 
Dia 13 às 15:30 filme " MEUS DOIS CARINHOS " ano - 1957  ( USA  ).
Dia 14 às 16:000 ( o mesmo filme ).
Atores - Rita Hayworth, Frank Sinatra e Kim Novak.
Diretor - George Sidney.
 
Dia 15 às 15:30 filme " LOUCO POR SAIAS " ano - 1943  ( USA ),
Atores - Mickey Rooney, Judy Garland e June Allison.
Diretor  - Busby Berkeley e Norman Taurog.
 
0ia 18 às 15:00 filme " O ANIVERSÁRIO " ano - 1965  ( USA ).
Atores - Betty Davis, Sheila Hancock e Jack Medley.
Diretor - Roy Baker.
 
Dia 19 às 15:00 filme " O GENERAL MORREU AO AMANHECER " ano - 1936  ( USA ).
Atores - Gary Cooper, Madeleine Carrol e Akim Tamiroff.
Diretor - Lewis Milestone.
 
Dia 20 às 15:30 filme " TRAPÉZIO " ano - 1956  ( USA ).
Dia 21 às 16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Burt Lancaster, Tony Curtis e Gina Lolobrígida.
 Diretor -  Carol Reed.
 
Dia 25 às 15:00 filme " SUBLIME DEVOÇÃO  ano - 1948  ( USA ).
Atores - James Stuart, Richard Conte,  Lee J. Kobb e Helen Walker.
Diretor - Henry Hataway.
 
Dia 26 às 15:00 filme " A NOITE DA EMBOSCADA " ano - 1968 ( USA )
Atores - Gregoty Peck e Eva Marie Sant.
Diretor - Robert Mulligan.
 
Dia 27 às 15:30 filme " ASSIM ESTAVA ESCRITO " ano - 1962 ( USA ).
Dia 28 às  16:00 ( o mesmo filme ).
Atores - Lana Turne, Kirk Douglas, Walter Pidgeon e Dick Powell.
Diretor - Vincente Minelli.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Filme de Arnaldo Jabor estreia nos cinemas


Carlos Baumgarten


O retorno de Arnaldo Jabor à direção cinematográfica pode ser conferido a partir de hoje. A Suprema Felicidade, que foi apresentado Festival do Rio, chega às salas de cinema de todo o Brasil. O filme narra a história de Paulo, que descobre a amizade, amor e o sexo na cidade do Rio de Janeiro, nos anos 50 e 60.

Outro filme nacional preenche as telas do cinema nesta sexta-feira. E, dessa vez, trata-se de trabalho que reflete o principal gargalo da indústria cinematográfica no Brasil, que é a distribuição. Federal, filme de Erik Castro, estrelando Selton Mello, foi finalizado em 2006, mas só conseguiu espaço nas salas comerciais agora, quatro anos depois.

Contos da Era Dourada é outra estreia da semana. Trata-se de uma produção franco-romena dividida em cinco episódios, nos quais são recriados alguns dos mitos urbanos mais populares da Romênia, durante os 15 anos do regime ditatorial de Ceausescu. Outro título francês que chega às telas é a aventura As Múmias do Faraó, que mistura ação, suspense e fantasia.

Por fim, a animação Garfield: Um Super-Herói Animal completa as estreias da semana em que se comemora o Dia Internacional da Animação (28 de outubro). 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cinema e diversidade sexual

Redação


Entre os dias 21 e 24 de outubro, Porto Alegre sediou o CLOSE – Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual, com o objetivo de valorizar produções cinematográficas e incitar debates em relação ao tema proposto: a diversidade de expressões da sexualidade humana. Trata-se de uma iniciativa do grupo SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade, com financiamento do Ministério da Cultura, que teve a produção executiva assinada pela Avante Filmes, produtora de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon.

O evento reuniu cineastas, estudantes, pesquisadores, cinéfilos, militantes, comunidade LGBT e o público interessado na temática da sexualidade, através da linguagem cinematográfica. Durante o festival, foi promovida uma mostra competitiva, cujo grande vencedor foi o filme Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, que levou sete prêmios, em cerimônia realizada no último dia 24.

