quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A busca por repostas na consciência de um bom senso no futuro


Carlos Baumgarten

“A gente morre como nasce. Sozinho”. Já ouvi essa frase uma vez, há mais ou menos um ano, durante uma aula sobre o imaginário e o inconsciente, dentro da matéria de semiótica, com o professor Luiz Carlos Iasbeck, doutor no assunto. E, diante da efervescência de filmes com temática espírita, obviamente, o tema viria à tona, mais uma vez. E foi em uma leitura de um artigo do cineasta e jornalista José Pedro Goulart, no Terra Magazine, que acabei descobrindo o curta O Pulso (1996), dirigido pelo próprio Goulart, e ouvindo mais uma vez a frase citada.

O filme conta a história de um homem que morre repentinamente e, do outro lado, sente ainda uma ponta de sentimento. No necrotério, ele acaba se apaixonando pela médica legista e percebe que a única maneira para saciar esse desejo é a passagem da médica para o outro lado. 

O Pulso, em seus cerca de 20 minutos, prende a nossa atenção do início ao fim. O filme é narrado pelo “resto” de consciência do jovem morto e nos leva a reflexões interessantes sobre a vida e a morte, sobre o estar preparado para partir e o aproveitamento da vida terrena, com bons toques de humor e sutilezas na dramaticidade. Isso tudo descoberto em meio a uma série de filmes com temáticas espíritas, especialmente nos que se baseiam na vida e obra de Chico Xavier.

Conforme escreveu Goulart em seu artigo, “A demanda por informações do outro lado tem sido grande. Além do conforto, o pessoal daqui anda querendo certas respostas, enfim ,estar mais bem preparado para a hora e a vez”.  Esse posicionamento de Goulart reflete e justifica os fenômenos de bilheteria de filmes como Chico Xavier e Nosso Lar. Não é o cinema em si que atrai o público, mas sim a temática, a busca por respostas.

Não é a toa que Nosso Lar está liderando a votação no site do Ministério da Cultura e deve ser inscrito como o representante do Brasil para o Oscar do ano que vem. E a franquia espírita já se revela lucrativa. Além do lançamento no ano que vem do filme As Mães de Chico Xavier, os produtores de Nosso Lar já anunciaram que vão fazer uma continuação, Nosso Lar 2, baseado no livro Os Mensageiros, que também teria sido psicografado por Chico Xavier através do espírito de André Luis.

Lucro, respostas sobre o outro lado, adeptos do espiritismo, simpatizantes de Chico Xavier... Não importa o motivo, mas é de se esperar que o que dá certo deve continuar. Nada contra o cinema brasileiro lucrar com as suas produções. Sou totalmente a favor. Mas, ficar presos a temáticas únicas torna-se uma fórmula de curto prazo, que logo será desmentida. E, preciso confessar, que sou mais adepto do bom humor de José Pedro Goulart e na leveza com que possamos encarar a nossa passagem para o outro lado. Afinal, a única certeza da nossa vida é a morte.

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