O filme conta a história de Leonardo, um adolescente cego, que muda completamente após a chegada de um novo colega em sua escola. Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana e entender os sentimentos despertados pelo novo amigo. Confira a lista completa dos vencedores no site do evento: www.somos.org/close

Entrevista


Cinema: um processo coletivo


Carlos Baumgarten

Fotos: Divulgação
Quando o jovem cineasta gaúcho Filipe Matzembacher (foto), de 22 anos, resolveu migrar do curso de publicidade e propaganda para o de produção audiovisual, provavelmente, não deveria saber da contribuição e inspiração que traria para novos realizadores. Seu belíssimo filme Silêncio, Por Favor, que trata do universo das pessoas surdas, jogando o espectador para vivenciar essa realidade, foi o grande vencedor do Festival de Cinema Universitário da Bahia, que aconteceu entre os dias 14 e 18 de outubro, em Salvador.

Filipe iniciou suas atividades artísticas no teatro, tendo ingressado, paralelamente, na faculdade de Comunicação Social. Ele diz ter havido uma certa falta de coragem na sua opção inicial. “Atuei na área de publicidade e propaganda por alguns anos. Depois, transferi meu curso para Cinema, que era o meu desejo inicial, mas faltou-me coragem quando mais novo. Então, ingressei no curso de Produção Audiovisual da PUC-RS e, logo no primeiro semestre escrevi junto de Márcio Reolon (diretor de Depois da Pele) o mesmo filme, que no Festival, conquistou o terceiro lugar”, afirma o cineasta.

Apesar da pouca idade, já trabalhou em diversos filmes como roteirista e produtor. Atualmente, está finalizando o documentário Preservativo, dirigido em conjunto com Márcio Reolon e Samuel Telles, além da co-direção de Quando a Casa Cresce e Cria Limo¸ um filme de Filipe e Amanda Copstein. Os filmes realizados por essa turma, neste ano, participaram de festivais como PUTZ, Festival Internacional de Gramado, Mostra de Cinema de Ouro Preto¸ Festival Internacional do Primeiro Filme, Mostra de Cinema Brasileiro na Áustria, Festival de Cinema Ibero-Americano de Sergipe, Azores Short Film Festival 2010, em Portugal, MOSCA, Curta Canoa, Festival Brasileiro de Curtas Metragens do Rio de Janeiro, entre outros.

Mesmo envolvido na produção de um festival de cinema em Porto Alegre (CLOSE – confira o link www.somos.org/close), Filipe, gentilmente, concedeu esta rápida (e rica) entrevista ao blog Nicotina, Cafeína e Cinema, na qual ele debate conosco as novas tendências da sétima arte e o desafio para os nossos realizadores no atual contexto. Quando questionado individualmente sobre sua carreira, Filipe faz questão de destacar: “É complicado falar da minha pessoa isoladamente, pois sempre trabalhei junto com Márcio Reolon, Samuel Telles e, neste último ano, Caio Sehbe. Portanto, toda vitória adquirida por um de nossos filmes é uma vitória coletiva, como acreditamos que deve ser o cinema, um processo coletivo do início ao fim”.

Nicotina, Cafeína e Cinema - O que representa a conquista do primeiro lugar no Festival de Cinema Universitário da Bahia?

Filipe Matzembacher - Representa um reconhecimento muito bacana por parte de um júri que considero extremamente capacitado e que representa muito o espírito de um festival universitário ou, até mesmo, de um festival de cinema brasileiro na atual conjuntura do mercado. Ao trabalhar esse tema (do filme Silêncio, Por Favor), assumi um risco muito grande, e sabia disso. Fui desafiado a desistir dessas escolhas, mas persisti, pois percebi a necessidade de uma abordagem com esta narrativa. E conquistar o primeiro lugar, em um festival universitário no qual sua Mostra Competitiva não fica devendo em nada  a festivais com décadas de existência, só me deixa mais satisfeito. Já era uma vitória estar duplamente fazendo parte daquele universo fílmico – como co-roteirista e assistente de direção em Depois da Pele¸ de Márcio Reolon e Samuel Telles. Existem festivais que acrescentam ao evento um espírito próprio, seriedade, um respeito para com os realizadores e um posicionamento que se faz ímpar no mercado nacional e acredito, realmente, que o Festival de Cinema Universitário da Bahia se tornará cada vez mais um evento a se prestar atenção.

NCC - Fale um pouco do seu filme premiado. Do que trata? O que o inspirou a fazê-lo?

FM – O filme Silêncio, Por Favor surgiu de uma conversa com um grande amigo meu, professor de libras, sobre o universo do surdo e como é dispare a relação de imersão do surdo para o ouvinte e vice-versa. Depois de muito estudar o tema, decidi transmitir através de imagens e sons esse estranhamento que o surdo tem ao invadir o mundo ouvinte, pois é obrigado diariamente a conviver com esse mundo. Quis colocar o espectador não como receptor de um história e sim jogá-lo para dentro desse estranhamento. Então, na disciplina de Laboratório de Realização II – Ênfase em Documentário, propus a produção deste projeto. Logo de cara, meus colegas toparam embarcar nesse universo comigo e só tenho a agradecer a todos pelo apoio e ajuda nessa batalha. Quanto mais a equipe estudava o tema, mais fascinados ficávamos e isso se transmite muito na mensagem final do filme. Não gostaríamos de fazer um filme que abordasse o surdo como um coitado ou necessitado, mas como alguém, pertencente ao nosso universo e que, contudo, pertencia também a outro só dele.

NCC - Hoje em dia, qual o grau de dificuldade para se fazer cinema no Brasil?

FM - Esse assunto foi muito discutido nas oficinas que participamos no festival – outro diferencial genial do evento – e acredito que é unânime a dificuldade de se produzir material audiovisual no País. Contudo, diversos meios de produção, viabilização e projetos colaborativos têm sido criados para aumentar a massa fílmica brasileira e tendem a não parar. Cinema é uma arte cara e isso não pode ser assim. Acredito que quanto mais trabalharmos em um projeto, sem esquecer o fim lucrativo, mas que alie um viés artístico, que explore a demanda necessária, mais profissionais produzirão conteúdo nacional e o cinema brasileiro só tende a crescer. Este é um tema extenso e complicado de se colocar em poucas palavras, mas como eu mesmo disse na cerimônia, pensamento e atitudes positivas têm surgido.

NCC - Já que falamos de um País com dimensões continentais, com diferenças histórico-culturais tamanhas, gostaria que você falasse um pouco sobre como é fazer cinema no Rio Grande do Sul. Quais as principais dificuldades na sua região? Quais os desafios? E, se houver, quais seriam as facilidades para se produzir?

FM - Com certeza, existe uma diferença entre produzir no sul e no norte, mas não é tão grande. Como cinema no Brasil é bancado pelo Governo, quando o Governo não investe no setor, não há produção. É o que acontece em determinados momentos políticos no País. Contudo, acredito que tempos melhores virão. Creio que a arte deva ser bancada pelo governo e, ao mesmo tempo, tem que conseguir criar um mercado próprio. É o que todos buscamos.

NCC - Obviamente, explorar a cultura de raiz na produção cinematográfica é fundamental, mas não seria necessário haver mais uma “abertura” da regionalização do cinema?

FM - Acredito que devemos fazer filmes que reflitam nossos sentimentos, mundos, experiências, angústias, modos de pensamento e por aí vai. Portanto, um realizador brasileiro que não explora as características de sua terra em sua obra está perdendo uma grande oportunidade de valorizá-la. Contudo, não pode somente se debruçar a isso. A Coca-Cola tem um lema: pense mundialmente, haja localmente. Parece bobagem, mas me lembra muito da máxima de Roberto Mckee, que afirma que, ao desenvolver um roteiro, temos que criar conflitos, personagens, sentimentos globais, mas peculiaridades regionais, pois somaremos o mundial e o exótico, instigando mais as pessoas. Cinema brasileiro tem que ser brasileiro, mas não precisa ser um cinema bitolado.

"Acredito que devemos fazer filmes que reflitam nossos sentimentos, mundos, experiências, angústias, modos de pensamento..."


NCC - Qual a importância dos festivais, no sentido de promoção de filmes que estão fora do circuito comercial? Você consideraria uma vitrine para jovens cineastas, por exemplo?

FM - Com certeza. No modelo tradicional de curta-metragens, o festival é a principal janela. Claro que hoje pensamos e produzimos filmes já visando outras janelas, mas o festival, além de espaço de exibição, é espaço de discussão e amadurecimento. Por isso, esses eventos sempre estão repletos de jovens realizadores.

NCC - Você falou que está em fase de pré-produção de um festival em Porto Alegre. Pode nos adiantar do que se trata?

FM - É o CLOSE – FESTIVAL NACIONAL DE CINEMA DA DIVERSIDADE SEXUAL, projeto que a Avante Filmes (produtora que abri este ano) entra como apoiadora. O projeto é uma promoção do Grupo SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade (www.somos.org/close), e contará com diversos filmes de curta, média e longa-metragem, nacionais e internacionais, em mostras competitivas, informativas e paralelas. Eu e o Márcio (meu sócio e diretor do Depois da Pele) assinamos a Produção Executiva do Festival, que trará filmes muito interessantes e provocadores.

NCC - Vamos ampliar a conversa agora. Na sua opinião, qual seria o principal desafio do cinema brasileiro? Precisamos de mais investimento? Novas parcerias com empresas privadas, para não ficar dependendo exclusivamente de dinheiro público?

FM - Como falei, essa é uma questão muito ampla e muito difícil de se resumir em poucas palavras. Na realidade, trata-se de algumas mudanças em questões governamentais aliadas à mudança da mentalidade do mercado privado brasileiro e, principalmente dos realizadores brasileiros. Com certeza, o principal desafio do cinema brasileiro é a exibição e distribuição. Não que a produção esteja um “paraíso”. Contudo, é uma questão de repensar conceitos de sociedade, mercado e métodos de produção.

NCC - Você acha que o cinema de autor no Brasil tem espaço para conquistar nas salas comerciais, ou estariam restritas aos circuitos alternativos?

FM - Dificilmente o filme de autor invade a sala comercial. Mas, se formos pensar, nem o cinema norte-americano de autor invade a sala comercial da mesma maneira que Hollywood. A realidade é que o cinema de autor tem que encontrar seu espaço, mas não necessariamente precisa terminar com o cinema comercial. Ambos caminham lado a lado, construindo a massa fílmica de nosso País.

NCC - Você acha que o Brasil já está no caminho de produzir blockbuster ou ainda é preciso ter cautela?

FM - Nosso cinema já produz blockbuster há anos. Basta ver os recordes de bilheterias de determinados filmes. Contudo, não acredito que um País com tantas pessoas vivendo na miséria deva ter um universo de filmes com orçamentos gigantes. Isso seria mais uma dicotomia brasileira nada agradável. Acredito que esse modo de produção nunca ocorrerá até diminuirmos a desigualdade social.

NCC - E quanto às novas tecnologias? Você acha que cinema é cinema, independente do suporte?

FM - Essa é outra questão polêmica. A princípio sim, porém, mais importante que isso é a valorização do conteúdo narrativo audiovisual, adequado à janela que melhor se enquadra. Às vezes vemos tantos filmes fracos na tela do cinema que poderiam se tornar poderoso na tela de um celular e vice-versa. A principal função de um realizador é melhor aproveitar-se da tecnologia, e não ficar fugindo dela.

NCC - E o que fazer para superar as dificuldades de distribuição?

FM – Nossa! Essa é uma questão muito complicada, que tem que ser muito estudada. Poderia expressar algumas opiniões, mas, além de longas, existem pessoas que saberiam explorar esse tema com mais eloqüência que eu. A questão remete muito às anteriores, sobre o repensar mercado audiovisual e a função de cada um: realizador, mercado e Estado.

NCC - Por fim, qual o conselho que você dá para os aspirantes a cineastas?


FM - Cinema é arte e arte fala de sentimentos, sensações, acontecimentos e posicionamentos de alguém exposto para outros. Explorem isso. Façam o seu cinema da forma mais sincera possível. Pensem bem no que acreditam e abordem isso. E claro, vejam muitos filmes. Quanto maior o repertório, mais profunda será a sua linguagem cinematográfica. Imagens em movimento propiciam um mar de opções. Cabe a você direcioná-las para onde quer ir e se entregue. Honestidade é uma das primeiras coisas que você percebe ao assistir um filme.


"Toda vitória adquirida por um de nossos filmes é uma vitória coletiva, como acreditamos que deve ser o cinema, um processo coletivo do início ao fim”


Apesar do favoritismo de Danny Boyle, drama russo vence Festival de Londres


Redação


Todas as apostas indicavam que o diretor britânico Danny Boyle seria o grande vencedor do Festival de Londres, com o seu filme 127 Hours. Mas quem acabou com a festa foi o russo Alexei Popogrebsky, que conquistou o júri com o longa How I Ended This Summer. Patricia Clarkson, presidente do júri do Festival de Londres, fez a entrega do prêmio.

O diretor Martin Scorsese fez uma homenagem ao trabalho do Instituto Britânico de Cinema (BFI, na sigla em inglês), organizadora do festival, que está completando 75 anos. Houve ainda a entrega do prêmio Sutherland, que reconhece o trabalho de novos cineastas. O vencedor foi o japonês Phan Dang Di, pelo filme Bi, Não Tenha Medo. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Culpa da internet ou hora de mudar?


Carlos Baumgarten

Internet: vilã ou aliada?



No Festival Internacional de Cinema de Tóquio, que começou sábado e prossegue até o próximo domingo, 31, diretores apontaram a internet como grande vilã da indústria cinematográfica. O diretor irlandês, Neil Jordan, de sucessos como Entrevista com o Vampiro (1994), foi um dos que defendeu a tese.

Mas seria o caso culpar a rede mundial de computadores por tudo de ruim que está acontecendo na indústria ou estaria na hora de buscar novas formas de produção e distribuição? Como bem pontuou Jordan, a internet mudou os hábitos das pessoas. Ou seja, não há mais como impor a vontade de uma indústria, já que a sociedade passou a ser protagonista de suas ações.

O acesso fácil e rápido à informação (de qualidade ou não) e a própria pirataria determinaram a crise de diversos setores, que, além do cinema, pode incluir a indústria fonográfica e no mercado de livros. A música parece ter encontrado, em parte, seu caminho, mas o cinema não.

Obviamente, a pirataria é um forte e covarde concorrente, já que aí entram também aspectos legais de direitos autorais. Mas, as novas formas de distribuição e as próprias ferramentas disponíveis deveriam ser encaradas pelo cinema como um desafio e não um problema.

Ridley Scott, por exemplo, conseguiu produzir o primeiro filme realizado por usuários de todo o mundo, através do Youtube (Life in a Day, ou Vida em um Dia, em tradução livre). Em países como o Brasil, carentes de recursos para o cinema, a internet acabou tornando-se o espaço para diretores independentes vencerem a barreira da distribuição, um dos nossos principais desafios.

É claro que, transfigurando para a internet, os hábitos mudam. Uma tela de computador em seu quarto é muito diferente de uma tela de cinema em uma sala de cinema. São desafios que devem ser encarados e, quem está na área, não se pode fugir dessa responsabilidade. É fundamental, para a indústria em todo mundo superar essa tal crise, enxergar a ferramenta da internet como uma aliada.

O que deve ser combatido não são as novas formas de produção e distribuição, mas os “pormenores” que, de fato, instauram esse processo dificultoso para os realizadores. É preciso que a indústria mude os seus “hábitos”, e não a sociedade.  

Terra Deu, Terra Come consagrado na Alemanha


Redação


Foto: Divulgação
Depois de premiado no Festival É Tudo Verdade e no Festival de Gramado, o documentário Terra Deu, Terra Come consagrou-se no Festival de Leipzig, na Alemanha, um dos mais importantes do gênero. O longa de Rodrigo Siqueira conquistou o prêmio de Melhor Documentário.

O filme apresenta a jornada do garimpeiro Pedro de Almeida, abrindo com um cortejo fúnebre e o enterro de um homem de 120 anos. O mestre de cerimônia do funeral é o próprio Pedro que conduz. Descendente de escravos, ele transita por histórias carregadas de poesias, transformando o trabalho de Siqueira um transgressão entre o real e o ideal. 


A estreia do filme está prevista para fevereiro de 2011. 

domingo, 24 de outubro de 2010

Mostra de São Paulo tem sessões gratuitas via internet

Redação


Para quem não pôde estar presente em uma das 22 salas de cinema que recebem a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que prossegue até o dia 4 de novembro, os organizadores promoveram, pelo segundo ano consecutivo, a Mostra On Line. Trata-se da maior plataforma de filmes na internet, sendo que 68 filmes da seleção da 34ª Mostra terão sessões gratuitas na rede mundial de computadores. A lista dos filmes e os horários podem ser consultados no site do evento: www.mostra.org.

É uma chance também para os fãs de outros Estados conferirem alguns dos trabalhos. A exibição dos filmes é previamente autorizada pelos produtores e os filmes estrangeiros são todos legendados. E, vale ressaltar, que há um limite de acessos para cada filme, como em uma sala de cinema convencional. Este ano, estará disponível para os 500 primeiros acessos depois da última exibição do filme na programação da Mostra, 200 a mais que na edição passada. A plataforma não disponibiliza nenhuma ferramenta para download.   

Para realizar a Mostra On Line a organização do evento concretizou, mais uma vez, a parceria com a Mubi, maior comunidade on line de filmes independentes e clássicos de todo o mundo. O acervo da comunidade é preenchido por cinéfilos. Fundada em 2007, é patrocinada pela Celluloid Dreams, uma das mais importantes; importantes produtoras de cinema independente do mundo; a Criterion Collection, maior selo internacional de DVDs de arte; e a Costa Films, que atua na América Latina. É parceira exclusiva da World Cinema Foundation, fundação para a preservação de filmes presidida por Martin Scorsese. Tem escritórios em Palo Alto (EUA), Nova York, Paris e Londres.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tentando repetir inesperado sucesso, Atividade Paranormal 2 estreia hoje nos cinemas

Carlos Baumgarten


Seguindo o lema de Glauber Rocha, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, o diretor Oren Peli aproximou-se dos passos de A Bruxa de Blair (1999) e lançou, em 2007, o filme Atividade Paranormal. Trata-se da história de uma jovem que, desde pequena, é atormentada por espíritos do mal e, junto com o namorado, tenta desvendar o mistério, registrando com uma câmera todas as manifestações do além. O filme tem o falso formato de um documentário, tentando passar a ideia de que tudo aquilo que acontece é real.

Com um custo mínimo de US$ 10 mil, o filme rendeu mais de R$ 20 milhões, feito parecido com o de A Bruxa de Blair, que foi realizado nos mesmos moldes que Atividade Paranormal, em um falso formato de documentário. A Bruxa de Blair custou cerca de US$ 25 mil e também rendeu milhões. Os olhos dos produtores cresceram e tentaram enrolar o público com A Bruxa de Blair 2 (2000), que já se utilizou de elementos narrativos de uma obra de ficção e não teve o mesmo efeito que o primeiro.

Os produtores de Atividade Paranormal 2, já atentos a esse fato, prepararam um trabalho similar ao primeiro, pois é perceptível que a tensão,a o considerar aquilo como real, é muito maior do que se utilizar de efeitos especiais e um banho de sangue na tela. Esse novo formato de filmes de terror está ganhando cada vez mais terreno. Recentemente lançado, O Último Exorcismo, que fala de uma possessão demoníaca, apresenta o mesmo formato.

O problema é que a repetição da mesma fórmula em uma abertura de franquia pode ser fatal. O público já vai, mesmo que inconscientemente, sabendo o que vai acontecer. Não é mais novidade. E, além disso, tem aquele ditado: um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Nesse sentido, vale lembrar que uma cópia do primeiro Atividade Paranormal foi parar nas mãos de Steven Spielberg, que gostou do trabalho e deu uma “forcinha” para o lançamento do filme. Atividade Paranormal 2 foi dirigido por Tod Williams, de Provocação (2004). 

O terror continua nos finais de semana com a refilmagem de um filme de baixo orçamento dos anos 70, intitulado Piranha, que foi dirigido por Joe Dante em 1978. Teve uma seqüência em 81, dirigido em parte por James Cameron (ele foi demitido durante as filmagens e, após uma febre ocasionada por uma infecção alimentar, teve um pesadelo no qual um andróide do futuro tinha a missão de matá-lo; o resto é história).

Agora, chega aos cinemas Piranha 3D, que apoiada pelos recursos técnicos, traz a mesma simplória história: banhistas são aterrorizados por, obviamente, piranhas assassinas pré-históricas. Além dos efeitos e os recursos 3D, não há outro atrativo. Na época do lançamento do primeiro filme, em 78, houve uma acusação de plágio  por parte dos produtores de Tubarão, lançado dois anos antes.

Fora o terror, temos Robert De Niro no filme Homens em Fúria e o suspense Instinto de Vingança. Além destes, as salas do cinema recebem as comédias Juntos pelo Acaso e O Solteirão, mais um lançamento com Michael Douglas. 

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo terá exibições especiais de Wenders e Kurosawa

Redação


Serão 467 filmes em 22 salas de cinema. Trata-se da 34ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começa hoje e prossegue até o dia 4 de novembro. O pacote com 40 ingressos custa R$ 40.

Neste ano, os cineastas Wim Wenders e Akira Kurosawa terão exibições especiais de seus filmes, além de exposição de suas artes em cartazes da mostra, espalhados pela capital paulistana. O clássico Metropolis (1927), de Fritz Lang, terá exibição gratuita no parque do Ibirapuera.

A programação completa pode ser conferida no site do evento: www.mostra.org.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

É bom parar por aí


Carlos Baumgarten


Você sabe aquelas velhas reflexões, de que a vida é uma roda gigante e coisa e tal... Pois é. Pode valer para muita coisa na vida, principalmente para as pessoas públicas, cujo sucesso pode ser momentâneo. A arte de empreender é a arte de arriscar. No cinema, o conceito de empreendedorismo deve ser disseminado e, em muitos casos, é o que falta ao cinema brasileiro.

Inovar, buscar novas formas de produção e conseguir levar à tela um trabalho autoral que consiga atingir um grande público. Temos também os filmes puramente comerciais, que são feitos em busca, única e exclusivamente em busca do lucro. Vou sempre bater na tecla: o cinema é arte, mas também é atividade comercial. O lucro não DEVERIA ser o único objetivo dos produtores, mas, não só aqui, como em qualquer lugar do mundo, às vezes é.

Então, vêm as superproduções brasileiras. Para citar as mais recentes, Tropa de Elite 2 e Nosso Lar. O primeiro já é uma sequência, que até surpreendeu, mostrando conteúdo aliado a qualidade técnica. O segundo já tem propostas de produção de uma sequência. Nesse contexto, vale ressaltar que abrir uma franquia de um filme deve ser algo muito bem estudado.

Voltando à velha filosofia de que a vida é uma roda gigante, um dia você pode estar por cima e no outro por baixo, etc. e tal... se essa roda gigante pára, você fica no topo. Ou seja, às vezes, você atingir um patamar de excelência tal que, se você insisti no discurso, pode ser um tiro no pé, e todo aquele trabalho anterior caí no esquecimento.

O cinema é cheio desses exemplos. A franquia Batman pode ser uma boa lição. Fez um sucesso respeitável nos primeiro e segundo filmes, respectivamente em 1989 e 1992. Foi razoável em uma sequência de 1994. Por fim, foi enterrado em 1997, sendo ressuscitado em 2006 e colocado de volta ao topo em 2008. Se continuar de maneira constante, ou seja, sem inovações e apostando sempre no mesmo discurso, vai saturar, mais cedo ou mais tarde, e, de novo, cair no esquecimento. É preciso confiar na competência de Christopher Nolan para isso não acontecer.

No Brasil, fora os filmes de Xuxa, sequências de filmes da Globo têm tido bons resultados,  mas entre o público fiel da emissora carioca. Agora, ouvimos falar em um Tropa de Elite 3. Obviamente, isso é papo dos produtores e ainda está numa fase bem incipiente. Carece, inclusive, de aprovação do diretor José Padilha.

Isso é reflexo do sucesso estrondoso que o filme vem fazendo, batendo todos os recordes possíveis. Mas, fica aí o registro: pode ser o enterro de uma franquia de sucesso, se não forem tomadas as devidas cautelas. Tropa 1 foi um sucesso, dentro de toda aquele esquema de pirataria. Tropa 2, mais ainda. Deu lucro, agora querem fazer mais.

Reforçando: quem quer ser empreendedor, em qualquer área, inclusive no cinema, deve estar disposto a correr riscos. Fazer cinema, principalmente no Brasil, já é uma forma de assumir um grande risco. Mas, como um atleta consciente, é bom estudar e ver quando é hora de parar, pois no auge, ficaremos sempre na lembrança de um público fiel. Enterrados, cairemos no esquecimento. A matemática vale para todos. Não importa quantos positivos tenham, se tivermos um pequeno negativo, tudo se torna negativo. Tropa 3, diante do tema e do discurso, pode se tornar uma maçante barra forçada para enfiar goela abaixo do público. É aí também que nossa visão crítica deve entrar em ação. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Festival de Brasília divulga lista de selecionados


Redação



Foram anunciados hoje os filmes selecionados para o 43º Festival de Brasília, que acontece entre os dias 23 e 30 de novembro. Confira a lista:

35mm

Longas

A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande – RJ
Amor?, de João Jardim – RJ
O Mar de Mário, de Reginaldo Gontijo e Luiz F. Suffiati – DF
O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges – MG
Transeunte, de Eryk Rocha – RJ
Vigias, de Marcelo Lordello – PE

Curtas

A Mula Teimosa e o Controle Remoto, de Hélio Villela Nunes – SP
Acercadacana, de Felipe Peres Calheiros – PE
Angeli 24 Horas, de Beth Formaggini – RJ
Braxilla, de Danyella Neves e Silva Proença – DF
Cachoeira, de Sérgio José de Andrade – AM
Café Aurora, de Pablo Pólo – PE
Contagem, de Gabriel Martins e Maurílio Martins – MG
Custo Zero, de Leonardo Pirovano – RJ
Fábula das Três Avós, de Daniel Turini – SP
Falta de Ar, de Érico Monnerat – DF
Matinta, de Fernando Segtowick – PA
O Céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta – MG

Mostra Competitiva Digital

Curtas/Mpedias

Com a Mosca Azul, de Cesar Netto - SP
Dalva, de Filipie Wenceslau – BA
De Bem com a Vida: Carlos Elias e o Samba em Brasília, de Leandro Borges – DF
Do Andar de Baixo, de Luisa Campos e Otavio Chamorro – DF
Entrevãos, de Luísa Caetano – DF
Esta Pintura Dispensa Flores, de Luiz Carlos Lacerda – RJ
Herói, de Thiago Ricarte – SP
Lendo no Escuro, de Marcelo Pedrazzi – RJ
My Way, de Camilo Cavalcante – PE
Naquela Noite Ele Sonhou com um Mar Azul, de Aristeu Araújo - PR
Negócios à Parte, de Juliana Botelho – DF
O Filho do Vizinho, de Alex Vidigal – DF
O Gato na Caixa, de Cauê Brandão – DF
O Silêncio do Mundo, de Bárbara Cariry – CE
Onde Você Vai, de Victor Fisch – SP
Queda, de Paulo Lobato – MG
Queimado, de Igor Barradas – RJ
Só Mais Um Filme de Amor, de Aurélio Aragão – RJ
Tempo de Criança, de Wagner Novais – RJ
Traz Outro Amigo Também, de Frederico Cabral - RS
Últimos Dias, de Yves Moura - RJ

Gaúcho é o grande vencedor do 1º Festival de Cinema Universitário da Bahia

Redação


O filme Silêncio, Por Favor, foi o grande vencedor da noite de ontem, na cerimônia de premiação da Mostra Competitiva do 1º Festival de Cinema Universitário da Bahia. O evento aconteceu no Cinema do Museu (Circuito Sala de Arte), em Salvador.

Filipe Matzembacher, estudante da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) recebeu o prêmio de R$ 4 mil do júri especializado, composto pelo artista multimídia Nacho Durán e pelos cineastas Priscila Brasil e Ricardo Alves Jr.  
 Foto: Divulgação
Cena de Silêncio, Por Favor, grande
vencedor do festival
O filme Silêncio, Por Favor foi produzido neste ano e apresenta uma imersão no universo dos que não ouvem. Recebeu o destaque do júri pelo trabalho cuidadoso, considerado um ensaio visual e sonoro sobre o silêncio.

O júri premiou com o segundo lugar o vídeo paulista Avós, de Michael Wahrmann, da FAAP-SP, que também foi premiado no Festival de Chicago. Já o prêmio de terceiro lugar, no valor de R$ 2 mil, foi para o também gaúcho Márcio Reolon, pelo filme Depois da Pele.

A Associação Baiana de Cinema e Vídeo premiou o melhor filme baiano da Mostra. No caso, o vencedor foi A Eternidade, de Leon Sampaio. Outro baiano também foi contemplado, só que na premiação do Júri Popular, que representou a votação do público que prestigiou o festival. O escolhido foi o curta Gualin do Riocontra, de Jordan Mendes.

O 1º Festival de Cinema Universitário da Bahia transformou Salvador em um polo de discussão, produção e difusão do trabalho de novos realizadores. Idealizado pelo professor e diretor cinematográfico Max Bittencourt, o festival, que foi realizado entre os dias 14 e 18 de outubro, teve o objetivo de buscar experimentações que transitassem por uma linguagem cinematográfica própria, nos mais variados formatos, apoiados na disponibilidade das novas tecnologias.

O evento foi uma realização da Multi-Planejamento Cultural, que contou com o patrocínio do Programa Vivo Art.mov, através do Fazcultura, e teve a parceria da UniJorge, Dimas, Circuito de Cinema Sala de Arte e TVE.